Sempre Foi Você
Capítulo 23
13 de maio de 2012
Enquanto se reclinava no assento de couro, Richard olhou pela janelinha redonda, notando
que finalmente estavam sobrevoando terra. Os campos abaixo foram o suficiente para ele
perceber que estavam sobrevoando a Europa; até de cima a terra era diferente dos Estados
Unidos. Menor e mais bonita, de algum modo ela se adequava ao temperamento dos seus
habitantes.
Um dos quais o seu filho.
Seu filho.
Por mais que repetisse as palavras para si mesmo, não conseguia compreendê-las. Pela
primeira vez na vida, tinha tomado um comprimido antes de embarcar – o suficiente para
acalmar seus nervos e impedi-lo de querer alternadamente beijar e matar Hanna Vincent. Ela
estava dormindo ao lado dele, seu cabelo castanho longo espalhado sobre o apoio de cabeça.
Dois voos transatlânticos em menos de vinte e quatro horas tinham acabado com ela. A
exaustão estava evidente em seu belo rosto.
Ele olhou para o laptop aberto, correndo os olhos pelos e-mails que tinha baixado antes de
embarcar. Quando pediu a Lisa que o pusesse naquele voo, ela tinha automaticamente
cancelado e remarcado todas as reuniões, embora pelo visto ele fosse ter algumas por
videoconferência. Ele só esperava que o wi-fi de Hanna estivesse à altura do desafio.
Outra onda de rancor racional o atingiu. Seu rosto se contorceu enquanto tentava controlar a
fúria, as mãos desesperadamente se fechando em punhos. Ele não podia olhar para ela, nem
podia pensar no que ela havia feito, sem querer lhe causar dor. Aquilo o estava matando.
Um soluço abafado o distraiu de sua nuvem de fúria e ele virou a cabeça, encontrando
Hanna acordada. Ela o estava encarando, a mão cobrindo a boca, o rosto brilhando com
lágrimas. Sua raiva diminuiu e foi substituída por preocupação, e ele amaldiçoou seus
humores alternados.
Ele não enxugaria as lágrimas dela. Não dessa vez. Por mais que sua mão estivesse
levemente erguida, desesperada para tocar o rosto dela.
– Desculpe – a voz dela era um sussurro. – Você parece tão bravo.
Richard respirou fundo. Aquele não era o lugar para ter aquela conversa, não importava o
quão desesperada Hanna estivesse para ser absolvida. As luzes acima do assento estavam
apagadas, mas os movimentos constantes da aeromoça e dos diversos viajantes atravessando o
corredor até o banheiro faziam o espaço deles pouco reservado. As recriminações teriam que
esperar até eles aterrissarem na França e estarem sozinhos na vila.
Até que ele conhecesse seu filho.
A luz de segurança piscou acima deles, seguida por um anúncio de que eles estavam começando a aterrissagem. Richard olhou para fora da janela outra vez, maravilhado com a
beleza da terra. A luz branca da manhã machucava seus olhos. Nova York já parecia estar
muito distante, como uma cidade de sonhos.
– Um carro vai nos pegar no aeroporto – ele tentou manter o tom civilizado. Ficar tão
próximo dela tinha sido uma má ideia. Todas as emoções existentes no mundo pareciam passar
por ele sempre que olhava para ela. Ele tentou ao máximo não fazer isso.
– Obrigada.
– Ruby e Tom vão nos encontrar na vila. Depois disso, eles vão para Mônaco por alguns
dias. Vamos ter uma chance de resolver as coisas em paz.
Ele sentiu Hanna ficar tensa. O braço dela estava a milímetros do dele, e Richard viu-a
batendo os dedos nervosamente no apoio de couro. Ele apertou a coxa e reprimiu a vontade de
pegar a mão dela e esfregar um dedo pelas articulações até que ela se acalmasse.
– Eles vão embora? – ela perguntou, a voz trêmula. – Queria passar mais algum tempo com
Ruby.
Richard balançou a cabeça, ainda encarando a mão dela.
