Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 21 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 18

 

Peguei o sutiã e me concentrei em vesti-la. Dei um beijo no ombro dela antes de cobri-lo com a blusa. Blaire havia me deixado vestir o sutiã e a blusa nela sem protestar, e o homem das cavernas dentro de mim estava batendo no próprio peito. Eu adorava cuidar dela, e isso apenas me deixava ainda mais louco.

– Prefiro que você fique aqui enquanto vou procurar a Bethy. Com esse ar satisfeito na cara, está para lá de sexy. Não quero acabar brigando com alguém – falei, depois que ela estava decente outra vez.

– Eu vim aqui com a Bethy porque estava tentando incentivar a minha amiga a não transar com caras que nunca iriam considerá-la mais do que uma diversão. Aí você veio junto e olha eu aqui no banco de trás do seu carro. Sinto que devo uma explicação a ela – retrucou, parecendo preocupada.

Eu havia imaginado que Bethy podia tentar destruir Blaire, mas era ela quem tentava salvar Bethy. Interessante. Minha doce Blaire queria salvar o mundo dele mesmo. Ninguém nunca a salvara. Até agora. Já estava na hora de alguém lhe mostrar quanto ela era especial.

Ela me observava nervosamente. Será que achava que tinha acabado de fazer o que queria impedir que Bethy fizesse? Tenho certeza de que ela entendia que aquilo era diferente.

– Estou tentando entender se a sua intenção é dizer que estava fazendo aquilo que a incentivou a não fazer – falei me aproximando dela e enfiando as mãos em seus cabelos. – Porque agora que eu provei não vou querer dividir. Isto aqui não é só diversão. Acho que estou ficando viciado. – Aquilo não tinha nada a ver com o que ela estava tentando evitar que Bethy fizesse. Eu nunca teria tocado em Blaire se não a declarasse como minha. O que significava que ninguém mais a tocaria.

Abaixei-me e beijei aqueles lábios que tanto amava. Passar a língua pelo seu lábio inferior se tornara uma das minhas coisas preferidas. Ela sempre estremecia quando eu fazia isso, e o gosto era sempre delicioso.

– Hummm, é. Fique aqui. Vou pedir para a Bethy vir falar com você – murmurei contra sua boca. Ela assentiu, mas não disse mais nada.

Então me afastei e abri a porta para sair. Precisava encontrar Bethy e ir para casa. Queria Blaire no meu quarto. Na minha cama. Queria mais do que havíamos acabado de ter. Eu poderia consertar o passado. Poderia acertar tudo. Acertaria tudo para o bem de Blaire. Precisava fazer isso. Não podia perdê-la.

De volta ao bar, olhei ao redor e encontrei Bethy com um cara, tomando uma dose de algo que não parecia ser bebida de mulherzinha. Que ótimo. Não queria que uma Bethy bêbada atrapalhasse os meus planos. Blaire não conseguiria consertar o que já estava errado havia anos. Bethy não fora sempre assim. Lembro-me de quando ela era mais jovem e vivia com Tripp. Os dois eram amigos, eu acho, então ele fugiu e, quando vi Bethy outra vez, ela estava embaixo de um cara que era dono de condomínios por toda a costa do golfo. Vinha trepando com filhos de ricaços desde então.

Ela me viu, e eu fiz sinal para que se encontrasse comigo do lado de fora, então me virei e voltei para a rua. Olhei na direção do meu Range Rover e me certifiquei de que Blaire ainda se encontrava lá dentro.

– Vocês sumiram – comentou Bethy, com a voz arrastada e um enorme sorriso no rosto. Eu me virei e a vi caminhando na minha direção. Então ela tropeçou e precisei segurá-la antes que caísse de cara no chão. – Opa! – Ela riu, atirada nos meus braços. – Não estou sentindo meus pés – disse, dando risada.

Eu não seria capaz de deixá-la ali.

– Parece que vou levar você embora também – avisei, enquanto ela se endireitava.

– O quê? Não, não, não, não. Eu não quero ir ainda – falou com a voz engrolada, sacudindo um dedo para mim. – Blaire precisa ver os caubóis novos que eu encontrei. Ela vai gostar deles.

Fiquei tenso e apontei na direção do carro.

– Blaire não está mais interessada em caubóis. Entendeu? Chega de encontrar caras para a Blaire. Ela vai voltar para casa comigo – retruquei, irritado.

Bethy parou e cambaleou, então me fitou, os olhos arregalados de compreensão.

– Ela mora na sua casa. Por casa, você quer dizer o quarto dela ou o seu? – perguntou, logo antes de soltar um arroto e cobrir a boca.

