Sempre Foi Você
Capítulo 7
11 de setembro de 2001
O som estridente do telefone tocando na cozinha cortou o silêncio do apartamento, e Hanna
levou alguns momentos para tirar a cabeça do livro e voltar para Londres, no presente.
Procurando desesperadamente algo para usar como marcador, ela por fim tirou sua faixa de
cabelo, colocando-a entre as páginas enquanto seu cabelo caía livremente sobre suas costas.
Ela atravessou a sala correndo e chegou à cozinha assim que o telefone parou de tocar. Não
era a primeira vez que isso acontecia, mas a frustração ainda a fez ranger os dentes quando
percebeu que sua corrida louca tinha sido em vão. Sentindo o estômago roncar de fome,
decidiu fazer um sanduíche.
Enquanto ia até a geladeira, foi interrompida outra vez pelos toques agudos do telefone.
Ergueu o receptor, falando um “Alô” alto.
– Hanna? É o Josh.
– Você acabou de me ligar? – ela mordeu o lábio em confusão. Ele só deveria ligar amanhã.
– Não, acabei de escapar de uma reunião. Você está bem?
– Por que não estaria?
– Está assistindo às notícias? – havia um burburinho no fundo, e ela se perguntou quantas
pessoas haviam naquela reunião.
– Não, estava no quarto, lendo. O que aconteceu?
– Houve um acidente de avião em Nova York. Dois aviões, na verdade. Eles bateram no
World Trade Center.
– Ah, meu Deus, Josh! É do lado do prédio do meu pai – a mão dela tremia enquanto
apertava o telefone, como se fosse uma corda de segurança que a ligasse ao pai.
– Está um caos lá, ninguém sabe de nada. Fui chamado para o escritório de Londres para
atender aos telefonemas à noite, então estou saindo agora. Tento ligar pra você quando chegar
lá.
O coração de Hanna parou. Ela só queria que o namorado viesse para casa, segurasse-a em
seus braços e dissesse que ficaria tudo bem. Ela desligou o telefone e caminhou no automático
até a sala, o braço estendendo-se roboticamente para ligar a televisão.
Ela não conseguia se sentar para assistir à cobertura, e seu estômago se revirava enquanto
via o desastre transmitido na tela. Todo seu corpo tremia e um soluço escapou de sua garganta
ao ver o público e os jornalistas em pânico. Já estavam descrevendo os ataques como um “ato
de guerra”.
Não era só por seu pai e por sua família que estava preocupada; havia também Richard e os
Maxwell, e todos aqueles desconhecidos atingidos pela tragédia diante de seus olhos.
Ainda tremendo, ela voltou para a cozinha e abriu a gaveta que continha as agendas de telefone. Puxando um caderno velho com capa de couro e indo até a página com os números
do pai, Hanna sistematicamente discou cada um, mas conseguiu a mesma resposta todas as
vezes.
Sinal de ocupado.
Tentando de novo e de novo, podia sentir as lágrimas começarem a escorrer pelo rosto
enquanto apertava os botões em frustração, sabendo mesmo antes de apertar o último número
que só ouviria uma resposta morta e monótona. Continuou insistindo mesmo assim.
Mordendo o dedão, ela procurou até chegar na letra L. Correndo o dedo pela página,
encontrou o número que estava procurando e discou rapidamente, o coração ficando mais leve
ao ouvir o som familiar do sinal de discagem vibrando pelo aparelho.
– Alô?
– Claire? É a Hanna – assim que ouviu a voz gentil de Claire, as lágrimas começaram a
escorrer mais rápido. Outro soluço abafado escapou da sua boca, e ela ouviu Claire inspirar
em resposta.
– Querida, você teve alguma notícia do seu pai?
– Não. Não consigo falar com ele. Ouviu alguma coisa de Richard? – o coração dela
martelava dentro do peito. Hanna não tinha certeza se queria ouvir a resposta de Claire.
– Não, não sabemos de nada. Steven está trancado no quarto tentando descobrir alguma
coisa. Ele está ligando pra todo mundo que conhece.
