Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 28 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 26

 

 

Passei pelas entranhas da antiga estação – um espaço amplo e escuro, cercado por guindastes e outros equipamentos de construção, iluminado por luzes de emergência bruxuleantes. Os escritos em uma parede, em padrão circular, me lembraram alguns dos antigos equipamentos das cavernas – assim como o estranho aposento pelo qual eu passava com frequência, onde o teto e o chão estavam cobertos com aquelas mesmas palavras. Eu só podia presumir que os antigos ocupantes deste planeta tinham construído naves aqui, mas por que precisavam de tanto espaço? Nossos caças estelares foram engolidos pela câmara cavernosa.

Os dois caças da FDD voaram para cima, perseguidos pelos seis Krell, que disparavam sem economia, espalhando rajadas de incinerador pela escuridão. Nedd tentava alcançá-los, e eu o segui – acionando a velocidade máxima por um instante para uma aceleração extra.

Eu não podia falar com os outros caças. As naves dos cadetes, em geral, não eram equipadas com canais de rádio para chamar pilotos formados. Eles não queriam a nossa interferência.

Mudei para o canal direto de Nedd.

— Isso é loucura — falei. — Muito obrigada por me dar uma desculpa para experimentar isso.

— Spin? — ele perguntou. — Ainda está comigo?

— Por enquanto. Qual é o plano?

— Ajudar aqueles caças de algum jeito. Será que conseguimos nos aproximar? Aqueles Krell estão voando em um... — Ele parou de falar quando passou por um antigo guindaste, quase ficando preso a ele. — Estão voando em grupo. Podemos atingir todos de uma vez, com um PIM bem-posicionado.

— Eu sigo o seu comando — disse, desviando por baixo do guindaste. — Mas se o Babaca perguntar, vou afirmar sem pestanejar que tentei tirar essa ideia de você.

— Você? Como a voz da razão? Spin, sou um idiota, e nem eu acreditaria nisso.

Sorri e me juntei a Nedd, acelerando até Mag-1.2, tentando alcançar os Krell. Infelizmente, os pilotos da FDD dobraram à direita – direto em um túnel que nos levava ainda mais para dentro da antiga estação.

Uma parte de mim não conseguia acreditar que estávamos fazendo aquilo. Voar por entre um antigo pedaço de detrito que estava a meio caminho de colidir no chão? Quanto tempo tínhamos até que aquela coisa desabasse? Minutos, no máximo?

Rangi os dentes, empurrando o acelerador enquanto Nedd e eu inclinávamos nossas naves e continuávamos a perseguição aos Krell dentro do túnel. Luzes vermelhas se alinhavam no túnel e pareciam um borrão enquanto avançávamos em Mag-1.2, uma velocidade considerada perigosa para áreas internas. Eu não ousara ir mais rápido, mas uma olhada de relance no sensor de proximidade indicou que os Krell ainda estavam muito fora do alcance do PIM.

Nedd descarregou seu incinerador e eu fiz o mesmo – mas, como Cobb advertira, mirar era difícil, mesmo com seis alvos passeando na nossa frente. Os escudos dos Krell absorveram facilmente os poucos disparos que os acertaram.

Bem à frente, nossos companheiros pilotos acertaram a parede com lanças de luz e fizeram a curva em outro túnel. Os Krell os seguiram, menos hábeis. Também me prendi à parede com a minha lança, e me lancei em uma curva fechada para seguir os demais. Minhas cápsulas de gravidade piscaram, absorvendo as forças g e me impedindo de ser esmagada.

Foi um treino e tanto, enquanto seguíamos pelo interior da nave, fazendo curva após curva, movendo-nos em uma sequência tão apertada e frenética que não disparei um único tiro. Minha atenção estava totalmente voltada para os propulsores dos Krell – usando seus movimentos como guia para onde colocar a minha próxima lança de luz. Virar, soltar, desviar, lançar, virar. Repetir.

— Só um pouco... mais... perto... — Nedd disse diante de mim.

Lançar. Virar. Soltar.

— Tenho uma atualização na projeção da batalha — M-Bot comentou, feliz.

Adiante, uma nave Krell errou uma curva, acertando uma das paredes do túnel. O escudo absorveu o impacto, mas o rebote fez a nave bater na parede oposta. A explosão súbita e violenta me fez reduzir a velocidade. Fiz a curva com dificuldade, detritos e fagulhas atingiram o escudo da minha nave.

— Você esqueceu que eu estava aqui, não é? — M-Bot perguntou.

— Estou ocupada — falei, entredentes. Nedd não tinha diminuído a velocidade com a explosão. Na verdade, ele estava acelerando, aproximando-se de Mag-1.5, tentando alcançar os Krell que sobravam.

Eu acelerei para me aproximar dele, mas tudo aquilo começou a parecer demais. Mesmo para mim.

— Eu poderia simplesmente voltar para a hibernação, se não estiver interessada em conversar — M-Bot comentou. — Você, hum... sentiria minha falta se eu fizesse isso, certo?

— Claro.

— Ah, vocês, humanos, são tão sentimentais! Rá-rá-rá! A propósito, você tem precisamente três minutos e meio até que essa estação atinja a superfície. Talvez menos do que isso, já que os Krell começaram a atirar nela.

