Rush sem limites
Capítulo 25
Franzi a testa contra o sol, percebendo que havia me esquecido de fechar as persianas na noite anterior. Então o cheiro de Blaire me atingiu, e eu me virei para a cama vazia. Merda. Ela tinha saído.
Eu havia dormido até depois de ela sair para o trabalho. Cacete. Queria ter lhe dado um beijo de bom-dia. Será que ela se lembrou de tomar café da manhã? Frustrado, afastei as cobertas e me sentei. Blaire tinha um emprego. Eu precisava aceitar isso. Ela não deixaria que eu não aceitasse. Mesmo que fosse uma droga. Não gostava de vê-la trabalhando tanto, especialmente depois que ficara tão ocupada comigo a maior parte da noite. Tinha dormido muito pouco.
Estaria muito cansada hoje. Quando saísse, eu lhe daria comida, faria uma massagem e lhe daria um banho. Eu compensaria o fato de tê-la comido feito um louco ensandecido a noite toda. Iríamos para a cama cedo. Ela descansaria. Mas provavelmente comeria sua bocetinha. Não tinha tanto autocontrole assim.
Decidi matar o banho. Estava sentindo o cheiro de Blaire na minha pele e não estava disposto a abrir mão dele ainda. Queria ser lembrado pelo resto do dia quão sortudo para caralho eu era.
Quando desci para comer, já era quase meio-dia. A campainha tocou, e alguém bateu com urgência na porta.
– Rush! Abra a porta! Estou carregada! – gritou Nan do outro lado.
Droga.
Abri a porta, e minha irmã estava lá com os cabelos presos em rolos grandes, segurando várias sacolas de compras e uma sacola de roupa que dizia Marc Jacobs. Mas que diabos?
– Nan, por que você está na porta da minha casa com sacolas de compras? E, até onde sei, não há Marc Jacobs – olhei para as sacolas nas mãos dela –, Burberry, Chanel ou Saks em Rosemary Beach. De onde veio essa merda toda?
Nan largou as sacolas e olhou para mim como se eu é que tivesse enlouquecido.
– Manhattan. Comprei tudo quando estive lá no mês passado. Tenho dois vestidos Marc Jacobs sobre os quais não tenho muita certeza. E os sapatos... são outra história. Não consigo nem começar a decidir. Preciso saber o que você está pensando em vestir e usar o banheiro do quarto da mamãe para meu cabeleireiro arrumar meus cabelos e me maquiar. Aqui tem mais espaço. Além disso, assim podemos ir juntos – disse ela, como se tudo o que estava falando fizesse sentido.
Eu não sabia o que diabos ela achava que eu ia fazer, mas, se não houvesse uma Blaire envolvida, eu não faria.
– Do que você está falando? – perguntei, desejando ter tomado pelo menos uma xícara de café antes de uma Nan surtada chegar ali.
Ela parou no meio da escada e se virou para mim. Seu rosto revelou que um drama estava prestes a começar. Merda.
– Esta noite, Rush. Você esqueceu? Sério? – A voz de Nan ficou uma oitava mais alta, e senti que ela ficaria histérica.
Porra, eu precisava de um café.
– Ah, meu Deus! Você esqueceu mesmo. Você está tão envolvido com ela, que não consegue se lembrar de uma coisa tão importante para mim! – berrava Nan agora.
Fechei os olhos e esfreguei as têmporas; não queria ficar com dor de cabeça depois disso. Eu só queria tomar um café e planejar minha noite com Blaire. Não esta bagunça.
– Nan, eu acabei de acordar. Por favor, pare de gritar comigo – pedi.
– Parar de gritar? Você quer que eu pare de gritar quando meu próprio irmão esqueceu que esta noite é o baile de debutantes? Baile que estou planejando desde os 5 anos de idade. Você sabe disso. Sabe quanto esta noite é importante. Mas você esqueceu!
Puta que pariu. Eu não queria acompanhar minha irmã a um baile onde um bando de garotas mimadas se arrumava durante horas tentando superar umas às outras. Blaire não se encaixava nesta equação, e eu queria ficar com ela.
– Você não quer ir. – Nan choramingou alto. Parecia uma criança.
– Eu esqueci. Desculpe. Mas fazia meses que você não falava nisso, e você sabe que não sou ligado nessas coisas.
Nan atirou a sacola no chão.
