Sempre Foi Você

Carrie Elks · Capítulo 27 de 29

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Sempre Foi Você

Capítulo 26

 

1 o de junho de 2012

 

Richard foi até a porta pesada e destrancou-a, os músculos das costas tensos enquanto

abria. A luz do corredor despejou-se pelo chão de madeira e ele deu espaço para deixar a mãe

passar.

Caroline Maxwell entrou na sala usando um vestido de festa de chiffon cor-de-rosa, com

uma echarpe jogada sobre os ombros. Ela tinha puxado o cabelo loiro do rosto com um

grampo, revelando feições lisas que escondiam sua idade. Embora Richard nunca tivesse

perguntado, imaginava que algumas das férias dela envolviam interações com bisturis e

cirurgiões caros. Com certeza ela tinha dinheiro suficiente para aquilo.

Quem quer que fosse, tinha feito um bom trabalho.

– O que ela está fazendo aqui? – Caroline fez um gesto para Hanna com uma mão bem

cuidada. Seus lábios carnudos contorceram-se, mas não havia uma ruga sequer visível. – Na

verdade, não precisa explicar, ouvi tudo de Olivia Vincent. Ela estava adorando contar para o

baile inteiro sobre meu novo neto – ela olhou para Hanna, o nariz torcido em desdém. – Não

acredito que você está deixando Hanna enganá-lo com essas mentirinhas estúpidas.

Richard sentia a raiva borbulhando sob a pele, o rosto ficando quente enquanto a olhava

com fúria. Ela empinava o nariz como se tivesse sido a pessoa mais prejudicada com aquilo

tudo, e ele queria torcer seu pescoço fino e gritar. Ela precisava saber o que ele tinha perdido

por causa das mentiras dela. Sua calma só o deixava mais furioso.

– Não acho que você deva se fazer de superior – ele foi incapaz de esconder a amargura. –

Porque a queda vai ser alta.

Caroline riu. Foi uma risadinha fina e frágil, que o fez estremecer.

– Nunca fiquei tão constrangida na minha vida – ela puxou o pingente de diamante ao redor

do pescoço. – “Ah, ouvi dizer que virou avó, Caroline. Você não sabia que Richard e Hanna

tinham um filho juntos? Que terrível, eles mantiveram segredo” – o sarcasmo dela cortava o ar

da sala como uma faca deslizando na manteiga.

Richard pegou a mão de Hanna, não querendo que ela ficasse escondida. Ele a queria do

seu lado – precisava dela ao seu lado – para mostrar que não tinha vergonha do

relacionamento deles. Estava orgulhoso que ela quisesse ficar com ele.

– Ah, isso é simplesmente perfeito – Caroline exclamou com desdém, quando Richard

puxou Hanna para seus braços. – O que ela faz pra fazê-lo voltar correndo toda vez? É boa de

cama, é isso? Porque você pode pagar pessoas se quiser sexo…

Hanna desencostou-se de Richard, dando um passo à frente com a mão erguida. Ele viu

quando a palma aberta dela fez contato com o rosto da sua mãe. O impacto foi forte o bastante

para fazer Caroline dar um passo para trás.

– Não ouse me comparar a uma prostituta – Hanna disse. Richard teve que apertar as mãos

para não aplaudir. – E ficaria grata se mantivesse a voz baixa, há uma criança dormindo nesta

casa.

Uma linha vermelha lívida estava se formando na bochecha da mulher. Ela encarou Hanna

com os olhos faiscando, o rosto contorcido de raiva.

– Você vai deixá-la falar comigo desse jeito? Ela me atacou! – Caroline exclamou.

– Eu não deixo Hanna fazer nada. Ela é uma mulher independente, e pode fazer o que quiser

na nossa casa – ele podia sentir o coração acelerando, martelando no peito. Queria abraçar

Hanna de novo e dar-lhe um pouco de conforto. – Se a comparar com uma prostituta outra vez,

ponho você na rua.

Caroline retraiu-se visivelmente, os olhos começando a marejar.

– Por que está tão bravo comigo? Não fui eu quem menti sobre uma criança ou apareci anos

depois fingindo que é sua – ela alisou uma mecha solta de cabelo. – Já fez um teste de DNA?

