Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 4 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 3

 

Procurei refúgio nas cavernas silenciosas. Eu não quis voltar para minha mãe e minha avó. Minha mãe, sem dúvida, ficaria feliz – ela tinha perdido o marido para os Krell e temia que eu tivesse o mesmo destino. Vozinha... ela me diria para lutar...

Mas lutar contra o quê? Nem os militares me queriam.

Eu me sentia uma tola. Todo esse tempo dizendo para mim mesma que me tornaria piloto, quando na verdade eu nunca tive a menor chance. Meus professores provavelmente passaram todos aqueles anos rindo de mim pelas costas.

Entrei em uma caverna desconhecida, além dos limites que eu já tinha explorado, localizada a horas de Ígneo. Eu ainda estava tomada pelas sensações de vergonha e raiva.

Que idiota eu tinha sido.

Parei na beirada de um penhasco subterrâneo e me ajoelhei, ativando a linha de luz do meu pai ao bater os dois dedos na palma da mão – uma ação que o bracelete podia detectar. A luz brilhou forte. Minha avó dizia que tínhamos trazido esses dispositivos conosco para Detritus, que eles eram parte do equipamento usado por exploradores e guerreiros da antiga frota espacial humana. Supostamente eu não deveria ter um, mas todo mundo pensou que o bracelete tivesse sido destruído com meu pai na queda.

Coloquei o punho contra a pedra do penhasco e bati os dedos na palma da mão mais uma vez. O comando criou uma corda de energia presa à rocha, conectando meu bracelete ao penhasco.

Uma batida com três dedos liberou mais corda. Usando-a, eu conseguia passar pela beirada – com a corda na mão – e depois descer até o fundo do penhasco. Assim que cheguei ao meu destino, uma batida com dois dedos fez a corda soltar a rocha lá em cima e se recolher no compartimento do bracelete. Eu não sabia como aquilo funcionava, só sabia que precisava ser recarregado a cada um ou dois meses, algo que eu fazia em segredo, conectando-o às linhas de energia das cavernas.

Engatinhei por uma passagem cheia de cogumelos kurdi. Eles tinham gosto ruim, mas eram comestíveis – e os ratos amavam. Aquele seria um bom terreno de caça. Em seguida, desliguei a luz e me acomodei para esperar, ouvindo atentamente.

Eu nunca tive medo do escuro. A escuridão me fazia lembrar do exercício que Vozinha me ensinara, quando eu flutuava na direção das estrelas que cantarolavam. Não dava para ter medo do escuro quando se era um combatente. E eu era uma combatente.

Eu seria… eu seria… seria piloto…

Olhei para cima, tentando afastar aqueles sentimentos de perda. Em vez disso, agora estava subindo no ar. Em direção às estrelas. E mais uma vez achei que podia ouvir algo chamando por mim, como o som de uma flauta distante.

O barulho de algo raspando nas proximidades me trouxe de volta. Unhas de ratos na pedra. Levantei o lançador de arpão, com os movimentos já familiares me guiando, e acionei minha linha de luz para iluminar um pouco.

O rato se virou na minha direção, em pânico. Meu dedo chegou a tremer no gatilho, mas não atirei, o animal fugiu para longe. O que aquilo importava? Eu realmente iria continuar a minha vida como se nada tivesse acontecido?

Em geral, explorar as cavernas afastava minha mente dos problemas. Hoje, no entanto, eles continuavam se intrometendo, como uma pedrinha no sapato. Lembra? Lembra que seus sonhos acabaram de ser roubados de você?

Eu me sentia do mesmo jeito que nos primeiros dias depois da morte do meu pai. Naquele tempo, cada momento, cada objeto, cada palavra me lembrava dele e do súbito vazio que sua ausência deixou dentro de mim.

Suspirei, e então prendi uma ponta da linha de luz na lança, programando para ela grudar na próxima coisa que tocasse. Mirei no alto de outro penhasco e atirei, e a corda brilhante e sem peso ficou presa no lugar. Subi com o lançador de arpão balançando suas correias em minhas costas.

Quando criança, eu imaginava que meu pai tinha sobrevivido à queda. Que estava sendo mantido em cativeiro nesses túneis intermináveis e inexplorados. Eu me imaginava salvando-o, como um dos personagens das histórias da Vozinha. Gilgamesh, Joana D’Arc ou Tarzan de Greystoke. Uma heroína.

A caverna tremeu suavemente, como se tivesse sentido um calafrio, e pó caiu do teto. Um impacto na superfície.

Essa foi por pouco, pensei. Será que eu tinha subido tão perto da superfície? Peguei meu caderno de mapas feitos a mão. Eu já estava por ali havia um bom tempo. Horas, pelo menos. Tinha até tirado um cochilo em uma das cavernas lá atrás...

Verifiquei o relógio na linha de luz. A noite viera e se fora, e já era quase meio-dia do dia do teste – que aconteceria à tarde. Eu precisava voltar. Minha mãe e Vozinha ficariam preocupadas se eu não aparecesse para o exame.

Para o inferno com o teste, pensei, imaginando a indignação que eu sentiria ao ser rejeitada na porta. Em vez disso, subi por um espaço apertado até outro túnel. Por aqui meu tamanho era, pela primeira vez, uma vantagem.

