Rush sem limites
Capítulo 13
Grant ia me encontrar na academia hoje cedo. Ainda não havíamos estabelecido uma rotina de exercícios neste verão, mas, como eu não andava dormindo direito com Blaire assombrando meus pensamentos, pensei em malhar com Grant antes que ele fosse para o trabalho.
Blaire ainda estava no quarto quando saí de carro naquela manhã, mas o sol também não havia nascido. Eu precisava botar para fora um pouco dessa agressividade. Se eu não podia fazer sexo, então descarregaria nos pesos. Talvez conseguisse dormir depois disso.
Grant me esperava do lado de fora da academia no centro da cidade. Ele não gostava da do clube – dizia que era para frescos. Homens de verdade, segundo ele, malhavam em academias de verdade.
– Já estava na hora – resmungou quando me aproximei.
– Cale a boca. O sol ainda nem saiu – respondi.
Meu irmão sorriu e tomou um gole d’água.
– Você tomou café da manhã? – perguntou.
– Não. Preciso de café. Tem café aqui?
Grant deu uma gargalhada.
– É uma academia, Rush. Não a Starbucks. Aqui – disse ele, tirando uma garrafa da mochila e jogando para mim. – Você precisa de água agora. Café é só mais tarde.
– Não gostei muito dessa sua academia – falei.
– Deixe de ser mulherzinha.
Malhamos por mais de duas horas antes que ele me permitisse tomar um café. Havia aprendido uma lição: tomar sempre uma xícara antes de sair de casa.
– Festa à noite? – perguntou Grant quando saímos da academia.
– Onde?
– Na sua casa. Poucas pessoas. Você precisa se distrair da sua colega de quarto e eu preciso de um pretexto para convencer aquela amiga da Nan... Bailey, acho... a visitar a minha cama – disse ele.
Hesitei.
– Uma festa na minha casa não vai ajudar isso a acontecer. Fiquei com Bailey ontem à noite. Não terminou bem.
Grant parou de andar.
– O que foi? Você não conseguiu nada? Ela me parecia a pessoa certa. Eu tinha certeza de que ela se atiraria em cima de você.
– Blaire nos viu antes que a coisa esquentasse de verdade, e a história azedou. Mandei Bailey para casa.
Grant soltou um assobio baixo.
– Nossa... Então Blaire viu vocês e você mandou a garota embora – ele pensou alto, balançando a cabeça. – Cara. Precisamos de uma festa. Precisamos de mulheres. Não a Bailey, mas algumas garotas novas. Nan tem muitas amigas. Você tem que tirar Blaire da sua cabeça. Não vai rolar. Você sabe disso.
Assenti. Ele tinha razão. Não ia rolar.
– Eu sei. Que seja. Convide quem você quiser.
Eram mesmo poucas pessoas. Fiquei impressionado que Grant tenha conseguido manter grupo pequeno. Olhei para a porta o tempo todo, esperando que Blaire chegasse. Ela não estaria preparada para visitas. Devia estar cansada depois da noite de ontem. Queria deixar a música baixa e as pessoas longe da escada para que ela conseguisse dormir. Pensei em transferi-la para um dos quartos de hóspedes apenas naquela noite, então ela poderia descansar. E as pessoas talvez ficassem até tarde.
Não. Não. Eu não seria capaz de ficar longe dela. Não era uma boa ideia. Ela precisava ficar embaixo da escada. Era mais seguro. E eu cuidaria para que ela conseguisse dormir.
– Rush! – Grant chamou da varanda. Olhei de novo para a porta antes de sair para ver o que ele queria. Não podia me demorar muito tempo. Precisava voltar e esperar Blaire.
– O que foi? – perguntei a Grant, sentado na espreguiçadeira com uma garota nova no colo. Apontou com a garrafa de cerveja para Malcolm Henry. Eu não o vira desde que ele havia chegado a Rosemary Beach. Os pais dele moravam em Seattle, e a última notícia que tive era que ele estava estudando em Princeton.
– Malcolm não está conseguindo ingressos para o show do Slacker Demon em Seattle mês que vem – disse Grant, sorrindo.
Eu não costumava pegar ingressos para qualquer pessoa ver a banda do meu pai em turnê, mas Malcolm era amigo de infância de Grant. Ele também era ligado a Tripp Montgomery, que era meu amigo. Mesmo que eu não o visse havia alguns anos, quando ele dera no pé.
