Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 54 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 50

 

— Aqui é o Comando de Voo — Ironsides disse pelo rádio. — Cadete, onde conseguiu essa nave?

— Isso importa? — perguntei. — Me dê uma direção. Onde estão esses Krell?

— Há quinze naves naquela esquadrilha, garota.

Engoli em seco.

— Direção?

— 57-113.2-15000.

— Certo. — Redirecionei a nave e acionei a aceleração máxima. As cápsulas de gravidade funcionaram por alguns segundos, e eu travei os dentes quando as forças g me atingiram. Meu Poco começou a sacudir sob a tensão, mesmo na velocidade relativamente baixa de Mag-5. Caramba. O que impediria essa nave de desmontar? Cuspe e rezas?

— Quanto tempo até que entrem na zona mortal? — perguntei.

— Menos de oito minutos — Ironsides respondeu. — Pelas nossas projeções, você os alcançará em dois minutos.

— Ótimo — falei, inspirando profundamente e acelerando até Mag-6. Eu não ousava ir mais rápido com a quantidade de arrasto na asa queimada. — Podemos ter mais alguns reforços chegando. Quando você os localizar, conte para eles o que está acontecendo.

— Há mais de vocês? — Ironsides perguntou.

— Espero que sim. — Tudo dependia se Arturo e os outros conseguiriam roubar algumas naves. — Vou apenas segurar os Krell até lá. Sozinha. Com uma nave que não tem escudo.

— Você não tem escudo?

— Tenho confirmação visual dos Krell — falei, ignorando a pergunta. — Aqui vamos nós!

As naves Krell vieram em minha direção. Eu sabia que eram apenas quinze, mas ao voar ali – sozinha, desprotegida – parecia que eu enfrentava uma armada inteira. Eu imediatamente cortei para o lado, com incineradores brilhando ao meu redor. Eu tinha pelo menos doze me seguindo, e meu aviso de proximidade parecia louco.

Realizei um retorno fechado, desejando que houvesse detritos que eu pudesse usar para manobras mais rápidas. Fiz uma curva para o outro lado – de algum modo conseguindo evitar ser atingida –, até que vi uma nave mais lenta e maior avançando com uma enorme bomba presa em cima dela, quase tão grande quanto a própria nave.

— Comando de Voo — falei, entrando em um mergulho, com incineradores disparando ao meu redor —, tenho confirmação visual de uma destruidora de vida.

— Abata o bombardeiro, cadete — a almirante disse imediatamente. — Você me ouviu. Se conseguir disparar, abata aquela nave.

— Afirmativo — respondi, e me lancei em uma curva giratória. Meu indicador de cápsulas de gravidade piscou, o breve efeito de amortecimento se desfez, e as forças g me esmagaram na lateral do cockpit e em meu assento.

Permaneci consciente – de alguma maneira – enquanto duas naves Krell passavam diante de mim. Meus instintos me diziam para ir atrás delas.

Não. Eles estavam oferecendo alvos para me afastar dali. Desviei em outra direção, e as naves atrás de mim dispararam uma tempestade insana de incineradores.

Eu não duraria muito neste voo. Não conseguiria aguentar até que Arturo e os outros chegassem. Os Krell acabariam comigo antes disso.

Eu precisava alcançar aquele bombardeiro.

Os Krell tentavam me levar para o lado, mas eu me esquivei entre dois deles, com a minha nave sacudindo enquanto eu cruzava seus rastros. Aquilo em geral não acontecia, os coletores atmosféricos nivelavam os rastros de voo. Os meus ainda estavam funcionando, felizmente, mas era óbvio que estavam em péssimo estado.

Com os dentes batendo em meu crânio com a sacudida, eu desviei de mais naves e me concentrei em meu objetivo, lançando uma barragem de incineradores.

Alguns acertaram o bombardeiro, mas foram absorvidos pelo escudo e eu não estava perto o bastante para acionar o PIM. As pequenas e estranhas naves que acompanhavam o bombardeiro se soltaram e voaram em minha direção, obrigando-me a ir de lado.

Fiz uma longa curva, tentando ignorar o fato de que agora estava sendo perseguida por quase duas esquadrilhas de inimigos.

Eu me concentrei na minha nave. Nas minhas manobras.

Eu, os controles, a nave. Juntos, respondendo a...

Direita.

Desviei antes que uma nave Krell conseguisse me interceptar.

Estão disparando com tudo. Mergulhei, passando por uma barragem súbita e concentrada de fogo.

Esquerda. Fiz uma curva aberta por instinto, girando entre duas naves inimigas – e fazendo com que colidissem.

Era estranho. Mas, de algum modo, eu conseguia ouvi-los em minha mente. De algum modo eu sabia os comandos que estavam sendo dados para as naves inimigas.

Eu podia ouvi-los.

 

Judy ficou parada em silêncio ao lado do holograma e, lentamente, auxiliares e almirantes juniores se reuniram ao redor. Nesse momento, todas as esquadrilhas haviam abandonado a batalha pelo estaleiro e sido enviadas imediatamente de volta para Alta.

