Sempre Foi Você

Carrie Elks · Capítulo 28 de 29

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Sempre Foi Você

Capítulo 27

 

31 de dezembro de 2012

 

Os funcionários do buffet tinham chegado de madrugada para preparar a casa para a reunião

anual de véspera de ano-novo. Hanna viu-os na cozinha, criando bandeja após bandeja de

canapés e sobremesas. Ela sentiu um aperto no coração quando se lembrou de como sua mãe

dirigia os procedimentos, o walkie-talkie em uma mão e o celular na outra, gritando em ambos

os aparelhos ao mesmo tempo.

– Está tudo bem? – Claire acariciou o rosto dela. – Estou tão feliz que você concordou em

vir.

– Nós não iríamos para nenhum outro lugar.

Os três tinham vindo a Londres na véspera de Natal, planejando passar as festas com Steven

e Claire. A família inteira tinha ficado encantada por compartilhar seu primeiro Natal com

Matty. Hanna apaixonou-se por todos eles de novo, a adoração deles pelo seu filho evidente

em tudo o que faziam.

– Mas deve te trazer lembranças. Às vezes é tão difícil pra mim acreditar que sua mãe não

está mais com a gente.

Lágrimas tomaram forma no canto dos olhos de Hanna. Ela enxugou-as, determinada a não

estragar o dia com lembranças tristes. Ela estava pronta para fazer novas lembranças – para

Matty e o resto da família –, embora fosse difícil esquecer o passado.

– Eu fico tão triste por ela não ter conhecido Matty. Ela teria adorado vê-lo correndo pela

casa como se fosse um parquinho gigante – Hanna fechou os olhos por um momento. Ela quase

podia ver o sorriso encantado de Diana.

– Sabe, se ela pudesse ver você agora, estaria tão orgulhosa quanto eu – Claire puxou-a

para um abraço e Hanna envolveu os braços ao redor dela, fechando os olhos enquanto se

permitia ser amada.

– Acha mesmo? Tenho quase certeza de que, se estivesse aqui agora, ela estaria batendo em

mim com uma colher de madeira.

Claire não respondeu e, alguns segundos depois, Hanna afastou-se para olhá-la. O rosto da

mulher estava congelado, e Hanna ficou com medo e sacudiu o braço dela de leve.

– Ai, meu Deus, eu esqueci das gravações – Claire colocou uma mão no peito, parecendo

inconformada. – Todas aquelas mensagens que ela deixou pra você. Elas estão numa caixa no

escritório.

– Gravações? – Hanna perguntou, confusa. – Que gravações?

– Você não se lembra do nosso projeto, na casa de repouso? Diana gravou algumas

mensagens pra você. Eu deveria entregar em momentos específicos: seu casamento, seu

primeiro filho. Não acredito que me esqueci. Deveria ter dado a primeira quando fiquei sabendo sobre Matty.

– Posso ouvi-las agora? – Hanna podia sentir um choque de animação percorrer o corpo.

Ao longo dos anos desde a morte de Diana, as lembranças da mãe tinham se tornado mais

escassas, como um elástico alongado demais. Às vezes, ela não conseguia se lembrar

exatamente da voz da mãe. E agora, saber que havia uma gravação – e que as palavras eram

dirigidas a ela – era demais para suportar.

– Claro que pode – Claire agarrou a mão dela, guiando-a para fora da cozinha e levando-a

até o porão. No canto, atrás de uma grande porta de carvalho, ficava o escritório de Steven.

– O que você usou para fazer as gravações? – Hanna sabia a deterioração que certas mídias

podiam sofrer.

– Usei um gravador, e coloquei num CD. Diana deu instruções bem específicas.

Dentro do escritório, Claire tirou um CD da estante. A capinha de plástico em branco

refletia a luz que entrava pela janela. Ela entregou-o para Hanna, que o segurou por um

momento, virando-o nas mãos. Sua mente voltou àqueles dias sombrios de 2005, quando a

morte de Diana a tinha feito perder muito mais que só a mãe.

– Não sei se você quer ouvir todos, ou só sobre seu primeiro filho. Depois de tudo que

aconteceu, acho que Diana não se importaria se você quisesse ouvir mais.

– Acho que quero ouvir todos, se eu puder – ela abraçou o CD. – Será que vai dar tempo,

antes dos meninos voltarem?

Steven e Richard tinham levado Matty ao parque, esperando deixá-lo exausto o bastante

para que dormisse durante a festa. Hanna suspeitava que talvez fossem Steven e Richard que

voltassem exaustos.

