Rush sem limites
Capítulo 22
Eu tinha apagado? Merda. Aquilo foi... aquilo foi... Não havia palavras para descrever. Ainda estava deitado em cima de Blaire, provavelmente sufocando a garota, embora os braços dela envolvessem o meu corpo. Não tinha tentado me afastar.
Eu não queria sair de dentro dela. Estar ali dentro dava a sensação de estar em casa. Mas eu havia acabado de tirar sua virgindade e em algum momento perdera a cabeça no processo.
Recuei um pouco, e ela me apertou mais. O prazer que ela tinha me proporcionado era maior do que ela podia imaginar. Gostei de saber que Blaire me queria por perto.
– Já volto. Primeiro tenho que cuidar de você – falei, dando-lhe um beijo suave antes de me levantar e ir para o banheiro.
Não me preocupei em me vestir. Ela já tinha me visto completamente nu agora. Podia lidar com a minha nudez. Peguei uma toalhinha e aqueci a água antes de umedecê-la. Ela precisava ser limpa. Por mais que eu quisesse fazer aquilo de novo, ela precisaria de tempo.
Voltei para o quarto, e os olhos de Blaire encontraram os meus antes de caírem para a minha cintura. Ela os arregalou e ficou vermelha.
– Não vá bancar a tímida agora – brinquei.
Empurrei seu joelho. Ela não estava ajudando.
– Abra para mim – instruí, tocando gentilmente seu joelho de novo. – Não precisa abrir demais – falei. Apenas precisava de mais acesso.
A manchinha de sangue em suas dobras rosadas fez a fera dentro de mim rugir de prazer. Aquilo era meu. Eu havia feito aquilo. Ninguém mais estivera ali antes de mim. Eu era um cretino, mas não podia evitar. A ideia de qualquer outro tocando Blaire me deixava louco.
– Está doendo? – perguntei, enquanto limpava a região da forma mais suave possível. Queria beijá-la ali e deixar tudo melhor, mas não sabia se ela já estaria pronta para aquilo de novo.
Tão inocente quanto antes de possuí-la, parei de limpá-la e atirei a toalhinha no lixo. Eu queria abraçá-la. Aproveitar o fato de ela ser minha. Deitei-me ao seu lado e a puxei mais para perto.
– Ué, Rush, pensei que você não ficasse abraçadinho – disse Blaire enquanto cheirava o meu pescoço com seu narizinho.
– Não ficava mesmo. Só com você, Blaire. É a minha exceção. – Nunca fui mais sincero. Ela era minha única exceção. Sempre seria. Puxei as cobertas e nos cobri, então encaixei sua cabeça embaixo do meu queixo. Ela precisava descansar, e eu abraçá-la. Para alimentar a fera possessiva que ela havia despertado em mim com a garantia de que estava segura ali comigo.
Alguns minutos depois a respiração de Blaire ficou mais lenta e seus braços relaxaram ao meu redor. Ela estava exausta. Trabalhara o dia todo e depois... isso. Sorrindo, fechei os olhos e inspirei seu aroma. O medo de que ela me deixasse ao descobrir a verdade ameaçou estragar o momento. Mas eu o afastei. Ela ia me amar. Eu poderia fazê-la se apaixonar por mim. Então... ela me escutaria e me perdoaria. Tinha que me perdoar.
Acordei com um corpo nu, macio e lindo ainda enroscado em mim. O sol entrava pelas persianas. Não me importava que horas eram, mas sabia que ela se importaria. Eu a queria ali comigo, mas aquilo não tinha a ver com o que eu queria. Tinha a ver com Blaire. E ela não ia querer se atrasar para o trabalho. Seu senso de responsabilidade não permitiria isso. Eu precisava acordá-la, por mais que me atraísse a ideia de deixá-la dormir em meus braços.
Respirando fundo, deixei que seu perfume me preenchesse. A lembrança de seu outro cheiro fez meu pau já semiereto ficar completamente duro. Eu não a obrigaria a fazer algo que doesse, mas podia fazê-la sentir-se bem e ao mesmo tempo aliviar meu apetite.
Desci por seu corpo, peguei um de seus adoráveis pezinhos e dei-lhe um beijo. Ela não se mexeu. Sorrindo, continuei beijando até a canela e desci novamente, provando o sabor de sua pele de vez em quando.