– Vou dar um telefonema – avisei, e Grant abriu um sorriso.
– Se contar a alguém, eu encho você de porrada – Grant alertou Malcolm, ainda sorrindo. – Ele não consegue ingressos para qualquer um. Está fazendo isso por mim, então não ferre tudo.
Grant já tinha bebido demais. Ele ficava muito generoso e alegre quando bebia. O que significava que ele me arrastava junto em sua caridade. Balancei a cabeça e voltei para dentro de casa.
– Ei, Woods – alguém chamou, e eu me virei. Que diabo Kerrington estava fazendo ali? Eu não o convidara, e Grant teria dito se o tivesse feito. Ele sabia que eu não estava a fim de falar com o Woods.
Fui até a janela e olhei para fora, vendo a picape de Blaire parada no fundo da entrada de carros. Isso me incomodou. Eles não deveriam tê-la encurralado. Eu devia ter pensado nisso.
Mas ela estava ali. Assim como Woods. Porra.
Ignorei as pessoas e passei por Woods. Andei direto até a despensa. Blaire estava lá. Estava se trocando? Ela havia convidado Woods? O que eu poderia fazer se tivesse? Nós éramos... amigos agora. Cacete. Amigos, o caralho. Isso nem parecia possível.
Parei na despensa e a vi saindo do quartinho. Talvez fosse ver Woods.
– Rush? O que houve? – perguntou ela, parecendo sincera.
Esperei um instante para responder. Não queria assustá-la nem parecer rude.
– Woods está aqui – falei com toda a calma que consegui.
– Que eu saiba, ele é seu amigo – retrucou Blaire.
Da última vez que conferi, ele estava atrás dela.
– Não. Ele não veio por mim. Veio encontrar outra pessoa – comentei.
Blaire passou de confusa a irritada, e cruzou os braços embaixo dos seios, o que não deveria fazer se quisesse manter meus olhos longe deles.
– Talvez tenha vindo mesmo. É algum problema os seus amigos se interessarem por mim?
– Ele não é bom o suficiente. É um babaca. Não deveria ter o direito de tocar em você – respondi sem pensar. Só de imaginá-lo fazendo qualquer coisa com ela fez meu sangue ferver.
Blaire parecia estar avaliando o que eu acabara de dizer. Caramba, ela era encantadora quando ficava frustrada.
– Não estou interessada em Woods desse jeito. Ele é meu chefe e, talvez, um amigo. Só isso.
Não soube direito como responder. Eu não podia mandar que ela ficasse ali embaixo da maldita escada.
– Não consigo dormir com tanta gente subindo e descendo a escada. Fico acordada. Em vez de ficar no quarto sozinha me perguntando quem você está comendo hoje lá em cima, pensei em conversar com Woods na praia. Bater um papo com alguém. Eu preciso de amigos.
Filho da puta.
– Não quero você conversando com Woods lá fora – falei. Na verdade, queria lhe dizer que não comeria ninguém lá em cima. De alguma forma, ela havia acabado comigo, e tudo o que eu fiz foi beijá-la.
– Bom, talvez eu não queira você comendo uma garota qualquer, mas você vai comer – retrucou ela. Seus olhos intensos me deram vontade de rir e beijá-la ao mesmo tempo.
Blaire estava me provocando. Eu quase me esqueci de que isso seria uma ideia ruim. Então me aproximei, e ela recuou até que nos encontramos novamente dentro do quarto. A salvo de Woods Kerrington.
Eu queria mantê-la ali.
– Não quero trepar com ninguém hoje – avisei. Não consegui tirar o ar divertido do rosto. Porque era mentira. – Não é bem verdade. Deixe eu esclarecer: não quero trepar com ninguém fora deste quarto. Fique aqui e converse comigo. Juro que também sei conversar. Eu disse que podíamos ser amigos. Você não precisa de Woods como amigo.
Ela me empurrou sem muita força.
– Você nunca conversa comigo. Eu faço a pergunta errada e você vai embora puto.
Mas ela tinha dito que éramos amigos. Eu usaria esta carta a noite toda se fosse preciso.
– Agora não. Nós somos amigos. Eu vou falar e não vou embora. Mas, por favor, fique aqui.
