Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 10 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 9

 

 

Você não vai voar...

Nunca ouvi palavras mais sombrias e desanimadoras. Quando voltamos para a sala de treinamento, Cobb me apontou um assento perto da parede. Não um cockpit, apenas uma cadeira.

Eu me esgueirei até lá e me sentei, sentindo-me completamente derrotada.

— Essas engenhocas — Cobb falou, batendo com os nós dos dedos em uma das caixas na frente dos cockpits de treino — são projetores holográficos. Tecnologia antiga, da época em que éramos uma frota. Quando essas máquinas estiverem ligadas, vocês vão achar que estão em um cockpit de verdade; elas permitem garantir o treino de voo sem arriscar um combatente de verdade. Mas a simulação não é perfeita. Tem certa resposta tátil, mas não consegue replicar as forças g. Vocês terão que treinar na centrífuga para se acostumarem com isso. A tradição da FDD diz que vocês devem escolher seu codinome. Sugiro que comecem a pensar no assunto, já que levarão esse nome pelo resto da vida. É como as pessoas mais importantes, seus companheiros de voo, vão conhecer você.

O Babaca levantou a mão.

— Não me diga agora, cadete — Cobb falou. — Em qualquer momento dos próximos dias está bem. Agora, eu quero...

A porta da sala se abriu de repente. Fiquei em pé rapidamente, mas não era um ataque ou uma emergência.

Era Lad. E ele usava um broche de cadete.

— Eu estava me perguntando se você ia aparecer — Cobb disse, pegando sua pilha de papéis. — Rodge McCaffrey? Acha que é uma boa ideia estar atrasado já no primeiro dia da escola de voo? Vai se atrasar também quando os Krell atacarem?

Lad segurou a respiração e negou com a cabeça, ficando branco como uma bandeira de trégua. E... Lad era um cadete. Quando ele saiu na noite passada para a tal conversa sobre o teste, fiquei preocupada, mas aparentemente ele tinha conseguido entrar! Eu queria gritar de alegria.

Mas não tinha como Lad estar atrasado, pelo menos não sem um bom motivo. Aquele era o garoto que agendava um tempo extra no dia para espirrar quando ficava resfriado. Abri a boca, mas um olhar de Cobb me impediu de dizer qualquer coisa.

— Senhor — Lad falou por fim, segurando o fôlego. — Elevadores. Quebrados.

Cobb foi até a lateral da sala e apertou o botão do intercomunicador.

— Jax — ele chamou. — Pode verificar se algum elevador quebrou hoje?

— Não preciso nem verificar, capitão — a voz respondeu pelo alto-falante acima do botão. — O elevador 103-D ficou parado por horas, com pessoas presas dentro. Está nos dando problemas há meses.

Cobb soltou o botão e olhou para Lad.

— Dizem que você teve a maior pontuação na prova deste ano, cadete.

— Foi o que me disseram, senhor. Eles me chamaram, e a almirante me deu um prêmio e tudo mais. Sinto muito por estar atrasado. Eu não queria fazer isso, em especial no primeiro dia. Quase morri quando...

— Sim, basta — Cobb o interrompeu, acenando na direção de um dos assentos. — Não abuse da minha boa vontade, filho.

Lad acomodou-se alegremente onde Cobb havia indicado, então me viu no canto da sala e me fez sinal de positivo com o polegar. Tínhamos conseguido. Ambos, de algum modo, com Lad na frente, o que era incrível. Então pelo menos com ele o teste tinha sido justo.

Cobb seguiu até o assento do Babaca e acionou um interruptor na lateral da caixa da frente. Um véu de luz cercou o cockpit – silencioso, cintilando como uma bolha resplandecente. Lá dentro, o Babaca murmurou baixinho, mas ainda de forma audível, uma prece para a Estrela do Norte. Eu me inclinei em minha cadeira.

— Pode ser um pouco desorientador — Cobb avisou, seguindo pela sala e acionando a máquina de Arturo, depois a de Nedd. — Embora não se compare a estar no ar de verdade, é um substituto razoável.

Esperei, tensa, enquanto ele dava a volta em todo o círculo, acionando um dispositivo após o outro. Cada um dos cadetes soltava um som de admiração, uma pequena arfada ou um “uau”. Meu coração quase se partiu ao meio quando Cobb se afastou do último assento e voltou para a frente da sala.