– A gente não gravou muito. Ela estava fraca demais, não conseguia falar por muito tempo –

Claire mordeu o lábio, olhando para o chão. – Se eles voltarem antes de você terminar, eu

enrolo um pouco.

– Pode ficar para a primeira? – Hanna não sabia se conseguiria ouvir sozinha. Ela já estava

agitada, como se o toque mais leve pudesse ocasionar uma crise de choro.

– Fico o tempo que você quiser, querida.

Hanna virou o aparelho de som para elas, erguendo a tampa para colocar o primeiro disco

brilhante nele. Ela estava prestes a apertar “play” quando Claire balançou a cabeça,

estendendo a mão para apertar o botão de “forward”.

– Por que não ouve a mensagem sobre seu primeiro filho? Parece um lugar apropriado para

começar.

– Ok – Hanna assentiu, sentando-se na cara poltrona preta de Steven. O aparelho fez um

pequeno estalo, seguido por um zumbido, indicando que a gravação estava tocando.

– Hanna… – a voz de Diana estava fina, como uma folha ao vento. Quando a ouviu, Hanna

foi transportada para um tempo em que era a filha, e não a mãe. – Não sei mais como essas

coisas funcionam. Gravei uma mensagem para seu casamento, mas tantas pessoas têm filhos

antes de se casarem. De qualquer modo, eu queria dizer como estou orgulhosa de você –

houve uma pausa e, em seguida, murmúrios suaves. Ela podia imaginar Claire ajudando Diana

a beber um pouco de água. – Parabéns, minha linda menina, por ter uma criança sua. Sei que

será uma ótima mãe, como foi a melhor filha. Só fico triste por não poder estar aí para segurar

meu neto nos braços, e tranquilizar você quando começar a duvidar de si mesma – houve outra

pausa, e dessa vez Hanna podia sentir as lágrimas começarem a escorrer pelo rosto. Ela não se deu ao trabalho de enxugá-las; seriam muitas, e ela precisava deixá-las cair. – Se eu tenho

um conselho para dar, de uma mãe para outra, seria: saboreie tudo. Ser mãe não é fácil, mas

cada momento é um presente, e foi um privilégio pra mim vê-la crescer e se tornar essa garota

incrível que é hoje. Não se esqueça de tirar um tempo pra aproveitar ser mãe. Brinque, cante e

dance com seu filho. Não deixe o tempo roubar esses momentos preciosos de você – Hanna

estava soluçando abertamente, o corpo envolvido pelos braços de Claire. – Amo você, Hanna,

amo muito. Você e meu neto. Sempre estarei aqui, em suas lembranças e no seu coração.

O ruído branco da gravação foi sumindo e Hanna estendeu a mão, querendo parar o CD

antes que passasse para a próxima seção. Ela ouviria todas – precisava ouvi-las –, mas

primeiro precisava de um tempo para assimilar o milagre de ouvir a voz da mãe morta.

– Obrigada – ela sussurrou no ombro de Claire enquanto a mulher mais velha a abraçava

apertado. – Estou tão feliz por ter me dado isso.

Claire não disse nada, estendendo uma mão para enxugar as lágrimas das bochechas de

Hanna. Seus olhos azul-claros estavam gentis, e Hanna podia ver o amor neles. Ela tinha tanta

sorte de ter tido uma mãe amorosa, e agora uma mãe adotiva dedicada. Estava determinada a

cuidar de Matty do jeito que ambas tinham cuidado dela.

 

***

 

Richard voltou mais tarde, carregando um cansado Matty nos braços. Steven veio atrás

dele, todo seu corpo indicando exaustão. Hanna tinha lavado o rosto, depois de ouvir as

gravações duas vezes e colocar o CD na caixinha. Ela pretendia levá-lo consigo quando eles

voltassem para Nova York.

Deitando Matty no sofá, Richard retirou seus sapatinhos e abriu sua jaqueta volumosa.

Hanna pôs uma mão no rosto do filho, gelado e corado por causa do vento londrino. Matty riu,

tentando lutar contra a fadiga que dominava seu corpo.

– O papai te deixou cansado? – ela perguntou, e Richard riu enquanto a puxava para um

abraço.

– Matty deixou a gente cansado, isso sim – ele disse, encostando os lábios no pescoço dela.

Ela reagiu automaticamente, o corpo se aquecendo em resposta ao toque dele. – Mas estou

torcendo para que ele durma bem hoje.

Ela não perdeu a mensagem implícita por trás das palavras, e sorriu.

