Perto o bastante para tocar

Colleen Oakley · Capítulo 28 de 37

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Perto o bastante para tocar

vinte e dois

JUBILEE

As luzes voltam de repente com um zumbido alto, abruptamente despertando todos nós na manhã seguinte. Minhas costas estão doloridas por causa do chão duro.

— Que horas são? — pergunto, esticando-me.

Eric geme, e posso dizer que suas costas estão tão doloridas quanto as minhas. Ele pega o telefone.

— Não sei — diz. — Está descarregado.

— Estou com fome — diz Aja.

— Eu também — dizemos eu e Eric ao mesmo tempo. Olhamos um para o outro e sorrimos. Embora o sistema de aquecimento ainda não esteja funcionando, sinto-me aquecida sob seu olhar. Lembro-me da noite anterior e fico um pouco constrangida com o que disse. O que há na escuridão que leva uma pessoa a revelar tanto? Mas, então, lembro-me da sua mão no meu rosto. Suas palavras. Sinto um friozinho na barriga.

— Vou dar uma olhada na sala dos fundos — digo. — Ver se temos uns donuts.

— Ok — diz Eric, plugando o carregador a uma tomada na parede. — Vou até o carro, ver se os tratores já passaram limpando a neve.

Enquanto ele segue seu caminho e Aja come os muffins amanhecidos que encontrei, desmonto nosso acampamento, dobrando os cobertores e colocando todos os livros nos seus devidos lugares nas prateleiras. Quando chego ao A Teia de Charlotte, seguro-o por mais um segundo, como se pudesse sentir a marca da mão de Eric, ainda ouvindo suas palavras nos meus ouvidos.

E então ele está de volta. A porta faz um ruído metálico e ergo os olhos.

— Você deveria ver alguns dos montes de neve lá fora — diz, respirando com dificuldade. — Levei um tempão para conseguir passar por eles.

— Como está o seu carro? — pergunto, envergonhada de perceber que, no íntimo, espero que esteja preso, que os tratores não tenham feito nada. Só quero tê-lo para mim, na utopia desta biblioteca, um pouco mais.

— Quase coberto, mas os tratores estão perto. Uma rua para cima — diz.

Assinto.

— Que bom! — digo, tentando esconder minha decepção.

Ele pega um muffin na caixa sobre o balcão, e finjo estar ocupada com os computadores, certificando-me de que todos estão ligando e inicializando corretamente.

— Ei — diz ele depois de engolir um muffin e voltar para pegar o segundo. — O que vai fazer no Ano-novo?

Levanto os olhos.

— Nada — digo, piscando.

— Quer passar com a gente? Connie disse que haverá queima de fogos na ponte no centro da cidade. Poderíamos achar um lugar para vê-la.

Abro a boca para dizer algo sobre a multidão, mas ele interrompe:

— Longe da multidão.

Nunca me chamaram para sair, e me pergunto se isso é um encontro. A primeira vez. Mesmo com uma criança de dez anos junto. Mordo o lábio para impedir que meu sorriso fique muito largo.

— Sim — digo, meus lábios se estendendo o máximo possível no meu rosto, de qualquer maneira. Abaixo a cabeça. — Sim. Parece uma boa ideia.

Dois dias depois, Madison chega à minha casa com os braços cheios de roupas em sacos plásticos de lavagem a seco.

— Ah, meu Deus — diz, quando a deixo entrar. — Você está horrível.

— Estou doente — digo, limpando o nariz vermelho escorrendo com um lenço de papel pelo que parece ser a centésima vez nesse dia.

— Você não pode estar doente. É véspera de Ano-novo! Você tem um encontro.

No mesmo instante me arrependo de ter ligado para Madison e lhe contado que Eric havia me chamado para sair depois que foi embora da biblioteca naquela manhã. Ela imediatamente começou a falar sobre o que eu ia usar e que faria minha maquiagem, e tudo começou a parecer um exagero. Um muito grande. Talvez, para Eric, isso nem seja um encontro.

— Não vou — digo, com minha cabeça latejando. — Estou gripada ou com o pior resfriado ou algo assim.

— Claro que vai. Tome um analgésico.

— Remédio é sua resposta para tudo?

