Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 19 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 16

 

 

–R ush Finlay em um bar country. Ora, ora, isso é engraçado – divertiu-se Bethy, demonstrando que sabia exatamente por que eu estava ali.

– Engraçado – concordei. – Aonde vamos, Bethy? – perguntei, fugindo das provocações e evitando o constrangimento de Blaire.

– Vá até a divisa com o Alabama. Fica a uns 50 quilômetros naquela direção. – Imaginei que seria longe. Não havia bares country em Rosemary Beach ou nos arredores.

Bethy contou sobre o trabalho naquele dia e tudo o que Blaire havia perdido. Alguma história com as garotas do carrinho. Aparentemente, uma delas tinha uma queda por Jimmy, o garçom do restaurante do clube. Ela ficou brava porque outra garota estava dando em cima dele. Jimmy também era muito assediado pelas lobas do clube. O problema era que o garoto preferia homens. Era um grande segredo, porque Jimmy apreciava as gorjetas que recebia das frequentadoras mais velhas. Então, todas estavam perdendo tempo. Quase ninguém sabia que ele jogava no outro time.

Blaire achou engraçado, e eu gostei de ouvi-la rindo. Até baixei o volume do rádio para me concentrar no que dizia. Ela tentou me incluir na conversa, mas, na maior parte do tempo, ficou ouvindo a amiga falar.

Quando estacionei o carro, reconheci o bar. Devia ter imaginado aonde estávamos indo quando Bethy disse para seguir na direção da divisa com o Alabama. Aquele não era um bar qualquer. Era famoso. Caipiras de toda parte iam até lá tomar cerveja.

Blaire abriu a porta antes que eu conseguisse chegar a ela. Decidi recuar um pouco e deixá-la se divertir. Pelo menos o máximo que eu conseguisse. Caminhei com elas enquanto Bethy discorria sobre a fama do bar. Abri a porta para as meninas e depois entrei. Blaire arregalou os olhos quando esquadrinhou o lugar. Bethy explicou que a banda logo começaria a tocar, e o sorriso de Blaire ficou mais largo. Não olhei ao redor. Sabia que os homens a observavam, e eu não suportaria ver isso. Mantive o foco nela. Então Bethy mencionou tequila. Má ideia.

Fui atrás de Blaire e pousei a mão nas costas dela. Talvez ela não se desse conta, mas o gesto demonstrava posse, e aqueles cretinos precisavam entender que eu estava com ela. Guiei as duas até uma cabine vazia longe da pista de dança. A música tocava tão alto que não consegui ouvir a voz suave de Blaire.

Ela deslizou por um dos bancos da mesa, e eu fiquei parado de modo que Bethy não tinha escolha além de me empurrar ou se sentar na frente de Blaire. Então me sentei ao lado dela. Bethy não deixou minha jogada passar batida e me lançou um olhar furioso. Queria que Blaire fosse caçar caubóis com ela naquela noite.

Eu não ia facilitar as coisas. Mesmo que Blaire quisesse, eu achava que daria uma surra no cretino de qualquer forma.

– O que vai querer tomar? – perguntei, me inclinando até o ouvido de Blaire para que ela pudesse me escutar. E eu sentir seu cheiro.

– Não sei – disse ela, olhando para Bethy. – O que devo beber?

Bethy pareceu surpresa e soltou uma gargalhada.

– Você nunca bebeu?

Não, ela nunca havia bebido na vida. Bethy não conseguia olhar para Blaire e perceber isso?

– Não tenho idade suficiente para comprar bebida. Você tem? – perguntou suavemente.

Eu estava feliz de estar ali. Não quis imaginar o que poderia acontecer se eu não pudesse protegê-la.

Bethy bateu palmas, como se estivesse muito contente por sua amiga ser tão ingênua.

– Ah, isso vai ser divertido. E sim, eu tenho 21 anos, ou pelo menos a minha carteira de identidade diz que tenho. – Ela olhou para mim. – Você tem que deixá-la sozinha um pouco. Vamos juntas até o bar.