– Quero passar um tempo com meu filho, longe de todo mundo.
Outro soluço mal contido. Ele não tinha que vê-la para saber que ela estava mordendo o
lábio. Ele sabia tudo sobre aquela mulher; o jeito como ria, o jeito como chorava.
O jeito como mentia.
O avião estava descendo rápido, e os ouvidos deles se fecharam enquanto tentavam se
adaptar à altitude. Hanna estendeu a mão para pegar uma garrafa de água do apoio de copo e
começou a beber rapidamente. Ele tinha se esquecido de como os canais auditivos dela eram
sensíveis, mas agora se lembrava com clareza daqueles poucos voos que tinham pegado juntos
de Nova York para Londres, e como ele havia acariciado a cabeça dela enquanto Hanna
engolia desesperadamente, tentando normalizar a pressão na cabeça.
Ele umedeceu os lábios. Não olharia para ela.
Ela ergueu a mão do apoio de braço e ele imaginou que ela cobriria a orelha. Richard
seguiu o movimento com os olhos até que estava olhando para o cabelo longo e ondulado dela.
Ele tinha um tom quase ruivo no reflexo da luz brilhante que entrava pela janela do avião. Os
dedos dela curvaram-se ao redor da orelha, e quando ele olhou seu rosto, pôde ver que ele
estava contorcido de dor.
– Vem aqui – ele puxou a cabeça dela para perto, passando os dedos pelo seu cabelo e
massageando o couro cabeludo num ritmo que havia esquecido há muito tempo, sentindo-a
relaxar contra ele enquanto continuava os movimentos.
Ela ainda estava chorando. As lágrimas caíam sobre a camisa dele, deixando pontos
molhados onde as bochechas dela o tocavam. Ele passou a mão pela outra bochecha dela,
enxugando as lágrimas daquele lado.
– Obrigada – a voz dela foi abafada pelo peito dele. Richard não sabia por que ela estava
agradecendo: pela decência humana de tentar reduzir sua dor, pelo fato de ter finalmente
tocado nela, ou talvez pela esperança de que eles pudessem superar aquela situação terrível e
sair do outro lado com certo nível de amabilidade entre eles.
Quando saíram do voo, separaram-se na imigração: Hanna foi pelo lado europeu, enquanto
ele continuou com a multidão de pessoas na fila do “resto do mundo”. Ela esperou-o na esteira
de bagagens; até apanhou as malas dele e colocou-as num carrinho. As interações deles voltaram a ser estritamente polidas.
O trajeto até a vila levou menos de uma hora. Era um dia claro de primavera; os campos
estavam verdejantes, e as ruas cheias de carros pequenos e barulhentos, mal obedecendo às
regras de trânsito. De vez em quando um daqueles carros, normalmente um Renault ou um
Citroën, ultrapassava o táxi deles e Hanna estremecia.
Ao chegarem à casa de Tom, Richard sentiu o queixo cair. Quando Hanna tinha dito que era
uma “vila”, ele imaginara um chalezinho de campo pitoresco, com talvez dois ou três quartos
pintados de branco com persianas de madeira apodrecidas. Em vez disso, o que viu era quase
um palácio. Até para alguém como Richard, que estava acostumado com riqueza e
propriedades, era grande. Foi como um chute no estômago saber que seu filho estava
crescendo dentro daquelas paredes.
O motorista saiu do carro e tirou as malas de Richard do porta-malas, passando a malinha
de Hanna com um sorriso irônico. Richard levantou as três malas e eles seguiram até a porta
da frente, ambos em silêncio, afogando-se sob o peso dos próprios pensamentos. Ao chegarem
na entrada Hanna quebrou o silêncio.
– Como você quer fazer isso? – ela soava mais confiante de novo, como se estar no próprio
território lhe desse vantagem. – Posso apresentá-lo como um amigo. Não que Matty vá
entender, ele é pequeno, mas não quero fazer nada que deixe você desconfortável.
– Sou o pai dele, Hanna – Richard respondeu, a raiva voltando. – Talvez seja melhor
começar já como vamos continuar, não?