Ela olhou ao redor e franziu a testa.
– Não tem muito espaço aqui dentro – respondeu, ainda batendo as mãos espalmadas no meu peito. Talvez ela pudesse sentir meu coração batendo. Estava batendo tão forte que eu conseguia ouvi-lo na minha cabeça.
– Podemos nos sentar na cama. Não vamos nos tocar, só conversar. Como amigos – garanti. Queria fazer qualquer coisa para que ela ficasse ali, longe de Woods.
Ela relaxou e se sentou, afastando as mãos de mim. Tive vontade de agarrá-las e pressioná-las contra meu corpo de novo.
– Então vamos conversar – disse ela, sentando-se na cama e cruzando as pernas.
Sentei-me na cama e me encostei na parede. Não estávamos distantes, mas era o máximo que o quarto permitiria. Ficou uma situação engraçada.
– Não consigo acreditar que acabo de implorar a uma mulher para se sentar e conversar comigo.
– Sobre o que nós vamos falar? – perguntou ela, olhando atentamente para mim. Percebi pela expressão em seu rosto que ela esperava que eu saísse correndo a qualquer instante.
– Que tal: por que raios você ainda é virgem aos 19 anos? – perguntei sem pensar. Ela era linda demais para ser tão inocente. Não fazia sentido.
Ela retesou o corpo.
– Quem disse que eu sou virgem? – perguntou, parecendo irritada. Soube que ela era virgem desde a primeira vez que a peguei olhando para mim. As bochechas rosadas foram tudo o que precisei para ter certeza. A garota era inocente.
– Eu sei identificar uma virgem quando a beijo – disse.
Ela relaxou de novo, então deu de ombros, como se não fosse grande coisa. Quando era uma coisa imensa. Eu não conhecia virgens de 19 anos lindas como ela.
– Eu já me apaixonei. O nome dele é Cain. Ele foi o meu primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro amasso, por mais recatado que tenha sido. Dizia que me amava e afirmava que eu era a mulher da vida dele. Mas minha mãe adoeceu. Passei a não ter mais tempo para sair e me dedicar a Cain nos fins de semana. Ele precisava se libertar. Precisava de liberdade para conseguir esse tipo de relacionamento com outra pessoa. Então eu o deixei ir embora. Depois dele, não tive tempo para sair com mais ninguém.
Mas que diabos? Ela amava esse cretino, e ele a deixou?
– Ele não ficou do seu lado quando sua mãe adoeceu?
Ela ficou tensa de novo e remexeu as mãos no colo.
– A gente era jovem. Ele não me amava, só achou que amasse. Simples assim. – Ela o estava defendendo. Foda-se. Ele precisava levar uma surra.
– Você ainda é jovem – falei, mas estava tentando lembrar isso a mim mesmo mais do que qualquer outra coisa.
– Tenho 19 anos, Rush. Cuidei da minha mãe por três anos e a enterrei sem ajuda nenhuma do meu pai. Pode acreditar, na maior parte dos dias eu me sinto com 40 – disse ela. O cansaço em sua voz me deu um aperto no peito. Eu estava querendo dar uma surra em um garoto desconhecido, quando toda essa merda era culpa minha. Senti um nó no estômago que me lembrou de como eu havia participado de sua dor.
Peguei a mão dela, porque precisava tocá-la de alguma forma.
– Não deveria ter passado por tudo isso sozinha.
Ela não disse nada inicialmente. A testa franzida relaxou antes de Blaire desviar o olhar da minha mão sobre a dela para o meu rosto.
– Você tem um emprego? – ela perguntou.
Dei uma risada. Ela estava mudando de assunto e direcionando as perguntas para mim. Bela jogada. Apertei sua mão.
– Você acha que todo mundo tem que arrumar um emprego quando sai da faculdade? – perguntei, provocando-a.
Ela respondeu dando de ombros. Entendi que sim, ela achava isso. Minha vida era algo com que ela não estava acostumada.
– Quando me formei na faculdade, tinha dinheiro suficiente no banco para passar o resto da vida sem trabalhar, graças ao meu pai. Depois de algumas semanas sem fazer nada a não ser festas, percebi que precisava de uma vida. Então comecei a brincar no mercado financeiro. Acabei descobrindo que tenho muito talento para a coisa. Sempre fui bom com números. Também dou apoio financeiro ao programa Habitat para a Humanidade. Durante uns dois meses por ano, meto a mão na massa e vou trabalhar in loco. No verão, me afasto de tudo o que posso e venho para cá relaxar.