O cacete que iriam. Olhei para Blaire, ignorando Bethy.

– Você nunca bebeu álcool? – perguntei, já sabendo a resposta.

– Não, mas pretendo dar um jeito nisso hoje – respondeu ela com determinação. Doce demais.

– Então precisa ir com calma. Não vai aguentar muito – expliquei, então agarrei o braço de uma garçonete que passava por ali. Blaire precisava comer antes. – Um cardápio, por favor.

– Por que você vai pedir comida? Nós viemos beber e dançar com caubóis, não comer – disse Bethy, irritada.

Ela que se fodesse. Eu não ia deixar que Blaire passasse mal por causa dela. Beber podia fazer mal se não fosse do jeito certo. Se Bethy quisesse discutir comigo, nós teríamos um problema.

– Ela nunca bebeu. Precisa comer primeiro, senão daqui a duas horas vai estar curvada vomitando e xingando você por isso.

Bethy acenou a mão para mim como se eu estivesse falando chinês.

– Ok, papai Rush. Vou lá pegar uma bebida para mim e uma para ela também. Então é bom alimentá-la depressa.

A garçonete voltou com o cardápio e eu me virei para Blaire:

– Escolha alguma coisa. Não importa o que a diva da embriaguez pense, você precisa comer primeiro.

Blaire assentiu. Ela também não devia gostar da ideia de passar mal. Pelo menos era cautelosa. Fiquei grato por isso. Bethy, nem tanto. Não gostei da proximidade das duas.

– As fritas com queijo estão com uma cara boa – disse Blaire quase baixo demais.

Não podia perder tempo. Bethy tinha saído para buscar bebidas, e eu queria que Blaire comesse rápido. Chamei a garçonete.

– Fritas com queijo, duas porções. E um copo d’água grande – pedi.

A mulher assentiu e foi embora. Fiquei me sentindo melhor. Queria vê-la comer. Era meio maluco isso, mas a história dos sanduíches de manteiga de amendoim estava acabando comigo.

– Então você está em um bar country. É tudo o que esperava? Porque, para ser bem sincero, essa música está difícil de aguentar – falei ao me recostar e olhar para Blaire. Na verdade eu nem tinha prestado atenção no som. Ficara mais preocupado em conseguir comida para ela.

Blaire deu de ombros e olhou ao redor.

– Acabei de chegar e ainda não bebi nem dancei; quando tiver feito isso, respondo.

Ela queria dançar? Fantástico.

– Você quer dançar?

– Quero, mas preciso primeiro de uma dose de coragem... e de alguém que me convide – respondeu.

– Pensei que tivesse acabado de convidar – retruquei. Queria ser eu a abraçá-la durante aquelas músicas lentas. Não um caubói bêbado qualquer.

Blaire se inclinou e apoiou os cotovelos em cima da mesa, colocando o queixo entre as mãos antes de olhar para mim.

– Você acha que é uma boa ideia?

Não precisei perguntar por que ela achava que poderia não ser. Sabíamos o que acontecia quando nos tocávamos ou ficávamos muito perto um do outro. Eu perdia o controle. E ela queria que eu fosse um amigo. Nada mais. A garota era inteligente.

– Provavelmente não – admiti.

Ela assentiu.

A garçonete chegou com as porções de fritas com queijo, junto com uma caneca de água gelada. Blaire pegou uma batata e deu uma mordida.

Não consegui deixar de sorrir.

– Melhor do que sanduíche de manteiga de amendoim, não é? – perguntei. Ela sorriu e assentiu, pegando outra batata. Eu não ia conseguir comer. Blaire era fascinante demais.

– Pensei que seria melhor começar de leve – disse Bethy, deslizando de volta em seu lado da mesa. – Tequila é bebida para garotas crescidas; você ainda não está pronta para ela. Isto aqui é um licor de limão. É doce e gostoso.

