Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 6 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 3

 

A música estava bombando lá embaixo, mas eu sabia que não escutaria nada do quarto. Não estava a fim de toda aquela merda. Não estava a fim antes de Blaire Wynn aparecer, e com certeza não estava a fim agora.

– Aí está você – arrulhou uma mulher, e, quando me virei, uma das amigas de Nan vinha na minha direção. A saia era tão curta que a bunda quase aparecia. Foi o único motivo pelo qual prestei atenção nela. Era difícil não notar uma bunda assim. Mas não me lembrava do nome dela.

– Está perdida? – perguntei. Não gostei de ela ter subido até ali. Tinha imposto a regra de manter a festa longe do meu espaço.

Ela empinou o peito e mordeu o lábio inferior antes de piscar os olhos para mim. Com longos cílios postiços. Nada parecidos com os de Blaire. Porra. Por que eu estava pensando em Blaire?

– Estou exatamente onde quero estar. Com você – disse ela em um sussurro rouco, antes de apertar os seios contra o meu peito e descer a mão até o meu pau. – Já ouvi falar sobre como você sabe fazer uma mulher se sentir. Como você faz com que ela dê gritos de prazer – provocou, me apertando suavemente. – Me faça gozar, Rush.

Segurei uma mecha dos cabelos louros dela. Não eram tão louros quanto... não. Caramba, eu estava fazendo aquilo de novo. Comparando tudo com Blaire. Era uma questão que eu precisava controlar... imediatamente.

– Implore.

– Por favor, Rush – ela pediu rapidamente, acordando meu pau desinteressado. – Eu quero que você me coma, por favor.

Ela era boa. Quase parecia uma atriz pornô.

– É só sexo, gata. Nada além disso. E só esta noite – avisei. Sempre garantia que elas entendessem as regras. Não repetiríamos aquilo, a menos que ela fosse muito boa.

– Humm, vou lembrá-lo de que disse isso – falou ela, piscando para mim como se não acreditasse. Ou ela era incrível na cama ou estava sendo otimista. Eu raramente voltava para uma segunda rodada. – Onde é o seu quarto? – perguntou, dando um beijo no meu peito.

– Não vou levar você para o meu quarto – informei, empurrando-a de costas até ela entrar no quarto de hóspedes que eu usava para sexo. Garotas não entravam no meu quarto. Era um lugar só meu, e eu não queria lembranças de mulheres lá em cima.

– Ah, Sr. Impaciente – disse ela, rindo, enquanto tirava a saia e lambia os lábios. – Sou especialista em boquete.

Tirei a camisa e me sentei na cama.

– Prove – respondi.

O cheiro do perfume atingiu o meu nariz, e eu estreitei os olhos contra o sol, amaldiçoando quem quer que tivesse deixado as malditas cortinas abertas. Rolei na cama, e o corpo nu ao meu lado fez um barulho. Ela havia passado a noite. Merda. Eu detestava aquelas que não iam embora. Eram as grudentas. As que ficavam pensando que era mais do que uma trepada. Achava mesmo que ficar de joelhos e me chupar sem nem ao menos dizer seu nome lhe daria pontos?

Levantei, encontrei meu jeans e me vesti. A garota bocejou, e eu decidi deixar a camisa lá e sair correndo enquanto dava tempo. Ela entenderia a indireta quando não me encontrasse. Abri a porta lentamente, saí para o corredor e fui até a escada. Se eu fosse para o meu quarto, ela iria atrás bater na minha porta. Eu poderia ir até a praia dar uma corrida. Mas, antes, precisava de café.

Preparei uma xícara, e segui em direção às portas francesas que davam para a varanda. No instante em que cheguei à porta, eu a vi. Os cabelos compridos e sedosos balançavam com a brisa, enquanto ela admirava o mar. Eu adorava aquela vista, me sentia em paz. Imaginei o que ela estava pensando. Achava que Abe não voltaria? Conseguiria dar um jeito de ir embora? Ou era interesseira como o pai?

Depois de uma noite de sexo com uma amiga sem nome da minha irmã, fiquei pensando em como me aproximaria de Blaire. Ela não se atiraria para cima de mim, e com certeza não se ajoelharia para me chupar se eu mandasse. Por que caralho a ideia de inocência me atraía? Isso era complicado. Eu não gostava de nada complicado. Mas não conseguia ignorá-la. Não nessa manhã. Precisava ver o rosto dela de novo e constatar se era sincero. Estaria chateada por ter tido que dormir embaixo da escada? Mostraria as garras agora?

– Essa vista nunca fica velha – comentei, fazendo-a se virar, boquiaberta.

