Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 13 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 10

 

Nan havia contratado uma promoter. Fiquei no topo da escada vendo a equipe de decoração trazer rosas brancas de um caminhão. Ela achava que era um casamento? Mas que diabos?

– Nem quero saber quanto a festa está lhe custando. Aqui – disse Grant ao aparecer por trás de mim enfiando na minha mão um copo de algo que cheirava e parecia uísque. – Beba. Você vai precisar.

Tomei um longo gole e deixei que o calor da bebida banhasse a minha garganta. Mas não aliviava nem um pouco o fato de ter que encarar todos os amigos de Nan. Normalmente, quando fazia festas na minha casa, eu limitava o número de convidados. Esta noite eu não tinha imposto limite. Estava apavorado. Provavelmente toda Rosemary Beach iria aparecer.

– Estou vendo que a princesa encomendou flores – comentou Grant, em tom divertido, recostando-se no corrimão e observando a atividade.

– É o que parece – retruquei. Ainda estava puto por ele ter falado com Blaire a meu respeito. Eu sabia que ele não contaria nada que ela não precisasse saber, mas ainda assim me sentia incomodado.

– Você a convidou? – perguntou Grant, tentando parecer casual.

– Você esperava que eu a escondesse embaixo da escada a noite toda? – respondi. Porque, sinceramente, eu havia pensado nisso. Convidá-la para essa maldita festa significava apenas que eu precisaria observá-la de perto. Os caras ficariam em cima dela e as garotas seriam perversas. Ela precisava ser protegida.

– Bem, eu não tinha certeza. Esta festa é da Nan – comentou Grant, como se eu precisasse ser lembrado disso.

– É na minha casa – falei, lançando um olhar furioso e irritado para ele.

Grant riu e sacudiu a cabeça.

– Caramba. Nunca pensei que o veria priorizar outra pessoa antes de Nan.

– Não – eu o alertei. – Não faça isso. Eu só estou sendo legal. Nada mais.

Grant levantou uma sobrancelha, gesto que ele sabia que me irritava.

– Sério?

Larguei o copo em cima do corrimão e voltei para o meu quarto. Não estava a fim de continuar vendo aquela movimentação ou de ficar ouvindo Grant. Seria uma longa noite.

Alguém poderia imaginar que Nan era mesmo uma princesa, considerando o que os decoradores fizeram com a minha casa. Percorri os ambientes, sempre de olho na cozinha e, quando possível, na porta da despensa. Não tinha visto Blaire durante o resto do dia, mas sabia que ela estava ali. Depois que saí da praia, ela ainda ficara deitada na areia por muito tempo. Eu a observei nadando nas ondas e depois dando uma caminhada. Caramba, fiquei olhando inclusive enquanto ela lia um livro.

Quando finalmente pegou a toalha e voltou para casa, eu me levantei do sofá diante da parede envidraçada e fui me arrumar para a noite. Queria estar lá embaixo quando ela saísse do quarto para a festa.

A casa estava ficando cheia, e a música, mais alta. Nenhum sinal de Blaire. Pensei que ela talvez estivesse com medo de sair. Eu deveria deixá-la escondida no quarto, em segurança? Ou precisava ir buscá-la?

– Fico de olho na porta da despensa enquanto você vai lá fora e tira um surfista louro de cima do parapeito da varanda antes que ele caia e morra – sussurrou Grant no meu ouvido, e me empurrou para fora da casa.

Malditos universitários bêbados.

Quando saí, Jace já estava tirando o idiota do peitoril.

– Cara, beba um café – recomendou Jace com desprezo, dando um tapa forte nas costas do surfista.

– Você o conhece? – perguntei.

Jace balançou a cabeça.

– Não. Só não estava a fim de ver ninguém morrer esta noite – respondeu ele, antes de tomar um gole de cerveja.

– Obrigado.

Anya se aproximou e abraçou Jace na cintura, sorrindo para mim. Parecia que ela havia seguido em frente. Que bom para ela.

– Anya – cumprimentei, acenando a cabeça.

– Rush – respondeu ela com um sorriso provocante.

– E eu sou Jace – disse ele acima do barulho. – Por mais que eu goste de diversão e constrangimento, acho que vamos dar uma caminhada na praia – comentou, antes de guiar Anya pela escada que levava até a areia.