Ótimo. Agora teríamos um chilique com roupas que haviam me custado uma fortuna. Blaire trabalhava horrores todo santo dia, e minha irmã comprava com o meu dinheiro sapatos que custavam mais do que Blaire ganhava em duas semanas. Injusto para caralho. Eu odiava isso. Odiava não poder dar a Blaire tudo o que ela quisesse.
– Você está dizendo que não vai me levar, Rush? Eu não tenho um pai aqui para me levar. Você é o único irmão que eu tenho. Meu acompanhante precisa ser um membro da família que também seja membro do clube. Eu não tenho mais ninguém. Só você. – Ela não estava mais gritando. Parecia magoada. A menininha perdida que precisava que o irmão mais velho salvasse seu dia.
– É claro que vou levar você, Nan. Eu só me esqueci. E você começou a berrar comigo antes de eu tomar café – eu disse, sem querer ver a tristeza em seus olhos.
Ela fungou e assentiu.
– Está bem. Obrigada. – Então se abaixou para pegar a sacola que havia atirado no chão. – Depois que você tomar café e estiver menos malvado, pode, por favor, levar as minhas outras sacolas para cima? – perguntou enquanto subia o resto da escada.
Não precisava que eu respondesse. Sabia que eu as levaria. Fui até a cozinha. Precisava controlar minha raiva. Ir a essa coisa esta noite com raiva não era justo com Nan. Era apenas uma noite. Eu explicaria a Blaire. Ela iria compreender, porque era... Blaire. Ela não esperava que eu fizesse nada. Não exigia nada de mim. Era a primeira pessoa na minha vida que só me queria por mim. Não por favores.
Senti um aperto no peito. Ela provavelmente estaria dormindo quando eu chegasse em casa. Eu a queria na minha cama. Não queria que fosse dormir no outro quarto. Eu não ia dormir sem ela.
Servi o café e bebi, então servi mais uma xícara, antes de voltar para o saguão e pegar toda a tralha que Nan havia levado. Ela estava descendo a escada quando comecei a subir.
– Você tem a combinação da caixa de joias da mamãe? Quero usar o colar de safira que ela comprou na Tiffany’s naquele Natal.
– Eu abro para você. – Não ia dizer para ela ligar para a mamãe. Havia uma boa chance da mamãe dizer não, e então Nan desabaria e eu precisaria resolver isso também.
Nan sorriu.
– Obrigada! Vou usar um dos vestidos Marc Jacobs, e aquele colar vai combinar perfeitamente. Acho que ela também comprou aqueles brincos que ficam ótimos. Ou os pegou emprestado. – Nan acenou com a mão como se isso não tivesse importância. – Sem problema. O colar vai combinar com as lágrimas de diamantes.
Eu a deixei tagarelando sobre joias, levei as sacolas até o quarto da minha mãe e as deixei em cima da cama. Eu tinha vários smokings ali. Simplesmente escolheria um deles. O que eu ia vestir não era relevante. Mas precisava falar com Blaire primeiro. Dizer a ela onde eu estaria naquela noite.
Acontece que ela estaria trabalhando. Minhas ligações caíram todas no serviço de voz, o que queria dizer que o telefone estava ou desligado ou sem bateria, o que não era de surpreender, conhecendo Blaire e a importância que ela dava para o celular. Quando liguei para o clube, falei com Woods. Ele me disse que Blaire estava ocupada. Estavam todos atolados se aprontando para aquela noite. Então me disse que Blaire estaria trabalhando e me alertou para o fato de que se Nan dissesse alguma coisa a ela, ele mandaria que a acompanhassem para fora. E desligou na minha cara.
Escroto.
Eu ia chegar ao clube de smoking com a minha irmã no braço, vestida como uma princesa. Pensar que Blaire estaria servindo naquela noite enquanto eu estaria vestido daquele jeito, realçando nossas diferenças, estava me deixando louco. Eu odiava aquela merda. Queria Blaire em um vestido pelo qual eu tivesse pago uma quantia ridícula de dinheiro e sorrindo de empolgação. Queria que o mundo visse que ela era minha. Que ela estava comigo. Mas aquela noite era da minha irmã. Se eu conseguisse simplesmente atravessá-la, jamais estaria nessa posição novamente. Blaire nunca mais serviria em algum evento de que eu estivesse participando. Ela estaria no meu braço, onde era seu lugar.
