Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 2 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 1

 

Eu perseguia meu inimigo com cuidado pela caverna.

Tinha tirado as botas, para que não fizessem barulho. Tinha removido as meias, para não escorregar. Senti a pedra sob meus pés confortavelmente fria enquanto dava outro passo silencioso à frente.

Naquela profundidade, a única luz vinha do brilho suave dos vermes no teto, que se alimentavam da umidade que escorria pelas rachaduras. Era necessário sentar por alguns minutos na escuridão até que os olhos se ajustassem a essa luminosidade fraca.

Outro tremor nas sombras. Ali, perto daqueles vultos escuros que deviam ser fortificações inimigas. Fiquei imóvel, ainda agachada, ouvindo meu inimigo raspar as rochas enquanto se movia. Imaginei um Krell: um terrível alienígena com olhos vermelhos e armadura escura.

Com mão firme – e tão devagar que chegava a dar agonia –, levei o rifle ao ombro, segurei a respiração e atirei.

Um grito agudo de dor foi minha recompensa.

Isso!

Dei uma batida no punho, ativando a linha de luz que tinha pertencido ao meu pai. O dispositivo ganhou vida, emitindo um brilho laranja avermelhado, cegando-me por um instante.

Então, corri para reivindicar meu prêmio: um rato morto, atravessado de um lado a outro pelo tiro.

Na luz, as sombras que imaginei como fortificações inimigas revelaram ser apenas rochas. Meu inimigo era um rato gorducho, e meu “rifle” era apenas uma arma improvisada, um lançador de arpões. Nove anos e meio tinham se passado desde aquele dia fatídico em que subi à superfície com meu pai, mas minha imaginação era mais forte do que nunca. Fingir que eu estava fazendo algo mais excitante do que caçar ratos ajudava a aliviar a monotonia.

Segurei o roedor morto pela cauda.

— Agora, fera caída, você conhecerá a minha fúria.

Acontece que eu tinha deixado de ser uma garotinha estranha e tinha me tornado uma jovem estranha. De qualquer forma, eu achava bom praticar minhas frases de efeito para quando fosse lutar de verdade contra os Krell. Minha avó, a Vozinha, me ensinou que um grande guerreiro é aquele que sabe como fazer uma grande ameaça, causando medo e incerteza nos corações dos inimigos.

Guardei meu prêmio na bolsa. Já eram oito até agora, nada mau. Será que eu tinha tempo para encontrar mais um?

Olhei para a linha de luz; o bracelete que continha o dispositivo também tinha um relógio, perto do indicador de energia. 0900. Provavelmente era hora de voltar, eu não podia chegar muito atrasada na aula.

Pendurei a bolsa no ombro, peguei o lançador de arpão que eu mesma tinha feito com partes recicladas encontradas nas cavernas e comecei a caminhada para casa. Eu seguia meus próprios mapas feitos à mão, constantemente atualizados em um pequeno bloco de notas.

Uma parte de mim estava triste por ter que voltar e deixar as cavernas silenciosas para trás. Elas me lembravam do meu pai. Além disso, eu gostava de como... tudo aquilo era vazio. Ali não havia ninguém para zombar de mim, ninguém para me encarar, ninguém para sussurrar insultos até eu ser obrigada a defender a honra da minha família, enterrando o punho na cara idiota da pessoa.

Parei em uma encruzilhada que eu já conhecia bem, onde o teto e o chão assumiam estranhos padrões metálicos. Desenhos circulares marcados com escrita científica cobriam as duas superfícies; sempre achei que podiam ser antigos mapas da galáxia. Do outro lado, um antigo tubo emergia da rocha. Esses tubos levavam água de uma caverna a outra, limpando e servindo para esfriar o maquinário. Água pingava de um sulco, direto em um balde que eu deixara e que já estava cheio pela metade. Aproveitei para tomar um bom gole. Gelada e refrescante, com um leve toque metálico.

