Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 32 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Interlúdio

 

A almirante Judy “Ironsides” Ivans sempre assistia aos replays das batalhas. Ela usava a sala de controle principal, que tinha um grande projetor holográfico no meio do piso circular. Preferia ficar parada no centro, com as luzes passando por ela e o resto da sala escura.

Ela assistia às batalhas. Assistia às mortes deles. Obrigava-se a ouvir o áudio, se houvesse algum, das últimas palavras de cada piloto.

Ela tentava descobrir os objetivos do inimigo no padrão de naves vermelhas e azuis – vermelhas para a FDD, azuis para os Krell. Há anos que ela deixara de ser piloto, mesmo assim, ao colocar os fones de ouvido – enquanto as naves giravam ao seu redor –, a sensação voltava para ela. O zumbido dos propulsores, o ímpeto de uma nave avançando, a sacudida do disparo de um incinerador. A pulsação do campo de batalha.

Em alguns dias, ela fantasiava que subia em uma nave e se juntava à briga novamente. Então, bania aqueles sonhos idiotas. A FDD era carente demais de naves para desperdiçar um caça com uma velha que sentia saudades dos tempos de ação. Fragmentos de contos – e alguns livros de história antigos – falavam de grandes generais que pegavam em armas e se juntavam aos seus soldados na linha de frente. Judy, no entanto, sabia que não era nenhum Júlio César. Mal era Nero.

Mesmo assim, Judy era perigosa de outras maneiras.

Ela observava as naves em batalha girarem e voarem sob a sombra do estaleiro que caía devagar. Os Krell tinham reunido quase sessenta naves para essa luta – dois terços de seu máximo, um grande investimento para eles. Ficou claro que sabiam que, se os destroços caíssem intactos nas mãos da FDD, aquilo seria um enorme benefício. Havia centenas de anéis de aclive naquela imensa nave/estação.

Agora, a equipe de salvamento reportara que menos de uma dúzia fora recuperada – e Judy perdera quase catorze naves na disputa. Ela via, nas mortes deles, suas próprias culpas. Não estivera disposta a se comprometer de verdade. Se tivesse colocado no ar todos os pilotos e naves reservas, e mandado todos eles para a batalha, poderia ter conseguido centenas de anéis de aclive. Em vez disso, ela hesitou, preocupada com alguma armadilha, até ser tarde demais.

Era isso o que lhe faltava, se comparada com pessoas como os antigos Césares. Ela precisava estar disposta a comprometer tudo.

Rikolfr, seu assistente, apareceu com uma prancheta cheia de anotações. Judy voltou a gravação do campo de batalha, destacando um piloto específico. A cadete que lhe dava tantos problemas.

Naves explodiram e pessoas morreram. Judy não se deixaria abalar por suas mortes; não podia se deixar abalar. Enquanto tivessem mais pilotos do que anéis de aclive – e tinham um pouco mais –, o pessoal era o mais descartável dos dois recursos.

Por fim, Judy tirou os fones de ouvido.

— Ela voa bem — Rikolfr comentou.

— Bem demais? — Judy perguntou.

Rikolfr folheou alguns papéis na prancheta.

— Os dados mais recentes dos sensores do capacete dela não tiveram alterações durante o treinamento. Quase nenhuma anomalia. Mas nessa batalha que você estava vendo, a batalha do estaleiro em queda, bem...

Ele virou a prancheta para ela, mostrando um conjunto de leituras que estavam literalmente fora do gráfico.

— A atividade da seção Descritellum do cérebro da garota enlouqueceu quando ela chegou perto dos Krell — Rikolfr comentou. — A doutora Halbeth tem certeza de que isso é prova do defeito, embora Iglom tenha menos certeza. Ela cita a falta de evidência exceto por essa única atividade.

Judy grunhiu, observando a nave da covarde fazer uma curva e depois voar para dentro das entranhas do estaleiro em queda.

— Halbeth recomenda tirá-la de seus deveres imediatamente — Rikolfr observou. — Mas a doutora Thior... bem, ela vai ser um problema, como você pode imaginar.

Thior, que infelizmente era a médica-chefe da Base Alta, não acreditava que o defeito fosse real. Até a história da coisa era controversa. Relatos disso datavam da própria Desafiadora – e o motim a bordo da nave principal que acabou com a frota caindo em Detritus.

Poucas pessoas sabiam sobre o motim, e menos ainda sobre um defeito em alguns membros da equipe que fora a causa. Essas coisas não eram claras nem mesmo para Judy. Mas algumas das mais importantes – e meritórias – famílias das cavernas inferiores traçavam sua linhagem até os amotinados. Essas famílias lutavam contra o reconhecimento do defeito e queriam manter os rumores em segredo. Mas elas não tinham visto o que aquilo podia fazer com alguém.

Judy vira. Em primeira mão.

— Quem está apoiando Thior desta vez? — Judy perguntou.

Rikolfr folheou algumas páginas e depois mostrou a última rodada de cartas de membros proeminentes do partido. No alto havia uma carta do LAN Algernon Weight, cujo filho, Jorgen, estava na esquadrilha da covarde. Jorgen falara muito bem de Spensa em várias ocasiões, e agora vinha a pergunta. Não seria melhor manter a garota como um sinal da verdadeira redenção Desafiadora? Um símbolo de como qualquer pessoa, independente de sua herança, poderia se reabilitar e prestar serviço ao Estado?

Maldição, Judy pensou, parando o holograma quando a covarde acionou a aceleração máxima em uma tentativa quase desastrosa de fuga. Quantas provas Algernon vai exigir?

— Ordens, senhora? — Rikolfr perguntou.

— Diga para a doutora Hallbeth escrever uma crítica às explicações de Thior, para ver se o doutor Iglom pode ser persuadido a oferecer um apoio forte à existência do defeito, em especial nessa garota. Diga para ela que eu consideraria um favor pessoal se ela pudesse fortalecer sua posição.

— Como queira, senhora.

Rikolfr foi embora, e Judy viu o resto da batalha, lembrando de um combate parecido, há muito tempo.

Thior e os outros podiam chamar o defeito de superstição. Podiam dizer que o que acontecera com Chaser tinha sido uma coincidência. Mas eles não estavam lá.

E Judy se asseguraria de que nada daquilo acontecesse de novo. De um jeito ou de outro.

 

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