– Meu quarto. Ande – falei, fazendo-a caminhar de novo.

– Ah, merda – retrucou Bethy, tentando sussurrar. – Você... Ah, merda, Rush, você não pode comê-la. Ela não... Eu acho que ela é virgem. – Bethy sussurrava tão alto que todo o estacionamento poderia escutar.

– Cale a boca, Bethy – resmunguei, abrindo a porta do carro para ela. – Blaire quer ir para casa comigo. Mas antes quer conversar com você. – Não era assim que eu imaginava voltar para Rosemary Beach. Esperava poder conversar com Blaire. Agora tínhamos uma Bethy bêbada falando sobre a virgindade de Blaire. Cacete.

– Ora, ora, olha só para você... Se atracando com o maior gostosão de Rosemary no banco de trás do Range Rover dele. E eu achando que você queria um trabalhador – brincou Bethy.

– Entre, Bethy, antes de cair de bunda no chão aqui fora – ordenei.

– Eu não quero ir embora. Gostei do Earl. Ou será que o nome dele era Kevin? Não, espera, o que aconteceu com o Nash? Eu o perdi... acho que perdi... – resmungou ao entrar no carro, atrapalhada.

– Quem são Earl e Kevin? – perguntou Blaire.

Bethy tentou se segurar em algo, mas acabou caindo quase em cima de Blaire no banco do carro.

– Earl é casado. Disse que não era, mas é. Dá para ver. Os casados têm todos o mesmo cheiro.

Fechei a porta e dei a volta para tirar Blaire do banco de trás. Ela iria na frente comigo. Abri o lado dela e estendi-lhe a mão.

– Não tente entender nada do que ela diz. Eu a encontrei no bar entornando uma rodada de seis doses de tequila que o Earl casado pagou para ela. Está loucaça. – Queria eliminar qualquer chance de Bethy dizer algo que pudesse chatear Blaire.

Ela pôs a mão na minha, e eu a apertei, para tranquilizá-la.

– Não precisa explicar nada hoje. Amanhã de manhã ela não vai nem lembrar – disse a Blaire.

Ela estava preocupada em se acertar com a amiga, e Bethy estava fazendo exatamente o que sempre fez... só que sem ricaços.

Ajudei Blaire a descer, então a puxei para perto de mim e fechei a porta, deixando Bethy dentro do carro.

– Quero uma provinha desses doces lábios, mas vou me segurar. Temos que levar Bethy para casa antes que ela passe mal – comentei, sem querer estragar o que havia acabado de acontecer entre nós.

Blaire assentiu, me encarando com aquele olhar confiante. Não queria nunca decepcioná-la.

– Estava falando sério quando disse aquilo mais cedo. Quero você na minha cama hoje à noite – lembrei a ela, caso tivesse esquecido.

Ela assentiu de novo. Deslizei a mão pelas costas dela e a guiei até a porta do passageiro. Não ia mais fingir que éramos amigos. Não éramos amigos. Nunca fomos. Era mais do que isso. Com Blaire, sempre foi mais.

– Foda-se aquela história de amigo – resmunguei, segurando-a pela cintura e erguendo-a até o assento. O carro era alto, e eu queria um motivo para tocar nela. Dei a volta para me sentar atrás do volante, e o sorriso no rosto de Blaire me aqueceu por dentro. – Está sorrindo por quê? – perguntei, esperando que eu tivesse provocado o sorriso.

Ela deu de ombros e mordeu o lábio inferior.

– “Foda-se aquela história de amigo.” Achei engraçado.

Dei uma risada. Ótimo, eu que tinha posto aquele sorriso lá. Também a fizera rir. Por que parecia que eu havia acabado de resolver o problema da fome no mundo?

– Eu sei de uma coisa que você não sabe. Sei, sim. Sei, sim – cantarolou Bethy, com a voz bêbada.

Eu não queria que ela ficasse nos distraindo. Estragando o clima. Era meu momento com Blaire, e eu queria aquilo. Por que ela não desmaiava ou coisa parecida?

Blaire se remexeu no banco para olhar para Bethy no banco de trás.

– Eu sei de uma coisa – Bethy sussurrou alto como tinha feito a caminho do carro.

– Já escutei – respondeu Blaire.

– Um segredo grande. Enorme... e eu sei. Não era para saber, mas sei. Sei uma coisa que você não sabe. Você não sabe. Não sabe. – Bethy começou a cantarolar de novo.