Não sabíamos muito sobre as pessoas que construíram esse maquinário. Como o cinturão de destroços, já estava lá quando nossa pequena frota caiu no planeta. Eram humanos, uma vez que os escritos no teto e no chão desse lugar eram em idiomas conhecidos. Mas até que ponto eram nossos parentes ainda permanecia um mistério. Não havia mais nenhum deles por aí, e o metal derretido e os antigos destroços na superfície indicavam que eles tinham enfrentado sua própria guerra.

Despejei o resto da água em meu cantil, dando então um tapinha carinhoso no tubo, antes de recolocar o balde e seguir em frente. O maquinário pareceu me responder com uma vibração familiar e distante. Segui aquele som e, depois de um tempo, aproximei-me de uma fenda resplandecente na pedra à minha esquerda.

Subi pelo buraco e olhei para fora, para Ígneo. Aquela caverna era o meu lar, a maior das cidades subterrâneas que compunham a Liga Desafiadora. Dali, meu ponto de observação era alto, proporcionando uma visão estonteante da grande caverna, cheia de apartamentos quadrados, construídos como cubos ligeiramente separados uns dos outros.

O sonho do meu pai se tornara realidade. Ao derrotar os Krell, mais de nove anos antes, aqueles pilotos de caça ainda inexperientes inspiraram uma nação. Dúzias de clãs resolveram abandonar suas culturas nômades e finalmente se reuniram, colonizando Ígneo e as cavernas ao redor. Cada um dos clãs ainda mantinha seu nome, que podia ser traçado até a nave ou à área da nave na qual seus ancestrais tinham trabalhado. Meu clã era o Motorizados, pois descendíamos da equipe que trabalhara na sala de máquinas.

Juntos, nos chamávamos de Desafiadores. Um nome tirado da nossa nave espacial original.

Claro que, ao nos reunirmos, chamamos atenção dos Krell. Os alienígenas ainda estavam determinados a destruir a humanidade, então a guerra continuava, e precisávamos de um fluxo constante de caças estelares e pilotos para proteger nossa nação em expansão.

Elevando-se sobre as construções de Ígneo estava a aparelhagem: antigas forjas, refinarias e fábricas que bombeavam rocha derretida do subsolo e depois criavam as peças necessárias para construir os caças estelares. A aparelhagem era ao mesmo tempo surpreendente e única; embora os maquinários nas outras cavernas garantissem calor, eletricidade e água filtrada, só a aparelhagem de Ígneo era capaz de fabricações mais complexas.

O calor entrava pela fenda, fazendo minha testa se encharcar de suor. Ígneo era um lugar sufocante, com todas aquelas refinarias, fábricas e depósitos de algas. E, embora fosse bem iluminada, de algum modo sempre parecia sombria do lado de dentro, com aquela luz laranja avermelhada das refinarias brilhando por toda parte.

Deixei a fenda e caminhei até o antigo armário de manutenção que eu havia descoberto em uma das paredes desse lugar. A escotilha estava trancada – como todas as outras seções do túnel de pedra – e, por isso, era relativamente segura. Eu a abri, revelando minhas poucas posses secretas. Guardava ali algumas peças do meu lançador de arpão, um cantil reserva e o velho broche de piloto do meu pai. Esfreguei o broche entre os dedos, para dar sorte, e guardei minha linha de luz, meu caderno de mapas e o lançador de arpão.

Peguei uma lança com ponta de pedra bruta, tranquei a escotilha e pendurei a bolsa no ombro. Era surpreendente como podia ser trabalhoso carregar oito ratos, em especial quando – mesmo aos dezessete anos – meu corpo se recusava a ir muito além de um metro e cinquenta de altura.

Caminhei até a entrada oficial da caverna. Dois soldados das tropas terrestres, que quase nunca participavam de algum combate real, vigiavam a passagem. Embora eu conhecesse ambos pelo primeiro nome, eles ainda me faziam esperar de lado, enquanto fingiam pedir autorização para que eu entrasse. Na verdade, só queriam me deixar parada ali.

Todo dia. Todo maldito dia.

Depois de um tempo, Aluko se aproximou e começou a olhar a minha bolsa, com um ar de suspeita.