Richard encarou-a.

– Matty é meu filho, não preciso de um teste de DNA para me dizer a verdade – ele olhou

para o corredor, os olhos pousando na porta fechada do quarto dele. – Estou bravo com você

porque o único motivo de Hanna não ter me contado que estava grávida foram suas malditas

mentiras – sua voz estava ficando mais alta. Ele precisava controlar a raiva.

– Não sei do que está falando – o tom de Caroline era arrogante. Ela esfregou a bochecha. –

Nunca menti para Hanna.

– Mentiu sim! – Hanna respondeu. Ela estava tremendo como um animal assustado sob o

braço dele. – Liguei para o celular de Richard e você atendeu. Você me disse que Meredith

nunca mais andaria.

– Acho que me lembraria de algo assim. Quando você ligou?

– Quando descobri que estava grávida, em junho de 2010 – Hanna respondeu. Ela passou a

mão ao redor da cintura de Richard, procurando algo a que se agarrar.

Caroline balançou a cabeça, uma linha fina se formando entre suas sobrancelhas. Ela piscou

algumas vezes antes de olhar para Richard com uma expressão acusatória.

– Junho de 2010, não foi quando você disse a Meredith que não queria se casar com ela?

Richard pensou por um momento, deixando a mão de Hanna em sua cintura acalmá-lo. Era

difícil lembrar os eventos de dois anos antes, embora algumas datas estivessem gravadas em

sua mente. Como quando ele disse a Meredith que não queria ficar com ela ou quando foi para

Londres e descobriu que Hanna tinha desaparecido outra vez.

Seu estômago revirou-se quando uma lembrança brilhou em sua mente. Ele lembrava-se da

mãe ligando para ele no trabalho, dizendo que ele tinha esquecido o celular em casa. Ela

estivera no apartamento com Meredith, ajudando-a a empacotar suas coisas. Caroline tinha se

oferecido para levar o celular dele para o escritório.

– Quando falou com Hanna, Meredith e eu já estávamos separados? – ele fechou a mão num

punho, sentindo a necessidade de bater em alguma coisa. Todos os momentos dos últimos dois

anos tinham sido em vão. Eles estavam tão próximos de ficar juntos para sempre, de ter tudo

que sempre quiseram… e algumas palavras da mãe tinham sido o suficiente para fazer tudo

desabar. – Você disse pra ela que Meredith estava paralisada quando a gente já tinha se

separado?

– Achei que você podia mudar de ideia sobre a separação… – Caroline sussurrou, a voz sumindo.

Ao seu lado, Hanna apertava a mão firmemente sobre a boca, o horror da situação fazendo

lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Richard se perguntou se ela sentia vontade de xingar e

esmurrar alguma coisa – qualquer coisa –, assim como ele. A raiva era grande demais; ele não

sabia como controlá-la sem explodir.

– Então você se lembra de ter dito a ela que Meredith estava paralisada?

Caroline assentiu, estremecendo e afastando-se dele. Ele sabia que estava agindo como um

louco; seu corpo tenso como uma cobra prestes a dar o bote. Só a mão de Hanna na dele

conseguia ancorá-lo, impedi-lo de fazer algo de que poderia se arrepender depois.

– Por que você faria isso? Percebe que Hanna estava me ligando para dizer que estava

grávida? Perdi dezoito meses da vida do meu filho por culpa sua.

A mãe dele pôs uma mão no peito, apertando com dedos enrugados.

– Eu não sabia…

– Você sabia o suficiente para fazer Hanna desistir. Sabia o suficiente para não me dizer que

alguém tinha ligado. Não se faça de inocente, você é culpada como o diabo – o corpo dele

estava tão tenso que ele queria gritar, xingar… fazer qualquer coisa para se livrar da tensão.

Todos os segundos na frente da mãe eram um lembrete do que ele quase perdera.

Do que ele tinha perdido.

– Meredith sabia sobre a ligação? – pingava ácido da sua voz.

Caroline balançou a cabeça, seu rosto desesperado enquanto se aproximava dele,

estendendo a mão.