Hanna engoliu e deu um aceno.
– Certo. Mas ele nem sempre gosta de estranhos imediatamente. Você precisa dar um tempo
a ele. Não fique chateado se ele não se afeiçoar a você de cara.
Antes que ele tivesse chance de responder, a porta abriu-se na frente deles. Richard virou-
se para Tom, que tinha um enorme sorriso no rosto e uma criança nos braços se contorcendo
desesperadamente de animação.
– Ele não podia esperar mais, Hanna. Estava correndo para a porta.
Richard tentou reprimir a inveja quando Matty estendeu os braços para a mãe, balbuciando
sem parar. Hanna pegou-o e apertou-o com força, enfiando a cabeça no cabelo dele, dizendo a
ele como tinha sentido sua falta.
Ela sentia a falta dele?
Como diabos ela achava que Richard se sentia?
Como se pudesse ouvir seus pensamentos, Hanna ergueu a cabeça e olhou para ele, os
lábios curvados num sorriso. Ela virou-se um pouco para que ele pudesse ver o rosto de
Matty, e toda a raiva borbulhando em seu corpo desapareceu.
Seu filho era lindo.
Seus olhos castanho-escuros eram profundos e expressivos. Ele olhou Richard com
interesse, erguendo a mão e chupando o dedão enquanto o examinava. Fios mais claros caíam
sobre a testa, uma cor que Richard vira em fotos da própria infância para saber que uma hora
escureceriam, deixando Matty mais parecido com o pai.
As sobrancelhas finas da criança se franziram, não em tristeza, mas em concentração. Ele
tirou a mão da boca – o dedão ainda molhado – e apontou para Richard.
– Quê?
O olhar de Hanna encontrou o de Richard outra vez, sua expressão reconfortante.
– Esse é o papai, querido.
Matty deu de ombros, sem se perturbar com a declaração, as palavras não significando nada
para ele. Richard não tinha certeza se estava aliviado por ser aceito tão facilmente ou bravo
por ter sido roubado de um encontro emocional.
Seu coração acelerou quando viu que o filho o fitava. Ele era tão lindo. Era como se as
melhores partes dele e de Hanna tivessem sido moldadas em um ser perfeito e novo. Richard
tentou controlar a respiração, acalmando sua reação para não assustar o filho. Matty estendeu
a mãozinha e tocou o rosto dele, as linhas na testa desaparecendo e seus lábios se curvando
num sorriso encantado.
– Pa.
O toque da mão macia do filho em seu rosto era indescritível. Ele queria fechar os olhos e
absorver as emoções, agarrar a mão dele e abraçá-lo. Queria roubar Matty dos braços de
Hanna e girá-lo no ar, mostrar a ele como estava feliz de vê-lo.
Seu filho.
– Oi, Matthew – os cantos dos lábios de Richard ameaçavam atingir suas orelhas, de tão
grande seu sorriso. – Como vai?
Matty deu um aceno, como se entendesse, e balançou os braços na direção de Richard,
contorcendo-se nos de Hanna até que ela o estendeu para ele. Richard precisou de um
momento para entender o que estava acontecendo, mas seu corpo reagiu antes de sua mente.
Antes que percebesse, estava segurando o filho nos braços, o rosto deles tão próximos que ele
podia sentir a respiração rápida de Matthew na pele.
– Hmm – Matthew cutucou o rosto de Richard com o dedo e riu. Sua gargalhada contagiosa
fez Richard rir também. Ele segurou Matthew com firmeza, encantado com a sensação de
segurar seu filho, maravilhado com como ele era leve e como cabia perfeitamente em seus
braços.
– Ele é lindo – Richard viu Hanna com novos olhos. Como ele poderia odiar alguém que
tinha feito algo tão perfeito?
– Ele gosta de você. Normalmente não se joga nas pessoas – a voz dela estava firme, mas
ele podia ver que seus olhos brilhavam com lágrimas. Ela enfiou um cacho de cabelo atrás da
orelha e desviou o olhar. – Tudo bem por aqui, Tom?