— Que tipo de contrabando você espera que eu esteja levando para dentro da cidade? — perguntei. — Pedregulhos? Musgo? Talvez algumas rochas que xingaram a sua mãe?

Ele olhou a minha lança como se estivesse se perguntando como eu havia conseguido pegar oito ratos com uma arma tão simples. Bem, que ficasse pensando no assunto. Por fim, me jogou a bolsa de volta.

— Siga em frente, covarde.

Força. Ergui o queixo.

— Algum dia — eu disse —, você vai ouvir meu nome e lágrimas de gratidão vão saltar de seus olhos ao pensar na sorte que você teve por ter ajudado a filha de Chaser.

— Eu prefiro esquecer que conheci você. Siga em frente.

Mantive a cabeça erguida e entrei em Ígneo. Depois, fiz o meu caminho para a Ascensão Gloriosa da Indústria, o nome do meu bairro. Cheguei bem na mudança de turno, e passavam trabalhadores com macacões de várias cores, cada um deles seguindo até a grande máquina que mantinha a Liga dos Desafiadores – e a guerra contra os Krell – funcionando. Trabalhadores da área de saneamento, técnicos de manutenção e especialistas em depósitos de algas.

Nenhum piloto, claro. Pilotos aposentados permaneciam nas cavernas profundas, na reserva, enquanto os que estavam na ativa viviam em Alta, a mesma base que meu pai morrera protegendo. Não era mais secreta, claro, e tinha crescido até se transformar em uma grande construção na superfície, abrigando dezenas de naves, juntamente com a estrutura de comando dos pilotos e as instalações de treinamento. Era onde eu viveria a partir de amanhã, depois de ser aprovada no exame e me tornar uma cadete.

Passei por uma grande estátua de metal dos Primeiros Cidadãos: um grupo de pessoas segurando armas simbólicas e estendendo a mão em direção ao céu em poses desafiadoras, com naves erguendo-se atrás deles deixando um rastro de raios de metal. Embora retratasse aqueles que lutaram na Batalha de Alta, meu pai não estava entre eles.

A curva seguinte me deixou em nosso apartamento, um dos muitos cubos de metal que brotavam de um cubo maior, no centro. O nosso era pequeno, mas o suficiente para três pessoas, ainda mais se contar que eu passava dias fora, nas cavernas, caçando e explorando.

Minha mãe não estava em casa, mas encontrei Vozinha no teto do cubo, fazendo rolinhos de algas para vender em nossa carreta. Minha mãe era proibida de ter um emprego oficial por causa do que meu pai supostamente fizera, então tínhamos que nos virar com algo não convencional.

Vozinha ergueu os olhos quando me ouviu. Seu nome era Becca Nightshade – eu tinha o mesmo sobrenome –, mas mesmo quem mal a conhecia a chamava de Vozinha. Ela perdera quase toda a visão alguns anos antes, e os olhos foram ganhando um tom branco leitoso. Estava debruçada e trabalhava com os bracinhos frágeis. Mas ainda era a pessoa mais forte que eu conhecia.

— Ah — ela disse. — Parece que ouço Spensa! Quantos você conseguiu hoje?

— Oito! — Larguei meus espólios diante dela. — E vários parecem especialmente saborosos.

— Sente-se, sente-se — Vozinha falou, deixando de lado a esteira com vários rolinhos de algas. — Vamos limpá-los e cozinhá-los! Se nos apressarmos, podemos deixá-los prontos para sua mãe vender hoje, e eu posso curtir as peles.

Eu provavelmente devia ir para a aula – minha avó tinha se esquecido disso mais uma vez –, mas, na verdade, que diferença fazia? Nos últimos dias, estávamos tendo palestras sobre os vários trabalhos que poderíamos fazer na caverna. Eu já tinha escolhido o que queria ser. Ainda que, supostamente, o teste para piloto fosse muito difícil, Rodge e eu vínhamos estudando há dez anos. Passaríamos com certeza. Então, por que eu precisava ouvir sobre como era ótimo ser um funcionário dos depósitos de algas ou coisas assim?