Voltei para casa e segui na direção da cozinha. Ia tirar Blaire daquele maldito quarto. Ela não precisava ficar lá a noite toda.

– Ela já saiu – avisou Grant, vindo na minha direção. – Woods está com ela no vestíbulo.

– Woods?

– É, cara. Kerrington. Você certamente já se deu conta disso. Ele a viu no campo de golfe. Ele joga bastante por lá.

Abri caminho pelas pessoas em direção ao vestíbulo.

O sorriso tímido de Blaire, que olhava para Woods enquanto ele a levava até a sala de estar, me fez parar de repente. Alguém estava falando comigo, mas não consegui entender o que estava sendo dito. A cor no rosto de Blaire atraíra toda a minha atenção. A mão de Woods tocou nas costas dela de modo possessivo, e isso me incomodou. Quanto ela conhecia Woods? Será que eu tinha deixado isso passar? Blaire disse alguma coisa, e ele parou para olhar para ela. Os dois estavam discutindo. Então ele se inclinou para mais perto dela, e minha irritação se transformou em fúria.

Os olhos de Blaire se moveram e encontraram os meus. Ela os arregalou, como se não esperasse me ver ali. Então afastou-se de Woods e falou rapidamente com ele, aumentando a distância entre os dois. Ele parecia achar divertido o que ela dizia e queria convencê-la a ficar.

Eu conhecia o tipo de cara que Woods era, porque ele era exatamente como eu. Não ia deixar que ele tocasse nela. Woods a via como uma conquista, e eu o mataria antes que ele a usasse. A ideia de Blaire fazendo qualquer coisa com ele me deu um arrepio na espinha. Comecei a me mexer. Não parei para pensar, e não dei a mínima para a possibilidade de Nan me ver.

– Nada em você é indesejado. Nem mesmo Rush é tão cego assim – dizia Woods enquanto se aproximava dela. Ela tentava se afastar dele.

– Blaire, venha cá – falei, estendendo a mão para segurar o braço dela e puxá-la na minha direção. Woods precisava entender que ela estava comigo. Eu a estava protegendo. Era melhor ele procurar outra. – Não imaginava que você viria hoje – sussurrei no ouvido dela. Se eu soubesse que ela sairia daquele quarto parecendo algo bom de comer, teria montado guarda diante da maldita porta.

– Desculpe. Pensei que você tivesse dito que eu podia vir – respondeu ela, com o rosto ficando vermelho. Não tive intenção de constrangê-la. Ela me entendeu mal.

– Eu não imaginava que você fosse aparecer vestida assim – expliquei, mantendo o olhar fixo em Woods. Não queria fazer isso na frente dela, mas, se ele me obrigasse, faria. O vestidinho vermelho colava no corpo de Blaire de um jeito que deveria ser ilegal, cacete. Ela não tinha um espelho naquele quarto? Droga, eu não conseguia lembrar.

Blaire de repente soltou o braço com um puxão e começou a andar na direção da cozinha.

– Porra, cara, qual é o seu problema? – perguntou Woods furioso, fazendo menção de ir atrás dela.

– Ela está fora de cogitação – eu o alertei, bloqueando seu caminho. – Você tem que ficar longe dela, cacete.

O olhar de Woods ficou ainda mais irritado enquanto ele me encarava.

– Agora você resolveu reivindicá-la? Fazer a família trabalhar no clube é baixo, até mesmo para você, Rush.

Dei um passo na direção dele.

– Fique fora disso, e longe dela. Só vou avisar esta vez – ameacei, antes de ir atrás de Blaire.

Grant me encontrou no corredor.

– Ela está magoada. Vá consertar isso – disse ele, lançando um olhar irritado enquanto voltava para a festa.

Por que ela estava magoada? O que eu tinha feito além de evitar que Woods a usasse? Ignorei duas pessoas e balancei a cabeça para Nan, que vinha na minha direção. Não ia falar com ela agora.

– Você vai entrar lá? – disparou ela, furiosa.

– Vá aproveitar a sua festa cara, maninha. – Abri a porta da despensa e a fechei atrás de mim, trancando a fechadura. Não queria que mais ninguém entrasse.

