Sempre Foi Você
Capítulo 21
25 de abril de 2012
“Alecrim, alecrim dourado…”
Hanna bateu a mãozinha de Matty contra a dela, o som de pele contra pele fazendo os
olhinhos dele brilharem encantados. Ela repetiu a música e ele deu gritinhos de alegria,
balançando a cabeça para incentivá-la a cantar de novo.
Ele estava acordado havia dez minutos, depois de uma longa soneca, e parecia que ficaria
acordado até Tom chegar. Hanna tinha prometido manter seu filho acordado até que Tom
chegasse à sua vila em Nice, desesperado para ver como Matthew tinha mudado nos poucos
meses desde que o vira.
– Campo – o vocabulário de Matty consistia de frases de uma palavra, mas, a cada dia, ele
entendia mais. O rosto dele ficou animado quando Hanna lhe pediu que pegasse os sapatos e
ele voltou com eles em mãos, orgulhosamente andando em suas perninhas gorduchas.
Hanna pegou as mãos dele nas dela e começou a cantar “Atirei o pau no gato”. Como
sempre, ele segurou a respiração até que chegasse na parte do berro, e então soltou um grito
estridente, rindo até cair no chão enquanto ela punha as mãos sobre as orelhas, fingindo que
ele a tinha ensurdecido.
Deus, como ela o amava! Desde o momento em que ele nascera e fora colocado nos braços
dela, era como se o sol emergisse depois de ter se escondido atrás das nuvens por meses. A
adoração que ela sentia por ele borbulhava dentro dela, apertando seu coração até doer
fisicamente. Ela faria de tudo por aquele menino – mataria dragões e atravessaria as minas de
Moria se fosse preciso. Nada era demais para ele.
Hanna dera à luz num hospital perto de Nice. Tinha sido um parto fácil e rápido, como uma
prévia do futuro, recebendo a criança mais calma e alegre que ela já tinha visto. Não que ele
não chorasse – ela estava acostumada a acordar durante a noite, encontrar a chupeta dele e
oferecer uma refeição extra. Ela estava tão condicionada às necessidades dele que não parecia
um incômodo ter que sair da cama. Ela se considerava sortuda demais para pensar assim.
Ela tentou afastar a lembrança de Richard da mente, porém ele nunca estava distante,
sempre flutuando às margens dos seus pensamentos. Ela tinha feito a coisa certa; de fato, ela
acreditava nisso. Enquanto Meredith estava paralisada e presa a uma cadeira de rodas, pelo
menos Hanna tinha um belo futuro planejado com seu menino, mesmo se ele nunca pudesse
conhecer o pai.
Agora Matty estava com dezoito meses, e não era mais um bebezinho. Matthew Richard
Vincent já era um homenzinho, com cabelo castanho encaracolado e grandes olhos castanhos
que a seguiam para onde quer que ela andasse. Hanna considerava-se afortunada por ter
passado quase todos os dias do último ano e meio com ele, trabalhando na vila de Tom, produzindo a biografia do Fatal Limits e escrevendo para a Buzz.
Ela havia transformado a orangerie de Tom em escritório. Seu laptop ficava numa mesa
branca vintage de madeira. No canto, empilhados numa cornucópia colorida de plástico,
ficavam os brinquedos de Matty. A cada meia hora, ela fazia uma pausa, sentava e construía
prédios com ele até que ele os derrubasse. Ela adorava ouvir as gargalhadas dele.
– Lembra do tio Tom, Matty? – ela colocou-o em seu colo, enfiando o rosto no cabelo
macio dele. – Ele gosta de cantar pra você.
Matty balbuciou algo ininteligível, e Hanna seguiu o joguinho de sempre. Ela fingia
entender o que ele estava dizendo, conversando como se ele fosse outro adulto.
– É isso mesmo, ele gravou aquela música pra você.
“Dear Matty”, lançada em fevereiro de 2011, tinha ganhado o disco de platina. Todo mundo
achava que era uma canção de amor dedicada a uma nova namorada. Só a banda e Hanna
sabiam que, na verdade, Tom estava declarando seu amor pelo afilhado. Toda vez que a ouvia,
Hanna sentia arrepios.
