Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 45 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 42

 

Alguns dias mais tarde, FM e eu comíamos com a Esquadrilha Tinteiro e a Esquadrilha Tempestade de Fogo, as outras duas esquadrilhas de cadetes que tinham começado ao mesmo tempo que nós. Entre eles, havia seis membros restantes, o que significava que, mesmo se juntassem todos nós, não dava para formar uma esquadrilha completa de dez pessoas.

A maior parte da conversa girava em torno da possibilidade de sermos ou não reunidos em uma única esquadrilha de cadetes. Se isso acontecesse, que nome manteríamos? FM argumentava que deveríamos inventar um novo nome, embora eu achasse que, já que ainda tínhamos nosso líder de voo – as outras duas haviam perdido os seus em algum ponto –, deveríamos ficar no comando.

Eu permaneci quieta, terminando minha refeição rapidamente. Parte de mim continuava esperando que a almirante entrasse e me expulsasse dali. A comida era incrível e, em vez do meu velho macacão remendado, eu conseguira requisitar três novos que me serviam perfeitamente.

Os outros cadetes estavam ficando ansiosos com a graduação.

— Eu vou ser batedor — disse Remark, um cara barulhento com cabelo de tigela. — Já recebi um convite.

— Chato demais — FM comentou.

— Sério? — perguntou uma das garotas. — Eu imaginava que isso fosse do seu agrado... com toda sua conversa sobre “agressão Desafiadora”.

— Isso é tão esperado — FM continuou. — Mesmo que eu seja muito boa nisso.

Enquanto escutava a conversa, eu me perguntava se FM também seria retirada por sua família, embora ela não parecesse tão importante quanto Jorgen, que estava fora, em outro compromisso de Estado. Eu me perguntava também como seria participar de um desses jantares chiques de governo. Imaginei o escândalo delicioso que eu causaria. A filha de um covarde infame?

Claro, todos seriam educados demais para dizer alguma cosia, então eles teriam que aguentar enquanto eu – sendo uma garota primitiva e bárbara – tomava a sopa fazendo barulho, arrotava alto e comia com as mãos, bem ignorante. Jorgen apenas reviraria os olhos.

A fantasia me fez sorrir, mas logo franzi o cenho para mim mesma. Por que eu estava pensando em Jorgen, entre todas as pessoas?

Os outros na mesa riram quando alguém mencionou o codinome de Arturo, que ninguém conseguia pronunciar.

— O treino de vocês deve estar silencioso agora que ele saiu — Drama, uma garota com um sotaque que lembrava o de Kimmalyn, comentou.

— Vamos sobreviver — FM respondeu. — Embora seja estranho agora que ele se foi. Não tem ninguém me explicando o tempo todo coisas que eu já sei.

— Que esquadrilha esquisita deve ser a sua — Drama falou. — Eu conheço Jorgen e aposto que ele não abre a boca, exceto para dar uma ordem ou recriminá-la. Certo? E Spin é obviamente quieta. Então, os voos de vocês devem ser silenciosos. Nossa linha está sempre cheia de conversas, mesmo restando apenas quatro de nós.

Os companheiros de esquadrilha dela se defenderam de maneira bem-humorada, mas fiquei surpresa com essa frase sobre mim. Quieta? Eles achavam que eu era quieta?

Eu supunha que andava bem reservada ultimamente. Mas quieta? Honestamente, eu não pensava que algum dia seria descrita desse jeito em toda a minha vida. Hum.

Depois que limpamos a mesa no fim do jantar, FM acenou com a cabeça em direção ao nosso alojamento.

— Vai descansar? Ou fazer exercícios físicos?

— Nenhum dos dois — respondi. — Acho que preciso de uma caminhada esta noite.

Na verdade, eu precisava ver M-Bot e Doomslug. Há dias que não os via.

— Aproveite. — Ela hesitou. — Ei, continua preocupada com Arturo? Ele ainda vai voar, só que não em missões.

— Claro — respondi. — Eu sei.

Pelas estrelas. Dias mais tarde, e ela ainda achava que eu precisava de consolo?

Deixei a base. Eu realmente devia ter ido fazer um pouco de exercícios físicos, mas sentia-me culpada por deixar M-Bot tão sozinho. Apareci algumas vezes para ajudar Lad com o propulsor, mas agora que eu vivia na base, era difícil encontrar tempo. Eu queria saborear os privilégios que me foram negados por tanto tempo.

As claraboias estavam escuras para indicar a noite, e o ar estava frio enquanto eu fazia a caminhada familiar pelo chão empoeirado. Era refrescante escapar das paisagens e dos cheiros de Alta e simplesmente estar sob o céu mais uma vez.

Cheguei à caverna e desci com a minha linha de luz, preparada para a inevitável sequência de reclamações. M-Bot não gostava dos meus novos arranjos para dormir. Ele estava convencido de que apodreceria sozinho, com suas sub-rotinas de personalidade degradadas pela falta de uso.

Alcancei o chão da caverna.

— Ei — chamei, e minha voz ecoou.

— Ei! — Doomslug estava em uma pedra próxima. Eu a iluminei com a minha luz, caminhei até ela e cocei sua cabeça.

— Massacrebot? — falei na escuridão.

— Ainda temos que discutir esse apelido — ele disse. — Eu nunca concordei com isso.

— Se não escolher um bom codinome, alguém vai escolher por você. Você sabe como são essas coisas. — Eu sorri, aproximando-me da nave, esperando que ele saísse pela tangente. Mas ele ficou em silêncio enquanto eu me aproximava. Será que alguma coisa estava errada?

— Bem? — ele perguntou. — E aí?

— Hum... — O que eu fiz desta vez?

— Você está animada? Está prestes a estourar de alegria! Não é ótimo?

Ótimo?

O propulsor, percebi de repente. Lad finalmente tinha instalado. Eu fora péssima em acompanhar o progresso dele – estivera ocupada demais nessas últimas semanas. Mas as ferramentas tinham sumido, a área estava limpa, e um bilhete estava preso na parte de trás da fuselagem de M-Bot.

Doomslug estava sentada na asa perto do bilhete.

— Pedaço de lixo estúpido de imitação de vida inútil — ela disse em uma imitação assobiada da voz de Lad. — Caramba! Caramba! Caramba! Caramba, caramba e caramba!

— Cuidado, garota — eu disse. — Você será recrutada para a equipe de solo se continuar com essa boca.

Ela fez uma sequência de batidas, imitando o som de um martelo no metal – algo que provavelmente ouvira muito nessas últimas semanas.

Peguei o bilhete. Pronto, dizia. Eu ia testá-lo, mas achei que devia dar a primeira chance para você. Além disso, eu não estranharia se a inteligência artificial batesse no chão comigo de propósito.

Trabalhar nesta nave foi a experiência mais maravilhosa da minha vida (não conte isso a M-Bot). Os projetos que desenhei... as coisas que aprendi... Vou mudar a FDD, Spin. Vou transformar completamente o jeito como voamos e lutamos. Não só fui aprovado para o Corpo de Engenharia como me foi oferecido um posto em projetos. Começo amanhã.

Obrigado por me dar a chance de descobrir, neste trabalho, meus próprios sonhos. Aproveite a sua nave. Espero que ela seja, por sua vez, o que você sempre sonhou que seria.

Abaixei o bilhete, olhando para as asas perigosas, com aparência de navalhas, de M-Bot. As luzes de pouso da nave piscaram, lançando um brilho por todo seu comprimento. Minha nave.

Minha. Nave.

— E aí? — M-Bot perguntou. — Vamos voar?

— Caramba, sim!

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