Ela finge pensar no que eu disse e depois faz que sim com a cabeça.

— Para a maioria das coisas.

— Bem, já tomei um remédio e ainda estou assim — digo. — Só preciso dormir.

Ela faz beicinho.

— Ótimo! Acabe com a minha graça. Vou deixar esse vestidinho preto aqui, porque é o que eu ia fazê-la usar de qualquer jeito. — Ela tira uma roupa da embalagem de plástico transparente e fica segurando um suéter com lantejoulas na frente, algum tipo de material de couro nas laterais e tufos de pelos ao redor dos punhos e da barra.

— Parece um gato morto. Com glitter.

— Não parece! É super sexy. Confie em mim.

— Cadê a calça?

Ela ergue a cabeça em minha direção.

— É um vestido.

Eu rio, ainda que isso faça minha cabeça doer mais.

— Isso não é um vestido.

— Tanto faz — diz ela, jogando-o no sofá. — Tenho que ir buscar as crianças no Donovan antes que a última vaca dele, opa! Quer dizer, namorada, chegue lá. — E faz um pequeno gesto de adeus. — Melhoras — diz. — E use o vestido. — Ela aponta para o vestido acomodado no encosto do sofá para frisar a ideia. Em seguida, vira-se para ir embora.

— Não vou — digo, mas ela já fechou a porta, e não sei se me ouviu.

Limpo o nariz novamente e me jogo no sofá. Parece que minha cabeça vai explodir. Preciso ligar para Eric e cancelar, mas estou exausta e só quero dormir. Além disso, raciocino, talvez eu me sinta melhor depois de um cochilo e me empolgue para ir. Estico-me, deito a cabeça em uma almofada e fecho os olhos.

— Jubilee?

Abro os olhos e olho para cima, diretamente para o rosto de cabeça para baixo de Eric. Estou sonhando? Pisco novamente e sinto o perfume da sua barba feita, do seu cabelo bagunçado. Ele parece excepcionalmente bem no meu sonho.

— É... a porta estava aberta. — Aponta para ela com o polegar.

Ah, meu Deus. Véspera de Ano-novo. Isso não é um sonho. Sento-me reta.

— Bati algumas vezes, mas você não respondeu, então só... combinamos às sete, não foi?

— São sete horas? — grasno, a garganta seca e agora visivelmente inflamada, como se a gripe tivesse passado da minha cabeça para o pescoço enquanto eu dormia. Esfrego minha mão no rosto e sinto um pouco de baba na bochecha. Limpo-a mais que depressa e espero que Eric não tenha percebido. — Desculpe, eu deveria ter ligado para você — digo, fungando. — Estou doente.

— Sim, dá para ver — diz ele, com uma pontinha de preocupação no rosto. — É... tem algo a ver com a sua alergia?

— Ah, não — digo. — Apenas uma gripe forte ou algo assim.

— Então acho que os fogos de artifício estão fora de cogitação.

— Sim — digo. — Não acho que estou com disposição para isso, mas vocês devem ir... Aja está no carro?

— Não — diz Eric, balançando um pouco a cabeça. — Ele, ah... quis passar um tempo com a Connie, por isso vão ficar juntos na casa dela.

Sinto uma fisgada no estômago. Tem um quê no modo como ele disse isso que me faz pensar que talvez tenha armado a situação. Que quisesse ficar sozinho comigo. Mas, por outro lado, isso é bobagem. Não podemos fazer nada.

Uma pequena coceira na garganta me obriga a tossir, e não consigo parar. Eric se aproxima mais um pouco e depois para, como se acabasse de perceber que não há nada que possa fazer. Passa por mim e entra na cozinha. Quando volta com um copo de água na mão enluvada, a tosse curta e seca já diminuiu. Pego o copo da sua mão, agradecida. Depois de alguns goles, digo:

— Sabe, provavelmente você não deveria estar aqui. Não quero que fique doente também.

— Acho que posso correr esse risco — diz. — Prometo não chegar muito perto.

Ele pisca, e sinto que estou ficando quente.

Enquanto bebo a água aos poucos, ele tira o cachecol e o casaco e os joga na poltrona, mas noto que fica com as luvas.

— Agora — diz. — Do que você precisa? Chá quente? Canja?