Matty acomodou-se no colo da mãe, ficando em pé e envolvendo os braços gordinhos ao
redor do pescoço dela. Seus pulsos ainda tinham pequenos rolos, como se tivessem colocado
elásticos ao redor da sua pele. A cada dia ele ficava mais forte, alto e mais parecido com uma
criança. A alegria de conhecê-lo melhor era o bastante para reprimir a tristeza pelo fato de seu
bebê estar crescendo.
Um bipe alto de três tons alertou-a para uma mensagem nova no celular. Erguendo Matty do
colo, ela equilibrou-o no joelho, indo até o canto da sala de vidro. Seu iPhone ainda estava
aceso, e ela apanhou-o, passando o dedo pela tela.
Aterrissei em Monte Carlo. Devo chegar em umas duas horas.
A etapa final da turnê mundial do Fatal Limits era na Austrália, e Tom havia tirado algumas
semanas para relaxar e surfar um pouco. Ele tinha voltado para casa, em Londres, uma semana
antes, e estava planejando se juntar a Hanna, em Nice, por algum tempo. Eles precisavam ver
as provas finais da biografia da banda e esperavam ter algum tempo juntos, já que Tom
passara tanto tempo longe depois do nascimento de Matty.
Hanna só tinha voltado a Londres algumas vezes. Ela ainda mantinha o flat lá, sabendo que
um dia poderia querer voltar para casa. Mas, no momento, estava estabelecida na França.
Matty amava os jardins da vila de Tom e adorava ir à praia. Era um modo de vida bem mais
pacífico.
Além disso, ela não tinha que se preocupar em encontrar os Larsen.
Vou colocar o champanhe no gelo. Teremos peixe para o lanche.
Ela sorriu quando enviou a mensagem. Uma de suas partes favoritas de ser padrinho era
provar a comida de Matty. Durante suas visitas apressadas à França entre shows, Tom
entusiasticamente dava a Matty a papinha congelada que Hanna fazia. Muitas vezes comia
mais da metade, seguindo uma rotina de “um para Matty, um para Tom”.
Melhor fazer uma porção extra. Estou levando alguém.
Isso era intrigante. Até onde Hanna sabia, Tom estava solteiro, embora ela suspeitasse que
ele tinha seus casinhos em algumas cidades da turnê. Sua esperança de que ele e Ruby ficassem juntos parecia não ter se concretizado, e parte de Hanna suspeitava que isso era
parcialmente culpa dela. Quando ela colocou um muro entre ela e os Larsen, Tom tinha ficado
firmemente do lado dela.
Não que ela esperasse que ele escolhesse. Ela ainda mantinha contato com Ruby e Claire,
quase surpresa por elas terem aceitado a desculpa esfarrapada dela para não poder vê-las. Ela
inventou um acordo entre ela e um “cantor recluso” sobre o qual estava escrevendo, dizendo
que não podia revelar seu paradeiro à família e aos amigos. Talvez fosse a experiência de
Claire com os excêntricos de Nova York que a tivesse levado a acreditar que tudo era
possível, ou a preocupação de Ruby com o PhD em Física Molecular. De qualquer modo,
tinha sido muito fácil esconder a existência de Matty.
***
A porta da frente bateu, e Matty começou a balbuciar e a bater as mãos na água do banho.
– Você está aí? – Tom chamou do corredor.
– No banheiro – Hanna gritou de volta, um sorriso enorme no rosto. – Está uma bagunça
aqui!
Alguns segundos depois, a porta do banheiro foi aberta e Tom estava bem à frente dela, um
sorriso absurdo moldando seus lábios.
– Matty, meu garoto! – ele inclinou-se sobre a banheira e apertou Matthew, que esmurrou a
água em protesto. A camiseta preta cara de Tom ficou encharcada.
Hanna mordeu o lábio numa tentativa de abafar o riso. Matty parecia um pouco perturbado,
tanto pela quebra na rotina como pelo abraço entusiasmado de Tom. Ele estava começando a
estranhar pessoas que não via com frequência. Hanna esperava que fosse só uma fase.
Ela levantou-se e abraçou Tom, sentindo a água da camiseta dele passar para a sua blusa.
– Como foi o voo?
