Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 9 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 6

 

 

Uma mensagem de Anya dizia que duas dúzias de rosas amarelas não eram necessárias. Foi isso. Nada mais. Era a melhor forma de acabar com as trepadas ocasionais. Fiquei me sentindo menos culpado. Enfiei o telefone de volta no bolso e continuei correndo.

Eu corria quando precisava pensar e limpar a mente. Também corria quando bebia muito na noite anterior. Esta noite eu simplesmente precisava correr. Não queria estar em casa quando Blaire chegasse. Não queria encará-la. Não queria ouvir a voz dela. Apenas distância.

Ela merecia a minha ajuda. Mas era só isso. Eu não queria conhecê-la. Não queria ser amigo dela. No dia em que ela fosse embora, eu poderia voltar a respirar normalmente. Talvez fosse visitar meu pai. Passar um tempo longe dali e aproveitar um pouco a vida.

Mas o destino tinha um jeito de debochar dos meus planos.

Diminuí a velocidade enquanto meus olhos se ajustavam à escuridão, e identifiquei a silhueta de Blaire à luz da lua. Merda.

Ela não tinha me visto... ainda. Estava olhando fixamente para a água. Seus longos cabelos louros estavam sendo agitados para longe do rosto e dançavam nos ombros. O luar deixava suas mechas sedosas prateadas.

Ela virou a cabeça, e seus olhos se fixaram nos meus. Droga.

Eu devia ter apenas acenado e corrido para dentro de casa. Sem dizer nada. Apenas seguir em frente. Deixei que ela morasse ali, mas não precisava falar com ela. Só que, caramba, eu não ia conseguir fazer isso.

Parei na frente dela e percebi seu olhar no meu peito. De repente gostei de estar sem camisa, e isso não era bom. Eu não devia me importar que ela estivesse olhando fixamente para o meu peito como se quisesse lambê-lo. Porra. Porra. Não! Ela não queria lambê-lo. De onde essa maldita ideia tinha saído? Ela estava ferrando com a minha cabeça. Cacete. Precisava tirar os olhos dela do meu corpo. Imediatamente.

– Você voltou – comentei, interrompendo o silêncio e os pensamentos dela.

– Acabei de sair do trabalho – respondeu, desviando o olhar para o meu rosto.

– Quer dizer que arrumou um emprego? – perguntei, mantendo a conversa para concentrar a atenção dela no meu rosto.

– Sim. Ontem.

– Onde? – Eu já sabia a resposta, mas queria que ela relatasse como havia conseguido, o que estava fazendo e se gostava do trabalho. Espere um pouco... ela estava usando maquiagem? Caramba, ela estava usando rímel. Os cílios conseguiam ficar ainda mais longos.

– No country club de Kerrington – disse.

Não conseguia parar de encarar os olhos dela. Eles já eram incríveis sem a porra da maquiagem. Mas, caramba, com apenas um pouco de rímel, eles ficavam surreais. Segurei o queixo dela e levantei sua cabeça para ver melhor.

– Você está de rímel – falei, meio que tentando explicar meu comportamento estranho.

– Estou – disse, mexendo a cabeça para se livrar do meu toque. Soltei a mão. Eu não devia ter feito isso. Ela tinha razão em me interromper. Eu não tinha o direito de tocá-la.

– Deixa você mais com cara da sua idade – comentei, dando um passo para trás e olhando o uniforme.

Eu conhecia bem aquela roupa. Já tinha dormido com mais garotas do carrinho de bebidas do que gostaria de admitir. Foi por isso que comecei a jogar golfe na adolescência. Quando as universitárias que trabalhavam lá descobriam quem era meu pai, ficavam interessadas em me levar para uma volta em seus carrinhos. De muitas maneiras.

– Você é a garota do carrinho de bebidas no campo de golfe – disse, erguendo o olhar para ela novamente. Eu já sabia disso, mas vê-la de uniforme me fez sorrir. Ficava bem nela.

– Como você adivinhou?

– Pela roupa. Shortinho branco justo e camisa polo. É o uniforme. Você está fazendo um estrago, não está? – Não foi exatamente uma pergunta, e sim uma afirmação.

Ela deu de ombros, então endireitou a postura, afastando-se um pouco mais de mim. Parece ter sentido necessidade de manter distância. Boa garota. Talvez fosse mais forte do que eu imaginava.

– Fique aliviado em saber que vou sair daqui em menos de um mês.

Eu deveria ter ficado aliviado. Caramba, como eu queria. Significaria um problema a menos. Mas eu gostava de tê-la ali. Gostava de saber que podia protegê-la. Ou compensar o mal que já fizera a ela. Sem conseguir me conter, dei um passo na sua direção.

– Eu provavelmente deveria ficar. Aliviado, quero dizer. Aliviado para cacete. Só que não estou, Blaire. – Então me abaixei até que minha boca ficasse a um suspiro do ouvido dela. – Por que será? – perguntei em um sussurro, antes de inspirar seu cheiro doce e fresco. Ela teria o mesmo cheiro entre as pernas? Seria tão doce e fresca?

Um novo tipo de suor começou a sair pelos meus poros, e recuei. Eu estava perdendo a linha.

– Fique longe de mim, Blaire. Você não vai querer chegar muito perto. Ontem à noite... – Porra, por que eu estava falando sobre isso com ela? Precisava esquecer que aquilo havia acontecido. – Não paro de pensar em ontem à noite. Saber que você estava vendo me deixa louco. Então fique longe. Estou me esforçando ao máximo para ficar longe de você – falei em um tom áspero, dirigido mais para mim mesmo do que qualquer outra coisa. Mas não consegui explicar isso a ela. Apenas dei meia-volta e saí correndo. Precisava me afastar.

A salvo no meu quarto no último andar, fui até a janela e olhei a praia. Blaire ainda estava lá. Mas não observava o mar desta vez. Estava olhando para a casa. O que estaria pensando? Será que eu a havia deixado apavorada? Ou estava esperando que eu mudasse de ideia e voltasse? Toquei o vidro frio com a mão espalmada e fiquei olhando para ela. Pareceu ser ao mesmo tempo uma eternidade e alguns poucos minutos antes de voltar para a casa.

Naquela noite, sonhei com Blaire pela primeira vez. Imagens nítidas dela embaixo de mim. As pernas compridas enroscadas ao meu redor e a cabeça atirada para trás enquanto eu a fazia gozar junto comigo.

Eu estava muito ferrado.