Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 26 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 23

 

–Voltou ao carrinho hoje, é? Por mais que eu goste de vê-la no salão, o golfe fica muito mais divertido com você aqui – disse Woods para Blaire quando ela parou ao lado do primeiro buraco.

Eu ia dar um jeito nisso imediatamente, caralho.

– Para trás, Woods. Você está meio perto demais – alertei, caminhando na direção deles. Blaire se virou com uma expressão de surpresa no rosto. Ela não estava esperando por mim. Logo, descobriria que não conseguiria se livrar de mim.

– Então foi por causa dela que você de repente quis jogar com a gente hoje? – indagou Woods, parecendo irritado.

Eu não estava a fim de responder. Estava focado em Blaire. Ela já estava suando. Fazia muito calor, e ela podia estar sofrendo. Se estivesse sentindo algum desconforto, Woods precisaria dispensá-la. Eu a levaria no colo e iria embora caso necessário. Deslizei a mão pela cintura dela e a puxei possessivamente antes de abaixar a cabeça e sussurrar em seu ouvido.

– Está sentindo alguma dor? – perguntei.

– Estou bem – respondeu Blaire.

Beijei a orelha dela, mas não consegui soltá-la ainda.

– Está se sentindo dolorida? Dá para sentir que eu estive aí dentro? – perguntei.

Por mais que não quisesse vê-la sofrendo, precisava que ela me sentisse lá. E se lembrasse de que eu estivera lá.

Ela assentiu e se derreteu. A pequena Blaire gostava quando eu falava putaria. Não podia me esquecer disso.

– Ótimo. Gosto de saber que você sente onde eu estive – falei, encarando Woods. Queria me certificar de que ele compreendia.

– Imaginei que isso fosse acontecer – disse Woods, parecendo furioso.

– A Nan já sabe? – perguntou Jace. Então Thad, um dos amigos íntimos de Woods e Jace, cutucou-o, tentando fazê-lo parar o interrogatório.

– Isso não é da conta dela. Nem da sua – respondi, olhando para Jace com raiva. Ele tinha que ouvir Thad e calar a boca. Eu cuidaria de Nan. Eles não sabiam de merda nenhuma.

– Eu vim aqui jogar. Vamos deixar esse papo para outra hora. Blaire, por que não serve as bebidas de todo mundo e segue para o próximo buraco? – sugeriu Woods.

Não gostei de ele dar ordens. Estava fazendo de propósito. Era melhor o cretino se cuidar. Ou eu estaria rapidinho no escritório do paizinho dele. Era o dinheiro da minha família que mantinha aquele clube funcionando.

Eu não faria isso na frente de Blaire, porque ela ficaria chateada, mas precisava dar um jeito em Woods.

Blaire se afastou e foi servir as bebidas. Ela me deu uma Corona sem perguntar o que eu queria. Entregou a cerveja de Woods, e ele pôs a porra de uma nota de 100 dólares na mão dela. Pude ver como seus ombros se retesaram ao desviar o olhar na minha direção e enfiar a nota no bolso. Eu não me incomodava por ele lhe pagar bem. Ele podia bancar, e ela merecia por trabalhar para ele. Cretino.

Fui até ela e pus duas notas de 100 dólares em seu bolso, então dei um beijo em seus lábios. Eu estava mostrando quem ela era, e era bom que todos entendessem a mensagem, caralho. Dei-lhe uma piscadela e segui até o caddie. Não ia olhar para Woods antes que Blaire se afastasse: bastaria um sorrisinho dele para que eu quebrasse seu nariz.

Quando olhei para trás, vi Blaire indo embora. Peguei o telefone e mandei uma mensagem de texto.

Sinto muito pelo Woods.

Ele havia sido um escroto, e eu me preocupei que ela pudesse estar chateada. Woods era o chefe, mas ela precisava saber que ele não faria aquilo de novo.

Está tudo bem. Ele é o meu chefe. Não foi nada de mais.

Então ela estava acostumada com essas atitudes partindo dele? É, nós íamos ter uma conversa. Imediatamente.

– Você e a Blaire, hein? Não imaginava – comentou Jace, sorrindo como um idiota.

Woods soltou uma risada amarga.

Dei um passo para o lado e parei diante dele.

– Você quer me dizer alguma coisa, Woods? Porque, se quiser, vá em frente e diga agora. Eu com certeza quero dizer algumas coisas para você.

A raiva nos olhos de Woods não me surpreendeu. Ele não gostava de ser lembrado do fato de que não podia me intimidar. Balançou a cabeça e virou-se para onde o carrinho de Blaire havia desaparecido do outro lado da colina.

– Ela é boa demais para você comer. Achei que você seria sensível o suficiente para não tocar nela. Ela merece muito mais do que vai ter com você. Se tivesse me dado uma chance, eu mostraria como ela merece ser tratada. Mas você... – Ele apontou para o meu peito. – Você, Finlay, basta levantar o seu dedo de filho de astro do rock que elas vêm correndo. E você as descarta sem pestanejar. Blaire não é muito experiente para lidar com isso. Ela não tem essa dureza, cacete. – Ele parecia prestes a desferir um soco na minha cara.