– Lembre-se do que eu disse sobre a Blaire. Você não fala com ela a menos que vá dizer algo gentil. Senão, Woods vai mandar levarem você para fora, e eu vou ajudá-lo. Está me entendendo? Eu não estou brincando, Nan.
Nan assentiu, tensa.
– Não vou dizer nada a ela. Juro. Agora, pode, por favor, parar de fazer com que isso diga respeito a ela e me deixar aproveitar a minha noite? Você nem sequer disse algo sobre como eu estou.
Ela estava linda, mas Nan estava sempre linda. Tinha uma beleza elegante que era impossível esconder.
– Você está maravilhosa. Ninguém vai chegar aos seus pés – garanti.
Ela abriu um sorriso enorme, e eu me senti culpado por não pensar no fato de que não mencionara como ela estava antes. Estava tão concentrado em Blaire que não havia pensado nisso. Nan precisava de mim naquela noite. Eu precisava pensar nela. Por algumas horas. Aquilo era para Nan.
– Obrigada – disse ela, sorrindo como a princesa que sabia que era.
– Vamos lá – chamei, estendendo o cotovelo para que ela segurasse. Entramos pela porta, e um homem de smoking sorriu e acenou com a cabeça. Ele anunciou nossos nomes quando entramos no salão. Todos os olhares se voltaram para nós. Aquele era o momento de Nan. Ela queria superar todas as outras garotas na primeira impressão e havia conseguido. Eu não tinha dúvida disso.
Quando viu uma de suas amigas, Nan apertou meu braço e foi se juntar a ela. Se pelo menos fosse só isso. Eu ainda teria mais três horas daquela merda.
– Você falou com ela? – Woods perguntou, parando ao meu lado.
Assenti.
– Ela vai se comportar. Se disser alguma coisa, eu ajudo você a acompanhá-la para fora. Ela sabe disso.
Woods olhou ao redor no salão e assentiu. Começou a se afastar, mas parou e mexeu nas abotoaduras antes de olhar para mim.
– Espero que saiba o que está fazendo – ele disse apenas, saindo para cumprimentar um dos membros mais antigos que estava por perto. Woods estava ali como anfitrião. Não estava com ninguém.
Não deixei que suas palavras me perturbassem. Ele estava amargurado, porque Blaire havia escolhido a mim. Eu não deixaria seus comentários me afetarem. Precisava me preparar para ver Blaire trabalhando. Servindo aqueles cretinos esnobes e suas filhas mimadas.
Fui até a parede mais distante e esperei não precisar conversar com muitas daquelas pessoas. Vários pararam para falar comigo, e acenei com a cabeça, forçando um sorriso. Olhando para o telefone, me dei conta de que faltavam duas horas e quarenta e cinco minutos.
Então eu a vi. Ela entrou no salão trazendo taças de champanhe com um sorriso no rosto. Todo o salão pareceu se iluminar com sua presença. Os membros ou a ignoravam e pegavam uma bebida ou falavam com ela com um sorriso gentil. Percebi que a maioria dos jogadores de golfe mais velhos queria falar com ela. Sem dúvida, ela fazia sucesso entre eles. Suas esposas até sorriam carinhosamente.
Quando ela terminou de circular pelo salão, saiu, e eu me senti perdido. Ela não havia me visto, nem parecia estar procurando por mim. Eu esperava que ela procurasse por mim no meio das pessoas. Mas ela não fez isso. Nem uma vez. Ela não queria me ver? Achava que eu não queria vê-la? Porra... ela não sabia que eu estava ali? Será que me ver com a Nan seria uma surpresa? Woods não havia dito a ela que eu estaria ali?
Antes que eu ficasse nervoso demais, Blaire voltou para o salão, desta vez trazendo uma bandeja de martinis. Deu mais uma volta. Quando finalmente se virou e nossos olhares se encontraram, senti o ar me escapar. Ela deu um pequeno sorriso, e eu lutei contra o impulso de arrancar a bandeja das mãos dela e atirar em todas as pessoas que estavam pegando bebidas. Forcei um sorriso, então alguém falou com ela, que se virou. Ela não voltou a olhar na minha direção antes de sair do salão.
– Rush – Nan chamou. Eu a vi caminhando na minha direção. Ela estava com os Drummond e a filha deles, Paris. Nan e Paris frequentaram o internato juntas. Eu tinha certeza de que, em algum momento, eu havia ficado com Paris quando ela estava passando um tempo na nossa casa. Mas não tinha certeza se chegamos a fazer sexo. Ela ainda tinha 17 anos, e eu não mexia com menores de idade.