Eu não tinha a intenção de contar a verdade a ela – ou pelo menos não toda –, mas contei. Simplesmente saiu da minha boca. Ela me deixava à vontade. Mulheres nunca me deixavam à vontade. Eu estava sempre atento às suas segundas intenções. Blaire não tinha segundas intenções.
– A surpresa na sua expressão é um pouco ofensiva – falei. Eu estava brincando, mas também era verdade. Não gostava dela pensando que eu era um pirralho mimado, embora eu estivesse lhe empurrando essa ideia o tempo todo desde que ela viera morar sob o meu teto.
– É que eu não esperava essa resposta – ela disse, afinal.
Eu precisava de distância. Podia sentir o cheiro dela de novo. E, puta merda, como ela cheirava bem. Voltei para o meu lado na cama. A hora de tocar havia acabado.
– Quantos anos você tem? – ela perguntou.
Fiquei surpreso que ela ainda não soubesse. Tudo o que precisava fazer era me procurar no Google.
– Sou velho demais para estar neste quarto com você e, com certeza, velho demais para o jeito como penso em você – respondi.
– Lembre-se de que eu tenho 19 anos. Vou fazer 20 daqui a seis meses. Não sou um bebê – provocou. Ela não pareceu nem um pouco nervosa com o fato de eu ter acabado de admitir que fantasiava a respeito dela.
– Não, doce Blaire, você com certeza não é nenhum bebê. Eu tenho 24 anos e estou cansado. Não tive uma vida normal e, por causa disso, tenho algumas questões bem bizarras. Já lhe disse que tem coisas que você não sabe. Não posso me permitir tocar em você. Seria errado. – Precisava que ela compreendesse isso. Um de nós tinha que lembrar por que eu precisava manter as mãos longe dela.
– Acho que está se subestimando. Eu vejo algo de especial em você. – Aquelas palavras fizeram a dor no meu peito incendiar. Ela não me conhecia. Não de verdade. Mas, caramba, como foi bom ouvi-la dizer que ela via em mim algo além do filho do astro de rock.
– Você não está vendo quem eu sou de verdade. Não sabe tudo que eu fiz. – Porque, quando soubesse, momentos como este seriam apenas lembranças agridoces que me assombrariam pelo resto da vida.
– Pode ser – disse ela, inclinando-se na minha direção. – Mas o pouco que eu vi não é de todo mau. Estou começando a pensar que talvez você tenha outra camada.
Puta merda, ela precisava se afastar. Aquele cheiro e aqueles olhos. Comecei a dizer alguma coisa, mas parei. Não sabia ao certo o que dizer a ela, além de que queria deixá-la nua e fazê-la gritar meu nome sem parar.
Alguma coisa que viu a fez arregalar os olhos, e ela se aproximou ainda mais de mim.
– O que é isso na sua boca? – perguntou, com um toque de espanto na voz.
Eu estava usando um haltere na língua. Nem sempre usava algo que pudesse ser visto, porque havia ficado velho demais para o piercing, ou pelo menos me sentia assim às vezes. As mulheres, porém, gostavam. Abri a boca e estiquei a língua para que a Senhorita Curiosa pudesse ver. Ela já havia entortado a cabeça para espiar dentro da minha boca. Se eu não mostrasse, ela subiria no meu colo para chegar mais perto.
– Dói? – perguntou num sussurro, ainda se aproximando de mim. Mas que diabos? Ela ia conseguir uma visão realmente pessoal dele quando eu lambesse seu pescoço, caso não recuasse.
– Não – respondi, mantendo a língua na boca com medo de que ela realmente a tocasse e me fizesse perder a cabeça.
– Que tatuagens são essas nas suas costas? – ela me perguntou, recuando um pouco. Seu cheiro ainda estava preso em mim. Eu estava inalando com mais frequência do que necessário apenas para absorver o cheiro dela. Era patético. Foque em outra coisa. Responda as malditas perguntas e pare de pensar na pele dela. E no gosto dela. Tatuagens... ela quer saber sobre as minhas tatuagens.