Enquanto ele fica ali olhando para mim, eu o examino. Por que está aqui? Por que está fazendo isso por mim? Não consigo entender. Acho que talvez não queira. Não quero mais analisar as coisas. Só quero me entregar a tudo o que estou sentindo, ainda que não possa ceder a tudo. Enrubesço, esperando que meus pensamentos não estejam escritos na minha testa.

— Chá seria bom — digo. — Tem um pouco no armário à direita em cima do fogão.

Ele faz que sim com a cabeça e aponta para a TV.

— Coloque na contagem regressiva do Ano-novo para a gente não perder seja lá qual for a banda pop horrível que estiver tocando. Já volto.

Levanto-me para pegar o controle remoto ao lado da TV e vou apertando os botões até o sorriso plastificado e o cabelo estiloso de Ryan Seacrest preencherem a tela. Quando volto a me aninhar no sofá, algo roça minha nuca; dou um pulo, assustada, e levanto a mão, com um pouco de medo porque estou prestes a entrar em contato com uma aranha. Em vez disso, vejo-me tocando a parte estranha de pelos do vestido de Madison. Coloco-o no colo.

— Você quer com açúcar?

Levanto os olhos e vejo Eric no batente da porta entre a sala e a cozinha.

— Só um pouco — digo. — Obrigada.

Ele olha para o suéter.

— O que é isso?

— Um vestido. Supostamente. Madison o trouxe — digo.

— Um vestido? — pergunta, abrindo um sorriso. — Parece um guaxinim morto ou algo do tipo.

— Eu sei! — Levanto-o para que ele possa ver o couro e as lantejoulas.

— Ah, meu Deus — ri. — É horrível! Por que ela deu o vestido para você?

— Queria que eu o usasse esta noite.

Seus olhos ficam grandes.

— O quê? Nããão. Isso é incrível. Você ia usar?

— Claro que não.

— Bem, agora vai ter que colocá-lo — diz. — É óbvio.

— O quê? Não. — Começo a rir, e o riso se transforma em tosse. — Não vou fazer isso.

— Lamento, mas insisto — diz ele, cruzando os braços. — Nem que seja só para provar que é, de fato, uma peça de roupa e não um animal morto. Vai lá. — Ele faz sinal com a mão na direção da escada. — Enquanto termino de fazer o chá.

Ele sai da sala e fico sentada ali, segurando o vestido com um sorriso no rosto. Isso é tão ridículo, mas estou curiosa para ver como é realmente estar com ele. Subo a escada e, no meu quarto, tiro a camiseta e a calça de moletom. Então dou uma olhada no espelho e me encolho um pouco diante da minha aparência. Meu cabelo está uma vassoura e meu rosto parece pálido, as olheiras fundas debaixo dos olhos. Examino meu hálito soprando as mãos em forma de concha e inspirando. Está pior do que imaginei — uma combinação de doença e hálito da manhã. Vou ao banheiro para escovar os dentes e aproveito para lavar o rosto e beliscar as bochechas em uma tentativa de dar um pouco de cor a elas.

De volta ao quarto, coloco uma calcinha e um sutiã limpos e passo o vestido de Madison pela cabeça. A princípio, acho que é muito pequeno — muito embora Madison e eu sejamos, mais ou menos, do mesmo tamanho —, mas, depois de colocá-lo e puxá-lo, finalmente o ajeito no corpo. Olho no espelho e vejo que alguns dos enfeites estranhos que parecem plumas e pelos estão grudados na minha boca. Eu os tiro, cuspindo de leve para tirar um que está na minha língua, e observo as outras partes do meu reflexo. O vestido gruda em mim como se fosse filme plástico, revelando cada curva, o que tenho certeza de que é sexy em alguém como Madison, cujos seios são visivelmente maiores do que os meus. Em mim, ele apenas acentua tudo o que não tenho. E sem contar com os pelos e as lantejoulas. Bem... não consigo resistir. Dou uma risadinha. É muito feio.

— Jubilee? — Eric chama lá de baixo.

— Sim?

— Você vai descer?

— Não! — respondo. — É pior do que pensávamos.

— Você tem que descer! — diz. — Você prometeu.

Sorrio.