Richard tinha se esquecido de que eles três não estavam sozinhos e olhou para Tom com
surpresa.
– Oi, Tom – ele estendeu uma mão, ajeitando a posição de Matty para segurá-lo apenas com
o outro braço.
– Richard, é bom ver você – o sorriso de Tom estava tão largo quanto o de Richard. –
Estava na hora – ele ergueu as sobrancelhas para Hanna, e ela teve a decência de parecer
envergonhada.
– Cadê a Ruby? – Hanna ergueu-se na ponta dos pés para olhar por sobre os ombros de
Tom. – Achei que seria a primeira a nos encontrar.
– Ela dormiu demais – Tom respondeu num sussurro exagerado. – Estou de pé com Matty
desde às cinco.
Matty assentiu rapidamente, como se estivesse se juntando à conversa.
– Pé.
– Isso mesmo, Matty. De pé, desde às cinco. Fico superfeliz com isso – a voz de Tom era sarcástica. – Agora é com você, Richard. Divirta-se.
– É o que pretendo fazer – o rosto de Richard parecia congelado num sorriso permanente. –
Não acho que acordar cedo será um problema – nem considerando o mal-estar da viagem. Ele
não pretendia perder nem mais um momento da presença do filho.
– Richard! – a voz de Ruby veio de dentro da casa. O som alto da irmã descendo as escadas
correndo foi seguido pela visão de um verde que se lançava pelo corredor, mal conseguindo
parar na frente dele. – Não acredito que perdi o grande encontro. Estou planejando isso há
dias – virou-se e deu um soco no braço de Tom. – Falei pra você não trazer ele pra fora.
– Basta de violência – Tom censurou, bem-humorado. Pelo modo como seus olhos
brilharam assim que Ruby chegou, Richard soube que havia mais que amizade entre eles. Ele
balançou a cabeça, tentando tirar a ideia da mente. O papel de irmão mais velho teria que
esperar, ele tinha coisas mais importantes com o que se ocupar agora.
– Não se apaixonou por ele, Richard? Ele não é lindo? – Ruby já tinha se esquecido da
infração de Tom e começou a fazer caretas para Matty, que ria de volta para ela. – Você parece
tão confortável segurando-o. Já tinha segurado um bebê antes? Como sabe o que tem que
fazer? – ela parecia quase decepcionada por ter que parar para tomar fôlego.
– Te segurava por horas quando você era bebê. Era toda carente e reclamona, pra não
mencionar que eu precisava trocar sua fralda toda hora – Richard ergueu as sobrancelhas para
Ruby e ela corou, olhando para Tom para conferir se ele tinha ouvido. – Então acho que sei o
que fazer.
O dia passou num turbilhão de fraldas, comida e coloridos brinquedos de plástico. Entre
sonecas e brincadeiras, o que parecia ser uma quarta-feira normal para todo mundo estava
sendo um dia de milagres para Richard. Sua atenção estava constantemente no filho,
observando as pernas gordinhas dele balançarem enquanto corria de um quarto a outro, a
necessidade constante de se apressar parecendo ser a principal motivação da sua vida.
Matthew ficou agitado até que o cansaço o atingiu, e então, como um brinquedo eletrônico cuja
bateria tivesse se esgotado, parou e se acomodou nos braços de Hanna, chupando o dedão e
apontando para um livro.
Hanna mostrou a ele como preparar o banho na temperatura certa e como trocar a fralda, de
modo que a movimentação constante de Matty não fizesse uma bagunça ainda maior. Tudo que
ela fazia vinha acompanhado de conselhos e experiências, e parte dele queria afastá-la e dizer
que o deixasse em paz. Ele era um cara inteligente; tinha quase certeza de que saberia cuidar
de uma criança de dezoito meses.