Eles eram lentos demais. Mesmo a Esquadrilha Correnteza, que recebera a ordem primeiro, estava muito longe. Naquele momento, tudo o que importava era uma mancha vermelha entre um enxame azul. Uma mancha vermelha magnífica que se movia entre ataques inimigos, de alguma forma evitando a destruição uma vez e mais outra.

De algum jeito, ela encarava dificuldades esmagadoras e sobrevivia.

— Vocês já viram alguém voando assim antes? — Rikolfr perguntou.

Judy assentiu.

Ela já tinha visto. Um outro piloto.

Eu não podia explicar. De algum modo, eu sentia as ordens que vinham de cima, dizendo às naves Krell o que fazer. Eu podia ouvi-los... ouvi-los processando, pensando.

Não era uma vantagem avassaladora, mas era o suficiente. Só mais um pouquinho, eu precisava pilotar meu Poco que estava caindo aos pedaços em mais uma curva, e dispararia mais uma vez no bombardeiro.

São cinco disparos, pensei enquanto era obrigada a recuar mais uma vez por quatro naves protetoras negras. O escudo do bombardeiro logo seria desativado. O treinamento de Cobb estava em minha mente, avisando-me para acionar a aceleração máxima assim que eu derrubasse o bombardeiro. Uma vez que a destruidora de vida atingisse o solo, a explosão seria...

— Spin? — Era a voz de Jorgen.

Aquilo quase desviou minha atenção. Girei a nave, esquivando-me.

— Spin, é você? — ele perguntou. — Meu líder de voo mencionou que você estava no canal. O que está acontecendo?

— Eu... — respondi entredentes. — Estou me divertindo sem você. Mais. Krell. Para. Mim.

— Estou na Esquadrilha Correnteza — Jorgen falou. — Estamos chegando para ajudar.

As brincadeiras e as bravatas inteligentes me escaparam.

— Obrigada — sussurrei, suando no interior do capacete, enquanto eu tentava dar a volta para mais uma passada.

Rajadas vermelhas desceram sobre mim, cortando a minha nave. Mas eu conseguia desviar delas. Eu sabia o que eles...

Outra explosão atravessou a minha nave, estourando a ponta do nariz do Poco. Algo me atingira, algo que eu não havia previsto.

Meu Poco sacudiu, seu nariz foi deixando um rastro de fumaça, meu console tornou-se basicamente uma imensa área contínua de luzes vermelhas. Mas eu ainda tinha capacidade de manobra e desviei para o lado.

Aquele disparo, pensei. Uma nas naves negras me atingiu – e eu não consegui ouvir suas ordens na minha mente.

Dei a volta em direção ao bombardeiro mais uma vez. Apertei os gatilhos e nada aconteceu. Caramba, os incineradores estavam no nariz da nave. Haviam sido danificados com aquele disparo.

Minha esfera de controle balançava, ameaçando parar de funcionar. Exatamente como Dorgo avisara.

— Você tem um minuto até que aquele bombardeiro chegue à zona mortal, Celeste Dez — Ironsides disse baixinho.

Eu não respondi, lutando para permanecer na frente dos inimigos que vinham por todos os lados.

— Se ele entrar na zona — Ironsides falou —, você tem total autorização para abatê-lo mesmo assim. Confirma, piloto?

Destruidoras de vidas eram projetadas para explodir se fossem detonadas ou se atingissem o solo. Então, se eu derrubasse aquele bombardeiro, mesmo que estivesse perto demais para que a explosão destruísse Alta, Ígneo estaria protegida.

— Confirmado — falei, virando de lado.

Sem armas.

Eu podia ouvir o ruído do ar quase como se meu dossel tivesse caído. Meu nariz ainda estava em chamas.

Menos de um minuto.

Ganhei altitude, então me virei para um mergulho, as naves Krell continuavam atrás de mim.

O escudo do bombardeiro está quase desativado.

Apontei meu nariz diretamente para o bombardeiro lá embaixo e acionei a aceleração máxima.

— Cadete? — Ironsides me chamou. — Piloto, o que está fazendo?

— Minhas armas se foram — sibilei entredentes. — Tenho que me chocar contra aquela nave.

— Entendido — Ironsides sussurrou. — Com a velocidade dos Santos, piloto.

— O quê? — Jorgen falou na linha. — O quê? Vai se chocar naquilo? Spin!

Mergulhei em direção ao bombardeiro inimigo.

— Spin — a voz de Jorgen mal podia ser ouvida sobre os alarmes de aviso e o vento rugindo ao redor do meu cockpit. — Spin, você vai morrer.

— Sim — sussurrei. — Mas vencerei mesmo assim.

Segui em direção à nave, em meio a uma coluna de fogo inimigo. Então, depois de tudo aquilo, de ter sido levada ao extremo, minha pobre nave quebrada chegou ao limite.

Meu anel de aclive parou.

Minha nave caiu em um mergulho inesperado e eu passei pelo bombardeiro, sem conseguir acertá-lo. Levada pelos ventos e sem o anel de aclive para mantê-la, minha nave começou a rodopiar fora de controle.

Tudo se transformou em um borrão de fumaça e fogo.

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