Então, como se lembrasse de algo que ficou para trás, olhou para mim por sobre o ombro.

Quase explodi de ansiedade.

Por fim, ele fez um aceno com a cabeça na direção do cockpit vazio. Saí correndo da cadeira e tomei meu lugar enquanto ele acionava o interruptor. As luzes brilharam ao meu redor, e em um piscar de olhos eu parecia estar sentada no cockpit de um caça estelar classe Poco, em uma plataforma de lançamento fora do edifício. A ilusão era tão incrível que perdi o fôlego, então enfiei a mão para fora do “dossel” só para ter certeza. O holograma falhou e se abriu em pequenos grãos de luz, como poeira caindo, quando minha mão atravessou a imagem.

Puxei a mão de volta e inspecionei os controles: uma alavanca de aceleração, um painel cheio de botões e uma esfera de controle na direita. A esfera era um globo que cabia na palma da minha mão, com ranhuras para meus dedos e botões nas pontas.

Do lado de fora do dossel holográfico do cockpit, eu via outras “naves” alinhadas ao lado de uma reprodução perfeita da Base Alta. Eu até podia olhar para cima e ver o céu, os padrões fracos do cinturão de destroços... tudo.

O rosto bigodudo de Cobb atravessou o céu – como um dos próprios Santos – quando ele se inclinou pelo holograma para falar comigo.

— Gosta dessa sensação, cadete?

— Sim, senhor — respondi. — Mais do que qualquer coisa.

— Ótimo. Não perca isso.

Encontrei os olhos dele e assenti.

Ele recuou.

— Tudo bem, cadetes — Cobb falou. Sua voz parecia fantasmagórica vindo aparentemente de lugar nenhum. — Eu não perco tempo. Cada dia que estão treinando é um dia no qual bons pilotos morrem durante o voo, sem vocês como apoio. Coloquem os capacetes que estão aos seus pés.

Fiz o que era pedido, e agora a voz de Cobb veio pelo fone de ouvido dentro do capacete.

— Vamos praticar decolagens — ele falou. — Isso devia...

— Senhor! — O Babaca o interrompeu. — Posso mostrar para eles.

Revirei os olhos.

— Tudo bem, líder de voo — Cobb concordou. — Estou ansioso para deixar que alguém faça o trabalho duro por mim. Vamos ver se consegue colocá-los no céu.

— Sim, senhor! — O Babaca respondeu. — Esquadrilha, seus caças não precisam dos propulsores para ganhar ou perder altitude. Isso é feito pelo anel de aclive, um dispositivo em forma de arco sob cada nave estelar. O interruptor de força está... hum... em cima do console dianteiro, o botão vermelho. Nunca desliguem isso enquanto estiverem voando ou vocês vão cair como um pedaço de detrito.

A parte de baixo de uma nave no fim da fila se acendeu de repente quando o anel de aclive foi ligado.

— Usem a esfera de controle para virar à direita ou à esquerda — o Babaca prosseguiu — ou para fazer pequenos movimentos. Para uma ascensão rápida, usem a alavanca menor, ao lado do acelerador, empurrando-a para cima.

A nave estelar do Babaca se ergueu no ar em uma subida rápida. A dele, como o restante das nossas, era classe Poco. Elas pareciam gloriosos lápis com asas, mas ainda eram naves estelares, e eu estava em um cockpit. Holograficamente, mas ainda assim estava acontecendo.

Liguei o interruptor vermelho e todo o meu painel se acendeu. Sorri, segurando a esfera de controle na mão direita e puxando o controle de altitude com a esquerda.

Minha nave saltou para trás em um movimento repentino, e acabei batendo em um prédio atrás de nós.

Não fui a única. Nossas naves respondiam com muito mais sensibilidade do que imaginávamos. De alguma forma, Lad conseguiu ficar completamente de cabeça para baixo; Kimmalyn saiu em disparada pelo ar, gritando com o movimento súbito, depois recuou e despencou bem na plataforma de lançamento.

— Apenas o controle de altitude — o Babaca falou. — Não toquem na esfera de controle agora, cadetes!

Cobb deu uma risadinha em algum lugar lá fora.

— Senhor! — disse o Babaca. — Eu... ah... isso... — Ficou em silêncio. — Ah!