Outro impacto sacudiu as cavernas. Com esse tanto de detrito caindo, seria estúpido subir à superfície. Eu não me importava. Meu estado de espírito me deixava imprudente. Sentia – quase conseguia ouvir o chamado – que algo me puxava para fora. Continuei subindo até que finalmente alcancei a fenda para o céu. A luz brilhava pela abertura, mas havia um tom branco, quase estéril, não era alaranjado o bastante. O ar seco e frio soprava também, o que era um bom sinal. Empurrei minha mochila na frente, depois me espremi pela fenda até a luz.

A superfície. Olhei para cima e vi o céu novamente. Como sempre, perdi o fôlego.

Uma claraboia distante refletia claridade em uma área de terra, mas eu ainda estava na sombra. Acima, o céu reluzia com uma chuva de detritos caindo. Linhas luminosas, como talhos. Uma formação de três caças estelares de reconhecimento passou voando, em patrulha. Os detritos que caíam eram muitas vezes pedaços quebrados de naves ou algum outro lixo espacial, e esse material podia ser valioso, valendo o resgate. Mas isso também confundia nossos radares, além de poder mascarar uma incursão Krell.

Fiquei parada na poeira azul-acinzentada e deixei a admiração pelo céu tomar conta de mim, sentindo a sensação peculiar do vento contra o meu rosto. Eu saíra perto da Base Alta, que podia ser vista a distância, talvez a trinta minutos de caminhada, se muito. Agora que os Krell sabiam onde estávamos, não havia motivos para esconder a base, então o lugar se expandira de um bunker secreto para vários edifícios grandes, protegidos por um perímetro murado, bateria antiaérea e um escudo invisível contra os detritos.

Do lado de fora do muro, grupos de pessoas trabalhavam em uma pequena faixa de algo que eu sempre achara estranho: árvores e plantações. O que estavam fazendo ali? Tentando cultivar alimentos nesse chão poeirento?

Não ousei me aproximar. Os guardas presumiriam que eu era uma coletora de lixo de uma caverna distante. Havia algo glorioso no verde forte daqueles campos e nas teimosas paredes da base. Alta era um monumento à nossa determinação. Durante três gerações, a humanidade vivera de ratos, como nômades neste planeta, mas agora não nos escondíamos mais.

Os caças estelares passaram rasgando em direção à base, e dei um passo atrás deles. Concentre-se em algo maior, meu pai dissera. Em algo grandioso...

E aonde aquilo havia me levado?

Pendurei a mochila e o lançador de arpão no ombro e caminhei na outra direção. Eu conhecia outra passagem ali perto e imaginei que, com um pouco mais de exploração, poderia conectar alguns dos meus mapas. Infelizmente, quando cheguei ao local, descobri que a entrada da passagem tinha desmoronado.

Alguns detritos espaciais atingiram a superfície ali perto, levantando um monte de poeira. Olhei para cima e vi pedaços menores caindo bem sobre a minha cabeça, pedaços ardentes de metal...

Caindo direto sobre a minha cabeça.

Caramba!

Voltei correndo pelo caminho de antes.

Não. Nãããããooooo! O ar se deslocou ruidosamente e eu pude sentir o calor dos detritos se aproximando.

Ali! Vi uma pequena abertura na superfície – parte fenda, parte boca de caverna. Arremessei-me naquela direção, pulando e escorregando para dentro.

Um enorme baque soou atrás de mim e pareceu sacudir o planeta inteiro. Frenética, liguei a minha linha de luz e bati a mão contra a rocha enquanto despencava no caos. Afastei-me um pouco, conectada pela linha de luz à parede, enquanto lascas de rocha e pedregulhos voavam ao meu redor. A caverna tremeu.

Logo tudo ficou em silêncio. Pisquei para tirar a poeira dos olhos e descobri que estava pendurada no meio de uma pequena caverna, talvez com dez ou quinze metros de altura. Eu havia perdido minha mochila em algum lugar, e meu braço estava bem ralado.

Ótimo. Realmente muito bom, Spensa. Isso é o que se ganha quando se banca a birrenta. Gemi, minha cabeça latejava. Então, bati os dedos contra a palma da mão para soltar a linha de luz, descendo até o fundo da caverna.

Desabei no chão, recuperando o fôlego. Outros impactos soavam a distância, mas estavam diminuindo.

Por fim, fiquei em pé, ainda meio cambaleante, e sacudi a poeira. Consegui localizar a alça da mochila entre alguns escombros ali perto. Arranquei-a de lá e verifiquei o cantil e os mapas que estavam dentro dela. Eles pareciam bem.

Meu lançador de arpão, no entanto, era outra história. Achei o cabo, mas não havia sinal do resto. Provavelmente estava enterrado entre os destroços.

Sentei escorada em uma pedra. Eu sabia que não devia ir até a superfície durante quedas de detritos. Eu praticamente implorara para que tudo aquilo acontecesse.

Ouvi o barulho de alguma coisa raspando nas proximidades. Um rato? Levantei o cabo da minha arma quebrada no mesmo instante, e então me senti duplamente estúpida. Mesmo assim, me obriguei a ficar em pé, pendurei a mochila no ombro e aumentei a luminosidade do bracelete. Uma sombra se afastou e eu a segui, mancando um pouco. Talvez conseguisse encontrar outra maneira de sair dali.

Levantei o bracelete, iluminando a caverna. A luz refletiu em alguma coisa diante de mim. Metal? Talvez um dos canos de água?

Andei naquela direção e meu cérebro precisou de um instante para perceber o que eu estava vendo. Ali, aninhada no canto da caverna, cercada por destroços, estava uma nave.

 

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