— Eu não prometi.

Ele não responde. Ouço um rangido e sei que ele está subindo a escada.

— Não se atreva a vir aqui! — digo, olhando ao redor do quarto com um pouquinho de pânico enquanto me pergunto onde posso me esconder. Então, excluindo essa opção, o que posso colocar sobre o vestido. Nada está ao meu alcance.

— Não consegui ouvir. O que você disse? — Na porta, ele abre um sorriso largo para mim e depois seus olhos vão parar no vestido; ele respira fundo.

— Horrível, não é?

Ele não diz nada. Fica parado ali, olhando, a boca um pouco aberta e o peito arfando depois de subir a escada. Meu corpo começa a esquentar sob seu escrutínio e tenho medo de me transformar em mil tons de vermelho, o que parece ser meu estado normal quando estou perto dele.

— Eric? — digo, com a garganta seca.

— Você — diz, dando um passo em minha direção — está tão...

Ele dá outro passo. Abaixa a cabeça, faz um não. Murmura algo baixinho. Em seguida, encontra meu olhar de novo e dá outros três passos mais lentos, pensativos, até estar bem na minha frente.

Levanto as sobrancelhas, surpresa com sua meia declaração e sua proximidade.

— Você gostou? — pergunto em um sussurro.

— Não. Meu Deus, não — sussurra em resposta. — O vestido é horrível. — Eu rio, e ele sorri para mim. Depois, hesitante, ele levanta a mão enluvada para tocar o meu rosto. — Mas você...

Não sei o que deu em mim naquele momento, mas, em vez de me desviar da sua mão, afastando-me, inclino-me na sua direção, colocando o rosto na sua palma como um gato selvagem desesperado por carinho. Ele abre os dedos como uma estrela-do-mar, enfiando-os no meu cabelo, o polegar esticado sob meu queixo, e desejo mais do que qualquer coisa poder sentir o calor da sua pele na minha, mas sei que a malha da luva será o melhor possível. Fecho os olhos, desejando que as batidas aceleradas do meu coração desacelerem. Engulo em seco, a ação em si queimando minha garganta inflamada.

— Jubilee.

— Sim?

— Abra os olhos.

Olho para ele. Em seus olhos verde-oliva que se aproximam cada vez mais a cada segundo suspenso. Ele vai me beijar. Sei que vai e não tenho forças para impedi-lo. Porque quero o beijo, mais do que qualquer coisa que já quis em minha vida ridícula e solitária. Quero sentir seus lábios rachados nos meus, sua língua na minha boca, o calor da sua respiração. Sei que isso me mataria. Estou tão certa disso quanto estou do meu próprio nome, mas, neste momento, estou certa de outra coisa: eu morreria com prazer.

Então, no último segundo, ele para, o rosto a poucos centímetros do meu. E mantém meu olhar fixo enquanto seu polegar enluvado roça meu lábio inferior. Luto contra o desejo de fechar os olhos, de me entregar à sensação das milhares de terminações nervosas que estão sendo estimulados em rápida sucessão, enquanto ele esfrega lentamente a ponta do polegar de um lado para o outro. Então, a sensação desaparece, e meu lábio parece desnudo, exposto, enquanto sua mão passeia do meu rosto para meu pescoço, seus dedos abrindo um caminho novo por minha pele.

Delicadamente, percorre meu colo exposto, o polegar descansando na depressão logo acima do meu seio. E tudo o que posso ouvir são os movimentos repentinamente audíveis de respiração, mas já não posso dizer se são dele ou meus. Sua mão deixa meu pescoço, descendo lentamente sobre o tecido do vestido, os dedos contornando a borda do meu sutiã até que — finalmente, como se eu soubesse que esse era o destino — a palma da sua mão está sobre meu seio, envolvendo-o. Seu polegar toca levemente as duas camadas de tecido que cobrem meu mamilo, e respiro fundo. É quando estou plenamente convencida de que a respiração pesada é dele, porque já parei de respirar completamente. Minha cabeça parece leve, como se pudesse flutuar para fora do meu corpo a qualquer momento, e meus joelhos são como plumas, incapazes de sustentar o peso do meu corpo.