Eles alimentaram-no cedo, deram banho e colocaram-no em um pijama novo. Steven e

Claire tinham montado um quarto de bebê no segundo andar, cheio de brinquedos que eles

tinham dado a Matty para o Natal. Os três sentaram-se no tapete macio e construíram torres

com blocos grandes de plástico. Hanna e Richard apostaram para ver quem conseguia

construir a mais alta, e quando tombaram, Matty aplaudiu com prazer. Às sete, ele estava

praticamente caindo, as pálpebras pesadas com o sono contra o qual estava tentando lutar.

Hanna leu uma história, fazendo Matty rir com suas vozes bobas e expressões engraçadas.

Quando chegou nas últimas linhas, Richard uniu-se a ela, seu timbre profundo e brincalhão.

Ela queria pular nos braços dele e beijá-lo até deixá-lo sem fôlego.

– Ele está quase dormindo – ela sussurrou. Matty estava enroladinho, o dedão firmemente

preso entre os lábios. – Ele parece tão tranquilo quando está dormindo.

– Ele é perfeito – Richard concordou. – Definitivamente devíamos fazer mais desses.

O coração dela bateu mais forte. Eles tinham conversado sobre o futuro na terapia de casal

e discutido sobre ter mais filhos em algum momento. O fato de já estar com trinta anos e

Richard trinta e três a deixava preocupada. Se queriam uma família grande – e ambos

concordavam nisso –, precisavam tomar algumas decisões.

– Definitivamente.

Ele puxou-a de volta, até que sua coluna estivesse colada no peito dele. Fechando os braços

ao redor da sua cintura, ele abaixou os lábios para encostá-los no pescoço dela, chupando

gentilmente a pele.

– E se praticarmos hoje?

– Hmmm – Hanna concordou, os olhos apertados enquanto ele continuava a acariciá-la. –

Estamos praticando bastante, não é?

– Acha que estamos prontos para a partida? – ela sentiu um sorriso contra o pescoço.

– Eu estou.

– Quero que primeiro você seja uma jogadora permanente no meu time – Richard relaxou o

aperto na cintura dela, virando-a para que o olhasse. Ele pôs uma mão em seu rosto, os dedos

acariciando a pele macia atrás da sua orelha. – Depois, podemos falar sobre aumentar o

ataque.

Hanna riu.

– Você está me confundindo com todas essas analogias. Estamos falando sobre nossa

família ou sobre futebol?

Richard inclinou a cabeça na direção dela, capturando seus lábios. Passando a mão atrás do

seu pescoço, ele puxou-a para perto, sua língua deixando uma trilha quente na boca dela.

– Não estou falando de futebol, Hanna – ele murmurou, descendo uma mão para apertá-la

por trás, os dedos afundando em sua pele. – Estou falando sobre nós.

– Nós? – ela passou os lábios ao longo da linha firme da mandíbula dele, fechando-os no

lóbulo de sua orelha e chupando até que ele gemesse.

– Quero que você se case comigo – ele mal conseguia dizer as palavras entre os suspiros. –

Quero que seja a sra. Richard Larsen, e que Matty tenha todo um time de irmãos e irmãs.

Foi a vez de Hanna sorrir, e ela se afastou para olhá-lo.

– Você se esqueceu de ficar de joelhos. Pra não mencionar o anel.

– Eu tenho um anel – Richard protestou rapidamente. – Estava guardando para o momento

certo.

Ela olhou ao redor do quarto de Matty, notando que ele estava dormindo, inconsciente sobre

o que acontecia com seus pais.

– Esse é o momento certo?

Richard riu.

– Eu ia fazer o pedido ao lado da árvore de Natal, à meia-noite. Mas de algum modo esse

parece o lugar e o momento perfeito; só nós e nosso garoto.

– Parece mesmo – ela concordou. Um relâmpago explodiu dentro do seu corpo. Saber que

ele a queria não só como a mãe do seu filho, mas como sua esposa, deixava-a com vontade de

escancarar as janelas e gritar para todos que quisessem ouvir. Nos anos em que estiveram

separados, ela nunca pensou que a vida poderia ser tão boa. Tudo com que sonhara finalmente

estava em suas mãos. Era quase demais para aceitar.

– Então? – havia uma nota de urgência em sua voz, fazendo-a olhar para ele em confusão.

– O quê?

Ele estava ficando agitado, e ela estendeu uma mão para acalmá-lo. Antes que pudesse

tocar seu rosto, ele se pôs de joelhos, agarrando a mão esquerda dela entre os dedos dele.