— O quê?

— Agora que a maioria das suas naves recuou, os Krell estão concentrados na estação, tentando mantê-la longe de suas mãos. Acredito que alguns bombardeiros estão preparando ataques explosivos do alto e caças comuns do lado de fora estão destruindo todos os anéis de aclive para que a nave caia rápido.

— Caramba. Provavelmente poderíamos construir várias naves com as peças retiradas deste lugar. — Os Krell não deixariam que isso acontecesse.

Mas por que permitir que essa coisa caísse, em primeiro lugar? Por que não destruí-la lá em cima?

Tentar imaginar as motivações dos Krell agora era perda de tempo. Fiz outra curva atrás de Nedd. Eu mal conseguia ver o inimigo; eles estavam nos despistando.

Bem lá na frente, o brilho laranja de uma explosão iluminou os túneis. Uma das naves que estávamos tentando proteger tinha acabado de ser destruída.

— Nedd! — gritei pelo comunicador. — Este lugar está despencando. Temos que sair daqui.

— Não! Eu tenho que ajudar!

Mirei e – rangendo os dentes – arrisquei prendê-lo com a minha lança de luz. A linha vermelha brilhante de luz o atingiu e fez seu escudo rachar. Interrompi meu propulsor, girei a minha nave com o anel de aclive e acelerei na outra direção, puxando-o para trás, diminuindo a velocidade de sua nave.

— Me solte! — ele gritou.

— Nedd... Não podemos ajudá-los. Ainda não somos bons o bastante para esse tipo de coisa. Pelas estrelas lá de cima, é incrível que tenhamos sobrevivido a esta corrida pelos túneis.

— Mas... mas...

Ficamos ali parados, com os propulsores ardendo em direções opostas, conectados por uma corda de luz.

— Covarde — ele sussurrou.

A palavra me atingiu como uma bofetada. Eu não era... eu não podia ser...

Covarde.

— Estou desligando meu propulsor — ele disse. — Pare o seu ou vamos acabar esmagados naquela parede.

Engoli uma resposta para ele e diminuí minha aceleração antes de cortar a lança de luz. Ficamos parados, mas em algum lugar ao longe toda a estrutura gemeu e balançou.

— Para que lado? — ele perguntou. — Para onde vamos?

— Não sei.

M-Bot fez um barulho de quem limpava a garganta.

— Gostaria de instruções de como escapar da armadilha mortal flamejante na qual você inconvenientemente se encontra?

— Sim! — repliquei.

— Não precisa se exaltar. Voe em frente até que eu diga para você e então vire à esquerda.

— Siga-me! — falei para Nedd, empurrando o acelerador para frente e reiniciando o movimento. Saí correndo pelos túneis, a chama do meu propulsor refletindo nas paredes de metal abandonadas. Nedd me seguiu.

— Esquerda, no final daquele túnel lá em frente — M-Bot observou. — Ótimo. Agora siga dois túneis... não, esse não... esse. Entre nesse.

Usei a minha lança de luz para fazer uma curva fechada no túnel.

— Você tem um pouco menos de dois minutos até encontrar uma morte ardente, e eu ficar apenas com Lad e a lesma. Não consegui computar qual dos dois é menos disposto a conversar. Pegue aquele túnel acima de você.

Segui as instruções dele, avançando pelo enlouquecedor complexo de curvas e túneis. Os sons vindos de fora ficavam mais altos. Metal dobrando. Sacudindo. Explosões.

O suor encharcava as laterais do meu capacete. Dediquei toda minha atenção ao voo, absorta. Dedicada. Concentrada.

Embora eu nunca tivesse perdido o controle do meu voo, uma parte de mim começou a se sentir desconectada. O interior do meu capacete começou a esquentar, e eu podia jurar que estava ouvindo vozes dentro da minha mente. Apenas fragmentos de palavras.

... detone...

... vire...

... propulsor...

Nedd e eu irrompemos naquela abertura cavernosa na extremidade exterior do estaleiro. Minha concentração se desfez em alívio, e eu não precisei das instruções de M-Bot para seguir direto pela fresta resplandecente na parede.

Nedd e eu saímos em disparada pelo buraco e quase caímos direto no solo. O estaleiro já estava quase atingindo a superfície.

Diminuí e deslizei pela superfície cinza-azulada, espalhando poeira atrás de mim. Nedd xingou baixinho. Seguíamos por um espaço estreito, que diminuía cada vez mais, entre a estação e o solo.

— Os Krell acabaram de detonar vários explosivos grandes no alto do estaleiro — M-Bot falou.

Continuei a avançar por sob o estaleiro. O teto de aço sobre minha cabeça estava cada vez mais próximo, pedaços de metal se soltavam e caíam ao nosso redor conforme a integridade estrutural daquela coisa de desfazia.

— Na velocidade atual, vocês não escaparão da onda de choque — M-Bot disse, com suavidade.

— Velocidade máxima, Nedd! — gritei, empurrando meu acelerador todo para frente. — Mag-10! — As cápsulas de gravidade foram ativadas, mas rapidamente ficaram sobrecarregadas e, no instante seguinte, fui esmagada contra o meu assento.

