Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 32 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 29

 

 

Blaire entrou no quarto e foi até o canto mais distante antes de se virar.

– Pode falar. Ande logo. Quero você fora daqui – disse ela com a voz tensa.

– Eu te amo. – Eu já devia ter dito isso. Devia ter dito no dia anterior. Eu devia ter dito no instante em que me dei conta, caralho, mas não disse.

Ela começou a sacudir a cabeça. Ela não ia me escutar. Eu precisaria implorar. Eu lutaria o bastante por nós dois.

– Sei que as minhas ações não parecem confirmar isso, mas você tem que me deixar explicar. Gata, pelo amor de Deus, eu não aguento ver você sofrendo tanto – eu disse, suplicando.

– Nada do que você possa dizer vai consertar o que aconteceu. Ela era a minha mãe, Rush. A única lembrança na minha vida que contém algo de bom. Ela é o centro de todos os instantes felizes que eu tive na infância. E você... – ela fez uma pausa e fechou os olhos. – Você e... e eles... vocês desgraçaram a minha mãe com aquelas mentiras horríveis que disseram como se fossem a verdade.

Eu me odiava. Eu odiava as mentiras. Eu odiava minha mãe e Abe.

– Sinto muito que você tenha ficado sabendo desse jeito. Queria ter contado. No começo, você era só alguém com potencial para magoar Nan. Pensei que fosse causar mais dor para ela. O problema foi que você me deixou fascinado. Confesso que senti uma atração imediata, porque você é linda. Sua beleza é de tirar o fôlego e eu a odiei por isso. Não queria sentir atração por você, mas senti. Já na primeira noite fiquei louco por você. O simples fato de estar perto de você, meu Deus... eu inventava motivos para procurá-la. Aí... aí conheci você melhor. Fiquei hipnotizado pela sua risada. Era o som mais incrível que eu já tinha escutado. E você era tão honesta, tão determinada... não ficava choramingando nem reclamando. Pegava o que a vida lhe dava e fazia o melhor possível. Eu não estava acostumado com isso. Sempre que a observava, sempre que chegava perto de você, me apaixonava mais um pouco.

Dei um passo em sua direção, e ela levantou as mãos, como que para me manter afastado. Eu precisava continuar falando. Precisava que ela acreditasse em mim.

– Aí teve aquela noite no bar country. Depois daquilo, eu passei a ser completamente seu. Talvez você não tenha percebido, mas fui fisgado; para mim não tinha mais volta. Eu tinha muitas coisas pelas quais precisava me redimir. Tinha transformado a sua vida em um inferno desde a sua chegada e me odiei por isso. Eu quis lhe dar o mundo inteiro, mas sabia... sabia quem você era. Quando me permitia recordar exatamente quem você era, eu recuava. Como podia estar tão completamente envolvido com a garota que personificava a dor da minha irmã?

Blaire cobriu os ouvidos.

– Não. Eu não quero escutar isso. Saia daqui, Rush. Agora! – ela berrou.

– No dia em que a minha mãe chegou do hospital com ela, eu tinha 3 anos, mas me lembro bem. Ela era tão pequenininha. Eu tinha receio de que alguma coisa acontecesse com ela. Mamãe chorava muito e Nan também. Eu cresci depressa. Quando Nan fez 3 anos, eu já fazia tudo para ela. Desde preparar o café da manhã até colocá-la para dormir. Nossa mãe a essa altura havia se casado de novo e agora tínhamos Grant. Nunca houve estabilidade nenhuma. Na verdade, eu ansiava pelas vezes em que o meu pai vinha me buscar, porque assim passava alguns dias sem ficar responsável por Nan. Podia tirar uma folga. Aí ela começou a perguntar por que eu tinha pai e ela, não. – Eu precisava que Blaire compreendesse por que eu fiz o que fiz. Havia sido errado, mas ela precisava compreender.

– Chega – ela gritou, afastando-se mais contra a parede.

– Blaire, eu preciso que você me escute. É o único jeito de você entender – implorei. O soluço preso em minha garganta fez minha voz falhar, mas eu não ia parar. Ela precisava me escutar. – Mamãe respondia que Nan não tinha pai porque era uma menina especial, mas isso não funcionou por muito tempo. Exigi que ela me dissesse quem era o pai de Nan. Queria que fosse o mesmo que o meu, pois sabia que o meu pai a levaria para passear, mas ela me disse que o pai de Nan tinha outra família, que tinha duas filhinhas que amava mais do que a Nan. Ele queria essas meninas, mas não queria Nan. Eu não conseguia entender como alguém podia não querer Nan. Afinal, ela era a minha irmãzinha. É claro que havia momentos em que eu queria matá-la, mas a amava loucamente. Aí chegou o dia em que mamãe a levou para visitar a família que o seu pai tinha escolhido. Depois da visita, ela passou meses chorando.

Parei de falar, e Blaire afundou na cama. Ela estava cedendo e me escutando. Senti uma pontadinha de esperança.

