Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 12 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 9

 

 

A porta do meu quarto bateu, e me sentei na cama, esfregando o rosto e tentando bloquear a luz do sol com a mão.

– Ele está em casa – anunciou Grant.

– Obrigado – murmurei. Eu tinha mandado uma mensagem à noite para meu irmão sobre a aparição de Will e pedido que ele levasse o garoto para casa antes de ir para o trabalho de manhã.

– O merdinha é uma peça. Tentou levar a Blaire para casa com ele. – Grant riu.

Ao ouvir o nome dela, abaixei a mão e olhei para Grant.

– Ela ainda está aqui? – perguntei.

Ele acenou com a cabeça na direção das janelas.

– Lá fora. Usando uma porra de um biquíni. Eu posso ficar aqui o dia todo em vez de ir trabalhar, se você não se importar. Além disso, você está me devendo uma por ter levado Will em casa e lidado com a bruxa má.

Peguei o moletom e me vesti rapidamente antes de ir até a janela.

Quilômetros e quilômetros de praia vazia se estendiam à frente do meu jardim. Blaire estava lá, deitada com os olhos fechados e o rosto virado na direção do sol. É... Grant ia trabalhar. Ele não ia ficar ali admirando-a o dia todo.

– Ela vai se queimar – disse Grant num sussurro, e eu desviei o olhar de Blaire e o vi olhando fixamente para ela com a mesma reverência que eu. Foda-se.

– Não olhe – disparei, recuando da janela.

Grant soltou uma risada.

– Que diabos isso quer dizer, “Não olhe”?

Queria dizer para não olhar, cacete.

– Eu não... É que... você sabe quem ela é. Ela vai nos odiar, e daqui a pouco vai embora. Então, não olhe. – Eu não tinha certeza do que dizia. Só queria que ele parasse de olhar para ela. Blaire mal estava vestida, e toda a sua pele macia estava exposta para que qualquer um visse. E eu não queria que ninguém a visse.

– Ela não vai nos odiar, apenas vai odiar você. E Nan. E o pai dela. Mas eu não fiz merda nenhuma – retrucou Grant.

Mantive os punhos na lateral do corpo, fechei os olhos e respirei fundo. Ele estava fazendo isso de propósito. Queria ver se eu reagia. Estava tentando me irritar.

– Você não tem trabalho para fazer? – perguntei calmamente.

Grant olhou de novo pela janela e deu de ombros.

– Cara, eu trabalho para o meu pai. Eu sou o chefe. Posso tirar uma folga quando pinta uma emergência. Além disso, não vamos comemorar o aniversário de Nan à noite?

Ele estava me testando. Então fui até o armário e peguei uma bermuda de surfe. Iria até a praia. Talvez ela não tenha passado filtro solar, e precisa passar. Senão, vai acabar queimando a pele. Eu detestaria se ela queimasse a pele.

– Está indo nadar? – perguntou Grant em tom de provocação.

Não olhei para ele.

– Vá trabalhar, Grant. A festa da Nan é à noite – respondi, batendo a porta do banheiro. Eu tinha me esquecido de que daria uma festa pelo aniversário de Nan. Blaire estava me fazendo esquecer de tudo.

– Você está brincando com fogo, cara. Labaredas imensas que vão devorar você! Devia tê-la deixado comigo. Isso não vai ser nada bonito – disse ele, alto o bastante para que eu o escutasse através da porta.

– Você não sabe do que diabos está falando. Ninguém fica com ela! Ela já está indo embora! – gritei em resposta.

A risada de Grant desapareceu quando ele saiu do meu quarto. Meu irmão tinha razão. Blaire era uma fogueira, e eu não conseguia me manter afastado. Pelo contrário, continuava me aproximando cada vez mais, sabendo que seria consumido se não tomasse cuidado.

Mas não pensei no que estava fazendo. Apenas me troquei e saí para conferir como ela estava.

– Por favor, me diga que passou protetor – comentei, enquanto me atirava na areia ao lado dela.

Ela cobriu os olhos por causa do sol e olhou para mim. Não disse nada. Será que eu a havia acordado?

– Está usando protetor, não está? – perguntei.

Ela assentiu e se sentou sobre a pequena toalha de banho que estava usando. Seu corpo era maravilhoso.

– Ótimo. Detestaria ver essa pele lisinha e branca ficar vermelha – falei, sem conseguir me conter.

– Eu, hã, passei antes de sair.