– Hanna Vincent, você é o amor da minha vida. Me deu uma criança linda que é o centro do

meu universo. Eu seria o cara mais sortudo do mundo se você me desse a si mesma.

Hanna colocou-se de joelhos também, pegando o rosto dele entre as mãos e beijando-o sem

parar até que ambos estivessem rindo.

– Sim, sim, é claro que aceito! Achei que você já sabia disso.

A expressão dele ficou séria quando ele tomou a mão dela e a beijou, os lábios demorando-

se na sua palma.

– Queria ter certeza. Mas obrigado por dizer sim.

– Obrigada – os olhos dela brilharam e ela inclinou-se até encostar sua testa na dele. –

Achei que nunca fosse perguntar.

 

***

 

Tom e Ruby chegaram às oito da noite, e ficaram felizes e animados quando Hanna e

Richard contaram as novidades. Uma hora depois, a festa estava a todo vapor e Hanna

conversava com desconhecidos, aceitando os parabéns deles e discutindo tudo desde a

economia do país até como as Olímpiadas de Londres tinham sido lindas. Embora ela tivesse

assistido a mais de três mil quilômetros de distância, através de uma tela plana, ainda sentira

orgulho de ser britânica.

Ela estava pegando outra taça de champanhe quando Ruby correu até ela, o cabelo escuro

voando enquanto gritava o nome de Hanna.

– Parece que a gente não conseguiu nem um segundo para conversar a noite toda. Vamos nos

esconder e falar sobre garotos.

Hanna deu uma risada e pegou uma segunda taça para Ruby.

– É estranho quando os garotos são Richard e Tom. Tenho quase certeza de que você não

quer detalhes sórdidos sobre seu irmão, e eu com certeza não quero sobre Tom.

Ruby sorriu.

– Nem sobre como ele usa o… – Hanna pôs uma mão sobre a boca dela, gritando para que

ela ficasse quieta. Ruby riu e mordeu sua palma. – Sério, Hanna, quero que saiba como estou

animada com seu noivado.

– Eu também – Hanna não resistiu a olhar para o anel. Era um diamante grande, com corte

pera, num anel de platina. Richard tinha escolhido um design simples e elegante, provando

como a conhecia bem. – Mal posso esperar para ser sua irmã.

– Vai ser ótimo! Especialmente agora que tenho meu próprio apartamento em Nova York e

não vou ter que ficar perto de vocês, recémcasados. Vocês já eram nojentos quando estavam

namorando.

Hanna corou ao se lembrar de como Ruby costumava entrar no apartamento e encontrar ela

e Richard aos beijos, rapidamente tirando as mãos da parte do corpo do outro que estavam

explorando. Ruby só precisou de um mês morando com ele para decidir que precisava do

próprio apartamento enquanto estudava em Columbia. Steven tinha ajudado a financiar o

investimento.

– Você e Tom não são muito melhores – Hanna notou.

Desde que os dois tinham começado o namoro em abril, Ruby e Tom eram inseparáveis. Ele

tinha se mudado para Nova York, ficando no apartamento de Ruby enquanto decidia o que

fazer com a banda. Richard não gostara nem um pouco daquele arranjo.

– Quando vai ser a grande cerimônia, afinal?

Hanna torceu o nariz.

– Não quero um casamento grande. Estou torcendo para que ele me leve para Las Vegas e

que a gente possa se casar na frente de um Elvis bem ruim.

Ruby riu.

– Não acho que faz muito o estilo de Richard, não é?

– Infelizmente, não – Hanna tentou pensar no que seria o estilo dele. Ela queria fazer os

votos diante dos familiares mais próximos. Qualquer outra coisa seria supérflua.

– O que quer que aconteça, sei que vocês são perfeitos um para o outro – Ruby disse,

batendo a taça de champanhe na de Hanna. – Eu sabia há anos. É uma pena que vocês tenham

demorado tanto pra resolver as coisas.

– Nem me diga – Hanna sorriu, irônica. Um segundo depois, seu coração parou quando

sentiu dois braços fortes envolverem sua cintura.

– Estou interrompendo alguma coisa? – Richard perguntou, encostando os lábios na

bochecha de Hanna. – Quero uma dança com a futura sra. Larsen.

Hanna corou com as palavras. Havia algo sobre o jeito como ele era possessivo que a fazia

se sentir quente por dentro. Ele manteve-a por perto enquanto andava pelo salão, a mão sobre

a curva das suas costas. A outra mão segurava a dela, sua palma forte cobrindo-a. Ela se

sentia delicada sob a forma dominante dele.