O corpo de Blaire começou a se alongar e se mexer. Bem pouco no começo, mas, no instante em que ela acordou, eu soube. Os movimentos lentos e naturais pararam, e ela abriu os olhos. Continuei beijando-a perna acima, sorrindo, enquanto observava seu rosto sonolento.
– Ah, finalmente. Eu estava começando a me perguntar quanto teria que beijá-la para você acordar. Na verdade, não me importaria em subir mais, mas com certeza isso levaria a mais uma transa incrível e você agora só tem vinte minutos para chegar ao trabalho.
Blaire arregalou os olhos e sentou-se na cama de forma tão brusca que precisei deixá-la ir. Sabia que ela não ia querer faltar ao trabalho.
– Tem tempo ainda. Vou preparar alguma coisa para você comer enquanto se arruma. – Queria passar a manhã toda entre as suas pernas, mas, de novo, não havia lugar para as vontades de Rush aqui.
– Obrigada, não precisa. Eu pego alguma coisa na sala dos funcionários quando chegar lá – disse ela, corando enquanto cobria os seios nus com os lençóis. A mulher carinhosa da noite anterior desaparecera, e outra nervosa e insegura havia tomado seu lugar. O que eu tinha feito de errado?
– Quero que você tome café aqui. Por favor – pedi, observando-a atentamente.
Um brilho suave em seus olhos me disse que ela precisava ouvir aquilo. Ela estava se sentindo insegura?
– Ok – respondeu. – Tenho que ir ao meu quarto tomar uma chuveirada. – Ela ainda parecia nervosa.
Queria que ela ficasse ali em cima. Queria que usasse as minhas coisas. Mas... porra.
– Estou dividido: quero que você tome banho no meu banheiro, mas acho que não vou conseguir sair daqui sabendo que está nua e toda ensaboada dentro do meu boxe. Vou querer acompanhar você – admiti.
– Por mais atraente que essa possibilidade soe, eu chegaria atrasada ao trabalho – ponderou ela com um sorrisinho.
– É. Melhor tomar banho no seu quarto. – Ela olhou ao redor em busca das roupas. Eu queria que ela usasse as minhas roupas naquela manhã. Quando saísse do meu quarto parecendo um anjo descabelado, queria que uma camisa minha cobrisse a sua pele, o que pertencia a mim. – Vista isto aqui. A Henrietta vem hoje. Vou pedir para ela lavar e passar as suas roupas de ontem – falei, pegando a camisa que eu estava vestindo na noite anterior e atirando para ela.
Blaire não discutiu. Não consegui desviar os olhos enquanto ela vestia minha camiseta pela cabeça, deixando o lençol cair quando teve certeza de que eu não veria seus peitos. Acho que não importava o fato de eu tê-los chupado e agarrado como um obcecado na noite anterior. Agora ela estava envergonhada.
– Agora levante. Quero ver você – murmurei, tentando vê-la com a camisa. Era uma imagem que eu pretendia gravar para sempre na minha cabeça.
Ela se levantou, e a camisa desceu até as coxas. Saber que ela não tinha nada por baixo e que eu poderia facilmente pegá-la no colo e abrir suas pernas me fez repensar os planos para o dia.
– Não dá para você dizer que está doente? – perguntei, esperançoso.
– Eu não estou doente – retrucou ela, franzindo a testa.
– Tem certeza? Porque acho que estou com febre – brinquei, dando a volta na cama e puxando-a para os meus braços. – Ontem foi sensacional – pressionei o rosto nos cabelos dela.
Ela me abraçou pela cintura e me segurou com força.
– Tenho que trabalhar hoje. Eles estão contando comigo.
Essa era Blaire. Uma das muitas coisas que me atraíram nela. Ela não é capaz de mentir ou ignorar uma responsabilidade. Dei um passo para trás e me afastei um pouco.
– Eu sei. Corra, Blaire. Desça essa sua bundinha linda e fique pronta. Não posso prometer que vou deixar você ir se ficar aí parada por mais tempo.
Ela abriu um sorriso e desceu correndo a escada, rindo. E eu só consegui ficar ali parado feito um bobo, sorrindo.
Tomei um banho e me vesti rápido, então liguei para o Jace. Não queria perguntar a Blaire sobre sua escala de trabalho, mas queria uma desculpa para ir ao clube. Eu nunca ia até lá a menos que Nan quisesse me encontrar para jogar golfe ou jantar.