Eu a assustara. Comecei a rir quando seu olhar desceu pelo meu peito nu e parou no abdômen. Mas que diabos? Ela estava me conferindo. Talvez não fosse tão inocente assim. A ideia me embrulhou o estômago.

– Está gostando da vista? – perguntei, disfarçando minha decepção.

Ela piscou rapidamente, como se despertando de um transe, e desviou o olhar para o meu rosto novamente. Detestei a ideia de ela se atirar para cima de mim. Não queria que ela fosse como as outras. Por que diabos isso importava, eu não sabia, mas importava.

– Não quero interrompê-la. Eu também estava gostando – disse a ela, sem conseguir disfarçar o incômodo.

Tomei um gole de café. Ela ficou com o rosto vermelho e voltou-se de frente para o mar. Por que o simples fato de que ela havia sido flagrada e ficado envergonhada me deixou tão feliz, cacete? Droga. Não consegui deixar de rir.

– Ah, você está aí. Senti sua falta na cama quando acordei. – Reconheci a voz da noite anterior. Merda. Eu me distraíra, e ela havia me encontrado.

Blaire se virou de novo para olhar para mim, e então seus olhos se voltaram para a garota que se esfregava no meu corpo. Isso era ótimo. Ela precisava ver o babaca que eu podia ser. Era isso que eu queria. Assim ela ficaria longe de mim. Mas o lampejo de interesse nos olhos de Blaire quando a garota passou as unhas pelo meu peito me fizeram sentir coisas que eu não queria admitir.

– Está na hora de você ir embora – falei, afastando a mão dela e apontando a porta da frente.

– Como é? – rebateu a garota, com surpresa na voz, como se eu não tivesse avisado na noite anterior que aquilo não aconteceria de novo.

– Você conseguiu o que queria vindo aqui, gata. Queria que eu te comesse. Conseguiu. Agora já deu para mim.

– Você só pode estar de sacanagem! – disparou, furiosa.

Talvez ela não tivesse acreditado em mim. Azar o dela.

Balancei a cabeça diante da minha própria estupidez e tomei mais um gole de café. Um dia, eu aprenderia que fazer sexo casual com essas grudentas que passavam a noite era um problema.

– Não pode fazer isso comigo. Nossa noite foi incrível. Você sabe que foi – choramingou ela, estendendo a mão para o meu braço, que eu logo afastei. Não era mais hora de “Implore ao Rush”. Tínhamos feito isso na noite anterior. Fora divertido. Ela gozara tantas vezes que perdera a conta. Mas, para mim, tinha sido medíocre.

– Eu avisei ontem à noite quando você chegou implorando e tirando a roupa... A única coisa que iria acontecer seria uma noite de sexo. E só – falei, irritado por precisar lembrá-la disso.

Não olhei de novo para ela. Fiquei admirando o mar e tomei alguns goles do café como se a garota já não estivesse mais ali. Ela saiu pisando duro.

A expressão horrorizada no rosto de Blaire fez com que eu logo me recuperasse da interrupção feita pelo meu erro da noite anterior.

– Então, dormiu bem? – perguntei.

O quarto era apertado. Além disso, a escada e o barulho da casa provavelmente perturbaram o sono dela. Era sua chance de reclamar. Mostrar a que veio.

– Você faz isso sempre? – Blaire questionou, com uma expressão irritada no rosto. Que linda... caramba.

– O quê? Perguntar às pessoas se elas dormiram bem? – Eu não ia deixar que o rostinho dela me afetasse. Ela iria embora assim que eu conversasse com Abe. Era problema dele, não meu. O fato de que eu gostava de olhar para ela era mais um motivo para que eu a mandasse embora dali.

– Transar com garotas e depois jogá-las fora feito lixo? – retrucou.

Os grandes olhos dela se arregalaram, como se ela tivesse ficado chocada com as palavras que saíram da própria boca.

Tive vontade de rir. Ela tornava difícil manter o foco. Larguei a xícara e deitei na espreguiçadeira. A melhor estratégia era fazer Blaire me odiar. Eu estaria fazendo um favor a nós dois.

– E você, sempre mete o nariz onde não é chamada? – disparei.

Em vez da raiva que eu esperava que flamejasse em seus olhos, vi remorso. Sério? Eu estava sendo um babaca. Ela não devia se sentir culpada por ter chamado a minha atenção por causa da merda que eu havia feito.

– Não, em geral, não. Desculpe – respondeu com um meio sorriso constrangido, entrando em casa rapidamente.

