Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 5 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 4

 

 

Era um caça estelar.

Um antigo, com design completamente desconhecido para mim. Tinha uma envergadura mais larga do que as naves da FDD e o formato de um W afiado. As asas retas, semelhantes a lâminas, emolduravam um cockpit velho e coberto de pó. O anel de aclive – a coisa que dava suporte aos caças estelares – estava enterrado nos detritos sob a nave, mas, pelo que eu podia ver, parecia inteiro.

Por um instante, eu me esqueci do teste. Uma nave.

Há quanto tempo aquele veículo estava ali, para que tantos destroços e aquele monte de poeira pudessem se juntar ao seu redor? Uma asa estava dobrada quase até o chão, provavelmente efeito de algum desmoronamento, e os propulsores traseiros estavam bem detonados.

Eu não conhecia o modelo. Aquilo era incrível. Eu conhecia todos os projetos da FDD, cada nave Krell, além de saber de cor todos os projetos dos veículos usados para o comércio pelos clãs humanos nômades. Havia estudado até as naves antigas que usávamos durante as primeiras décadas depois da queda em Detritus.

Eu poderia falar sobre cada modelo mesmo enquanto dormia, desenhando seus esboços na memória. Mas aquele modelo eu nunca tinha visto. Larguei a mochila no chão e subi – com cuidado – pela asa que estava dobrada. Meu bracelete garantia a iluminação enquanto minhas botas raspavam na crosta de poeira, revelando uma superfície metálica riscada. O lado direito da nave estava particularmente amassado.

Isso caiu aqui, pensei. Há muito tempo.

Subi perto do cockpit circular, que tinha uma cobertura de vidro – bem, provavelmente de plástico fundido – que, por mais incrível que parecesse, estava intacta. Gerações antes de mim, a nave devia ter tido energia suficiente para abrir o cockpit, mas precisei descobrir a trava manual, em um painel que estava exatamente onde eu esperava que estivesse. Limpei a poeira e encontrei palavras escritas ali: TRAVA DE EMERGÊNCIA DA CABINE.

Então a nave era humana. Devia ser bem antiga. Talvez tão antiga quanto a aparelhagem da base e o cinturão de destroços.

Puxei a alavanca, sem sucesso. Estava presa. Coloquei as mãos nos quadris e pensei na hipótese de quebrar o vidro, mas parecia inútil fazer isso. Aquela coisa era antiga, do tipo que devia estar em um pedestal no museu de naves de Ígneo, onde celebrávamos os guerreiros do passado. Não havia esqueleto algum lá dentro, no entanto. Então, ou o piloto escapara, ou a nave já estava ali há tanto tempo que os ossos tinham virado pó.

Tudo bem, vamos devagar com isso. Eu posso ser delicada. Eu sou incrivelmente delicada. Tipo, o tempo todo.

Prendi uma ponta da linha de luz na alavanca, depois segui pelo alto da nave até os detritos na traseira, onde fixei a outra ponta em um pedregulho. A corda de energia, então, separou-se completamente do bracelete, que parou de brilhar. A linha era capaz de funcionar por uma ou duas horas desconectada da fonte de energia, mantendo o comprimento que tinha quando foi solta do bracelete.

Deitei de costas, apoiada contra a parede, e empurrei o pedregulho com meus pés. A pedra começou a rolar pelos detritos e, assim que ouvi um clique vindo do cockpit, desfiz a linha de luz com uma batida. A corda brilhante se soltou dos dois lados e foi sugada para dentro do bracelete.

Feito isso, engatinhei de volta e encontrei a alavanca puxada e o antigo cockpit entreaberto. Atentamente, ergui a tampa, fazendo a poeira escorregar para os lados. O interior parecia extremamente bem-preservado. De fato, quando entrei no cockpit, descobri que o assento estava duro, mas o couro não encontrava-se rachado ou em decomposição.

Os controles são similares, pensei, apoiando a mão esquerda no acelerador e a direita na esfera de controle, enquanto meus dedos se mantinham apoiados nos sulcos. Eu já me sentara em cockpits de simulação antes, no museu, mas nunca em uma nave de verdade.

Coloquei a mão no bolso, sentindo o broche do meu pai, que eu tirara do esconderijo antes de me aventurar pelos túneis. Eu o segurei, deixando-o brilhar refletindo a luz do meu bracelete. Será que era assim que meu pai se sentia, com essa impressão de estar no lugar certo, quando se sentava em um cockpit? O que meu pai pensaria se soubesse que a filha dele passava o tempo caçando ratos? Ou que agora estava ali, em uma caverna empoeirada, em vez de fazendo o teste para piloto?

O que ele pensaria se visse que ela estava disposta a desistir, em vez de lutar?

— Eu não desisti — disse, em voz alta. — Eu não fugi!

Ou... Bem, eu tinha desistido. O que mais eu podia fazer? Não dava para lutar contra todo o sistema. Se a almirante Ironsides em pessoa, a líder da FDD, não queria que eu entrasse, não havia nada que eu pudesse fazer.

A raiva tomou conta de mim. Frustração, ódio. Ódio pela FDD, pelo jeito como tinham tratado meu pai, ódio pela minha mãe e pelos professores – por todos os adultos que tinham permitido que eu sonhasse, quando certamente sabiam a verdade.

Fechei os olhos e quase pude sentir a força dos propulsores da nave atrás de mim. Sentia o empurrão da força g ao fazer uma curva. O cheiro do ar fresco e limpo da atmosfera superior sendo sugado para dentro do cockpit.

Eu queria sentir isso mais do que qualquer coisa. Mas, quando abri os olhos, estava de volta à antiguidade empoeirada e danificada. Eu nunca voaria. Eles tinham tirado isso de mim.

Uma voz sussurrou no fundo da minha mente:

E se justamente esse for o teste?

E se... E se eles quisessem ver o que eu faria? Caramba, e se a senhora Vmeer estivesse mentindo? E se eu estivesse fugindo à toa – ou pior, e se eu estivesse simplesmente provando a eles que eu de fato era uma covarde, como todo mundo afirmava que meu pai era?

Xinguei, olhando o relógio no bracelete de linha de luz. Quatro horas. Eu tinha quatro horas até o teste. Mas havia passado quase o dia todo andando sem rumo. Não dava para saber se eu conseguiria chegar a tempo em Ígneo. Será que daria?

— Conquiste as estrelas, Spensa — sussurrei.

Eu tinha que tentar.

 

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