– Você está linda hoje – ele disse. – Na verdade, está sexy pra caramba nesse vestido.

– Obrigada – ela deu um sorriso tímido. Ela queria flertar com aquele homem, mostrar a ele

exatamente o que podia esperar. – Você também está incrível, sr. Larsen.

Ela enfiou a mão sob a jaqueta dele, abrindo a palma contra suas costas. Podia sentir o

calor da sua pele através do tecido fino da camisa, acariciando-o enquanto dançavam.

– Você está tentando me seduzir? – a voz dele estava rouca, e ela continuava a mover a mão.

Podia senti-lo começar a ficar duro contra seu quadril.

– Por que diria isso? Sou praticamente uma mulher casada.

– Eu odiaria chatear seu quase-marido – ele inclinou-se e roçou os lábios nos dela. – Mas

realmente quero ver o que está usando sob esse vestido.

– O que o faz pensar que estou usando alguma coisa? – ela bateu os cílios lentamente.

Ele engoliu com força.

– Acho que estou pronto para ir embora.

– Vamos dormir aqui. Não podemos deixar a festa antes da meia-noite – Hanna riu.

– Quer apostar?

Ele parou de dançar quando eles chegaram perto da escadaria, a mão firmemente segurando

a dela. Enquanto ele praticamente a arrastava para cima, ela riu, tendo que parar algumas

vezes para recuperar o fôlego.

– Vamos, temos que praticar muito – Richard insistiu, puxando a mão dela. Quando

chegaram ao topo das escadas, ele inclinou-se, pegando-a em seus braços e carregando-a para

o quarto deles.

– Tenho quase certeza de que essa coisa de me carregar porta adentro só devia acontecer

depois do casamento – Hanna observou, soluçando numa crise de riso.

– Não estou carregando você por causa do casamento. Estou carregando porque quero levá-

la pra cama o mais rápido possível – ele abriu a porta e jogou-a sobre as cobertas.

– Achei que estava me carregando porque não podia esperar pra ver o que tenho embaixo

do vestido – Hanna pegou a mão dele e puxou-o para cima de si. Seu corpo sólido tirou o ar

dela, deixando-a sem fôlego.

– Não posso mesmo esperar pra ver o que você tem embaixo do vestido – ele pôs uma mão

na perna dela. Tirando a jaqueta, desamarrou a gravata antes de tirar as sandálias brilhantes de

prata dela, jogando-as no chão.

– Não tem nada pra ver – ela se ajoelhou, ajudando-o a abrir os botões da camisa. – Odeio

decepcioná-lo.

– Se não tiver nada embaixo desse vestido, garanto que não ficarei decepcionado – a

camisa foi a próxima a ser tirada, revelando o peito firme dele. Hanna tocou-o, traçando as

linhas dos seus músculos. Então, moveu a mão para baixo, abrindo o cinto e abaixando a

calça, e quando ele se ergueu para ajudá-la, Hanna pôde ver a cueca preta erguida pela

ereção.

– Estou vendo que você está pronto pra praticar – ela murmurou, correndo um dedo pela

ponta. Ela sentiu-o estremecer.

Richard inclinou-se e beijou-a, a língua deslizando sobre a dela enquanto abriam as bocas,

as mãos dela passando sobre o tronco nu dele. Ela o sentiu abrir o zíper do vestido e afastar o

tecido dos seus ombros até parar na cintura, deixando seus seios expostos.

Ele abaixou a cabeça para apanhar um mamilo entre os dentes, chupá-lo em sua boca quente

e úmida, e passar a língua sobre ela até que ela viu estrelas. Sua mão acariciou o outro seio, o

dedão fazendo seu mamilo enrijecer, levando-a a arquear as costas.

– Acha que eu preciso de prática? – ele murmurou contra o seio dela. Ela balançou a

cabeça loucamente, embora soubesse que ele não pudesse ver.

Ele tirou seu vestido completamente, jogando-o junto ao resto das roupas numa pilha no

chão.

Ela sentou-se nua na cama, encarando os olhos escuros de desejo dele, seu corpo

contraindo-se com a força do tesão dele. Ele passou um dedo pelas pernas dela, pausando na

parte interna das coxas para provocar, apertando os dedões na pele macia.