– Longo. Passei a maior parte dormindo – ele esfregou os olhos com as mãos, confirmando
sua exaustão.
– Aposto que sua amiga amou isso.
– Minha amiga?
– Quem quer que você tenha trazido. A mulher para quem eu preparei o jantar.
– Você quer dizer Ruby – Tom riu e as palavras gelaram o sangue de Hanna.
– Ruby Larsen? – a voz dela tornou-se um sussurro. – Você trouxe Ruby aqui?
Tom estendeu a mão e esfregou o braço dela.
– É uma longa história. Há algumas coisas que vocês precisam discutir.
– Realmente.
Hanna ergueu os olhos e viu Ruby parada na porta.
– Você disse que esperaria eu falar com ela – Tom foi até Ruby e passou um braço ao redor
da cintura dela. – Isso só vai ser mais difícil se vocês começarem a se atacar.
Hanna sentiu um nó na garganta. O pânico a fez perder o fôlego. Ela sentia-se traída por
Tom e com medo de que, agora que a barragem tinha sido aberta, a vida confortável que ela
construíra para ela e Matty estivesse sendo ameaçada pelas pessoas por quem ela mais sentia
falta.
– Ruby, eu sinto…
Matty bateu na água outra vez com força o suficiente para espirrar água na blusa de Ruby.
Hanna viu um sorriso se abrir no rosto dela, sua expressão se tornando mais suave quando ela
olhou para Matty.
– Ele é lindo.
Hanna só assentiu, sem saber o que dizer.
– Não acredito que você não me contou sobre ele, Hanna. Não consigo entender por que não
podia confiar em mim. Era pra sermos amigas. Quer dizer, você é minha melhor amiga, e todo
esse tempo ficou me mandando e-mails com histórias sobre artistas reclusos e reportagens
difíceis.
– Eu sou meio recluso – Tom apontou, ganhando de Ruby um soco no braço.
– E não pense que terminei de falar com você – Ruby balançou a cabeça para ele.
– Não é culpa do Tom. Eu pedi que ele não contasse a ninguém.
– Ele contou para o mundo inteiro, Hanna. Escreveu uma música sobre o seu filho, pelo
amor de Deus – a expressão de Ruby ficou séria de novo. – Seu filho com Richard.
Hanna não se deu ao trabalho de negar. A semelhança estava crescendo junto com Matty.
Seu cabelo de bebê tinha sido substituído pelo tom castanho-claro de Richard. Só os olhos
eram os de Hanna.
– Posso colocar Matty pra dormir? – Hanna puxou o filho da banheira, molhado e se
debatendo, enrolando-o numa toalha branca felpuda. – Podemos conversar enquanto ele
dorme.
Os olhos de Ruby fitavam o sobrinho com gentileza, enquanto ela o via mastigar a toalha.
– Claro. Vou abrir as malas. Você tem meia hora.
***
Matty estava quase dormindo quando ela se sentou com ele na cadeira, terminando a
mamadeira de leite morno que ela tinha lhe dado. Todo seu corpo relaxou contra Hanna e ela
podia sentir sua respiração ficando mais suave até atingir a cadência do sono. Só aí ela o
colocou no berço, ligando a luz noturna e o monitor, antes de sair silenciosamente do quarto e
fechar a porta atrás de si.
Ela estava temendo aquela conversa. Parte dela estava furiosa com Tom por colocá-la
naquela posição, sem aviso. Mas, principalmente, ela estava furiosa consigo mesma. A
situação em que colocara Tom era insustentável, em especial se ele estava se aproximando de
Ruby. Pedir que mentisse era completamente injusto.
Hanna entrou na ampla sala de estar. O sol do entardecer era laranja, lentamente se
movendo em direção ao horizonte. Ele iluminava a sala com um brilho âmbar, refletindo na
pele de Tom e Ruby até que eles parecessem quase sobrenaturais. Ela observou-os por um
momento, sentados juntos, as cabeças próximas enquanto conversavam. Há quanto tempo
aquilo vinha acontecendo? Eles pareciam íntimos demais para duas pessoas que tinham ficado
juntas há alguns dias em Londres.