Meu rosto ficou pesado, a pele sendo puxada para trás dos olhos e ao redor da boca. Meus braços pareciam feitos de chumbo e tentavam escapar dos controles.

Adiante, a saída – a liberdade – era uma linha de luz cada vez menor.

Meu Poco começou a sacudir quando atingi Mag-10, e por isso continuei, passando para Mag-10.5. A vibração ficou pior e meu escudo tornou-se brilhante com o calor súbito da resistência do vento.

Para minha sorte, foi o suficiente. Nedd e eu saímos debaixo do estaleiro que despencava de vez, espalhando poeira e detritos atrás de nós. Mas naquela velocidade, rapidamente superamos tudo aquilo – e ultrapassamos o som da queda, já que íamos a várias vezes a velocidade do som.

Soltei a respiração, desacelerando com cuidado. O chocalhar diminuindo.

Com Nedd ao meu lado, fizemos uma curva para o lado – e naqueles segundos de voo após a fuga, tínhamos ido tão longe que eu não conseguia nem ver a poeira do estaleiro caindo. Meus sensores mal registraram a onda de choque quando ela finalmente nos atingiu, enquanto seguíamos ao encontro dos demais.

Depois de um tempo, nos aproximamos o suficiente para que eu pudesse ver a imensa nuvem de poeira que a queda causara. Os destroços em si eram apenas uma grande sombra escura no meio do pó, fervilhando com pequenos pontos em cima. Naves Krell, assegurando-se de que nada útil pudesse ser resgatado da imensa destruição. Pedras de aclive com frequência eram recuperadas do centro de detritos caídos, mas o fogo concentrado de incineradores – ou o calor intenso do tipo certo de explosão – estragaria tudo.

— Finalmente — Jorgen disse quando nos juntamos à esquadrilha. — No que, pelas estrelas, vocês estavam pensando?

Eu não respondi. Em vez disso, comecei a contar nossa equipe. Sete naves, incluindo a minha. Tínhamos conseguido. Estávamos suados, abalados e solenes – quase ninguém disse nada quando nos encontramos com a Esquadrilha Correnteza na volta à base. Mas estávamos vivos.

Covarde.

A voz de Nedd ecoava dentro do meu cérebro, distraindo-me mais do que o calor dos sensores no meu capacete ou o lugar surreal onde meus pensamentos tinham ido enquanto voávamos. Eu realmente tinha ouvido vozes?

Eu não era uma covarde. De vez em quando, você tinha que recuar. Toda a FDD tinha recuado desta batalha. Eu não era um soldado menos valoroso porque tinha convencido Nedd a escapar. Certo?

Estava escurecendo quando aterrissamos na plataforma de lançamento. Tirei meu capacete e desci do cockpit, exausta. Jorgen me encontrou no pé da escada.

— Você ainda não me respondeu — ele disse, cortante. — Eu a deixei em paz durante o voo de volta, e sei como deve estar transtornada, mas você vai se explicar. — Ele me agarrou pelo braço e segurou com força. — Você quase fez Nedd ser morto com essa façanha.

Suspirei e olhei para a mão dele.

Ele me soltou com cuidado.

— A questão permanece — ele disse. — Aquilo foi loucura, mesmo para você. Não posso acreditar que...

— Por mais que eu goste de ser a louca, Babaca, estou cansada demais para ouvir você neste instante. — Acenei com a cabeça na direção da nave de Nedd na luz fraca. — Ele voou até lá. Eu o segui. Preferia que eu o tivesse deixado sozinho?

— Nedd? — Jorgen perguntou. — Ele é equilibrado demais para algo assim.

— Talvez estejamos afetando o comportamento dele. Tudo o que sei é que dois Sigos da Esquadrilha Tempestade Noturna estavam sendo seguidos e Nedd não deixou passar.

— Esquadrilha Tempestade Noturna? — Jorgen repetiu.

— Sim. Por quê?

Jorgen ficou em silêncio, então se virou e caminhou na direção da nave de Nedd. Eu o segui, sentindo-me sugada, com a cabeça começando a doer de um jeito estranho – como se tivesse agulhas atrás dos olhos. A nave de Nedd estava vazia, e ele não estava com os demais, que estavam se reunindo nas salas perto da pista de lançamento para trocar os trajes de pressão. Todos riam juntos, agora que o estresse da batalha havia desaparecido.

Jorgen pegou um caminho entre as pistas de lançamento, e eu o segui, confusa, até que chegamos a uma fila de sete caças estelares classe Sigo com o brasão da Esquadrilha Tempestade Noturna. Eles chegaram antes de nós, e os pilotos já tinham ido embora, deixando as naves com as equipes de manutenção.

Nedd se ajoelhou no chão perto de dois lugares vazios na fila de naves.

— O que foi? — perguntei para Jorgen.

— Os irmãos dele, Spin. Eram companheiros de voo, Tempestade Noturna Seis e Sete.

Os pilotos que estávamos seguindo. Os que, agora ficava óbvio, tinham morrido naqueles túneis escuros.

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