Nan segurou meu braço quando me aproximei e me reapresentei a pessoas que já conhecia. Assenti e fiquei ouvindo Nan e Paris falarem sobre a última viagem que fizeram para esquiar. Quando Nan ficou tensa ao meu lado, virei para a porta, sabendo que Blaire devia ter entrado no salão. Bethy estava conversando com Blaire, mas Bethy não estava trabalhando. Ela estava toda arrumada. Confuso, vi Jace saindo do meio de uma roda de pessoas para se juntar a ela.
Ele havia levado Bethy como sua acompanhante.
Eu não esperava aquilo. Ele estava fazendo uma declaração de que ela era mais do que uma trepada para ele. O sorriso no rosto de Blaire não me surpreendeu. Ela nunca sentia inveja. Ela ficava feliz pelas pessoas. Bethy estava ali como convidada porque Jace a havia levado, mas Blaire estava servindo as pessoas, enquanto eu estava ali parado vestindo uma porra de um smoking.
Será que ela achava que eu não queria reconhecê-la como algo mais do que apenas uma trepada? Senti um embrulho no estômago. Ela tinha que saber a verdade. Blaire não olhou na minha direção, mas sabia que eu a estava observando. A postura tensa de seus ombros me dizia que ela estava me ignorando. Merda. Putaquepariu.
Ela estava interpretando as coisas errado. Eu não queria vir. Estava ali para acompanhar a minha irmã. Não a estava ignorando. Eu a estava protegendo de Nan, mas não continuaria agindo assim se isso significasse magoar Blaire.
– Não é mesmo, Rush? – perguntou Nan, com a voz exageradamente alegre parecendo aguda demais. Ela estava furiosa. Não queria que eu ficasse observando Blaire, e isso me deixou irritado. Eu estava ali com Nan como ela queria. Tinha certeza de que estava usando em torno de dez mil dólares em roupas e acessórios pelos quais eu havia pago, sem mencionar o colar da nossa mãe. E agora ia controlar quem eu observava e com quem conversava? Porra, não. Não ia mesmo.
– Com licença – disse, fazendo menção de sair, mas Nan enfiou as unhas no meu braço.
– Eu estava contando que a mamãe e Abe deverão estar logo de volta de Paris. Eles não podem ficar em lua de mel para sempre – ela disse com um sorriso falso.
Eu não os queria em casa.
– Espero que não – respondi. Nan enfiou as unhas mais fundo em meu braço, e eu o puxei com força.
Ela riu e deu um tapa em meu braço.
– Ele fica muito ranzinza nessas coisas. Não gosta de usar smoking.
– Ele é filho de um astro do rock. Duvido que isso exija que você use smoking com frequência – brincou o Sr. Drummond.
Não disse a ele que meu pai astro de rock poderia comprar a ele e à sua empresa várias vezes. Não ia desperdiçar fôlego.
– Não. Não tenho muitos motivos para isso.
– O que Laney está dizendo àquela atendente? Ela parece estar prestes a... – Paris levou a mão à boca, e eu me virei para ver o que estava acontecendo.
Blaire estava no meio do salão com escargots espalhados pela frente da roupa, e a bandeja que estava carregando batia no chão, fazendo barulho. Ela estava paralisada de choque e horror. Laney, amiga de Nan, estava gargalhando.
– Nossa, como ela é desastrada... Woods deveria ser mais rigoroso na escolha dos empregados – Laney disse em voz alta.
A mão de Nan agarrou meu braço, mas eu puxei com força e saí a passos largos na direção de Blaire. Aquela vaca da Laney ia pagar por isso.
– Saiam da frente – rugi, empurrando Laney e as amigas do caminho para chegar a Blaire. Agarrando-a pela cintura, olhei para ela. – Tudo bem com você? – perguntei, conferindo se havia algo mais de errado com ela além da meleca gordurosa espalhada por todos os lados. Ela assentiu, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas, e eu estava pronto para começar a bater em alguém. Ninguém podia tocar nela. Ninguém. Não consegui me virar para olhar para Laney. Estava perto demais de machucá-la. – Nunca mais chegue perto dela nem de mim, entendeu? – disse em um tom de voz que era para ser ouvido por Laney e por qualquer outra pessoa ao redor que achasse que mexer com Blaire era aceitável.