Fiquei feliz por ninguém poder ver como eu estava corada. Parecia que eu tinha batido a nave em uma versão holográfica do refeitório da escola de voo, a julgar pelas mesas e pela comida espalhada. Eu sentia como se tivesse levado uma chicotada, mas, embora minha cadeira sacudisse um pouco quando a nave se movia, não conseguia replicar os movimentos reais de voo.

— Parabéns, cadetes — Cobb falou. — Tenho certeza de que metade de vocês já morreu. Impressões, líder de voo.

— Eu não esperava que eles fossem tão inúteis, senhor.

— Não somos inúteis — eu disse. — Só ficamos... ansiosos.

— E talvez um pouco envergonhados — Kimmalyn observou.

— Fale por você mesma — disse a voz de uma garota pelo fone de ouvido. Qual era mesmo o nome dela? Hudiya, a garota de rabo de cavalo, com a jaqueta solta. Ela estava gargalhando. — Ah, meu estômago. Acho que vou vomitar. Posso fazer de novo?

— De novo? — Kimmalyn perguntou.

— Foi incrível!

— Você acabou de dizer que vai vomitar.

— No bom sentido.

— Como alguém vomita no bom sentido?

— Atenção! — Cobb interrompeu. Ao meu redor, minha nave pareceu falhar, e de repente estávamos todos enfileirados de novo, com os nossos veículos inteiros após a simulação aparentemente ter sido reiniciada. — Como acontece com a maioria dos pilotos novatos, vocês não estão acostumados a quão responsivas suas naves podem ser. Com a potência do anel de aclive e dos propulsores, é possível fazer manobras bastante precisas. Em especial depois que tiverem treinado com as lanças de luz. Mas essa versatilidade vem com um custo. É muito fácil morrer em uma nave estelar. Então, hoje vamos praticar três coisas. Subir. Descer. Não morrer ao fazer esses dois movimentos. Entendido?

— Sim, senhor! — exclamamos em coro.

— Vocês também vão aprender a controlar o rádio. O conjunto de botões azuis no canto superior esquerdo do painel de controle gerencia isso; vocês precisam se acostumar a abrir uma linha para toda a esquadrilha ou apenas para seu parceiro de voo. Vamos ver os outros botões mais tarde. Não quero que se distraiam agora. Só as estrelas sabem como vocês poderiam se sair ainda pior do que nessa pequena performance que acabamos de ver, mas não estou inclinado a lhes dar uma oportunidade!

— Sim, senhor! — exclamamos, de um jeito um pouco tímido.

E então, nas três horas seguintes, decolamos e aterrissamos.

Era um trabalho frustrante, porque eu sentia que era capaz de fazer muito mais. Eu tinha estudado tanto, praticado mentalmente. Sentia como se já soubesse aquilo tudo.

Só que, na verdade, eu não sabia. Minha colisão na primeira tentativa era prova disso. E minha inabilidade nas tentativas que se seguiram me frustrava.

O único jeito de superar esse sentimento era praticar, então dediquei-me às orientações. Para cima e para baixo. Para cima e para baixo. Hora após hora. Fiz isso com os dentes cerrados, determinada a não bater de novo.

Depois de um tempo, todos conseguimos fazer cinco decolagens e aterrissagens seguidas sem bater. Quando Cobb nos mandou subir de novo, nivelei o altímetro em quinhentos e parei ali. Soltei a respiração, recostando-me no assento quando os outros cadetes se juntaram a mim em uma linha.

O Babaca passou zunindo e deu uma voltinha antes de se posicionar. Exibido.

— Tudo bem, líder de voo — Cobb disse. — Contate sua equipe e peça uma confirmação verbal de prontidão de cada membro. Você fará isso antes de todo e qualquer combate, a fim de verificar que ninguém está com problemas mecânicos ou físicos. Esquadrilha, sempre que tiverem problemas, falem para o líder de voo. Se entrarem em batalha sabendo que há algo errado com sua nave, vocês serão responsáveis pelos danos que possam causar.

— Senhor — Bim disse pelo rádio —, é verdade que, se batermos uma nave de verdade durante o período de treinamento, não podemos nos formar?

— Em geral — Cobb respondeu —, se um cadete bate o caça estelar, é sinal de algum tipo de negligência. Uma atitude assim indica que não se deve confiar nele com esse tipo de equipamento.

