Sempre Foi Você

Carrie Elks · Capítulo 6 de 29

Páginas do PDF

Sempre Foi Você

Capítulo 5

 

24 de maio de 2001

 

Tinha sido uma semana medonha. Em vez de ficar sentada ao ar livre, aproveitando a

primavera, Hanna ficou enterrada sob livros e mais livros tentando estudar para as provas de

fim de semestre. No dia anterior, recebera uma ligação de Ruby – a menina tinha sido

convidada por um garoto para ir ao baile da escola com ele e depois descobriu que ele fizera

aquilo por uma aposta. Hanna não tinha conseguido acalmar a garota, e por fim, ligou para

Richard para pedir ajuda.

Para piorar, o maldito Josh Chambers tinha acabado com o artigo dela e colocado-o nas

últimas páginas da revista. Ela queria arrancar o coração dele e dar de comida para os patos

do lago da universidade.

Ela ignorou os olhares curiosos dos outros alunos enquanto passava por eles no caminho

para o escritório da revista. Era uma garota com uma missão, que era arrancar o coração do

maldito Josh Chambers.

Ignorando os cumprimentos de amigos, ela atravessou a sala principal, indo diretamente até

o escritório do editor. Envolvendo a maçaneta de aço inoxidável, Hanna girou-a com força,

puxando-a em direção a si mesma com um movimento ríspido. A porta bateu na parede,

fazendo todos se virarem para ela.

Josh estava sentado num canto falando com a editora de arte, que tinha seu portfólio de

fotos aberto sobre a mesa.

– Hanna, não estava esperando você. Não pode esperar? – não era bem uma questão, e sim

uma ordem. Ela escolheu ignorar.

– Não, não posso esperar. Pode nos dar licença, Ciara? – ela teve que se esforçar ao

máximo para manter um tom educado com a editora de arte, que nunca fizera nada para

inflamar sua ira. – Preciso falar com você agora, Josh – ela tinha uma cópia da revista

enrolada na mão e abanou-a na direção dele.

– Pode nos dar um minuto, Ciara?

– Claro, sem problemas – Ciara recolheu todas as fotos em velocidade recorde. Ela parecia

ansiosa para sair de lá e se afastar daquela atmosfera tóxica.

Josh permaneceu em silêncio enquanto Ciara saía e fechava a porta atrás de si. Ele

encarava Hanna com os olhos apertados.

– Seria bom se você me dissesse por que diabos eu deveria ouvir qualquer coisa que você

tem a me dizer depois de ter feito showzinho.

Ela sentiu a raiva revirar o estômago.

– Não espero nada de você. Não tem nem coragem de me falar que editou meu artigo

inteiro. Achei que tinha mais classe que isso.

Ela jogou a revista na mesa, por pouco não batendo na coxa dele.

– Seu artigo estava um lixo. Tinha erros de digitação, erros de gramática e, pior de tudo,

estava entediante.

Foi como um soco no estômago. A reação dela foi revidar.

– O artigo estava bom. É você que não sabe editar.

– Não me irrite – aproximou-se de Hanna. Era muito mais alto que ela, e ela lutou contra o

instinto de se encolher.

– Então não corte as minhas palavras – o coração dela batia rápido cheio de adrenalina e

indignação. – E eu te irrito se quiser – como se estivesse demonstrando, ela cutucou-o bem no

meio do peito.

Josh agarrou o pulso dela e puxou-a em sua direção.

– Estou perdendo a paciência. Pare de agir como uma criança.

– Então pare de me tratar como uma.

Os lábios dele lançaram-se sobre os dela, uma mão puxando seu cabelo enquanto ela sentia

o corpo dele tremendo violentamente. Ele estava colado nela, puxando-a para perto até que as

pernas de Hanna envolvessem a cintura dele. Ela podia sentir que ele já estava duro, e se

perguntou se estava daquele jeito há algum tempo – se tinha ficado excitado pela raiva dela.

Então Josh abriu a boca e deslizou a língua contra a dela. Hanna puxou-o pela nuca, tentando

trazê-lo para mais perto. Queria se perder nele.

– Estou te tratando como uma criança agora? – Josh gemeu contra a boca dela, fazendo suas

pernas tremerem enquanto tentava se esfregar ainda mais contra ele. “Impróprio” não era uma

palavra forte o suficiente para descrever o nível baixo a que tinham chegado.

Sem ar, Hanna separou a boca da dele, tentando respirar enquanto Josh a encarava.

– Merda.

– Porra.

O coração dela bateu mais forte. Ela queria arrumar o cabelo dele, retirá-lo da frente de

seus olhos para poder ver o azul penetrante deles. Sua camiseta cinza estava torta, expondo

seu ombro direito. Ela sentiu uma vontade súbita de tocá-lo.

– Tudo isso é um pouco A mulher do dia, não é? – ela tentou aliviar a tensão.

– Um pouco o quê? – ele franziu as sobrancelhas em confusão.

– Aquele filme com Spencer Tracy e Katharine Hepburn. Eles são jornalistas rivais que no

fim se cas… – Hanna parou de repente, corando de vergonha. Ela olhou para o chão, evitando

o olhar dele, e murmurou: – Não importa.

Josh soltou uma risada súbita, as bochechas inflando-se de divertimento.

– Como você pode me irritar tanto num momento e me fazer rir como um idiota no próximo?

– Puro talento – ela conseguiu erguer os olhos para ele e dar um sorrisinho. – É um dos

meus muitos atributos incríveis.

– Estou vendo. Só pra você saber, acho que você é uma jornalista extremamente talentosa, e

não tenho dúvidas de que vai chegar longe. Mas precisa aprender a ouvir críticas construtivas

sem virar um pé no saco.

– Eu sei – era a vez dela de passar os dedos pelo próprio cabelo, irritada. – Quando olhei a

revista, perdi a cabeça. Queria arrancar suas bolas.

– Eu deixei um bilhete na sua mesa semana passada falando que tinha editado o artigo. Você

não viu?

– Deve ter caído da mesa. Talvez da próxima vez você possa me falar pessoalmente?

– Se eu prometer, você me deixa te beijar outra vez?

– Se eu deixar você me beijar outra vez, me dá uma matéria de capa?

– Não.

– Ah, droga. Valeu a tentativa – ela deu um sorriso sem-vergonha para ele. Josh inclinou-se

e pressionou a boca contra a dela. Hanna fechou os olhos e sentiu os lábios deles se moverem

juntos. Ele passou a ponta da língua ao longo dos seus lábios até que ela os abriu, convidando-

o a explorar sua boca.

A mão dele acariciou seu pescoço, esfregou os ombros, então o indicador dele passou pela

coluna de Hanna, o toque fazendo-a estremecer. Ela soltou um gemido baixo contra a boca

dele, fazendo-o aumentar a pressão dos lábios e da língua até ela não pensar em mais nada.