A hora de dormir foi perfeita. O quarto de Matty tinha sido decorado antes de Hanna dar à
luz, embora ela tivesse se recusado a saber o sexo do bebê. Era aconchegante e calmo, como
um oásis depois de uma tempestade. Eles entraram no quarto juntos. Hanna segurava Matty,
que ergueu a cabecinha e lutou até que ela o pôs para baixo, deixando seus pezinhos tocarem o
chão de madeira.
Ele andou até uma estante azul-clara e puxou um livro velho, com páginas dobradas, que
segurou estendido. Então foi até Richard e o ofereceu a ele com uma expressão no rosto que
era difícil entender.
– Conto – como se soubesse que Richard era principiante, Matty pegou a mão dele e, juntos,
os dois foram até a cadeira de balanço azul e bege ao lado do berço. Richard sentou-se,
ajudando Matty a subir nos seus joelhos, até que se acomodou no colo do pai com o dedão na boca.
Ele segurou a cabeça de Matty contra o peito, maravilhado com o calor que corria por suas
veias. Era quase impossível acreditar que dois dias antes ele nem sabia da existência do filho.
Agora, Matthew era a existência de Richard.
– Lê – o menino ordenou, e Richard escondeu um sorriso. Ele abriu o livro, tomando
cuidado para não puxar o papel mais do que já estava puxado, e começou a ler num tom suave
e profundo.
– Era uma vez, num reino muito distante…
Ele virou as páginas, lendo as palavras e compartilhando as imagens com Matty, enquanto
via as pálpebras do filho começarem a se fechar, seus cílios grossos e pálidos caindo sobre o
rosto. Richard pôs uma mão gentilmente no rosto de Matty, sentindo a maciez da pele e seu
sorriso cansado. Seu coração apertou quando pensou que ele sempre o teria, sempre poderia
segurá-lo nos braços. Matty agora era dele tanto quanto de Hanna, e Richard estava
determinado a nunca mais ficar longe.
De tudo que acontecera nos últimos doze anos, desde o modo como eles se conheceram até
quando ela tinha fugido dele outra vez, ele não se arrependia de um único momento. Não
quando tudo tinha levado ao nascimento daquela criança. Não importava como ele se sentisse
em relação a Hanna – ou como julgasse as ações dela –, ele não podia odiar uma mulher que
tinha cuidado de Matthew como ela o fez.
O dia todo ele vira amor nos olhos dela enquanto observava o filho, brincando, carregando-
o quando ele estava chorando e censurando quando ele fazia algo errado. Cada movimento que
ela fazia, cada palavra que dizia, era pensando em Matthew.
Claramente, ele era a prioridade na vida de ambos.
Quando Matthew adormeceu, Richard beijou seu macio cabelo castanho-claro antes de
depositá-lo gentilmente no berço. Puxando o cobertor até que todo o corpo estivesse coberto,
ele permaneceu um momento sobre o berço, gravando a imagem do seu filho adormecido na
mente para pensar nele a noite inteira.
Richard virou-se para sair e viu Hanna na porta, com lágrimas escorrendo do rosto. Ela
estava torcendo as mãos enquanto os olhava. Parte dele queria tocá-la, puxá-la para um
abraço, mas ele não queria lhe dar falsas esperanças de que as coisas estavam bem entre eles.
As coisas não estavam nada bem.
– Podemos conversar? – ela perguntou.
– Hoje não – ele foi firme. – Estou exausto, vou dormir.
– Quando, então? – Hanna insistiu, e a calma dele desapareceu.
– Quando eu disser, Hanna, não você – ele estava bravo, e ela se encolheu. – Foi um longo
dia e eu tenho muito em que pensar. Boa noite.
– Boa noite – a voz dela estava fraca e trêmula. Ele precisou se esforçar para sair do
quarto.
Mas saiu, e sabia por quê. Aquilo não era mais sobre eles. Não era mais sobre uma garota e
um rapaz que tinham sido burros o bastante para deixar o amor escorrer pelos dedos. Era
sobre o filho deles, uma criança linda que merecia uma vida cheia de felicidade e alegria.
Matty era a vida de Richard agora, e nada entraria no meio deles.