Deixei que ele ficasse ali gritando comigo por um único motivo: ele não compreendia. Woods achava que eu a estava usando; queria apenas protegê-la. Não ia conseguir, pois eu não permitiria que ele chegasse perto dela, mas apreciava o fato de que ele a via como eu: Blaire era preciosa. Eu o empurrei forte o bastante para tirá-lo da minha frente.

– Você acha mesmo que eu teria tocado Blaire se não soubesse de tudo isso? Acha que eu teria ameaçado a minha irmã por uma vagabunda qualquer? Não. Blaire não é mais uma garota para mim. Ela é a garota para mim. Ela. É. A garota.

Declarar aquilo em voz alta chocou não apenas todos ao meu redor, como também a mim mesmo. Ela era a garota, caralho.

Eu nunca mais iria querer outra.

Nunca mais.

Apenas Blaire.

– Puta que pariu – sussurrou Jace atrás de mim. – Rush Finlay não acabou de dizer o que disse.

A raiva de Woods começou a desaparecer. Enquanto ele processava as minhas palavras, vi primeiro descrença e depois aceitação em seu rosto.

– Merda – disse ele, afinal.

Recuei um passo e dei de ombros.

– Você mesmo disse. Só que você estava errado quanto a uma coisa. Ela não é especial. Ela é perfeita, caralho. – Dei meia-volta, então parei e o encarei incisivamente. – E é minha – falei bem alto para que todos me escutassem. Voltei o olhar num alerta furioso para os outros dois, que me fitavam como se eu tivesse enlouquecido. Repeti: – Minha. Blaire é minha.

– Poooorra – disse Thad finalmente. – Acho que eu devia ter prestado mais atenção à garota nova. Ela fisgou o maior jogador que conheço. Caralho, estou impressionado.

Desta vez, Jace deu um empurrão em Thad.

– Cale a boca – disparou ele.

– Vamos jogar golfe – falei, pegando meu taco e seguindo para o tee.

Almocei tarde com Grant e fui para casa tomar banho e decidir o que faria com Blaire. Embora sexo estivesse bem no topo da lista, eu sabia que ela precisava ir com calma. Também queria conversar. Havia tanta coisa que eu não sabia sobre ela. Queria conhecer tudo em relação a ela. Queria me sentar e ouvi-la falar comigo. Contar coisas.

Sair com Blaire era uma boa alternativa, mas eu ainda não queria dividi-la. Desejava toda a atenção dela focada em mim. Não queria saber se outros homens olhavam para ela. Só pensava em ficar em casa com ela. Juntinhos.

Depois disso, claro, queria beijar todo o seu corpo e provar de novo a doçura entre suas pernas. Mas precisávamos conversar antes. Não era para ser algo apenas sexual. Pela primeira vez na vida, deixaria que alguém me visse por dentro. Eu não manteria Blaire do lado de fora. Ela precisava me amar. Para que eu sobrevivesse àquilo, ela teria que me amar. Como faria para ela se apaixonar por mim, eu não sabia. Conhecê-la ajudaria. Comê-la não era o caminho até seu coração. Precisava me lembrar constantemente de que meu vício não podia vencer. Eu a amava? Eu nunca tinha me apaixonado antes. Não poderia dizer que amava mais alguém além do meu pai, Nan e Grant.

Eu escolheria ela a um deles?

Sim.

Eu morreria para protegê-la?

Cacete, sim.

Eu sobreviveria se ela me deixasse?

Não. Ficaria destruído.

Isso era amor? Parecia muito mais forte para algo tão simples.

Alguém bateu à porta do meu quarto, interrompendo meus pensamentos. Cacete. Não era o Grant. Nan estava ali. Não queria lidar com ela naquele momento. Levei um tempo para ir até a porta. Ela começou a bater com mais força.

Abri a porta de repente e fui recebido pelo rosto coberto de lágrimas da minha irmã. Eu não permitia que ela entrasse no meu quarto. Nunca dissera isso de fato, mas era algo tácito. Saí para o corredor e fechei a porta atrás de mim.

Nan apontava para o quarto em que Blaire estava dormindo... ou, melhor, guardando suas coisas. Ela dormiria comigo a partir de agora.

– Então é verdade! Ela está lá. Você deixou que ela se mudasse para cá? Também está fodendo com ela? É isso? Ela nem é tão bonita assim, Rush. E você pode comer qualquer uma que quiser. Ela é só mais um rostinho bonito. Por que você não consegue ficar longe dela? Não consegue controlar o seu pau? Não é possível que ela seja tão boa de cama!