– Quer um pouco de vinho? – Tom levantou e se aproximou dela, oferecendo um sorriso
conciliatório. Ela tentou sorrir de volta, indicando que eles estavam bem.
– Uma taça de Sancerre vai bem – ela adoraria a garrafa inteira, na verdade, mas não
ganharia nenhum prêmio de “Mãe do Ano” com aquela atitude.
Tom saiu da sala e Ruby ergueu-se, o rosto parecendo jovem na luz opaca do fim da tarde.
Hanna sentiu a atração antes que Ruby se movesse, e poucos segundos depois, elas estavam
nos braços uma da outra, em um misto de lágrimas e recriminações, abraços e rancor.
Elas eram irmãs. O amor as uniria sempre, não importava o que acontecesse.
– Estou tão brava com você – Ruby soluçou no ombro de Hanna. – Preciso que me diga por
quê.
Hanna ergueu o rosto de Ruby, beijando a bochecha dela e sentindo as lágrimas delas se
misturarem. O nó em sua garganta cresceu tanto que era difícil falar.
– Eu… – Hanna hesitou, tentando pensar em como se explicar. – Quando descobri que
estava grávida, liguei pro Richard pra contar. Caroline atendeu e me falou sobre Meredith.
– Sobre Meredith? – Ruby perguntou.
– Sobre ela não poder andar, depois do acidente – ambas estavam respirando com mais
facilidade agora, e Hanna pegou a mão de Ruby e conduziu-a ao sofá. Elas se sentaram, os
joelhos se tocando, e continuaram a conversar.
– Meredith consegue andar – Ruby estava perplexa. – Não podia no início, depois do
acidente, mas logo ficou bem.
Hanna balançou a cabeça.
– Não, Caroline me disse que ela estava presa numa cadeira de rodas para o resto da vida.
Por isso não contei a Richard. Não podia suportar que ele a deixasse por minha causa.
Ruby estava imóvel como uma estátua.
– Não é verdade.
– Eu liguei! – Hanna protestou. – Eu liguei, eu ia contar pra ele!
– Estou falando de Meredith. É mentira. Caroline mentiu pra você.
Foi como se o coração de Hanna tivesse parado. Praticamente morrido dentro do peito. Por
que Caroline mentiria sobre Meredith poder andar? Não fazia sentido, a não ser que ela
estivesse tentando afastar Hanna de Richard. O que significava que era tudo uma grande
mentira. A ideia deixou-a nauseada. Todos aqueles meses sozinha, criando um filho sem o pai,
tinham sido por nada.
Nada.
O que faria agora? Mentira para Richard omitindo a verdade dele, pensando ser melhor
daquele jeito, mas acabou roubando o filho dele. De jeito nenhum ele a perdoaria. E de jeito
algum Hanna jamais perdoaria Caroline. Ela queria arrancar os cabelos da mulher, gritar-lhe o
que as palavras descuidadas dela haviam feito. Aquela vadia havia roubado o futuro deles.
Hanna balançou a cabeça, as lágrimas escorrendo dos olhos.
– Não.
– Sim. Meredith é perfeitamente capaz de andar. E saiu da vida de Richard.
– Não! – Hanna gritou. – Não contei a ele sobre Matty para que pudesse passar a vida com
ela. Cuidando dela.
– Hanna, ele terminou com Meredith há quase dois anos. Veio para Londres e descobriu que
você tinha ido embora. Ficou tão bravo que nem consigo dizer quanto. Fiquei com medo de
que fosse quebrar alguma coisa, ou quebrar ele mesmo. Nem ousei falar que a gente estava
conversando por e-mail.
Hanna não sabia se queria vomitar ou se realmente precisava beber. Onde estava Tom com
o vinho? Ela esperava que ele trouxesse a garrafa. Se pelo menos ela tivesse tentado ligar para ele outra vez, ou falado com Ruby e contado a verdade, poderia estar com Richard agora,
vendo-o brincar com o filho, talvez jogando beisebol ou ensinando-o a chutar uma bola de
futebol… Meu Deus, ela estava desesperada para voltar e mudar tudo.
– Ele não está mais com Meredith? – Hanna sentiu que precisava confirmar. Ela não sabia
ao certo a resposta que queria ouvir.