– Richard, você não tem que fazer isso. Podemos falar com os advogados e conseguir a

guarda pra você. Você não precisa morar com Hanna.

Ele precisou de alguns segundos para absorver as palavras. Ela queria que ele deixasse

Hanna e tomasse Matty dela. A insensibilidade da sugestão foi o último prego no caixão do

relacionamento deles. Ele a queria o mais longe possível da sua família, para que ela não

pudesse envenená-los da mesma maneira que tentara com ele.

Ele apertou Hanna com mais força, enfiando a cabeça no seu cabelo por um instante e

beijando os cachos sedosos.

– Quero que você saia agora – a voz dele saiu abafada pelo cabelo de Hanna. Ele não

conseguia olhar para a mãe nem acompanhá-la até a porta. A náusea revirava seu estômago

enquanto se lembrava das últimas palavras que ela dissera a Hanna no dia daquela ligação

terrível. Ele se sentia amargamente irônico quando disse para a mãe: – Não volte mais.

– Nunca? – a voz de Caroline subiu uma oitava. Hanna afastou-se de Richard e colocou uma

mão reconfortante em seu peito. Ela balançou a cabeça de leve, como que dizendo a ele para

se controlar. No fundo ele sabia que ela tinha razão; não deveria tomar decisões em um

momento de raiva, mas ele precisou de toda sua força para não arrastar a mãe fisicamente para

fora de casa.

– Aqui não. Não quero você perto da minha família – Hanna prendeu a respiração quando

ele disse aquelas palavras. – Sei que não posso evitá-la na Maxwell Enterprises, mas não

pretendo deixá-la fazer parte da minha vida pessoal.

– Mas sou sua mãe – Caroline endireitou os ombros. – Mereço seu respeito. Não acredito

que está escolhendo ela em vez de mim. Pare com essa bobagem.

Richard indicou a porta, agitando a mão como se estivesse dispensando um cachorro.

– Só estou grato por poder escolher. Não houve muitas possibilidades de escolha para mim

nos últimos anos.

Caroline lançou-lhe um último olhar furioso, os lábios cerrados enquanto balançava a

cabeça e se virava para a porta. Quando a viu sair, ele só sentiu alívio. Foi como se o último

bloco no meio do seu futuro tivesse sido derrubado. Ele permitiu que um pequeno sorriso

surgisse em seus lábios.

Depois que Caroline saiu, Hanna parecia apagada, como se alguém a tivesse pintado de

cinza. Ele queria reaver os momentos roubados em que a tivera em seus braços, as pernas em

volta de sua cintura. As coisas tinham parecido tão alegres e fáceis; ele não sabia como

recapturar aquele sentimento.

– Acho que vou dormir. Foi um longo dia – Hanna abriu um sorriso frágil. – Quem sabe as

coisas não parecerão menos deprimentes pela manhã.

Ele sabia que ela estava certa. O momento tinha passado, e eles precisavam dar tempo a

eles mesmos para que as feridas se curassem. Ele não estava menos decepcionado, no entanto.

– Se a faz sentir-se melhor, o pior de fato acabou. Nossos pais já sabem, e a reação dos

dois não foi exatamente inesperada – ele tentou reconfortá-la.

– Até Steven e Claire estão bravos comigo.

Richard balançou a cabeça.

– Não estão. Estão chocados e surpresos, mas falei com Claire hoje e eles estão planejando

uma visita em breve. Eles estão tão animados para ter você e Matty na vida deles.

Ele estendeu uma mão e tocou o rosto dela com a palma. Sua pele estava macia e

umedecida pelas lágrimas. Richard passou o dedão pela maçã de seu rosto e enfiou os dedos

em seu cabelo, puxando-a para um abraço até que o rosto dela encostasse em seu peito.

– Esqueci de falar, Ruby ligou hoje. Ela vem pra Nova York na semana que vem – a voz de

Hanna estava abafada pela camisa dele. – Ela queria saber como você se sentiria se Tom

viesse junto.

Richard riu, o peito vibrando contra o rosto dela.

– Ela realmente quer saber?

Hanna afastou-se, erguendo a cabeça para ele, os olhos brilhando de divertimento.