– Quando era o voo dele para São Francisco?
– O voo era hoje de manhã, Hanna – ela podia ouvir Claire chorando agora, a emoção
pontuando cada palavra. – Não sabemos a que horas saía o avião, ou qual a companhia.
Hanna começou a se balançar para a frente e para trás na planta dos pés, estabelecendo um
ritmo que era de algum modo reconfortante.
– Diana está com você?
– Ela está organizando uma festa em Hertfordshire. Só volta à noite – Hanna fungou quando
pensou na mãe.
– Você está sozinha? Ah, Hanna… – Claire parecia horrorizada com a informação. – Vou
mandar alguém pegá-la. Não pode ficar sozinha num momento como esse.
***
Assim que chegou em Cheyne Walk, ela foi guiada para dentro da casa por Claire e Nathan,
os dois quase a carregando até soltarem-na gentilmente num sofá macio. Os olhos deles
estavam vermelhos e brilhando com lágrimas, enquanto se despediam da vida como a
conheciam. Eles tentaram não expressar o medo que sentiam por Richard.
– Steven está tentando descobrir notícias do seu pai – Claire disse, sentando-se e assistindo
à tevê no mudo. – Ele tem contatos na embaixada e no gabinete do Estado. Estão fazendo tudo
o que podem, mas está uma bagunça por lá. Ninguém consegue falar com ninguém, todas as
redes de comunicação estão cortadas. Vai demorar um bom tempo até descobrirmos alguma
coisa.
Hanna podia sentir uma dormência cair sobre a pele enquanto continuava assistindo à
cobertura na tevê. Ela não estremeceu quando a filmagem de um terceiro avião atingindo o
Pentágono foi transmitida, nem quando um quarto caiu num campo na Pensilvânia. Só ficou sentada, com os olhos arregalados, a boca ainda respirando, o coração ainda batendo. Não
queria ver as imagens dos aviões em loop contínuo, mas não conseguia desviar o olhar. Era
como ser hipnotizada contra a vontade.
Eles ficaram sentados, assistindo, e continuaram quietos, até que um baque alto veio do
escritório de Steven. Era como algo sendo jogado contra uma parede. Houve um som claro de
algo quebrando, seguido pelo lamento frenético de um homem.
Claire ergueu-se e correu para o escritório. Hanna e Nathan observaram-na enquanto ela se
movia, os rostos congelados de pavor.
Quando Claire chegou à porta, ela foi aberta por Steven. O rosto normalmente suave dele
havia desaparecido, substituído pelo de um homem desesperado. A camisa estava torta, o
cabelo desarrumado. O que realmente quebrou o coração de Hanna foi a expressão no rosto
dele. Pelo resto da vida, nunca se esqueceria daquela expressão. Era uma mistura de medo e
infelicidade, frustração e impotência. Era um pai lutando pelo filho.
– O quarto avião estava indo para São Francisco – ele sussurrou.
Hanna recomeçou a tremer. Ela abraçou o corpo numa tentativa de fazê-lo parar, mas em
vez disso começou a balançar para a frente e para trás de novo.
– De onde saiu? – Claire perguntou.
– Newark.
– Steven… – a voz de Claire era um lamento. Ela jogou-se nos braços do marido, os
soluços aumentando enquanto ele a segurava forte.
Hanna começou a balançar a cabeça, como se estivesse tentando negar o que estava
acontecendo. Ela olhou para Nathan e o viu sentado com as mãos cobrindo a boca. Os olhos
azuis dele encaravam-na diretamente.
– Vocês têm certeza que ele iria sair de Newark? – ela sussurrou para Nathan, agarrando-se
a qualquer centelha de esperança, como um homem no mar procurando um colete salva-vidas.
– Não sei. Acho que meu pai não sabe qual voo ele iria pegar. Mas ele já voou de Newark
antes.
Hanna olhou para a tevê e viu no canto direito da tela que eram quase duas e meia.
– Ruby! – ela sussurrou, tentando não olhar para o abraço desesperado de Steven e Claire.