— Eric — sussurro. Ou talvez esteja só pensando. Repassando seu nome na cabeça como uma música. Deliciando-me.

Então, um toque abafado atravessa o ar. Começa como o zumbido de um mosquito e depois fica incessantemente mais alto. Ambos congelamos.

— Eu, hã... acho que tenho que atender — diz com a voz rouca.

Engulo em seco e obrigo minha cabeça a dar um pequeno sim.

— Sim — digo.

Ele tira a mão do meu seio e dá um passo para trás, colocando-a no bolso para pegar o telefone.

Conversa por um minuto, mas não presto atenção em suas palavras. Não consigo digerir nada, exceto o que acabou de acontecer. Nem consigo digerir isso.

Quando deixa o telefone de lado, encerrando a ligação, olho para ele.

— Era a Connie — diz. — Aja está pronto para ir para casa. Pelo visto, acabou a bateria do iPad dele e ele esqueceu o carregador. Connie se ofereceu para ir buscá-lo em casa, mas Aja disse que queria jogar no computador dele, depois não falou mais nada. Ela disse que não teria problema algum em levá-lo e ficar com ele lá, mas acho que eu deveria... acho que deveria...

— Não, claro — digo, de repente inibida. — Você tem que ir. Ficar com ele.

Porém, ele não se move. Fica parado ali, com as mãos enluvadas soltas inocentemente ao lado do corpo, como se simplesmente não tivessem mudado toda a minha visão de mundo alguns minutos antes.

Ele pigarreia.

— Vem comigo — diz.

— À sua casa?

— Sim. Quer dizer, se estiver se sentindo bem para isso. — Ele sorri e acrescenta: — Acho que tenho um pacote de macarrão instantâneo no armário que posso fazer para você.

Penso no convite, em como estou me sentindo. Tenho dor de garganta e tosse, é claro, e depois há o fato de que meu corpo inteiro está tremendo um pouquinho, mas sei que não tem nada a ver com o resfriado. Sei também que o único lugar onde quero estar essa noite é onde ele estiver.

— Tudo bem — digo. — Só me deixe trocar de roupa.

— Sim — diz, com uma risadinha. — Você, com certeza, precisa trocar de roupa. Espero lá embaixo.

A caminho da casa de Connie, vejo-me com os olhos fixos no perfil de Eric — o queixo quadrado, os braços, as mãos sobre o volante — e repasso o rápido episódio em meu quarto várias vezes, como um LP riscado. Fico me perguntando o que mais poderia ter acontecido se o telefone não tivesse tocado. E imagino se Eric está pensando nisso também.

Quando chegamos à casa da sua irmã, ele sai correndo do carro.

— Vou só pegá-lo — diz. — Pode esperar que não vai levar mais de um minuto.

— Ok — digo.

Ele fecha a porta, e fico o observando caminhar até a varanda, com outra onda de calor percorrendo meu corpo. Quando ele entra, seu celular se ilumina no console onde ele o deixou, fazendo aquele barulho irritante.

— Droga de telefone — murmuro.

Fica em silêncio por alguns segundos e, em seguida, começa a tocar novamente, iluminando-se, zunindo e fazendo aquele barulho. Assim que Eric volta para o carro com Aja, quem quer que estivesse ligando para ele tentou seis vezes.

— O telefone não parou de tocar — digo enquanto ele se acomoda no banco do motorista.

— O quê? — Ele se vira para mim.

— Seu telefone — digo, quando o aparelho começa a tocar novamente. Ele o pega, aperta um botão e o leva ao ouvido.

— Ei, Aja. — Viro-me para olhar para ele no banco de trás.

— Ei — diz.

Estou prestes a perguntar se soube que mais carros são roubados na véspera de Ano-novo do que em qualquer outro feriado quando o pânico na voz de Eric chama minha atenção.

— O que está acontecendo? Devagar... devagar! Quando?... Como? Ah, meu Deus... tudo bem, tudo bem... meu Deus...

Seu rosto fica mais pálido a cada palavra, e há um tremor em sua voz que eu nunca tinha ouvido antes. Fico olhando para ele, o frio no meu estômago aumenta, e, então, seus olhos encontram os meus.

Levanto as sobrancelhas, e ele diz uma palavra:

— Ellie.