– Na verdade, não. Eu disse pra ela ligar diretamente pra você – ela passou um dedo pela

barba não feita dele. – Você não vai ser chato com ela, vai? Acho que os dois foram feitos um

pro outro.

Ele estremeceu com a ideia de que a irmã tivesse sido feita para alguém.

– Suponho que terei uma chance de ter uma conversa franca com Tom – ele respondeu, o

tom provocativo.

– Pobre Tom. Bom eu não ter um irmão mais velho pra ir atrás de você.

A expressão dele ficou séria.

– Queria que alguém tivesse ido atrás de mim. Sei que Tom estava do seu lado e que uma

hora contou para Ruby, mas um cara furioso com uma espingarda poderia ter evitado tantos

problemas.

– Enterrando você antes que chegasse a conhecer Matty?

Richard balançou a cabeça.

– Não, cuidando de você e se certificando de que eu assumisse as minhas

responsabilidades.

A mão de Hanna permaneceu no rosto dele. Ele virou a cabeça para beijar a ponta dos

dedos dela, seu corpo reagindo enquanto ela acariciava os seus lábios. Ele viu a boca dela se

abrir através de pálpebras pesadas, e ela mordeu o lábio inferior de um modo que fazia o

calor descer direto para sua virilha. Ela pôs o dedão na boca dele, sua expressão não

deixando dúvidas sobre seus sentimentos em relação a ele.

– Você precisa dormir – a voz dele estava rouca de desejo. Ele queria seguir Hanna para o

quarto dela e tirar as roupas do seu corpo. Queria reconfortá-la com cada centímetro do seu

próprio corpo. Mas disse a si mesmo para ir devagar, por mais desesperado que estivesse

para estar dentro dela. Eles tinham o resto da vida para ficar juntos e ele queria fazer aquilo

do jeito certo.

Hanna assentiu.

– Foi um longo dia – ela deu um sorriso frágil, afagando o rosto bonito dele. – Você deveria

dormir também.

– Preciso trabalhar um pouco antes de ir pra cama – ele sabia que não conseguiria dormir,

mesmo que estivesse exausto. Saber que ela estava a um quarto de distância, sem dúvida, o

manteria acordado.

Richard inclinou-se para a frente e encostou os lábios na bochecha dela.

– Bons sonhos, Hanna – enfiando as unhas nas mãos para se impedir de carregá-la para sua

cama, virou-se e foi para o escritório, ciente de que ela o seguia com os olhos.

Ele odiava ir devagar.

 

***

 

Hanna teve um sono agitado; as cobertas pesavam sobre seu corpo, deixando-a sensível e

quente demais. Ela ficou se virando na cama, e acordou com gotas de suor no peito enquanto

um fio descia pelo seu decote.

No sonho, ela vira Matty e Richard. Ela estava em pé sobre uma terra seca e árida, os pés

grudados no chão enquanto seus garotos fugiam dela, até que eram apenas figuras minúsculas a

distância. Ela gritou para que eles a esperassem, mas eles não a ouviram. Ela tentou correr,

mas sentiu a terra desmoronar sob seus pés sem conseguir fazer nenhum progresso. Sentiu-se

eternamente em movimento, estando no mesmo lugar.

– Não… – começou a chorar, tentando alcançá-los, observando através de uma cortina de

lágrimas enquanto eles se afastavam no horizonte vermelho. As pernas dela falharam, seu

corpo desabou no chão quente e seco, e ela bateu os punhos contra o solo, suas lágrimas

caindo na terra seca.

– Hanna – ouviu a voz de Richard, e no sonho ele virou, parando de andar quando notou sua

forma no chão. – Hanna, está me ouvindo?

– Volte – ela estava vagamente ciente do seu sonho sendo invadido pela realidade, a

imagem de Richard e Matty desaparecendo na névoa da sua consciência.

– É só um pesadelo, querida. Acorde – ela podia sentir a palma fria de Richard acariciando

seu rosto e piscou, tentando abrir as pálpebras pesadas.

– Estou acordada agora? – ela não conseguia diferenciar realidade de imaginação,

estendendo uma mão para Richard, que tentava acalmá-la.