– Se eu sair agora, consigo pegá-la na saída da escola – Hanna precisava de ar fresco, e do
senso de propósito que aquela tarefa lhe daria. Distância e tempo eram o que ela mais
desejava.
– Vou com você. Não quero que ela fique sabendo por outra pessoa – Nathan sussurrou.
– É melhor avisar que estamos saindo? – Hanna olhou para Claire de relance. Era como se
ela e Steven estivessem em sua própria bolha. O olhar de Nathan seguiu o dela, e sua
expressão desmoronou outra vez ao ver a tristeza deles à sua frente.
– Pegue seu casaco, eu aviso que estamos indo buscar Ruby.
***
Sua mãe estava acordada quando Richard entrou, sentada no sofá de seda na sala de estar.
Ele ficou contente ao ver que a mão dela não estava ao redor de uma taça de vinho, embora
estivessem pálidas e tremendo, como o resto do corpo. O cabelo claro de Caroline caía ao
redor do rosto, e seus lábios estavam vermelhos e secos de tanto passar os dentes por eles.
– Vou tomar um banho e já volto – ele disse a ela. Ela olhou-o com olhos azuis vidrados.
– Depressa, querido. Não gosto de ficar sozinha.
O banho era uma necessidade. O cabelo de Richard estava coberto de poeira, e sua pele
coçava pelo efeito do vento e dos detritos no ar. Mais que tudo, ele queria lavar as lembranças
do dia, e vê-las descer pelo ralo junto com a água cinza. Infelizmente, era mais fácil lidar com
a sujeira do que com os pensamentos.
Ele desceu com o cabelo ainda molhado. A mãe não tinha se movido; continuava encarando
o mesmo ponto na parede, olhando fotos da família e dos amigos. Fotos de tempos mais
felizes, quando a vida era previsível e boa, e o mau era só um conceito em livros antigos.
– Foi terrível lá? – até a voz de Caroline parecia ter morrido. Ela falava com os lábios
finos e secos.
– Não foi agradável. Eu doei sangue, então fui ver o… – ele não conseguia pronunciar as
palavras, embora suspeitasse que, em algum momento, seria preciso.
– Há alguma esperança?
Ele sabia que ela estava perguntando se havia mais sobreviventes sendo resgatados. Ele
balançou a cabeça.
– Por favor, não me deixe sozinha, Richard – uma lágrima solitária emergiu do canto de um
olho, desceu pela bochecha e caiu do queixo, deixando uma mancha no sofá de seda. – Sei que
disse que não queria que você fosse para a Califórnia antes, mas estou falando sério. Acho
que não consigo aguentar isso sozinha.
– Não estou indo a lugar nenhum – ele sentou-se com ela, tomando a mão dela na sua e
apertando-a de leve.
– Eles estão dizendo que vão emitir certidões de óbito em breve, se os corpos não forem
encontrados. Tentei ligar para os nossos advogados, mas eles não atendem. Eu não sei o que
fazer.
– Vamos dar um jeito. Tento ligar pra eles amanhã – ele coçou a cabeça, os olhos voltando-
se para o armário de bebidas. A garrafa de whisky chamava-o como o canto de uma sereia.
Ele tentou ignorar o desejo; não queria incentivar a mãe a começar a beber de novo. Não
quando ela estava sóbria pela primeira vez em quatro dias.
Ainda apertando a mão dela, ele perguntou:
– Daniel já veio?
– Consuela o levou para almoçar, e disse que ele estava mais calmo, mas ainda não quer
falar com ninguém.
– Vou procurá-lo daqui a pouco. Ele não devia ficar sozinho.
– Ele me disse que não quer a herança, que não quer nada de Leon – a voz dela falhou
quando disse o nome do marido morto.
– Ele está de luto pelo pai. Não sabe o que está dizendo – Richard fechou os olhos por um
instante, tentando imaginar como se sentiria se Steven tivesse morrido no ataque. A ideia abriu
um buraco em seu coração. Só Deus sabia o que Daniel estava sentindo.