— E se ejetarmos? — Bim perguntou. — Ouvi dizer que cadetes treinam em situações reais de combate. Se formos atingidos e ejetarmos, isso significa que estamos fora? Como cadetes, quero dizer.

Cobb ficou em silêncio por um instante.

— Não há uma regra definida — ele respondeu.

— Mas é a tradição, certo? — Bim insistiu. — Um cadete que ejeta e abandona a nave fica no chão depois disso.

— É porque estão sempre de olho nos covardes — Hudiya comentou. — Querem expulsar cadetes que, por serem ansiosos demais, acabam ejetando antes da hora.

Senti uma descarga de adrenalina, como sempre acontecia quando alguém mencionava a palavra covarde. Mas, daquela vez, não foi em referência a mim. E jamais seria: eu nunca ejetaria.

— Pilotos de verdade — disse um dos amigos do Babaca —, os melhores dos melhores? Mesmo se forem atingidos, são capazes de pousar até a nave mais danificada, para que depois ela possa ser recuperada. Anéis de aclive são valiosos demais, então os pilotos precisam protegê-los, porque um piloto não vale tanto quanto...

— Já chega, Arturo — Cobb o interrompeu. — Está espalhando rumores estúpidos. Tanto piloto quanto nave são valiosos. Vocês, cadetes, ignorem essas conversas. Podem ouvir isso de outras esquadrilhas, essas histórias sobre direcionar sua nave para um pouso controlado. Vocês me ouviram? Se forem atingidos, ejetem. Não se preocupem com as consequências, preocupem-se com as suas vidas. Se você é um piloto bom o suficiente, isso não vai impactar sua carreira, não importa qual seja a tradição.

Franzi o cenho. Não era isso que eu tinha ouvido. Pilotos formados que eram abatidos até recebiam uma segunda chance. Mas cadetes? Por que graduar alguém que tinha sido atingido quando procuravam apenas o melhor dos melhores?

— Orgulho estúpido de piloto... — Cobb resmungou. — Já nos custou mais do que os Krell conseguiram, posso jurar. Líder de voo, não vai verificar a sua equipe?

— Ah, certo! — Jorgen falou. — Esquadrilha de Cadetes B! Hora de...

— Esquadrilha de Cadetes B? — Cobb perguntou. — Você consegue arrumar um nome melhor do que esse, líder de voo.

— Ah. Sim, senhor. Humm...

— Esquadrilha Celeste — sugeri.

— Esquadrilha Celeste — o Babaca repetiu, pegando o nome. — Chamada e confirmação de prontidão, na ordem de identificação da nave no painel!

— Celeste Dois — disse o mais alto dos dois amigos. — Codinome: Nedder. Confirmado.

— Celeste Três — Hudiya falou. — Codinome: Arrojada. Confirmado.

— Sério? — o Babaca perguntou. — Arrojada?

— Memorável, não é? — ela respondeu.

O Babaca suspirou.

— Celeste Quatro — falou Lad. — Hum... Codinome: Ladainha. Uau, é bom dizer isso. E, hum, confirmado.

— Celeste Cinco — Arturo, o mais baixo dos dois amigos, disse. — Codinome: Anfisbena.

— Anfi o quê? — Arrojada perguntou.

— É um dragão de duas cabeças — Arturo explicou. — É um animal extremamente feroz da mitologia. Confirmado.

— Celeste Seis — foi a vez de Kimmalyn. — Então... codinome, eu preciso de um, né?

— Santa — sugeri.

— Ah, pelas estrelas, não — ela replicou.

— Você pode escolher mais tarde — Cobb disse. — Use seu primeiro nome por enquanto.

— Não, não — ela falou. — Me chamem de Rápida. Não preciso ficar adiando a minha escolha. A Santa sempre diz: “Economize tempo, realize aquela tarefa agora”.

— Como fazer algo “agora” economiza tempo? — Arturo questionou.

— Não desvie o assunto, Anfi — o Babaca falou. — Celeste Sete?

— Celeste Sete — disse uma voz de garota com sotaque que eu não lembrava de ter ouvido antes. — Codinome: Alvorecer. Confirmado.

Espere. Quem era aquela? Espremi meu cérebro. A garota viciana com a tatuagem na mandíbula, percebi. Aquela que me ignorou mais cedo.