Merda. Ela havia trazido a bebida. Qual era o problema com a cerveja? Garotas sempre pediam essas bebidas doces e acabavam bêbadas rápido demais.

– Coma mais umas batatas antes – falei a Blaire.

Ela não discutiu. Olhei enquanto ela comia mais duas, e então pegou o licor de limão.

– Ok, estou pronta – disse, sorrindo para Bethy. As duas levaram os copos à boca juntas. Olhei enquanto Blaire virava a cabeça para trás e bebia o líquido extremamente doce. Ela ia gostar. Não sabia como eu lidaria com ela bêbada.

– Coma – insisti quando os olhos dela encontraram os meus por cima do copo.

Ela apertou os lábios e soltou uma risadinha. Estava rindo de mim. Apenas uma maldita dose, e ela já estava rindo.

– Conheci uns caras lá no bar – disse Bethy enquanto comia mais batatas fritas. – Apontei para você e eles estão olhando para a gente desde que eu voltei. Está pronta para fazer novos amigos?

Ah, porra, não. Cheguei mais perto de Blaire, lutando contra o impulso de segurá-la no lugar. Ela queria fazer isso. Afinal, estávamos ali para que ela se divertisse.

Blaire assentiu e olhou para mim.

– Deixe-a sair, Rush. Você pode manter o banco quente para o caso de a gente voltar – disse Bethy, parecendo irritada comigo de novo.

Eu não queria fazer isso. Ela estava segura ali comigo. Se eu conseguia sentir o aroma doce que exalava dela, aquele imbecil que estava olhando poderia sentir também. Porra, como eu odiava aquilo.

Blaire tinha esperança nos olhos, e percebi que estava empolgada. Eu não podia impedi-la. Ela já tinha perdido muita coisa. Relutante, deslizei do banco e deixei que ela saísse.

– Cuidado. Estou aqui se precisar de mim – sussurrei no ouvido dela quando passou. Ela assentiu e me fitou como se pudesse mudar de ideia. Eu a arrancaria dali muito rápido. Só precisava dizer.

– Vamos, Blaire. Está na hora de usar você para arrumar umas bebidas de graça e uns homens. Você é a comparsa mais gata que eu já tive. Vai ser divertido. Só não diga aos caras que você tem 19 anos. Diga a todo mundo que tem 21 – falou Bethy.

Cerrei os punhos ao me sentar de novo à mesa agora vazia.

– Está bem – respondeu.

Eu não ia conseguir ver isso. Não conseguiria manter distância.

Eu não ia olhar. Eu não ia olhar.

Ah, droga, eu ia acabar olhando. Comecei a me virar quando uma loura se aproximou e se sentou na minha frente.

– Você não combina nada com esse lugar – disse ela com um sotaque sulista arrastado mais forte do que o normal.

Olhei para Blaire. Ela sorria para um cara de cabelos cacheados. Porra. Mas ele não estava tocando nela. E ela parecia feliz e divertida. Eu precisava permitir que ela fizesse isso. Se não tivesse que levá-las para casa, ficaria bêbado. Deixaria tudo muito mais fácil de lidar.

– Ela é sua? – perguntou a garota, ficando do meu lado.

Virei-me para ela novamente.

– Não. Ela é... Nós somos amigos – expliquei.

A loura se inclinou, me apresentando uma visão de seus seios grandes e muito bem pagos.

Como ainda estava aberto a boas oportunidades, não tive problema com isso. Peitos bonitos eram peitos bonitos. Os dela eram bonitos. Só que eu não estava interessado. Precisava cuidar de Blaire.

– Ela é maluca de sair com alguém como ele quando tem alguém como você sentado aqui – comentou a garota, aproximando a perna de mim.

Olhei de novo para Blaire, que agora conversava com o outro cara. Bethy estava com o dos cabelos cacheados. Blaire parecia bem. Eu precisava parar de olhar para ela.

– Ela, hã, nunca esteve num bar antes. Está conhecendo as coisas – expliquei, voltando a atenção mais uma vez para a loura.

