Sempre Foi Você
Prólogo
12 de maio de 2012
Richard tinha ganhado um pouco de massa muscular desde a última vez que ela o vira. O
algodão fino de sua camisa estava grudado em seus bíceps, passando por seu abdômen liso até
ser enfiado dentro da calça social. Seus quadris ainda eram magros e estreitos, e ela fechou os
olhos tentando não se lembrar da sensação deles entre suas coxas, quando ele se movia dentro
dela, respirando suavemente em sua orelha, enquanto ela gemia e…
Balançou a cabeça. Ela não estava lá, naquele escritório grande e revestido de madeira só
para relembrar o passado, por mais agradável que pudesse ser. Ela tinha voado até ali, a
quase cinco mil quilômetros de distância, para contar a ele o que ele merecia saber.
Um riso nervoso ameaçou escapar quando ela considerou o melodrama ridículo da situação.
A versão mais jovem dela, com dezessete anos, estaria revirando os olhos, indignada ao
perceber que ela aos 29 anos tinha conseguido transformar uma vida aparentemente
promissora numa novela mexicana.
Ela ergueu os olhos para ele, olhando para seus lábios, que estavam cerrados de raiva. Os
olhos dele haviam se estreitado sob as sobrancelhas, e seu nariz reto e perfeito estava
levemente torcido em resposta à sua presença.
O desprezo que ele sentia por ela irradiava do seu corpo.
Hanna tentou manter a respiração regular, lembrando-se de que, embora estivesse no
escritório dele, na cobertura do prédio dele, esse era o momento dela.
Ela estava no controle.
Se ele a via com desprezo agora, só Deus sabia como se sentiria depois de ouvir o que ela
tinha a dizer. Ele tinha sido parte da sua vida por tanto tempo – como amigo, confidente, até
amante –, mas nunca antes tivera o poder de destruí-la.
– Por mais agradável que seja vê-la – ele disse com a voz arrastada, deixando
perfeitamente claro que tê-la no seu escritório era qualquer coisa menos agradável –, tenho
uma reunião em cinco minutos. O que você quer, exatamente?
Ele não tinha ideia, mas era agora. Hora de ela abrir a boca e contar a ele o que ele
precisava ouvir. De repente, seus braços ficaram pesados e seus dedos tremeram – uma
manifestação física do seu nervosismo. O riso foi substituído por algo mais perturbador
quando ela tentou respirar fundo e formar as palavras que tinha viajado toda aquela distância
para dizer.
Umedeceu os lábios. Viu o olhar dele descer para sua boca, seus olhos escuros observando-
a enquanto ela mordia o lábio inferior.
– Richard – a voz dela estava surpreendentemente forte. Ela podia fazer isso. Podia contar a
verdade para ele, e então ir embora dali.
Voltar para um avião.
Voltar para casa.
Voltar para ele.
– Richard, nós tivemos um bebê.