– Ele vai ser dono da maior parte da Maxwell Enterprises, então muitas pessoas vão
depender dele. Eu sei que ele vai desmoronar – Caroline tomou o rosto do filho nas mãos,
puxando-o para perto até poder encará-lo nos olhos. – Você sabe que Leon deixou uma parte
da empresa para nós também. Você precisa ir até lá e proteger nossos interesses. Leon gostaria
que você estivesse no comando, pelo menos até Daniel estar pronto.
– Eu já falei com o diretor financeiro; decidimos alugar uns escritórios em outra parte da
cidade por enquanto. Vamos nos encontrar amanhã para discutir os arranjos temporários – ele
não disse que havia falado com seu amigo e pedido demissão de uma empresa que eles ainda
nem tinham montado. O detalhe não parecia importante num momento como aquele.
***
Cedo na manhã seguinte, antes de sair para se encontrar com o conselho diretor da Maxwell
Enterprises, Richard se sentou no escritório forrado de madeira do padrasto falecido e usou o
computador de última geração para ler seus e-mails. Era a primeira vez que fazia isso desde
10 de setembro, e ficou surpreso ao ver tantas mensagens não lidas lá. Passando os olhos pela
lista de remetentes, viu que a maioria era de amigos, possivelmente preocupados com a
segurança dele e querendo se certificar de que ele estava bem.
Perto do pé da página, ele leu as palavras “Hanna Vincent”. Só ver o nome dela lá fez algo
surgir dentro dele, como se uma pequena lâmpada estivesse sendo acesa na caldeira da sua
alma.
De: HMVincent@yahoo.co.uk
Para: RSLarsen@aol.com
Assunto:Você
Richard,
Odeio ter que te escrever esse e-mail. Odeio que não possa estar aí pra te
apoiar, e que nem consiga falar com você por telefone. Tudo sobre essa situação é
horrível e estou ficando louca tentando imaginar como você deve estar se sentindo
agora.
Passei o 11 de setembro com sua família e fiquei admirada não só pelo amor e
preocupação ferventes que eles têm por você, mas também pelo apoio que me deram
no momento mais difícil das nossas vidas. Eles te adoram, e o alívio que sentimos
ao saber que você e meu pai estavam a salvo é indescritível.
Mesmo assim, ficamos profundamente tristes assim que soubemos que seu padrasto
tinha morrido na tragédia. Sinto muito, mais do que você imagina. Se precisar de
um amigo para conversar, ou um ombro para chorar, estou aqui, dia e noite. É só
ligar.
Você sabe disso, né?
Amo você, meu amigo. Queria estar aí para te abraçar agora, e assim que nos
encontrarmos outra vez, tenha certeza de que o apertarei forte com meus braços
magros. Ficarei extremamente feliz de ver sua cara feia.
Não se preocupe em responder. Tenho certeza que tem centenas de e-mails como
esse de suas admiradoras.
Hanna
bjs
De: RSLarsen@aol.com
Para: HMVincent@yahoo.co.uk
Assunto:Você
Hanna,
Obrigado por suas palavras. Num momento como esse, o que eu mais quero é um
pouco de humor. Tem tanta coisa acontecendo aqui, agora, não só em Nova York, mas
na minha vida também, e saber que a normalidade ainda existe no resto do mundo é
reconfortante.
Meu pai me disse o quanto você fez naquele dia, o modo como cuidou de Ruby e
apoiou Nathan, apesar dos seus próprios medos. Então posso dizer categoricamente
que, quando me abraçar, estarei te apertando com ainda mais força de volta. Posso
sugerir que pratique suas técnicas de respiração até lá?
Tenho uma reunião agora, mas tentarei escrever mais em breve.
Amor,
Richard
Uma hora depois, Richard chegou à sala de conferências improvisada na cobertura do
prédio recém-alugado para a Maxwell Industry. Os membros remanescentes do conselho
diretor estavam de pé, em grupos, falando depressa, os olhos arregalados enquanto contavam
histórias sobre o dia em que suas vidas tinham mudado irrevogavelmente. A maioria deles não
estava no escritório no dia do acidente, mas o choque de quase terem sido pegos estava
marcado em seus rostos enquanto conversavam, os olhos caindo sobre Richard assim que ele
entrou na sala. Eles o mediam como um possível substituto para Leon Maxwell.