A garota levantou a perna para pousar o pé com o sapato de salto no assento ao meu lado. Olhei para baixo e vi a calcinha dela. Vermelha. Legal.

Deslizei um dedo pela coxa dela antes de cobri-la com a saia para que ninguém visse que ela estava me dando mole ali, bem onde todo o bar podia ver... ou Blaire.

– Acho melhor parar com isso – falei, meio sorrindo para aliviar a rejeição.

Ela riu e ameaçou sentar ao meu lado.

– Talvez se eu me sentar aqui você não consiga se concentrar tanto na sua amiga, que parece se divertir bastante. E se eu abrir as minhas pernas, ninguém além de você e eu poderemos ver – insinuou, inclinando-se para exibir os peitos outra vez.

Se eu sentisse mesmo vontade de brincar com aqueles brinquedos que ela insistentemente queria me mostrar, talvez não ficasse tão irritado. Mas ela estava tampando a minha visão de Blaire e isso me deixou puto.

– Olhe, você é gostosa. Não há dúvida. Mas eu estou aqui para cuidar da minha amiga. É por isso que não estou a fim – expliquei, enquanto via Blaire e o cara com quem ela conversava indo para a pista de dança. A mão dele estava nas costas dela agora. Não a minha. O ciúme doía demais, e eu nunca sentira aquilo antes. Mas, caramba, quando ele aparece, a gente sabe que porra é aquela.

– Viu só, ela está dançando. Não está nem aí para você – disse a loura, chegando mais perto e deslizando a mão pela minha perna.

Agarrei-a antes que chegasse ao meu pau. Mesmo que eu não quisesse comê-la, a porra do meu pau reagiria à atenção e lhe daria a ideia errada. Afastei a mão dela.

– Você está amarradão nela, hein? Caramba.

A mulher olhou para Blaire e deu de ombros.

– Deve ser essa coisa jovem e fresca que enlouquece os homens. Mas isso envelhece. Ela não vai ser sempre tão doce e ingênua.

Ela havia entendido tudo errado. Mulheres como ela pensavam assim. Não compreendiam que um homem podia desejar alguém por mais do que apenas a aparência. Não era somente o sexo que os atraía. Às vezes era mais. Mais...

– Posso fazer você esquecer que ela existe – disse a loura, aproximando a boca da minha.

– Opa! – Segurei a cabeça dela. Eu não beijava. Não bocas que estiveram em paus demais para contar. – Aí, não, querida. Desculpe, mas você tem razão. Eu estou amarradão nela. Talvez ela não me queira desse jeito, mas não consigo enxergar ninguém além dela. Ninguém mais.

A mulher fez beicinho e então roçou a perna em mim. Ela não ia desistir tão fácil.

– Um beijo. Apenas um bom beijo – pediu, inclinando-se na minha direção novamente.

Precisei afastá-la com força desta vez.

– Não beijo pessoas que já chuparam um pau que não o meu – falei diretamente, sabendo que isso a faria parar.

Ela paralisou, erguendo as sobrancelhas.

– Quer dizer que você só transa com virgens? – perguntou, incrédula.

Eu ri e balancei a cabeça.

– Não. Quero dizer que não beijo. Eu trepo, mas não beijo – esclareci.

Ela se inclinou para trás e olhou para mim.

– Sério? E as garotas não se importam com isso?

Comecei a responder quando vi que o par de Blaire estava sozinho na pista de dança. Puta que pariu! Onde ela estava?

– Saia – ordenei, empurrando a mulher para trás. – Agora, cacete, saia! – berrei.

Ela recuou, olhando furiosa para mim, mas eu não tinha tempo para explicar. Blaire havia sumido, e eu não a vira sair. Devia estar tomando conta dela. Eu era péssimo nisso.

Precisava encontrá-la. O cara que estava com ela começou a andar na direção da porta, mas uma mulher se aproximou e o distraiu. Eu cuidaria dele mais tarde, se fosse o caso. Agora, ia ver se Blaire tinha saído do bar.