Rush sem limites

Abbi Glines · Capítulo 14 de 37

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Rush sem limites

Capítulo 11

 

Não dormi. Passei a porra da noite toda em claro. Caminhei quilômetros pela praia às escuras e depois fiquei andando de um lado para outro no meu quarto. Uma ducha fria também não ajudou. Toda vez que fechava os olhos, via aquela calcinha rosa e ouvia os gemidos doces de Blaire. Precisava tirá-la da minha cabeça.

Precisava transar. Não tinha ficado com mais ninguém desde o incidente com Anya. Eu não era assim. Precisava dar um jeito nisso. Manter Blaire a distância evitaria que ela ficasse magoada. Era apenas uma questão de tempo até que ela descobrisse e me odiasse.

Peguei o telefone e repassei os números da agenda até encontrar uma que serviria para um sexo casual sem compromisso. Precisaria de um jantar e um pouco de atenção antes, mas Bailey vinha tentando chamar a minha atenção desde que fora a uma das festas de Nan. Eu anotara o telefone dela e dissera que ligaria qualquer hora.

Assim que acertei o encontro para aquela noite, me preparei para o dia com Nan. Iríamos jogar uma rodada de golfe, o pedido de aniversário dela. Esperava não encontrar Blaire; se isso acontecesse, eu conseguiria lidar com o carrinho de bebidas dela. Apenas não seria capaz de respirar enquanto ela estivesse perto de mim. Nem de olhar para ela. E não pensaria na calcinha dela. Porra. Precisava de outra ducha.

Nan estava parada com os braços cruzados no peito e a cara amarrada quando cheguei à sede do clube dez minutos mais tarde.

– Desculpe o atraso – falei, me abaixando para dar um beijo no rosto dela e amansá-la um pouco.

Ela deu um empurrão no meu ombro.

– Não é por isso que estou chateada. Acabei de chegar – disse, revirando os olhos para mim. – Por que eu precisei ficar sabendo pela Bailey que você a convidou para sair esta noite? – perguntou, parecendo irritada.

Porque eu só queria tirar Blaire da minha cabeça. Nada mais.

– Não sabia que você se importava com quem eu vou transar esta noite – respondi com uma piscadela enquanto tirava a bolsa do Range Rover e a entregava para o caddie, que viera correndo me receber quando estacionei o carro.

– Rush, sério? – disparou Nan.

– Quando ela me deu o telefone, sabia o que estava fazendo. Mas se você quiser ligar para ela e alertá-la acerca dos meus planos, fique à vontade. Eu preferiria que ela cancelasse agora para que desse tempo de encontrar uma substituta.

Nan balançou a cabeça e suspirou.

– Você é horrível.

– Você me ama – falei, agarrando a mão dela e levando-a comigo até o carrinho de golfe. – Eu quero guiar e não preciso de ninguém pegando meus tacos para mim. Você fica bem só comigo ou precisamos de um caddie? – perguntei.

Ela ocupou majestosamente o assento do carona e deu de ombros.

– Desde que você pegue os meus tacos e os limpe, tudo bem.

– Diva – resmunguei, dando uma nota de 100 dólares ao caddie pelo tempo dele, então entrei no carrinho e guiei até o primeiro buraco.

– Princesa, Rush. Eu sou uma princesa – ela me lembrou.

– Não, maninha, não é. Você é uma diva mimada. Só pode ser acusada de ser princesa caso você se case com alguém da realeza – provoquei.

Nan bateu no meu braço e riu. Esta era a irmã com quem era fácil lidar. A que era minha amiga, com quem eu podia ser eu mesmo. A que não me exigia coisas que eu não podia cumprir.

– Bailey é muito legal. O pai dela é cirurgião cardíaco, e ela está desenhando a própria marca de roupas. Acho que você gostaria dela se lhe desse mais do que uma noite na sua cama.

Estacionei o carrinho e desci.

– Ela não vai para a minha cama. Eu nunca as levo para a minha cama. O meu sofá, talvez, até mesmo a mesa da cozinha. Caramba, talvez eu experimente a máquina de lavar esta noite. Assim que eu descobrir onde ela fica. Você já lavou alguma coisa na minha casa? – Eu estava tentando mudar de assunto. Não queria ficar ouvindo sobre Bailey e me sentir culpado por querer usar o corpo dela naquela noite.