– Toda vez que vi você hoje quis arrastá-la para a cama – ele moveu-se até que sua cabeça

estivesse entre as pernas dela, os lábios e a língua acariciando a parte de dentro das suas

coxas. Ela passou os dedos pelo seu cabelo grosso, as mãos incentivando os lábios para onde

mais precisava deles.

– Richard, por favor – ela abriu as pernas o máximo que podia. Ele sorriu contra sua coxa

quando ouviu o desespero na sua voz.

– Por favor o quê? – ele beijou, subindo pela coxa e parando no ápice, a respiração quente

contra o centro dela.

– Me beije.

– Onde?

Ela podia ouvir a risada em sua voz. Estava dividida entre bater nele e empurrar seu rosto

para perto.

– Aqui.

Ela passou um dedo pela pele úmida. Richard capturou-o com a mão, afastando-o até que

ela se tornasse uma bola de frustração.

– Isso é meu – ele a beijou ali e as pernas dela tremeram, os olhos fechando-se com a

intensidade do prazer.

– Eu sei – ela respirou, rendendo-se ao toque dele, à sua língua e aos seus lábios e ao modo

como ele gostava de adorá-la. – Tudo, tudo que é meu é seu.

 

***

 

Mais tarde, ele segurou-a, seu corpo nu atrás do dela. Sua ereção ainda não tinha

desaparecido totalmente enquanto ele se movia com lentidão contra ela. Ele envolveu sua

cintura com um braço, o outro sobre o peito dela, uma mão acariciando um seio enquanto eles

tentavam recuperar o fôlego.

– Tenho quase certeza de que já temos toda a prática de que precisamos – Hanna sorriu,

reclinando a cabeça no peito dele.

– Dizem que a prática leva à perfeição – ele concordou. Ele enfiou a perna dentro das

pernas dela, o calor duro da sua coxa era uma distração bem-vinda.

– Definitivamente fazemos bebês perfeitos – ela podia sentir o sono começando a pesar. Ela

não estava pronta para que o dia acabasse.

– Sem dúvida.

Hanna ergueu o braço para enfiar os dedos no cabelo dele, aproximando o seio da palma

dele.

– Obrigada por fazer essas festas tão boas. Amei cada segundo.

– Eu também. Não quero voltar.

Ela estava contente por ele se sentir da mesma forma, e que o tempo deles em Londres

significava tanto para ele como para ela. Não era só uma chance de se reconectar com a

família dele, embora aquilo tivesse sido ótimo, como também a oportunidade de passar as

primeiras festas de fim de ano com o filho, sabendo que haveria muitas outras no futuro.

– Podemos fazer outra visita em breve – ela sugeriu. – Talvez na Páscoa.

– Gostaria que tivéssemos uma casa aqui. Tenho um plano – a voz dele revelava seu

sorriso. Ela virou a cabeça para olhá-lo.

– Você está cheio de surpresas hoje, sr. Larsen. Que tal dividir seu plano com sua futura

esposa?

Ele pôs a mão no quadril dela, puxando-a contra sua ereção e esfregando-se nela.

– Estou tentando tornar a Maxwell Enterprises pública. Espero que em cinco anos possa me

aposentar da empresa.

Hanna virou-se até encará-lo, colocando uma mão no seu rosto.

– Realmente quer sair da Maxwell Enterprises?

Richard sorriu, seu maxilar movendo-se sob a mão dela.

– Quando chegar a hora certa, definitivamente quero sair. Acho que vai levar alguns anos

para arrumar a oferta pública de capital e colocar o time certo no lugar.

– E o que vai fazer depois disso? Você é um pouco jovem demais para a passar a vida num

campo de golfe.

– Quero fazer mais trabalho voluntário, talvez expandir a Fundação Maxwell para incluir

ajuda no exterior. Achei que seria algo que poderíamos fazer juntos.

Ela sentiu os olhos começarem a marejar.

– Parece incrível. Não consigo pensar em nada melhor do que trabalhar com você.

– Fazer bebês, é claro – ele provocou, dando uma piscadinha.

– E praticar – ela lembrou.

Ele aproximou-se dela até alinhar os corpos, sua ereção dura contra sua coxa. A boca dele

roçou o pescoço de Hanna e sua mão apertou-a por trás, fazendo-a gemer alto.

– Ah, sim, a prática – ele concordou, girando os quadris até que sua ponta estivesse

encostando na entrada dela. – Nunca me esqueceria da prática.

– Que bom – ela murmurou quando ele a penetrou. Ela inspirou rispidamente ao senti-lo

preenchendo-a por completo.

– É mesmo – ele beijou-a de novo. – É muito bom.