– Não, não está com ninguém, até onde eu sei. Não que ele me conte esse tipo de coisa.
Estou morando com ele enquanto estou em Columbia.
– Que legal que vocês estão passando mais tempo juntos – a resposta de Hanna foi
automática. A parte racional do seu cérebro ainda estava firmemente fixa em Manhattan, em
um apartamento de cobertura. Ela quase podia ver Matty correndo pelo chão de madeira caro,
seu rosto alegre vendo papai chegar do trabalho. Outro soluço escapou quando percebeu que
ela nunca veria aquela cena.
– Está sendo incrível – os olhos de Ruby brilhavam enquanto pensava nas lembranças
felizes. Tom entrou com uma garrafa de vinho e três taças.
– Já é seguro entrar? – ele perguntou, pondo as taças na mesa de centro e servindo o vinho
frio.
– Não nos atacamos ainda, se é isso que você quer saber – Ruby apertou a mão de Hanna
com força. – Agora só precisamos discutir como você vai explicar tudo isso pro Richard.
Hanna ainda estava em choque, incapaz de moldar os pensamentos em algo que fizesse
sentido. Ela deixou Ruby liderar, submetendo-se às sugestões da amiga.
– Não tenho certeza se ele vai falar com você – Ruby confessou. – Nas raras ocasiões em
que seu nome é mencionado, ele normalmente sai da sala.
Hanna sentiu um aperto no coração. Claro que ele devia odiá-la. As últimas palavras dela,
quando se viram em Nova York, tinham sido uma promessa. Ela prometera esperar por ele em
Londres. Não era à toa que ele tinha ficado furioso quando chegou lá e ela tinha sumido.
De novo.
Será que ele odiaria Matty também? Ela não aguentava pensar na possibilidade de alguém
desprezando seu filho, mas se Richard estivesse bravo com ela, talvez o rejeitasse também.
Matthew era a combinação perfeita deles dois, tanto em aparência como em temperamento, e
Richard conseguiria identificar a metade herdada de Hanna.
De qualquer modo, ela não podia adiar mais. Não era uma escolha sua. Ela queria ligar
para ele imediatamente, revelar tudo por telefone o quanto antes, para compensar o tempo
perdido. Mas não era o tipo de notícia que devia ser dada a milhares de quilômetros de
distância.
– Não posso fazer isso por telefone. Tenho que ir para Nova York – ela mordeu uma unha. –
Mas não sei se Matty vai gostar muito disso – Hanna podia imaginar o filho correndo pelo
avião, gritando com os outros passageiros. A visão a fez estremecer.
– Deixe-o aqui com a gente – Ruby sugeriu. – Estou desesperada para conhecer meu
sobrinho, e sei pela música que Tom já está apaixonado.
– Ele está passando por um estágio carente – Hanna hesitou. Ela sabia que a sugestão de
Ruby fazia sentido, só não tinha certeza se conseguiria suportar se afastar dele.
– Dê umas semanas pra gente conhecê-lo melhor. Se achar que podemos cuidar dele, pode
ir para Nova York e dizer a Richard que venha para cá. Prometo que o trataremos como um rei
– a voz de Ruby traía a sua animação. Hanna ficou mais tranquila quando viu Tom encarando-a com os olhos brilhando.
– Será que Richard vai aceitar me ver? – Hanna perguntou, sabendo que as palavras
representavam sua aceitação. Ruby inclinou-se e abraçou-a com força, soltando um gritinho
alto que fez Hanna estremecer.
– Provavelmente não – Ruby respondeu. – Mas eu ligo e marco um horário com ele no meu
nome. Você pode encontrá-lo no trabalho. Pelo menos, se estiver cercado de pessoas, ele não
pode perder a cabeça.
Parecia que Ruby tinha tudo planejado. Dali a duas semanas, Hanna estaria em um voo para
Nova York. O medo lutava com a animação em seu estômago, misturando-se com o álcool que
ela estava ingerindo. A ideia de ver Richard de novo deixava suas pernas bambas.
Ela iria porque Richard merecia saber sobre o filho. Iria porque Matty merecia ter um pai.
Mas, principalmente, iria porque o amava tanto que achava que seu coração iria explodir.