– Você é impossível! – Nan caminhou até o tee, esperando que eu lhe desse o taco. Ela gostava de jogar, mas não fazia ideia de qual taco escolher para cada lance.

– Eu estou com tesão, e Bailey tem uns peitos bonitos.

Nan franziu a testa.

– Vou avisá-la de que você não presta. Ela precisa saber.

Entreguei o taco e sorri.

– Ela sabe, maninha. Ela sabe, ou não teria me dado o telefone.

Nan acenou para mim e pegou o taco.

Eu tinha me virado para pegar o taco quando o carrinho de golfe que vinha em nossa direção chamou a minha atenção. Percebi os cabelos louros de Blaire. Ela olhava para mim. Cacete. Eu sabia que havia uma boa chance de vê-la ali, mas esperava que falar sobre o sexo que eu pretendia fazer com Bailey à noite me esfriasse.

Afastei o olhar dela. Não ia deixar que ela me afetasse. Poderia ignorá-la. Pedir uma bebida e agir como se ela fosse apenas uma garota qualquer do carrinho de bebidas.

Bethy, uma das outras garotas, estava na frente com Blaire. Olhava fixamente para Nan enquanto falava. Fiquei tenso, pensando no que Bethy podia contar a Blaire. Não sabia direito quão próximas elas eram. Certamente não muito. Bethy não tinha nada a ver com Blaire. Já tinha perdido a inocência havia muito tempo.

– Está de sacanagem. Woods a contratou? – Nan sibilou. Olhei para minha irmã e vi que ela percebera o carrinho de bebidas chegando.

– Não comece... – avisei, me aproximando dela para controlá-la, caso fosse preciso.

– Posso oferecer uma bebida a vocês? – A voz doce de Blaire me deixou todo arrepiado.

– Pelo menos ela sabe o seu lugar – disse Nan. Ela estava sendo cruel, e eu precisava impedi-la, mas isso apenas faria Blaire achar que eu era legal. Eu não era legal. Ela precisava perceber isso.

– Vou querer uma Corona. Com limão, por favor – respondi.

Blaire olhou nos meus olhos, mas eu rapidamente desviei o olhar.

– Beba alguma coisa. Está calor – falei para Nan.

Nan gostou de eu ter tratado Blaire como uma desconhecida.

– Uma água com gás. Mas enxugue a garrafa, porque eu odeio como fica toda molhada quando sai do cooler – instruiu minha irmã.

Bethy tomou a iniciativa de pegar a água. Isso foi interessante. Parecia querer proteger Blaire.

– Não tenho visto você por aqui, Nan – comentou Bethy enquanto secava a garrafa com uma toalha.

– Deve ser porque você estava ocupada demais nos arbustos abrindo as pernas para Deus sabe quem em vez de trabalhar – retrucou Nan.

Pude sentir a tensão se acumulando em Blaire enquanto ela abria a minha Corona. Ela tinha os ombros eretos e as costas duras como uma tábua.

– Chega, Nan – falei, querendo acabar logo com aquilo.

Blaire me entregou a garrafa, e não pude ignorá-la. Ela tentava se concentrar em qualquer outra coisa que não eu naquele momento, mas, por apenas um segundo, eu queria que ela me visse. Queria que olhasse para mim. Seus olhos se ergueram e encontraram os meus, e isso me afetou demais.

– Obrigado – agradeci, enfiando uma nota no bolso dela. Foi uma desculpa para tocar nela e esconder de Nan a gorjeta que eu estava lhe dando.

Dei um passo para trás e segurei o cotovelo da minha irmã. Precisávamos sair dali.

– Venha, me mostre como você me deixa no chinelo aqui no campo – provoquei.

Nan caiu direitinho.

– Você vai levar uma surra – disse ela, afastando-se das garotas.

Ouvi Bethy sussurrar alguma coisa a Blaire. Então, olhei para trás e a vi me fitando. Um sorriso começou a se formar nos meus lábios. Não conseguia evitar quando a via. Desviei o olhar e voltei a conversar com Nan. Ela estava reclamando do taco que eu tinha lhe dado.

Eu adorava bebidas geladas enquanto jogava golfe, mas, pela primeira vez, fiquei esperando que o carrinho de bebidas não cruzasse conosco outra vez.