Além disso, já tinha perdido várias aulas por precisar sair para caçar, então não seria adequada para nenhum desses outros trabalhos. Eu garantia presença nas aulas que tinham relação com voo: projetos e reparos de naves, matemática, história da guerra. Qualquer outra disciplina à qual eu conseguisse assistir era considerada um bônus.

Eu me acomodei e ajudei Vozinha a tirar a pele e as entranhas dos ratos. Ela era impecável e eficiente enquanto trabalhava com as mãos.

— Sobre quem você quer ouvir hoje? — ela me perguntou, com a cabeça baixa e os olhos quase fechados.

— Beowulf!

— Ah, o rei dos godos, é? Não quer escutar sobre Leif Eriksson? Era o favorito do seu pai.

— Ele matou um dragão?

— Ele descobriu um novo mundo.

— Com dragões?

Vozinha deu uma risada.

— Com uma serpente emplumada, segundo algumas lendas, mas nunca ouvi falar de que tenha lutado contra ela. Agora, Beowulf foi um homem poderoso. Era nosso ancestral, sabe? E só depois de velho que ele matou o dragão; primeiro, ganhou fama combatendo outros monstros.

Eu trabalhava rapidamente com a faca, tirando a pele e destripando os ratos, depois fatiando a carne e jogando-a em uma panela para ser cozida. A maioria da população da cidade sobrevivia com pasta de alga. Carne de verdade, fosse de gado ou de porcos, criados nas cavernas com iluminação especial e equipamento ambiental, era rara demais para se comer todos os dias. Então, vendíamos ratos.

Eu adorava o jeito de Vozinha contar histórias. Sua voz ficava fina quando os monstros sibilavam e ousada quando os heróis se gabavam. Ela trabalhava com os dedos ágeis enquanto contava a história do antigo herói viking que foi ajudar os dinamarqueses em um período de necessidade. Um guerreiro que todos amavam; um homem que lutou com coragem, mesmo contra um inimigo maior e mais poderoso.

— E quando o monstro se esgueirou para morrer — Vozinha disse —, o herói ergueu o braço e o ombro de Grendel como um troféu terrível. Tinha vingado o sangue daqueles que caíram, provando sua força e seu valor.

Um som apressado veio do nosso apartamento. Minha mãe estava de volta. Eu ignorei aquilo por um instante.

— Ele arrancou o braço de Grendel com as mãos? — perguntei.

— Ele era forte — Vozinha confirmou. — E um verdadeiro guerreiro. Mas pertencia ao povo antigo, que lutava com as mãos e com espadas. — Ela se inclinou para frente. — Você precisa lutar com desenvoltura tanto com as mãos quanto com a inteligência. Com um caça estelar para pilotar, você não vai precisar arrancar braços. Agora, me diga: tem feito seus exercícios?

Revirei os olhos.

— Eu vi isso — Vozinha falou.

— Não, não viu.

— Feche os olhos.

Fechei os olhos e inclinei minha cabeça para trás, com o rosto na direção do teto da caverna, muito acima de nós.

— Ouça as estrelas — Vozinha disse.

— Eu só ouço...

— Ouça as estrelas. Imagine que está voando.

Suspirei. Eu adorava Vozinha e suas histórias, mas essa parte sempre me entediava. Mesmo assim, tentei fazer o que ela tinha me ensinado. Sentada ali, com a cabeça inclinada para trás, tentei imaginar que estava voando bem alto. Tentei deixar que todo o resto desaparecesse ao meu redor e pensar nas estrelas brilhando lá em cima.

— Eu costumava fazer esse exercício — Vozinha falou baixinho — com minha mãe, na sala de máquinas da Desafiadora. Trabalhávamos na própria nave-almirante, um cruzador de batalha maior do que esta caverna inteira. Eu me sentava e ouvia o zumbido dos motores... e alguma coisa além disso. As estrelas.

Tentei imaginá-la como uma garotinha, e de algum modo isso ajudou. Com os olhos fechados, senti como se estivesse quase flutuando. Subindo...