Ela sabia um segredo. Senti meu estômago embrulhar. Eu tinha segredos. Ela conhecia os meus segredos? Será que sabia o que Blaire não sabia? Como eu poderia ter Blaire se Bethy lhe contasse tudo antes que eu pudesse consertar as coisas?

– Chega, Bethy – avisei.

Blaire se virou para mim, e percebi que eu a havia assustado. Só queria que Bethy calasse a boca. Não queria ouvir nenhum segredo. Pousei a mão por cima da de Blaire. Precisava tranquilizá-la, mas não consegui olhar para ela. O pânico estava tomando conta de mim.

Bethy não podia saber. Podia? Ninguém sabia. Nan teria contado a alguém? Porra. Isso não deveria vazar. Eu tinha que fazer isso direito. Blaire precisava de mim. Eu não podia perdê-la.

– Essa vez foi a melhor de todas. Adoro trabalhadores. Eles são tão divertidos. – Bethy começou a tagarelar de novo. – Você deveria ter procurado mais, Blaire. Teria sido mais inteligente. Rush não é uma boa ideia... porque sempre haverá Nan.

Putaquepariucaralho!

Ela sabia de alguma coisa. Não. Ela não podia saber. Não a verdade. Tirei a mão de cima da de Blaire e segurei o volante. Eu precisava pensar, e chutar a bunda bêbada da Bethy para fora do carro não era uma opção. Blaire nunca me perdoaria.

– Nan é sua irmã? – perguntou Blaire. A confusão na voz dela me fez estremecer. Ela estava questionando que relação eu tinha com Nan. Se ela soubesse a verdade, eu não poderia tê-la.

Apenas assenti com a cabeça. Não consegui dizer mais nada. Minha garganta estava fechada.

– Então o que a Bethy quis dizer? Em que o fato de a gente transar afetaria Nan?

Como eu podia responder àquilo? Eu não sabia exatamente o que Bethy sabia, mas não podia contar a verdade a Blaire. Ainda não tinha pensado em como consertar o passado. Como convencer Blaire a não me largar quando descobrisse a verdade.

Ela ia continuar a fazer perguntas. Precisava interrompê-la. Eu não podia lhe contar nada. Não agora.

– Nan é minha irmã mais nova. Eu não... não posso falar sobre ela com você.

Blaire se retesou. O clima ficou pesado dentro do carro. Precisava pensar numa forma de sair daquela situação. Blaire confiava em mim. Eu queria essa confiança. Queria merecê-la. Bethy não podia saber. Ela não devia saber. Nan nunca havia contado nada a ninguém. Guardava esse segredo muito bem. Eu estava exagerando.

O ronco de Bethy encheu o carro, e Blaire manteve o olhar fixo na estrada. Nós dois ficamos calados. Eu não queria que Bethy acordasse e dissesse alguma coisa. Era melhor mesmo que tivesse apagado. Era mais seguro.

Um abismo parecia se abrir entre mim e Blaire, e eu odiei isso. Eu a queria nos meus braços novamente. Eu a queria gritando meu nome. E não aquela parede entre nós.

Quando parei na frente da sede administrativa do clube, não perguntei a Blaire se era onde tínhamos que deixar Bethy. Não consegui abrir a boca. Estava simplesmente em pânico. Será que ela tinha descoberto tudo?

Sacudi Bethy para despertá-la e ajudá-la a sair do carro. Ela começou a resmungar que o pai iria matá-la e preferia dormir no clube. Eu tinha quase certeza de que sua tia Darla ficaria furiosa com ela de manhã, mas isso não era problema meu. Peguei a chave na bolsa dela, abri a porta e a levei lá para dentro.

O grande sofá de couro ficava perto da porta, graças a Deus. Bethy cheirava a tequila barata, e eu não queria estar com ela no colo quando começasse a vomitar. Larguei-a no sofá.

– Deite-se – instruí. Peguei a lata de lixo mais próxima e pus no chão ao lado da cabeça dela. – Vomite aqui. Se sujar o chão, Darla vai acabar com você.

Bethy resmungou e rolou para o lado.

Caminhei na direção da saída. Assim que abri a porta, a voz de Bethy me interrompeu.

– Não vou falar nada sobre o pai de Nan. Mas você precisa contar. – Ela parecia triste quando seus olhos vidrados encontraram os meus. Ela sabia quem era o pai de Nan. Cacete.

– Pode deixar. Quando for a hora – respondi.

– Não demore muito – comentou, fechando os olhos. Ela abriu a boca e roncou baixinho.

Tranquei a porta e a fechei bem atrás de mim. Ela tinha razão. Eu precisava consertar aquilo antes que fosse tarde demais.