Deveria ter desviado os olhos de Blaire, mas parecia uma coisa impossível naquele momento. Os seios dela estavam bem ali, saltando do biquíni. Se Blaire fosse outra mulher qualquer, eu não teria nenhum problema em estender a mão e puxar o pedacinho de tecido até ver o mamilo. Então eu... não! Cacete. Eu precisava me concentrar em outra coisa.

– Não vai trabalhar hoje? – perguntei.

– Estou de folga.

– Como vai o emprego?

Desta vez ela não respondeu imediatamente. Fiquei olhando enquanto ela me encarava. Ela estava prestando menos atenção ao que eu dizia do que ao meu rosto. Gostei disso. Demais.

– Desculpe, o quê? – perguntou, com a face ligeiramente rosada.

– Como vai o emprego? – Não consegui disfarçar o tom divertido na voz.

Ela se endireitou e tentou parecer menos interessada em mim.

– Bem. Estou gostando.

Os caras que flertavam com ela e lhe davam gorjetas absurdas me irritavam.

– Aposto que está – comentei.

– Como assim? – questionou.

Percorri lentamente o corpo dela com o olhar.

– Você sabe que é bonita, Blaire. Sem falar nesse seu sorriso encantador. Os golfistas lá do clube estão lhe pagando uma nota.

A garota não ficou irritada nem me xingou. Em vez disso, pareceu surpresa. Voltei a atenção para a água. Eu não precisava olhar para ela. Blaire me distraía. Eu me esquecia de todo o resto. Lembrar por que ela estava ali e que eu tinha participação em sua dor deveria bastar para me manter focado. Mas ela me fazia esquecer tudo. Um piscar de olhos dela e eu estava perdido.

Fui tão burro naquela época. Devia ter perguntado a Abe por que ele estava tão disposto a deixar seu casamento de dezesseis anos por uma filha que ele havia ignorado por ainda mais tempo. Mas não perguntei. Apenas fiquei grato quando ele apareceu. Só que o cretino tinha abandonado a família. Tinha deixado uma garota sozinha cuidando da mãe.

– Quanto tempo faz que sua mãe morreu? – Quis saber de repente desde quando ela estava lutando sozinha. Não que eu pudesse consertar as coisas agora. Eu só queria saber.

– Trinta e seis dias – murmurou.

Porra. Ela perdera a mãe havia pouco mais de um mês. Não teve chance nem de ficar de luto.

– Seu pai sabia que ela estava doente? – perguntei. Eu ia matá-lo. Alguém precisava fazer o cretino pagar. Ele prejudicava tudo o que tocava.

– Sabia, sim. Também liguei para ele no dia em que ela morreu. Ele não atendeu. Deixei recado.

Eu nunca havia odiado alguém como odiava Abe Wynn naquele momento.

– Você odeia o seu pai? – quis saber. Deveria odiar. Que inferno, eu o odiava o suficiente por nós dois. Quando batesse nele, seria por ela. Pela mãe dela. E não sabia se seria capaz de parar.

– Às vezes.

Eu não estava esperando pela verdade. Admitir que você odeia o próprio pai não deve ser fácil. Sem conseguir me conter, estendi a mão e enganchei meu dedo mínimo no dela. Eu não podia segurar sua mão. Seria demais. Íntimo demais. Mas precisava fazer alguma coisa. Ela precisava ter certeza de que não estava sozinha. Mesmo que eu fosse a última pessoa que merecesse estar ali para ela, eu seria esse alguém. Apenas teria que encontrar uma forma de fazer isso e consertar o inferno que eu havia criado.

– Vou dar uma festa hoje à noite. É aniversário da minha irmã Nan. Sempre dou uma festa para ela. Pode não ser a sua praia, mas está convidada, se quiser.

– Você tem irmã?

Achei que ela já soubesse disso, mas lembrei que, na noite em que Blaire chegou, Nan mantivera distância e não a havia conhecido.

– Tenho.

– Grant falou que você era filho único – comentou ela, olhando atentamente para mim.

Grant tinha falado sobre mim com Blaire. Ele não precisava dar nenhuma explicação sobre mim a ela. Eu queria protegê-la da verdade. Afastei a mão.

– Grant não devia ficar contando as minhas coisas. Por mais que ele queira levar você para a cama – retruquei, antes de me virar e voltar para a casa. Por que eu tinha deixado aquilo me afetar? Cacete.