— Nós da equipe da sala de máquinas éramos considerados esquisitos pelas outras equipes da nave — Vozinha contou. — Achavam que éramos estranhos, mas mantínhamos a nave em movimento. Fazíamos com que ela viajasse pelas estrelas. Minha mãe dizia que era porque podíamos ouvi-las.

Eu pensei... só por um instante... que tinha ouvido alguma coisa lá fora. Minha imaginação, talvez? Um som distante, puro...

— Mesmo depois que caímos aqui, nós da sala de máquinas permanecemos juntos — Vozinha prosseguiu. — O clã Motorizado. Se os outros dizem que você é estranha, é porque se lembram disso, e talvez tenham medo de nós. Essa é a nossa herança. A herança dos guerreiros que viajaram pelo céu e que voltarão para ele. Ouça.

Soltei um longo e tranquilo suspiro quando o som – o que quer que tenha sido o que ouvi – desapareceu. Abri os olhos e fiquei surpresa, por um segundo, ao descobrir que estava novamente no teto de casa, cercada pelas luzes avermelhadas de Ígneo.

— Nós mantínhamos os motores e movíamos a nave? — perguntei. — O que isso tem a ver com ser guerreiro? Não teria sido melhor disparar armas?

— Só os tolos acham que armas são mais importantes do que estratégia e movimento! — Vozinha disse. — Amanhã contarei novamente para você a história de Sun Tzu, o maior general de todos os tempos. Ele ensinou que posição e preparação venciam guerras. Não espadas ou lanças. Um grande homem, Sun Tzu. Ele era nosso ancestral, sabia?

— Prefiro Genghis Khan — comentei.

— Um tirano e um monstro — Vozinha replicou. — Embora, sim, haja muito o que aprender com a vida de Genghis Khan. Mas eu já contei a história da rainha Boadiceia, que se rebelou contra os romanos? Ela era sua...

— Ancestral? — minha mãe perguntou, subindo a escada do lado de fora da casa. — Ela era uma celta britânica. Beowulf era sueco, Genghis Khan era mongol e Sun Tzu, chinês. E todos eles supostamente são ancestrais da minha filha?

— Tudo da Antiga Terra é nossa herança! — Vozinha explicou. — Você, Spensa, vem de uma longa linhagem de guerreiros, que se estende por milênios, uma linhagem verdadeira da Antiga Terra, de seu mais refinado sangue.

Minha mãe revirou os olhos. Ela era tudo o que eu não era – alta, bonita, calma. Ela notou os ratos, mas logo olhou para mim com os braços cruzados.

— Ela pode ter sangue de guerreiros, mas hoje está atrasada para a aula.

— Ela está na aula — Vozinha a corrigiu. — A aula que realmente importa.

Eu me levantei, secando as mãos em um trapo. Eu sabia como Beowulf enfrentaria monstros e dragões... Mas como ele enfrentaria sua mãe em um dia em que supostamente deveria estar na escola? Optei por um encolher de ombros sem muita convicção.

Minha mãe olhou para mim.

— Ele morreu, sabia? — ela falou. — Beowulf morreu lutando com aquele dragão.

— Ele lutou até a última gota de força! — Vozinha bradou. — Ele derrotou a fera, embora isso lhe tenha custado a vida. E isso trouxe paz e prosperidade incalculáveis para seu povo! Todos os maiores guerreiros lutam por paz, Spensa. Lembre-se disso.

— No mínimo lutam por ironia — minha mãe comentou. Olhou novamente para os ratos. — Obrigada. Mas você precisa ir. Não tem o teste para piloto amanhã?

— Estou pronta para o teste — garanti. — Hoje só vou aprender coisas das quais não preciso.

A expressão da minha mãe era inflexível. Todo grande guerreiro sabia quando era derrotado, então dei um abraço na Vozinha e sussurrei:

— Obrigada.

— Alma de guerreiro — ela sussurrou em resposta. — Lembre-se de seus exercícios. Ouça as estrelas.

Sorri e fui me lavar rapidamente, antes de ir para o que, eu esperava, seria meu último dia de aula.

 

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