– Uma águia de asas abertas na base das costas e o símbolo do Slacker Demon. Quando eu tinha 17 anos, meu pai me levou para assistir a um show em Los Angeles e depois fiz a minha primeira tatuagem. Queria a marca dele gravada no meu corpo. Todos os integrantes do Slacker Demon têm a mesma tatuagem no mesmo lugar. Logo atrás do ombro esquerdo. Papai estava doidaço nessa noite, mas mesmo assim é uma ótima lembrança. Não tive muita oportunidade de conviver com ele quando era pequeno. Mas sempre que o via, acrescentava mais uma tatuagem ou mais um piercing ao meu corpo – expliquei.
Seus olhos foram diretamente para o meu peito. Porra, ela estava pensando nos meus mamilos. Ducha fria. Eu ia precisar de uma ducha fria muito longa. Ou quem sabe quente, com óleo para bebê e o meu punho. Deus sabe que o cheiro dela e a visão que eu tinha do decote dela eram o suficiente para me levar à loucura.
– Nenhum piercing aí, doce Blaire. Os outros são nas orelhas. Eu dei um tempo nos piercings e nas tatuagens quando fiz 19 – garanti. Ela precisava tirar os olhos do meu peito, caramba. Imediatamente.
Blaire parecia infeliz ou preocupada. O que eu havia dito? Porra, eu não tinha verbalizado meus planos de banho, tinha?
– O que foi que eu disse para deixar você com a testa franzida? – perguntei, tocando no queixo dela para levantar seus olhos de modo que eu pudesse vê-los.
– Quando você me beijou ontem à noite, eu não senti esse negocinho de prata. – Era isso que a estava fazendo franzir a testa? Ela ia me matar. Eu não ia conseguir suportar muito mais disso.
– É que eu não estava usando – respondi, chegando mais perto dela.
Seu perfume estava me puxando para perto.
– E quando você, hã, beija alguém, dá para sentir?
Puta que pariu. Mostrar para a Srta. Curiosa era muito tentador. Ela queria experimentar, e eu certamente queria mostrar a ela.
– Blaire, me diga para ir embora. Por favor – implorei. Era o único jeito de não beijá-la. – Você teria sentido. Em todos os lugares que eu quisesse beijá-la, você sentiria. E adoraria – sussurrei no ouvido dela, dando um beijo em seu ombro e inalando profundamente. Porra, que coisa boa.
– Você... você vai me beijar outra vez? – ela me perguntou enquanto eu passava o nariz pelo seu pescoço, absorvendo seu perfume. Maldito cheiro intoxicante.
– Eu quero. Quero muito, mas estou tentando ser legal – admiti.
– Daria para não ser legal só por um beijo? Por favor? – pediu, aproximando-se de mim. Ela pressionou as pernas contra as minhas. Mais 2 centímetros, e ela estaria no meu colo.
– Blaire, como você é doce. – Eu estava pirando. Meus lábios estavam tocando cada centímetro de pele macia que conseguiam enquanto eu lutava comigo mesmo para não tocá-la. Ela era inocente. Ela era boa demais para mim. Isso estava errado.
Senti o gosto da pele dela com a ponta da língua, e meu pau latejou. Ela era deliciosa. Tudo nela era delicioso. Tracei um caminho de beijos em seu pescoço, e quando cheguei aos lábios, parei. Eu os queria. Eu a queria. Mais. Sempre mais. Mas ela era minha... amiga. Eu havia lhe causado dor, e ela sequer sabia disso ainda. Precisava parar com aquilo.
– Blaire, eu não sou um cara romântico. Não beijo e fico abraçadinho. Para mim, tudo que importa é o sexo. Você merece alguém que beije e fique abraçadinho. Não eu. Eu só trepo, gata. Você não foi feita para alguém como eu. Nunca neguei a mim mesmo nada que quisesse, mas você é doce demais. Desta vez tenho que dizer não a mim mesmo – confessei, mais a mim mesmo do que a ela. Precisava me lembrar o quanto ela estava fora do meu alcance.
Ela choramingou, e eu levantei em um salto, indo para a porta. Não faria isso com ela. Não poderia fazer.
– Não posso mais conversar. Hoje não. Não sozinho aqui com você – disse, indo embora antes de me perder com ela. Eu jamais poderia ter Blaire.