Não bati à porta. Sabia que ela não a abriria. Em vez disso, entrei e a encarei ali, parada, tentando abrir o zíper do vestido. Ela deixou que as mãos caíssem ao lado do corpo enquanto me olhava, então deu um passo para trás, bateu na cama e se sentou. Não havia muito espaço para se mexer ali, o que me deixou irritado. Como ela estava vivendo nesse quartinho? Entrei e fechei a porta.

– De onde você conhece Woods? – perguntei. A raiva na minha voz não fora intencional.

– O pai dele é dono do country club. Ele joga golfe. Eu sirvo bebidas para ele – disse ela, nervosa.

Eu já sabia de tudo isso. Apenas queria me certificar de que era assim que eles se conheciam. Não conseguia suportar a ideia dela ficando com ele. Nem com qualquer um.

– Por que você pôs essa roupa? – perguntei, olhando para o vestido que seria o protagonista das minhas fantasias noturnas com ela.

Blaire olhou para cima, e seus olhos passaram de nervosos para furiosos rapidamente.

– Porque a minha mãe comprou para eu usar. Eu levei um bolo e acabei não usando. Hoje à noite você me convidou e eu queria me encaixar, então pus a melhor roupa que tinha. Sinto muito se não é boa o suficiente. Mas sabe de uma coisa? Estou cagando para o que você pensa. Você e os seus amigos mimados e arrogantes precisam descer do salto. – Então ela me deu um empurrão, como se quisesse me derrubar. Não me mexi, mas ela havia empurrado com força.

Blaire não tinha entendido nada. Não compreendia porra nenhuma e, puta merda, achava que a roupa não era boa o suficiente. Ela estava de sacanagem comigo? Blaire era quase tão perfeita que chegava a doer. Apertei os olhos, tentando não olhar para ela. Eu precisava me afastar. Aquele quarto era tão pequeno. Ela tinha um cheiro tão bom...

– Puta que pariu – xinguei, antes de enterrar as mãos nos cabelos dela e cobrir seus lábios com os meus. Eu precisava sentir o gosto dela. Não consegui me controlar. Estávamos sozinhos e próximos demais, e ela tinha o cheiro do paraíso.

Eu esperava que ela me rechaçasse, mas Blaire derreteu com muita facilidade. Aproveitei o que pude enquanto ela ainda estava chocada demais para me dar um tapa. Sua boca se mexia embaixo da minha, e eu passei a língua no lábio inferior dela.

– Queria provar esse lábio delicioso e carnudo desde que você apareceu na minha sala – disse a ela antes de provar mais. Deslizei a língua entre seus lábios, e ela abriu a boca para mim. Cada cantinho desconhecido era melhor do que mel quente. Eu poderia ficar bêbado com o gosto dela.

Suas mãos delicadas agarraram meus ombros e apertaram. Eu queria mais. Eu queria Blaire. Ela me acompanhou e começou a mover a língua contra a minha. Então mordeu meu lábio inferior. Puta merda.

Agarrei a cintura dela e deitei-a na cama antes de cobrir seu corpo com o meu. Mais. Eu precisava de mais. Mais de Blaire. Mais do cheiro dela. Mais do gosto dela. Mais dos sons que ela fazia. Precisava dela inteira.

Quando encaixei minha evidente excitação entre as pernas dela, Blaire gemeu e atirou a cabeça para trás. Senti minha pulsação acelerar e o controle escapar ainda mais. Mais.

– Delícia – murmurei contra sua boca, percebendo que eu estava quase pronto.

Não conseguiria parar. E ela era tão doce. Doce demais para isso, cacete. Então me afastei, recuei da cama e a encarei. O vestido vermelho sexy estava amontoado ao redor da sua cintura, e dava para ver o cetim rosa da calcinha. A umidade que a escurecia fez meu sangue ferver nas veias.

– Puta que pariu! – Bati na parede com força para não permitir que chegasse até ela.

Então abri a porta. Precisava respirar um ar que não cheirasse a Blaire. Eu estava tomado pelo aroma dela. Precisava me libertar.

Ela era demais. A palavra mais ficava latejando na minha cabeça, lembrando quanto ela estava disposta a deixar que eu a beijasse. Que eu a tocasse. E, meu Deus, como ela estava molhada. Saí da despensa quase correndo e segui para a porta que levava para fora de casa. Ar fresco. Ar sem Blaire. Porra. Eu a queria. Mais. Eu queria muito, muito mais.