— Celeste Oito — Bim chamou. — Bim. Esse é meu nome, não meu codinome. Vou escolher mais tarde. Não quero estragar. Confirmado, falando nisso.

— Celeste Nove — Freya, a garota loira alta, falou. — Codinome: FM. Confirmado.

Ela tinha conseguido decolar logo de cara, na primeira vez, sem bater, a única que fizera aquilo fora o Babaca e seus amigos. Suas roupas claras e os fechos dourados nas botas me faziam pensar que ela também vinha das cavernas inferiores. Sua família obviamente tinha méritos suficientes para conseguir coisas bem chiques.

— Celeste Dez — falei. — Codinome: Spin. Confirmado.

— Que codinome bobo — o Babaca comentou. — Serei Jager. Significa caçador em um dos antigos...

— Não pode ser Jager — Cobb o interrompeu. — Já temos uma Jager. Na Esquadrilha Pesadelo. Formou-se há dois meses.

— Ah — o Babaca disse. — Eu... Ah, eu não sabia disso.

— Que tal Babaca? — sugeri. — É como venho chamando você mentalmente. Podemos chamá-lo assim.

— Não. Nós. Não. Podemos.

Ouvi várias risadinhas – incluindo uma que eu tinha quase certeza que vinha de Nedd “Nedder” Strong, o amigo mais alto do Babaca.

— Tudo bem — Cobb falou, ignorando-nos. — Agora que terminaram, talvez possamos falar sobre como podem se mover de verdade.

Assenti, ansiosa, embora soubesse que ninguém podia me ver.

— Segurem o acelerador com um leve toque — Cobb instruiu. — Desloquem-o para frente lentamente, até que o marcador mostre ponto um.

Fiz isso, tímida, mais do que preocupada em repetir minha vergonha de antes, e soltei a respiração quando minha nave avançou em velocidade modesta.

— Ótimo — Cobb disse. — Agora estão em ponto um Mag. Isso é um décimo de Mag-1, que é a velocidade normal de combate. Os que possuem designações pares precisam descer trezentos pés. Estamos mais acostumados a falar cem metros, mas a tradição é usar pés para altitude, por alguma maldita razão, e vocês vão se acostumar com isso. Os de designações ímpares sobem trezentos. Isso dará a vocês algum espaço para movimentos bem leves para a direita e para a esquerda enquanto voam.

Fiz o que ele disse, mergulhando e depois nivelando. Tentei virar para a direita, e depois para a esquerda. Parecia... natural. Como se eu fosse feita para aquilo. Como se eu...

Uma série de alarmes altos dispararou. Dei um pulo e – em pânico – procurei no painel, preocupada se tinha feito algo de errado. Por fim, meu cérebro percebeu que o som não vinha da minha nave de simulação, ou mesmo da nossa sala. Os alarmes vinham de fora do prédio.

É o aviso de ataque, pensei, tirando o capacete para ouvir melhor. Os sons de sirene pareciam diferentes aqui em Alta. Mais rápidos.

Passei a cabeça pelo limite do meu holograma e vi vários outros cadetes fazendo o mesmo. Cobb tinha se aproximado das janelas da nossa sala de aula e olhava para o céu. Eu quase não conseguia distinguir os destroços que caíam ao longe, ardendo na atmosfera. Ataque Krell.

O alto-falante na parede soltou um estalo.

— Cobb — chamou a voz da almirante Ironsides. — Já conseguiu fazer esses calouros flutuarem por aí?

Cobb foi até o painel na parede e apertou um botão.

— Está difícil. Ainda estou convencido de que um deles vai achar um jeito de fazer a nave se autodestruir, ainda que os Poco não tenham essa função.

— Ótimo. Mande-os para o céu, formação aberta, sobre Alta.

Cobb nos olhou de relance antes de apertar o botão de novo.

— Confirmação requerida, almirante. Quer os novos cadetes no céu durante um ataque?

— Mande-os lá para cima, Cobb. É uma onda grande. A Esquadrilha Pesadelo está na cidade, de folga, e não tenho tempo para chamá-los de volta. Ironsides, câmbio desligo.

Cobb hesitou. Mas, então, gritou a ordem:

— Vocês ouviram a almirante! Esquadrilha Celeste, para a plataforma de lançamento. Vão!

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