– Eu odiei aquelas meninas. Odiei essa família que o pai de Nan tinha escolhido em seu lugar. Jurei que um dia o faria pagar. Nan vivia dizendo que um dia ele talvez fosse visitá-la. Ficava sonhando que ele iria querer vê-la. Passei anos ouvindo esses sonhos. Quando fiz 19 anos, fui atrás dele. Sabia como ele se chamava e o encontrei. Deixei para ele uma foto de Nan com o nosso endereço escrito atrás. Disse que ele tinha outra filha que era especial e que ela só queria conhecê-lo. Conversar com ele.

Pude vê-la fazendo as contas mentalmente. Ela havia perdido a irmã menos de um ano antes de eu encontrar Abe. Mas eu não sabia. Meu Deus, eu não fazia ideia. Eu estava tentando ajudar a minha irmã, não destruir a vida de Blaire. Eu não conhecia Blaire.

– Eu fiz isso porque amava a minha irmã. Não tinha a menor ideia do que a outra família dele estava enfrentando e, para ser bem sincero, não estava nem aí. Minha única preocupação era Nan. Vocês eram o inimigo. Aí você surgiu na minha casa e virou o meu mundo de pernas para o ar. Sempre jurei que nunca me sentiria culpado por separar aquela família. Afinal de contas, ela tinha separado Nan do pai. A cada instante que eu passava com você, a culpa pelo que tinha feito começou a me devorar vivo. Quando vi a expressão nos seus olhos na noite em que você me contou sobre a sua irmã e a sua mãe... meu Deus, Blaire, eu juro que nessa noite você arrancou o meu coração. Eu nunca vou me esquecer.

Fui até ela, que me deixou chegar mais perto.

– Eu juro que, por mais que ame a minha irmã, se pudesse voltar atrás e mudar as coisas, eu o faria. Eu nunca teria ido falar com o seu pai. Nunca. Blaire, eu sinto muito. Porra, eu sinto muito. – As lágrimas estavam deixando minha visão embaçada. Eu precisava fazê-la compreender.

– Eu não posso dizer que o perdoo – disse ela, baixinho. – Só posso dizer que entendo por que você fez o que fez. Mas o que fez transformou o meu mundo e nada vai mudar isso. Nunca.

Uma lágrima escapou e rolou pelo meu rosto. Não me mexi para secá-la. Não tinha certeza de quando havia chorado pela última vez. Eu era um garoto. Era algo que eu não estava mais acostumado a fazer. Mas, naquele momento, não consegui segurar. A dor era grande demais.

– Eu não quero perder você. Estou apaixonado por você, Blaire. Nunca quis nada nem ninguém como quero você. Não consigo imaginar o meu mundo sem a sua presença.

– Rush, eu não posso te amar – disse.

Soltei o soluço que estava fazendo tanto esforço para segurar, e minha cabeça caiu no colo dela. Nada importava. Nada. Não mais. Eu a amava completamente, mas não havia conseguido conquistar seu amor em troca e, sem ele, eu jamais a teria de volta. Eu havia perdido. Como viveria agora que havia conhecido uma vida com Blaire?

– Você não precisa me amar. Só não me deixe – pedi, deixando os soluços sacudirem meu corpo e enterrando o rosto na perna dela. Algum dia eu havia me sentido tão arrasado? Não. E jamais me sentiria assim de novo. Nada poderia se comparar a ter o paraíso e perdê-lo.

– Rush – ela parecia comovida.

Levantei a cabeça do colo dela. Blaire se levantou e começou a abrir a camisa. Fiquei ali sentado, com medo de me mexer, enquanto ela começava a tirar a roupa lentamente, tirando cada peça cuidadosa e deliberadamente. Não compreendi, mas estava com medo de falar. Se ela estava mudando de ideia, eu não queria estragar.

Quando estava completamente nua, veio até mim e montou nas minhas pernas. Agarrando sua cintura, enterrei o rosto em sua barriga. Pude sentir meu corpo tremendo por tê-la tão perto, mas não sabia o que aquilo significava. Não podia deduzir que significava que ela me perdoava. Ela havia acabado de me dizer que jamais poderia me amar.

– Blaire, o que você está fazendo? – perguntei, afinal.

Ela agarrou minha camiseta e a puxou. Levantei os braços e deixei que ela a tirasse. Então ela sentou no meu colo, agarrou minha cabeça e me beijou. Aquele sabor doce e intoxicante que era Blaire me preencheu, e eu afundei as mãos em seus cabelos e a segurei junto a mim. Estava com medo que ela mudasse de ideia. Ela não precisava me amar. Eu só queria que ela me deixasse amá-la assim. Seria o suficiente para mim.

– Tem certeza? – perguntei, enquanto ela balançava contra a minha ereção.

Ela apenas assentiu com a cabeça.

Peguei-a no colo e a deitei na cama. Então tirei os sapatos e a calça. Quando fiquei totalmente nu, pairei sobre ela e a encarei. Ela me deixava sem fôlego. – Você é a mulher mais linda que eu já vi. Por dentro e por fora – eu disse a ela. Então a beijei em todos os lugares que pude, cada centímetro do seu rosto, antes de trazer o lábio inferior para a minha boca.