– Está – ele respondeu. Havia uma nota de divertimento em sua voz. – Quer um pouco de água?

Sentou-se, os olhos adaptando-se à penumbra. Seu coração martelava no peito.

– Sim, por favor – ela olhou para o despertador; o brilho vermelho e borrado dos números

indicava uma da manhã.

– Aqui, beba um gole – ele disse suavemente, levantando o copo até os lábios dela, os

olhos escuros enquanto ela engolia o líquido frio. Hanna deixou a água umedecer sua boca,

sentindo-se refrescada à medida que o líquido descia pela sua garganta.

– Desculpe por tê-lo acordado.

– Ainda não tinha ido dormir – Richard admitiu. – Estava tentando terminar umas coisas

para o trabalho.

Um olhar para a roupa dele foi suficiente para ver que ele estava falando a verdade. A

camisa de algodão estava desabotoada e as mangas arregaçadas, revelando antebraços fortes e

seus pelos. Ele tinha soltado a camisa das calças, e ela caía livremente pelos seus quadris,

amassadas após uma longa noite de trabalho.

– Fui dar uma olhada no Matty quando a ouvi chamando meu nome. Achei que devia estar

tendo um sonho bom – ele estava sorrindo. – Imagine minha surpresa quando descobri que o

sonho era um pesadelo.

Hanna fechou os olhos, tentando apagar a imagem dos seus garotos tão longe.

– Você estava correndo de mim – ela engoliu, ainda sentindo o gosto da árida poeira em sua

boca. Richard, sentindo sua necessidade, ergueu o copo aos seus lábios outra vez.

– Eu nunca vou correr de você – a voz dele estava embargada de emoção. – Só por isso

você deveria ter percebido que era um sonho.

Lágrimas arderam nos olhos de Hanna, acumulando-se no canto dos olhos e enevoando sua

visão. Richard estendeu uma mão para alisar seu cabelo, os dedos gentis enquanto acariciava

seu pescoço, descendo para seus ombros nus.

– Você está me deixando louco – ele confessou, traçando pequenos círculos na pele dela. –

Você toda.

Ela prendeu a respiração. Imagens do início da noite voltaram à sua mente; lembretes

vívidos de como eles tinham chegado perto de consumar o relacionamento florescente deles.

Quando ele se sentou na cama, seu corpo forte em contraste com o dela, ela se percebeu

querendo se submeter à possessão dele.

Ele traçou uma linha subindo pela coluna dela, pousando-a sobre seu pescoço por um

instante antes de abrir os dedos em seu pescoço.

– Bem aqui – ele sussurrou. – Posso sentir seu pulso pulando sob a pele, e como você perde

o fôlego.

Hanna não disse nada, vendo o desejo nos olhos verdes dele, a língua umedecendo os

lábios.

Ele passou a mão pelo peito dela, no espaço entre seus seios, os dedos fortes sobre a pele

úmida.

– E aqui, posso sentir seu coração batendo depressa – ele abriu os dedos, movendo a mão

até roçar o mamilo, sua pele áspera fazendo o bico sensível enrijecer. Ela inspirou fundo

quando uma sensação de prazer desceu direto para o meio das suas pernas.

Ele acariciou o mamilo dela entre o dedão e o indicador, o prazer tornando-se uma

pulsação estável entre suas coxas. Ela olhou-o por pálpebras semicerradas, com uma expressão intensa, revelando uma forte emoção.

– Por favor, me beije – ela arqueou o corpo, os lábios tremendo quando ele se abaixou para

capturá-los. Ela sentia a respiração suave dele sobre seu rosto, aquecendo-a e excitando-a.

Ele moveu-se devagar, dando um beijo lento e suave, fazendo-a querer muito mais. Então

afastou os lábios, percorrendo uma trilha pelo seu pescoço.

– Richard… – ela fechou os olhos e sentiu os lábios dele chupando sua pele. Seus mamilos

ficaram enrijecidos, o calor entre as coxas tornando-se úmido, seu desejo cada vez maior.

Ele puxou sua camisola e empurrou seus shorts para baixo até ela estar nua e trêmula.