Respirando fundo, Richard endireitou os ombros e foi até a cabeceira da mesa de
conferências, dando passos lentos e calculados. Puxou a cadeira, deliberadamente arrastando-
a pelo chão e fazendo todos os olhos se voltarem para ele.
– Senhoras e senhores, sugiro que comecemos. Temos um negócio para gerir – enquanto
todos se sentavam, Richard permaneceu de pé, movendo os olhos pela sala.
Ele encarou cada membro do conselho. Alguns pareciam céticos, outros esperançosos. Os
mais espertos entre eles mantinham uma expressão neutra enquanto retornavam o olhar, de
modo que ele não pudesse ler seus rostos.
– Como todos vocês sabem, Leon Maxwell, dono dessa empresa, está desaparecido,
presumivelmente morto. Na ausência dele, estou aqui representando os novos donos, meu
meio-irmão, minha mãe e eu mesmo. Posso ver que alguns entre vocês não estão convencidos
de que eu possa substituí-lo e virar a sorte dessa empresa. A esses, eu digo: ou você está
comigo, ou está contra mim. Se não quer trabalhar aqui, ficarei feliz em aceitar seu pedido de
demissão agora mesmo.
Richard parou, correndo os olhos pela mesa para ver se algum deles aceitaria a oferta.
Todos permaneceram em silêncio.
– Fico contente por termos acertado isso. Como meu padrasto, espero que trabalhem duro e
exigirei lealdade de vocês. Nosso negócio sofreu grandes danos na semana passada, assim
como os Estados Unidos. Mas o espírito de companheirismo e determinação que vi nas ruas
tem sido absolutamente incrível. Se pudermos canalizar a mesma coragem nessa empresa,
acredito com sinceridade que poderemos reconstruí-la, tijolo por tijolo, e torná-la uma
companhia de que Leon Maxwell teria bons motivos para se orgulhar.
Richard notou algumas cabeças assentindo às suas palavras. Ele permaneceu estoico, sem
se permitir um suspiro ou mesmo um instante de emoção enquanto falava com eles. Não queria
demonstrar qualquer fraqueza.
– Agora, quero que vão e motivem seus subordinados. Marcarei encontros individuais com cada um de vocês, e faremos planos para o futuro. Estou ansioso para trabalharmos juntos.
Depois de agradecê-los pela atenção, Richard finalmente se permitiu sentar, tentando
esconder o tremor de suas pernas. Todos começaram a aplaudir, e se levantaram numa ovação
genuína.
A primeira pessoa a abordá-lo foi Joe Garfield, o diretor financeiro. Amigo próximo de
Leon, seu rosto estava marcado pelo luto enquanto apertava a mão de Richard, sussurrando as
condolências usuais e encarando-o de frente.
– Obrigado, senhor – Richard respondeu, perguntando-se como, em uma questão de dias,
ele havia se transformado em um homem que estava sob a mira de todos, alguém que deveria
saber como conduzir um negócio multibilionário.
Joe deve ter notado o nervosismo de Richard, ou talvez o tremor em sua mão enquanto a
apertava. De qualquer modo, o homem ficou com pena dele.
– Se qualquer um desses filhos da puta criar problemas pra você, me procure. Te darei toda
a ajuda que puder.
– Agradeço o apoio, senhor. Obrigado.
Olhando a folha de papel à sua frente, Richard viu que sua assistente temporária tinha
marcado reuniões individuais com os membros do conselho. Todo o seu dia estava ocupado
até as oito da noite. Estava claro que sua vida não era mais sua.
Se ele falhasse, estaria decepcionando dezenas de pessoas, funcionários, clientes e
acionistas, que estavam confiando nele para tornar a empresa um sucesso.
Falhar não era uma opção.