– Alô? – atendeu Jace, surpreso por eu estar ligando.
– E aí? Vocês vão jogar golfe hoje? – perguntei.
– Hã, sim. Jogamos todos os dias. Você sabe disso.
– Vou jogar também – falei.
– Você vai jogar golfe? – retrucou ele, chocado.
Não entendi o motivo de tanto alvoroço. Eu tinha jogado golfe com eles antes. E jogava com Nan e Grant às vezes.
– Sim, por quê? – perguntei.
Jace riu.
– Ok, claro. É que você não joga com a gente há séculos. O que aconteceu hoje? Normalmente, você precisa ser arrastado pela Nan ou pelo Grant.
Eu não ia responder. Não queria que ele ficasse com a ideia errada a respeito de Blaire. Eles iam me ver com ela. Eu garantiria que todos soubessem quanto ela estava fora do alcance deles.
– Estou a fim de jogar golfe, oras – respondi.
– Tudo bem, então. A gente marcou às onze e meia. Woods tem uma reunião à tarde com o pai dele, então vamos jogar mais cedo.
Na verdade, a maior parte das pessoas considera “cedo” algo como seis ou sete da manhã. Não onze e meia.
– Obrigado. A gente se vê lá.
Desci as escadas para ver se Blaire já tinha saído. Ela não deve ter tido tempo de se vestir e comer. Não se tivesse tomado banho. Quando cheguei lá embaixo, olhei para a direita. A porta do quarto de Blaire estava aberta. Ela não estava lá. As luzes estavam apagadas.
Segui para a escada e desci de dois em dois degraus, correndo para pegá-la a tempo de um beijo de despedida. Ela se encontrava em frente ao balcão, com uma tigela de cereal nas mãos, enfiando uma colher na boca. Estava comendo. Ótimo.
– Não me deixe interrompê-la – comentei, indo até a cafeteira, sem querer deixá-la nervosa. Ela parecia tensa. – Vai trabalhar no restaurante hoje? – perguntei. Ela balançou a cabeça e engoliu.
– Precisam de mim no campo – respondeu.
Virei para a cafeteira sorrindo. Eu conseguiria vê-la, então. Como adorava golfe, caralho. Percebi que seu celular estava em cima do balcão e o peguei. Ela já o havia esquecido.
Liguei a cafeteira enquanto ela ia na direção da pia com a tigela. Dei um passo para o lado, bloqueei seu caminho e tirei o pote da mão dela, colocando-o dentro da pia atrás de mim.
– Você... está tudo bem? – perguntei, deslizando a mão para apalpar gentilmente o local entre suas pernas que talvez a incomodasse hoje. Ela precisava trabalhar debaixo de calor, e eu não queria que fosse doloroso.
Ela corou e baixou a cabeça.
– Estou ótima – respondeu num sussurro.
– Se você ficasse aqui, eu melhoraria isso – retruquei.
Sua respiração ficou mais rápida.
– Não posso. Preciso ir trabalhar – recusou, erguendo os olhos na direção dos meus.
Enfiei o celular no bolso do short dela. Queria que a acompanhasse o tempo todo.
– Não suporto a ideia de você sentir dor e eu não poder fazer nada a respeito – revelei, acariciando lentamente a parte de fora do short.
– Preciso correr. Tive que pular o banho, o que é horrível, eu sei, mas não podia tomar banho e comer. Eu não queria que você... Eu queria comer para você ficar feliz – confessou.
Ela não havia tomado banho. Ah, caralho. Enterrei a cabeça no pescoço dela e inspirei profundamente.
– Cacete, Blaire. Adoro que você vá ficar com o meu cheiro o dia todo – admiti. Saber que ela não havia me lavado dela fez rugir minha fera interior. Eu estava me descontrolando.
– Preciso ir – avisou ela, recuando um passo. Acenou e saiu apressadamente na direção da porta.
Foi só quando ouvi a porta se fechar que percebi que não havia ganhado um beijo. Ela me distraíra com o fato de que ainda me carregava pelo corpo. Meu sorriso idiota começou a me deixar com dor no rosto. Fazia muito tempo que eu não sorria tanto – e aquela garota não parava de me dar motivos para isso.