– Pare com isso! – rugi antes que ela dissesse mais alguma coisa. Nan estava forçando a barra. Não gostava de vê-la chorando, mas nunca sabia se as lágrimas de Nan eram mesmo verdadeiras ou não. Como nunca a vira chorando de verdade, não podia ter certeza. Mas eu não queria que ela ficasse chateada, apenas que me deixasse ser feliz. Pela primeira vez eu tomava uma decisão para a porra da minha vida. Não por ela.

– Não grite comigo! – Lágrimas encheram seus olhos e ela começou a chorar de novo. Ok, então talvez ela estivesse mesmo chateada. Eu não costumava gritar com ela. E ela também não me deixava tão furioso. – Desde... – ela fungou. – Desde que ela chegou aqui você grita comigo. O tempo todo. Eu não posso... – ela soluçou mais uma vez. – Não aguento isso. Você se virou contra mim. Por ela.

Nada era culpa de Blaire. Por que Nan não conseguia ver isso? Era como falar em outra língua. Estendi a mão e a puxei para os meus braços. A menininha de quem eu cuidara durante toda a minha vida me fitava com olhos inchados e vermelhos. Eu era tudo o que tinha.

– Desculpe por ter gritado com você – falei, enquanto ela soluçava ainda mais contra o meu peito.

– Eu só... eu só... não entendo – ela disse.

Dizer a Nan que eu estava apaixonado por Blaire não era a melhor resposta. Primeiro porque ainda não tinha dito à própria Blaire que a amava, e ela tinha que saber disso antes. E, depois, Nan piraria se eu falasse isso. Passaria de depressiva soluçante a furacão insano. Eu já testemunhara essa transformação mais de uma vez.

– Não tem a ver com sexo. Venho tentando lhe dizer que Blaire não tem culpa de nada. Ela também saiu prejudicada dessa situação. Você não é a única vítima. Não deveria odiar alguém que sofreu da mesma forma que você. Não entendo por que resiste a enxergar isso, Nan. Eu amo você. Sempre vou amar. Você sabe disso. Mas não posso priorizar você agora. Não desta vez. Desta vez, você está pedindo demais. Não vou desistir de Blaire.

Nan ficou imóvel nos meus braços. Quis acreditar que ela estava me ouvindo, que eu estava conseguindo sensibilizá-la, mas conhecia a minha irmã. Estava fácil demais. Precisaria de algo muito maior para fazê-la desistir de um ódio que carregara durante a maior parte da vida.

– Por que você não pode lhe dar um dinheiro e mandá-la embora? – perguntou Nan, baixinho, enquanto se desvencilhava de mim, cruzando os braços sobre o peito na defensiva.

– Porque não posso expulsá-la. Ela... ela me faz feliz – admiti.

Nan liberou a raiva que eu sabia que seria provocada quando ela pensasse que eu gostava mais de Blaire do que dela. Por mais maluca que fosse, minha irmã esperava que eu a priorizasse durante toda a vida. Nunca pensou no que aconteceria se um dia eu me apaixonasse. Ela era tão desesperada por ser a mais querida que decidiu me forçar a isso.

– Porque ela é boa de cama? – perguntou, com amargura.

Fechei os olhos e respirei fundo. Era importante que eu mantivesse a calma. Perder novamente o controle não ajudaria em nada. Quando abri os olhos, encarei minha irmã.

– Nan, não faça isso de novo. Blaire não é uma trepada para mim. Enfie isso na sua cabeça. Ela não me hipnotizou com sexo. Significa mais do que isso.

Ela ficou tensa e olhou com ódio a porta aberta do quarto de Blaire.

– Você nem sabe quem ela é. Acabou de conhecê-la. Mesmo assim, prefere Blaire a mim – disparou.

– Eu a conheço, sim. Divido uma casa com ela há semanas. Não consegui ficar longe. Eu a observei. Conversei com ela. Eu a conheço. Ela é... Meu Deus, Nan, ela me faz feliz. Não pode aceitar isso? Deixe esse seu ódio por ela para lá!

Minha irmã não olhou para mim nem respondeu. Por enquanto, a briga estava encerrada, mas eu sabia que não havia ganhadores. Ela ainda não tinha superado a situação.

Ficamos alguns instantes em silêncio, e eu esperei que ela dissesse alguma coisa. O que quer que ela estivesse decidindo, precisava ser tratado com cuidado. Nan tinha o poder de estragar as coisas para mim. Ela poderia contar tudo a Blaire, então eu a perderia. Não podia perder Blaire.

– Quero receber uns amigos aqui à noite – disse ela, dirigindo o olhar para mim novamente.

Tudo bem. Ela ia me enfiar outra festa goela abaixo. Típico. Ela precisava saber em que níveis eu poderia continuar cedendo.

– Ok – respondi sem discutir. Levaria Blaire para o meu quarto para ficarmos longe do barulho e das pessoas.

Nan assentiu, então se virou e foi embora. Foi isso. Por enquanto.