Que porra foi aquela? Ela tinha mesmo acabado de pedir desculpas? De onde vinha essa garota? Mulheres não costumam agir assim. Ninguém ensinara a ela que não devia baixar a guarda diante de valentões?

Fiquei de pé e me virei para olhar para dentro. Ela estava recolhendo garrafas vazias e lixo espalhado pela casa. Eu detestava bagunça, mas tentava ignorar quando Nan dava festas.

– Não precisa fazer isso. Henrietta vem amanhã – avisei, detestando vê-la limpar tudo.

Blaire colocou as garrafas no lixo que havia juntado e olhou novamente para mim.

– Só pensei que poderia ajudar.

Eu ia ligar para o pai dela naquela manhã. Precisava tirá-la da minha casa. Até lá, garantiria que ela me odiasse.

– Eu já tenho empregada. Não estou procurando outra, se é isso que está pensando. – O tom duro que usei me deu vontade de recuar, mas mantive a expressão entediada no rosto. Eu a havia aperfeiçoado anos atrás. Não podia olhar para Blaire naquele momento.

– Não, eu sei. Só estava tentando ser prestativa. Você me deixou dormir na sua casa ontem. – Ela falou com a voz suave e suplicante, como se pedisse que eu acreditasse nela. Merda.

Precisávamos estabelecer algumas regras antes que eu ferrasse tudo.

– Sobre isso... a gente precisa conversar.

– Está bem – sussurrou.

Caramba, por que ela soava tão derrotada? Eu nem havia chutado o cachorrinho dela.

– Eu não gosto do seu pai. Ele é um aproveitador. Minha mãe sempre arruma homens assim. É um talento dela. Mas acho que você já sabe disso sobre ele. Então estou curioso: por que você veio pedir a ajuda dele se sabia como ele era?

Eu precisava que ela me contasse a verdade. Ou flagrá-la em uma mentira. Não poderia mantê-la aqui por muito mais tempo. As pernas compridas dela e os grandes olhos azuis estavam me deixando maluco.

– Minha mãe acabou de morrer. De câncer. Três anos de tratamento custam caro. A única coisa que tínhamos era a casa que a minha avó nos deixou. Tive que vender a casa e todo o resto para pagar as contas de hospital da minha mãe. Não vejo o meu pai desde que ele nos abandonou, cinco anos atrás. Mas ele agora é o meu único parente. Não tenho mais ninguém a quem pedir ajuda. Preciso de um lugar para ficar até conseguir um emprego e receber alguns salários. Aí vou arrumar a minha própria casa. Minha intenção nunca foi passar muito tempo aqui. Sabia que o meu pai não iria querer que eu ficasse. – Ela fez uma pausa e riu, mas não de verdade. Foi uma risada cheia de dor, o que só me revirou o estômago. – Mas jamais imaginei que ele fosse fugir antes de eu chegar.

Puta que pariu. Eu ia matar Abe Wynn. O desgraçado abandonou a filha enquanto ela cuidava da mãe com câncer? Que tipo de monstro faz esse tipo de merda? Eu não podia expulsá-la. Iria, no entanto, transformar a vida de Abe num verdadeiro inferno. O idiota ia pagar por isso.

– Sinto muito pela sua mãe – consegui dizer, apesar do sangue fervendo nas veias. – Deve ser duro. Você disse que ela passou três anos doente. Desde que você tinha 16? – Ela era uma criança. Ele a abandonara, e ela era apenas uma criança.

Blaire assentiu com a cabeça e ficou me olhando com cautela.

– Você está planejando arrumar um emprego e uma casa para morar – repeti, querendo lembrar a mim mesmo que este era o plano dela. Eu poderia ajudá-la por algum tempo até que conseguisse realizá-lo. Alguém precisava ajudá-la, caramba. Ela estava sozinha, porra. – O quarto debaixo da escada é seu por um mês. Nesse tempo, você precisa arrumar um emprego e juntar dinheiro suficiente para alugar um apartamento. Destin não fica muito longe daqui e o custo de vida lá é mais acessível. Se os nossos pais voltarem antes disso, imagino que seu pai poderá ajudar você.

Blaire soltou um pequeno suspiro, relaxando os ombros.

– Obrigada.

Não consegui olhar para ela. Eu tinha vontade de matar Abe com as minhas próprias mãos. Naquele momento, não tive como priorizar Nan e sua carência de um pai. O homem que ela queria como pai era um filho da mãe. Um filho da mãe que eu ia fazer pagar por toda essa merda.

– Tenho umas coisas para fazer. Boa sorte na caça ao emprego – disse, antes de me afastar dela. Precisava fazer uma ligação.