– Por que você está bravo comigo? A desastrada foi ela, que derrubou a bandeja inteira em cima de si mesma – Laney disse em uma voz aguda e irritante. Meu Deus, ela era uma vaca.
– Se disser mais uma palavra, eu ameaço remover todas as minhas contribuições para este clube até você ser expulsa. Permanentemente – avisei.
– Mas, Rush, eu sou amiga da Nan. A amiga mais antiga dela. Você não faria isso comigo. Sobretudo não por causa de uma empregadinha. – Laney parecia chocada. Eu estava prestes a lhe dar algo para ficar chocada.
– Pode pagar para ver – ameacei, encarando-a furiosamente para que ela soubesse que não devia fazer isso. Virei de novo para Blaire. – Venha comigo.
Olhei de novo para trás e vi Bethy parada, pronta para espancar Laney na frente de todo mundo.
– Eu estou com ela, Bethy. Está tudo bem. Pode voltar para o Jace.
Então me concentrei novamente em Blaire.
– Cuidado para não escorregar nos escargots. – Eu precisava tirá-la dali. Em segurança. Ela havia se machucado. Eu deixara de protegê-la mais uma vez. Eu devia ter estado ali com ela. Ferrei com tudo. Foi culpa minha. Eu sempre falhava com ela.
Quando saímos do salão para o corredor escuro que levava de volta à cozinha e à administração, Blaire se soltou do meu abraço e se afastou de mim. Cruzou os braços sobre o peito em um movimento defensivo. Ela estava chateada. Eu havia deixado aquilo acontecer.
– Blaire, eu sinto muito. Não imaginava que algo desse tipo fosse acontecer. Eu nem sabia que aquela menina tinha problemas com você. Vou conversar com a Nan sobre isso. Tenho a sensação de que ela teve alguma participação...
– A ruiva me odeia porque o Woods se interessa por mim. Nan não teve nada a ver com essa história, nem você.
Isso não fazia sentido. Por que Laney estava irritada por causa de Woods?
– O Woods continua dando em cima de você? – Blaire arregalou os olhos, então deu meia-volta e começou a se afastar. Estendi a mão e agarrei seu braço. Era a coisa errada a dizer. Maldito ciúme. Eu precisava dar um jeito nisso. – Espera, Blaire. Desculpe, eu não deveria ter perguntado isso. A questão agora não é essa. Só queria me certificar de que você estava bem e ajudá-la a se limpar. – Eu parecia estar implorando, o que, até certo ponto, estava mesmo.
Ela soltou um pequeno suspiro, relaxando os ombros.
– Eu estou bem. Só preciso ir à cozinha e ver se ainda tenho um emprego. Hoje de manhã Woods me avisou que algo desse tipo talvez fosse acontecer e que seria culpa minha. Neste exato momento, tenho problemas mais graves do que a sua necessidade repentina de se mostrar possessivo. O que é ridículo, aliás. Porque até esse incidente acontecer você estava se esforçando ao máximo para me ignorar. Rush, ou você me conhece ou não conhece. Não dá para ficar em cima do muro. – Ela arrancou a mão da minha e retomou o caminho para a cozinha. Estava brava porque eu a havia ignorado? Eu acompanhara cada um dos movimentos dela.
– Você estava trabalhando. O que queria que eu fizesse? – perguntei. Ela parou, e eu aproveitei a oportunidade para me defender. – Se tivesse cumprimentado você, teria dado motivo a Nan para agredi-la. Eu estava te protegendo.
Blaire relaxou.
– Tem razão, Rush. O fato de você me ignorar impediria Nan de me agredir. Eu sou só a menina que você comeu nas duas últimas noites. Pensando bem, não sou tão especial assim. Só uma entre muitas. – Então ela saiu correndo para longe de mim.
Fiquei ali parado, absolutamente confuso. O barulho das portas batendo ecoou pelo corredor. Ela estava magoada. Eu estava fazendo o que achava que ela iria querer que eu fizesse, e a havia magoado.
Será que ela realmente pensava que era apenas uma garota que eu comia? Meu Deus, como ela podia não enxergar o que representava para mim? Eu estava tão completamente obcecado por Blaire que ela controlava todas as decisões que eu tomava. Que diabos ela esperava de mim? Eu a amava, caramba!