– Você é tão linda – havia desejo em seu olhar e ela sentiu o corpo refletir a paixão que viu

neles. – Cada centímetro seu é perfeito – ele estendeu uma mão para tocar seu pescoço com o

dedo, traçando uma linha para baixo até os seios, provocando um mamilo antes de descer à

barriga. Ela estremeceu de vergonha quando ele traçou as linhas prateadas das estrias dela.

– Elas são tão feias – Hanna tentou afastar a mão dele de sua barriga.

– Não são feias, são incríveis – Richard balançou a cabeça, inclinando-se para beijá-la de

boca aberta. – São um lembrete do que fizemos, do que você carregou. São parte de você – ele

seguiu-as com a boca, indo até a base dos quadris dela, a respiração quente enquanto ele

olhava seu corpo. Suas mãos estavam suaves, mas firmes nas suas coxas, enquanto ele as

abria. Ela podia sentir sua respiração sobre seu centro febril, os lábios dele adorando seu

corpo assim como suas palavras adoravam sua alma. Ele pôs a língua dentro dela,

estabilizando as coxas com suas mãos fortes. Ela gemeu alto, arqueando contra ele, as mãos

apertando seu cabelo enquanto ele a levava ao clímax.

Hanna fechou os olhos, rendendo-se à sensação, o corpo tenso sob o toque dele. Ela podia

se ouvir ofegar enquanto ele aumentava a pressão, levando-a ao limite, suas mãos apertando

os lençóis e seu interior contraindo-se de prazer enquanto ela gemia o nome dele sem parar.

Ela arqueou as costas, o orgasmo preenchendo seu corpo até que ela só estava meio

consciente.

Ela percebeu vagamente que ele tirava as roupas enquanto ela retornava do orgasmo. Ele se

pôs sobre ela, seu corpo pesado por cima. A ereção dele encostou nos seus quadris, sua forma

reconfortante e rígida. Ela fechou as mãos ao redor dele, passando o dedão pela ponta e

espalhando a umidade que se concentrava lá.

– Preciso de camisinha? – a voz dele era urgente e ela sentiu-o esfregando-se na sua mão.

Ela apertou com mais força, extraindo um gemido dele.

– Estou protegida.

E ela estava, cada centímetro dela dominado pelo corpo que a cobria. Ela fechou os olhos,

tentando não gritar quando o sentiu se alinhar sobre ela, a ponta abrindo-a enquanto ele tentava

imobilizar seus quadris. Ele era tudo que ela se lembrava, tudo que queria e esperava que

fosse. Ela estava se afogando sob seu toque.

– Abra os olhos – a voz dele soou rouca na orelha dela. As pálpebras dela tremeram,

lágrimas escapando quando ele a olhou cheio de desejo, seu coração parando quando viu a

emoção intensa atrás daquele olhar. Os lábios dele estavam secos sobre o maxilar tenso, e ela

contornou sua boca com a ponta do dedo.

– Por favor, Richard… – esfregou-se contra os quadris dele. Ele pôs uma mão nela e

impediu o movimento, fitando-a com desejo. O coração dela martelava no peito.

– Me dê um momento.

Ela parou de se mover e olhou-o de volta. Eles respiraram em uníssono, e ela esperou que

ele se movesse e lhe tirasse o último fragmento de sanidade que lhe restava.

– Agora – ele flexionou os quadris, deslizando dentro dela até que ela estivesse tão

completa que suspirou. A sensação era demais, e ela sentiu lágrimas quentes escorrerem pelas

bochechas, as emoções muito intensas para serem contidas.

– Eu te amo… – as palavras dela saíram com a respiração. Elas dançaram no ar como um

fio invisível, unindo-os.

– Te amo… – uma exalação, uma promessa. Ele disse de novo, só para ouvir as palavras.

Ele capturou os lábios dela, suas línguas entrelaçando-se enquanto as lágrimas salgadas

dela se misturavam com o beijo. Ela pôs uma mão no queixo dele, os olhos brilhando com

todas as emoções que ele extraía do corpo dela.

– Amo…

 

***

 

Quando Hanna finalmente acordou na manhã seguinte, Richard já estava vestido e Matty

estava na cama com ela, seus braços gordinhos envolvidos no seu pescoço.

