Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 60 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Epílogo

 

Duas horas mais tarde, eu estava sentada no centro de comando da FDD, segurando um cobertor ao meu redor, com as pernas dobradas sobre o assento. Tinham me dado a cadeira da almirante Ironsides.

Desde aquele momento no nada, eu sentia frio. Um calafrio que não me fazia tremer e que o cobertor mal podia afastar. Minha cabeça ainda latejava, apesar da tonelada de analgésicos que eu havia tomado.

Um grupo de pessoas importantes cercava a minha cadeira, amontoando-se ao meu redor. Líderes da Assembleia Nacional, almirantes juniores, líderes de voo. Eu estava mais confiante sobre acreditarem que eu não me viraria contra eles, embora no início – depois que reentrei na atmosfera – eles estivessem bem cautelosos.

A porta do centro de comando se abriu e, finalmente, Cobb entrou mancando. Eu insistira em esperar até que o resgate o buscasse, o trouxesse de volta e ele tomasse sua xícara de café da tarde.

— Tudo bem — Ironsides falou, cruzando os braços. — O capitão Cobb está aqui. Podemos conversar agora?

Ergui um dedo. Podia ser mesquinho da minha parte, mas era realmente bom fazer Ironsides esperar. Além disso, havia mais alguém que merecia estar ali antes que eu começasse a explicar.

Enquanto esperávamos, peguei o rádio ao meu lado.

— M-Bot? — chamei. — Está tudo bem?

— Estou tentando não me ofender com o jeito como os engenheiros deste hangar me olham — ele respondeu. — Parecem ansiosos em me fazer em pedaços. Mas, até agora, ninguém tentou nada.

— Aquela nave é da FDD... — Ironsides começou a dizer.

— Aquela nave — eu interrompi — vai fritar seus próprios sistemas se você tentar desmontá-la. A FDD terá sua tecnologia, mas será nos nossos termos.

A expressão dela – com o rosto vermelho – quando eu disse aquilo também era muito satisfatória. Mas ela não me desafiou mais.

Por fim, a porta se abriu e Jorgen entrou. Ele estava sorrindo de verdade, e me ocorreu que a expressão – embora agradável – não combinava de verdade com ele. Jorgen parecia mais consigo mesmo quando estava sério.

Não era por ele que estávamos esperando, no entanto, mas pelo jovem esguio que Jorgen tinha ido buscar. Lad sorria como bobo ao entrar na sala, então corou quando os líderes de voo e os almirantes ficaram em posição de sentido para ele, prestando continência. Embora Ironsides estivesse zangada que Lad e eu não tivéssemos entregado a nave imediatamente, a maioria parecia concordar que, trabalhando com uma inteligência artificial maluca que ameaçava se autodestruir, Lad atuara de maneira admirável para conseguir tecnologia para a FDD.

— Agora, vamos conversar? — Ironsides exigiu saber.

— Os Krell não são o que pensamos — comecei. — Minha nave baixou algumas de suas bases de dados e descobriu o que aconteceu antes que nossos ancestrais aterrissassem aqui em Detritus. Havia uma guerra. Uma vasta guerra intergaláctica. Humanos contra alienígenas.

— Contra os Krell — Ironsides disse.

— Não havia Krell no início — falei. — Apenas nós contra a galáxia. E a humanidade perdeu. Os vitoriosos foram uma coalisão de alienígenas que, pelo que M-Bot e eu podemos dizer, considerou a humanidade brutal demais, incivilizada demais e agressiva demais para permitir seu ingresso na comunidade intergaláctica. Eles exigiram que todas as frotas humanas, independentes ou não, se rendessem à sua autoridade. Nossos ancestrais, na Desafiadora e em sua pequena frota, consideravam-se inocentes. Não haviam participado da guerra. Mas, quando eles se recusaram a se entregar, a coalisão alienígena mandou um grupo para capturá-los ou contê-los. Isso é o que chamamos de Krell.

Fechei os olhos.

— Eles nos encurralaram. E, depois de um conflito a bordo da Desafiadora, minha bisavó nos trouxe até aqui, até Detritus. Um planeta que conhecíamos, mas que tinha sido abandonado há séculos. Os Krell nos seguiram e montaram uma estação para nos vigiar depois da nossa queda. Eles não são alienígenas assassinos. São guardas da prisão. Uma força projetada para manter a humanidade presa aqui, já que alguns dos alienígenas têm certeza absoluta de que tentaremos conquistar a galáxia se pudermos voltar ao espaço. As destruidoras de vidas são projetadas para aniquilar nossa civilização se parecer que estamos perto demais de escapar de Detritus. Mas, na maioria das vezes que eles atacam, não acho que estão realmente tentando nos destruir. Eles têm leis contra destruir completamente uma espécie. Consideram este planeta como... uma reserva para a humanidade. Mandam naves para nos manterem concentrados na luta, a fim de nos ocupar, então não temos tempo de pesquisar como escapar daqui. E, embora os caças sempre tentem garantir que nossa frota não cresça, eles só são autorizados a usar certa quantidade de força contra nós, para que não causem uma extinção acidental.

Estremeci, apesar do cobertor.

— Mas alguma coisa mudou recentemente — falei. — Parece que essa última bomba pretendia realmente nos destruir. Eles criaram... políticas sobre o quanto deviam tolerar de nós. Tentaram destruir Alta e Ígneo, mas nós os derrotamos. Isso os deixou assustados.

— Ótimo, maravilhoso — Ironsides disse, cruzando os braços. — Mas não muda muita coisa. Sabemos por que os Krell estão atacando, mas eles ainda são uma força superior. Isso só os deixa mais determinados a nos extinguir.

— Talvez — concordei. — Mas os alienígenas que nos mantêm aqui... Eles não são guerreiros. São guardas da prisão, controlando drones em geral não tripulados. E não precisam lutar bem... porque podem nos superar em números.

— O que ainda é o caso — Ironsides comentou. — Estamos com poucos recursos, enquanto eles têm uma tecnologia melhor e uma frota orbital. Ainda estamos basicamente condenados.

— Isso é verdade — respondi.

— Então, por que está sorrindo? — Ironsides quis saber.

— Porque posso ouvir quando estão falando uns com os outros — eu disse. — E sempre que você sabe o que seu inimigo vai fazer, você tem uma vantagem. Eles acham que estamos presos neste planeta.

— E não estamos? — Jorgen perguntou.

Estremeci mais uma vez e pensei naquele momento em que estive no nada. Os Krell sabiam que tinham que mirar em qualquer um de nós que voasse bem demais – porque sabiam sobre o defeito. Eles sabiam que alguém que tivesse o defeito poderia fazer o que eu fizera.

Eu não entendia como tinha teletransportado a minha nave. Eu não sabia se ousaria fazer aquilo de novo. Mas sabia, ao mesmo tempo, que Vozinha estava certa. Usar esse poder era a chave. Para sobreviver. Para escapar deste planeta.

Para ser realmente... uma Desafiadora.

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