Rush sem limites
Capítulo 7
–R ush! – chamou Jace de seu assento no bar quando entrei no clube. Não costumava ir lá, mas, depois de três mensagens de pessoas dizendo que todos iriam se reunir ali, decidi que precisava me distrair.
– Finlay está aqui – outro gritou. Segui para o bar, e Jace deslizou um shot na minha direção quando me aproximei. Ele era o melhor amigo de Woods Kerrington. Era um cara legal. Só não éramos próximos. Eu não era próximo de ninguém além de Grant. Ele era o único em quem eu confiava.
– Beba – disse Jace, sorrindo. A loura pendurada no braço dele me parecia familiar, mas Rosemary Beach não era muito grande. Talvez eu tivesse ficado com ela alguma vez.
– Oi, Rush – cumprimentou a garota com um sorriso sedutor, e eu percebi que realmente a conhecia. Mas não me lembrava do nome dela.
Acenei com a cabeça e virei a tequila. Não curtia muito shots, mas para aturar aquele lugar eu precisava beber alguma coisa.
– Está perdido? – perguntou Grant, dando uma risadinha ao passar por mim.
Sorri.
– Provavelmente – respondi. – Você está?
Ele olhou para trás por cima do ombro.
– Não, estou aqui por causa da Nan.
Franzi a testa, acompanhando o olhar dele, e vi Nan tropeçando e rindo alto enquanto um cara que eu não conhecia abraçava seu corpo parcamente vestido.
– Que porra é essa?
Eu ia passar por Grant, mas ele agarrou meu braço.
– Não faça nada. Ela gosta dele. Os dois estão namorando. Mas ela anda bebendo um pouco demais ultimamente. Pensei em vir dar uma conferida nela, e eis o que encontrei. Fique parado e observe. Se a gente colocar tudo a perder, ela vai embora com o cretino, e vamos acabar lidando com mais drama do que queremos.
Ele tinha razão. Nan era adulta. Eu não era pai dela e precisava deixar que ela cometesse os próprios erros. Ficar correndo atrás dela era muito cansativo, e não a ajudava em nada.
– Já sabe alguma coisa sobre ele? – perguntei.
Grant pôs uma cerveja na minha mão.
– Vamos nos sentar e esperar. Acho que ela está bem. Ele é Charles Kellar, neto do velho Morrison. Estuda em Harvard. Está aqui visitando os avós esta semana.
Pelo menos tinha a idade dela. Tomei um gole da cerveja e fiquei olhando enquanto Nan levava o cara para a pista de dança e chutava os saltos altíssimos para longe. No mínimo não quebraria um tornozelo.
– Ela não está lidando bem com a história da Blaire, está? – perguntou Grant.
Dei de ombros. Eu queria não me importar com o fato de Nan estar chateada. Cacete, ela precisava crescer e perceber que não era a única pessoa no planeta. Mas eu não conseguia.
– Não. Mas ela precisa aceitar a situação. Não é como se eu estivesse dormindo com a Blaire. Só estou lhe dando um lugar para ficar – respondi.
– Mas você quer dormir com ela – disse Grant, sorrindo.
– Cale a boca – rosnei, lançando um olhar de alerta para ele.
– Cacete, Rush, eu quero dormir com ela. Não, retiro o que eu disse. Eu quero foder aquela lindeza toda. Ela é...
Dei um pulo tão rápido para cima dele que eu mesmo me surpreendi.
– Não! – berrei. Respirei fundo para controlar a raiva repentina que fervia dentro de mim. – Fique longe dela. Entendeu?
Grant não recuou nem assentiu por medo de me deixar furioso. Em vez disso, meu irmão riu.
– Puta merda – murmurou ele, sacudindo a cabeça. – Você está muito a fim dela.
Isso me fez recuar, balançando a cabeça. Ele não sabia do que estava falando. Eu só não gostava que falassem daquele jeito sobre uma pessoa indefesa e doce como Blaire.
– Rush, não achei que você viesse esta noite – disse Nan com a voz arrastada ao se aproximar da nossa mesa e segurar o banquinho vazio à nossa frente para se equilibrar. – Você conhece o Charles? Ou não? Eu não me lembro – comentou ela, sentando-se no banquinho.
– Não, não conheço – respondi, grato pela interrupção, mesmo que fosse por uma Nan bêbada.
– Charles Kellar – cumprimentou o cara, estendendo a mão. – Você é o Rush... Finlay? – perguntou, arregalando um pouco os olhos ao dizer meu sobrenome, com um tom quase reverente. Ele era fã do meu pai. Eu conhecia esse olhar.
Assenti e tomei um gole da cerveja, ignorando a mão estendida. Eu não ia apertar a mão do escroto. Saquei logo o tipo dele. Ele tinha descoberto a ligação de Nan com o Slacker Demon e conseguiu dar um jeito de cair nas graças dela. O merdinha não se deu conta de que era um de muitos. Já estive nessa estrada antes. Uma Nan sóbria teria sacado isso imediatamente.
– Ele é muito fã do Dean – disse Nan, revirando os olhos e acenando para Kellar. – Eu já sei. Ele está me usando para conhecer você, e eu o estou usando porque ele é uma trepada muito boa – ela falou alto demais.
Grant havia se levantado e já estava indo embora antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
– Deixe ela comigo – disse ele. Assenti para meu irmão antes de olhar de novo para Kellar. Nan deu um gritinho e se debateu com Grant, mas ele usou do seu charme para acalmá-la enquanto a guiava até a saída.
– Não curto idiotas que usam a minha irmã. Faça um favor a si mesmo e fique longe dela. Gosto dos seus avós, mas estou cagando para quem eles são. Não mexa com a minha família. Entendeu? – Mantive o tom de voz baixo e tranquilo, enquanto Kellar arregalava os olhos e assentia com a cabeça. Bati a cerveja em cima da mesa, me levantei e segui o mesmo caminho que Grant havia percorrido com Nan.
A caminhonete de Grant não estava mais lá quando cheguei ao estacionamento. Ele tinha levado nossa irmã para casa. Eu não precisava ligar para conferir. Fui até meu carro e decidi que já era seguro voltar para casa. Blaire devia estar na cama. Eu não precisaria vê-la.
O alívio que senti ao ver sua picape detonada estacionada na entrada da garagem foi algo que não quis admitir na ocasião. Sim, estava ficando obsessivo com a segurança dela, mas talvez porque eu tenha me tornado muito protetor. Minha mãe tinha me obrigado a assumir este papel quando eu era muito jovem, e agora estava no meu sangue. Eu não podia evitar. Nada além disso.
Se tivéssemos sorte, Blaire estaria dormindo.