Ela levantou os quadris e abriu as pernas, mas eu não estava pronto ainda. Não queria apressar aquilo. Queria saboreá-la. Ela era feita para ser saboreada e adorada. Ela era feita para ser amada e cuidada. Eu faria isso por ela. Mesmo que ela não me amasse, eu conseguiria fazer isso por nós dois.

Passei as mãos por seu corpo, memorizando cada pedaço. Não queria acreditar que era um adeus.

Não achava que Blaire terminaria dessa maneira. Mas o medo estava lá, e eu não conseguia ter o bastante dela.

– Porra, como eu te amo – eu disse a ela, baixando a cabeça para beijar sua barriga.

Ela abriu mais as pernas. Olhei para seu rosto, sabendo que precisava perguntar desta vez. Ela não estava nos prometendo um amanhã.

– Tenho que usar camisinha? – perguntei, subindo em seu corpo.

Ela assentiu, e eu senti o que restava do meu coração se quebrar ainda mais. Ela estava colocando uma barreira entre nós. Peguei a camisinha que estava na carteira no bolso da minha calça e a coloquei. Os olhos de Blaire estavam em mim. Meu pau mexeu com a atenção.

Passei as mãos pela parte interna de suas coxas. Ninguém jamais havia estado ali além de mim. Ninguém a havia tocado além de mim.

– Isto aqui vai ser meu para sempre – eu disse, querendo marcá-la permanentemente. Me abaixei até a ponta da minha ereção começar a penetrá-la. – Nunca foi tão bom. Nada nunca foi tão bom – jurei, preenchendo-a de uma só vez. Ela passou as pernas ao meu redor e gritou. Meu coração destruído batia loucamente no meu peito. Eu estava em casa. Blaire era a minha casa. Eu não sabia o quanto estava sozinho até ela entrar na minha vida. Penetrei lentamente, sem tirar os olhos do rosto dela. Queria ver seus olhos enquanto fazia amor com ela. Era isso que aquilo era para mim. Eu estava fazendo amor com o corpo dela. Não era uma trepada. Era eu mostrando a ela o quanto ela tinha de mim.

Ela subiu mais as pernas e passou os braços ao redor do meu pescoço.

– Eu vou sempre amar você. Ninguém jamais vai se comparar. Você é minha dona, Blaire. O meu coração e a minha alma são seus – eu disse enquanto balançava dentro dela. Dei um beijo leve em seus lábios. – Só você – prometi a ela. Seria sempre apenas ela. Ela era a minha vida agora.

Nossos olhares se encontraram, e ela gritou. Seu orgasmo me apertou com força, fazendo com que eu me rendesse depois dela. Quando o prazer desapareceu lentamente, olhei para ela e soube. Seus olhos estavam me dizendo o que eu temia. Aquele havia sido seu adeus.

– Blaire, não faça isso – supliquei.

– Adeus, Rush – ela sussurrou.

Ela afastou as pernas do meu corpo. Então pôs as mãos para os lados e virou o rosto para mim.

– Não pude dizer adeus à minha irmã nem à minha mãe. Foram duas despedidas que eu nunca tive. Eu precisava desta última despedida, desta última vez entre nós dois, sem mentiras. – O vazio em sua voz acabou comigo.

Agarrei os lençóis.

– Não. Não. Por favor, não – implorei.

Ela continuou olhando para o lado, imóvel embaixo de mim. Como eu poderia lutar por alguém que não me queria? Alguém que me odiava? Eu não tinha chance de ganhar. Havia feito tudo o que sabia fazer, mas ela não me queria. Não agora. Saí de dentro dela e peguei minhas roupas. Joguei fora a camisinha e me vesti sem pensar. Ela queria que eu fosse embora. E eu devia simplesmente sair daquele quarto e deixá-la. Como eu poderia fazer isso, caralho?

– Não posso obrigar você a me perdoar. Aliás, eu não mereço o seu perdão. Não posso mudar o passado. Tudo o que posso fazer é dar o que você quer. Se é isso que você quer, Blaire, eu vou embora. Isso vai me matar, mas vou mesmo assim. – Eu faria a única coisa que poderia fazer: dar a ela o que ela queria.

– Adeus, Rush – ela repetiu, desviando o olhar de mim.

Eu ia deixar meu coração ali. Minha alma também. Eram dela. Eu era vazio sem ela. Jamais seria o mesmo. Blaire Wynn havia me mudado. Ela havia me mostrado que eu era capaz de amar com um amor completo sem receber nada em troca. Eu jamais amaria novamente. Ela era a única. Ela era a mulher para mim.

Com um último olhar para a mulher que eu amava, eu me virei e saí do quarto, fechando a porta.

Quando cheguei à rua, deixei o resto das minhas lágrimas rolar.

Amar alguém que não merecemos não é fácil. Dói demais. Mas não iria me arrepender de nenhum dos meus momentos com Blaire.