– Ele está de pé há algum tempo – Richard admitiu, as olheiras sob os olhos como prova do

sono interrompido. – Eu o trouxe para a cama com a gente um pouco antes das seis.

– Ele é um macaquinho – ela enfiou o rosto nos cachos macios de Matty, inalando o aroma

do xampu de bebê dele. – Você já está de saída?

– Tenho uma reunião às oito – Richard estava amarrando a gravata. Ela queria agarrá-lo e

trazê-lo de volta para a cama. Depois das revelações da noite anterior, ela se sentia exausta,

como se pudesse dormir por mil anos. Se iria hibernar, queria que ele estivesse junto com ela.

– Queria perguntar uma coisa sobre ontem à noite – Matty sentou-se e atravessou a cama

engatinhando, lançando-se nas pernas de Richard. O pai agarrou-o bem a tempo, fazendo-o rir

ao girá-lo no ar. – Aquele psicólogo com quem você falou ontem dá desconto se você der

indicações?

Richard pegou o olhar dela, sua expressão suave enquanto abria um sorriso.

– Sou um ótimo negociante.

– Eu queria que começássemos do zero. Talvez pudéssemos conversar com ele como um

casal?

Ela sabia que a história deles não podia ser apagada em alguns poucos momentos de

felicidade. A chegada frenética de Richard no dia anterior era um sinal de que eles tinham

problemas que precisavam resolver. Pela primeira vez, ela estava confiante de que eles

poderiam resolvê-los juntos.

– Eu ligo pra ele hoje – ele prometeu, inclinando-se para capturar seus lábios e derrubando

Matty no colchão ao lado dela. Ele quicou nas molas, gostando tanto que se pôs de pé e pulou

de novo. – Me encontre pro almoço – Richard sugeriu, enfiando a jaqueta. Ela encarou-o,

tentando não lamber os lábios enquanto via seu corpo maravilhoso, perfeitamente vestido num

terno Gucci.

– Realmente quer deixar esse aqui solto no seu escritório? – Matty ainda estava pulando e

Hanna puxou-o para perto dela, envolvendo sua cintura e fazendo cócegas na sua barriga.

– Vou pedir a Lisa que compre alguns brinquedos. Não posso passar nem mais um dia sem ver você – as sobrancelhas dele se franziram. – Talvez a gente precise conversar sobre

codependência também.

Hanna riu.

– É bom aproveitar o dinheiro. Vamos jogar abandono parental na conversa também.

Richard beijou-a outra vez.

– Tem certeza de que está bem depois de ontem?

– Eu me sinto surpreendentemente bem. Não era como se a gente não soubesse que sua mãe

ia enlouquecer. Quanto ao meu pai, só podemos esperar pra ver como as coisas vão acontecer

– ela deixou Matty passar os braços ao redor do seu pescoço, o rosto dele enfiado no seu

ombro. – As duas pessoas mais importantes no meu mundo estão nesse quarto. Não me

importo com mais nada.

– Vou sentir falta de você hoje – ele bagunçou o cabelo de Matty, fazendo-o gritar em

protesto. – De vocês dois.

– Se não sair logo, vai perder sua reunião – puxando os lençóis ao seu redor, inclinou-se

para empurrá-lo para longe da cama. Richard pegou seus pulsos e puxou-a para si até que o

rosto dela estava enterrado em seu ombro. Matty estava preso entre eles, contorcendo-se de

divertimento.

– Prefiro ficar aqui – ele murmurou, enfiando a cabeça no cabelo dela.

– Vá! – ela riu.

Ele soltou-a, pressionando um último beijo em cada um.

– Vejo você ao meio-dia – ele lembrou quando saiu. Ela pegou um par de meias enroladas e

jogou-as nele, errando feio.

Puxando Matty para um abraço, ela viu Richard ir embora, um calor gostoso de

contentamento queimando em seu corpo. Ela não pôde refrear o sorriso que se abriu em seu

rosto quando percebeu que, finalmente, depois de tanto tempo, ambos tinham conseguido o que

queriam.

Um ao outro.