Skyward: Conquiste as Estrelas

Brandon Sanderson · Capítulo 15 de 60

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Skyward: Conquiste as Estrelas

Capítulo 14

 

— Vocês são o ponto mais fraco das nossas defesas — Cobb disse, caminhando até o meio da classe, falando com os nove em nossos assentos ainda com os hologramas desligados. — Suas naves possuem a habilidade de acelerar até velocidades incríveis e fazer curvas às quais vocês podem não sobreviver. Elas são muito mais capazes do que vocês. Se alguém morrer lá em cima, não vai ser porque sua nave falhou com vocês. Será porque vocês falharam com ela.

Uma semana já se passara, quase como se fosse um borrão. Treinar todos os dias nas simulações, passar um tempo na centrífuga, depois dormir todas as noites no cockpit da antiga nave. Eu já estava ficando cansada de ratos e cogumelos sem tempero.

— As forças g são seu maior inimigo — Cobb prosseguiu. — Não basta simplesmente observá-las, vocês precisam estar cientes de para qual direção elas estão empurrando. Seres humanos podem suportar uma quantidade razoável de força g para trás, como quando voamos em linha reta. Mas se vocês subirem ou fizerem uma curva fechada, a força g vai empurrá-los para baixo, forçando o sangue da cabeça para os pés. Muitas pessoas sofrem um bloqueio e ficam inconscientes depois de sentirem uma força de nove ou dez g nessa direção. E se vocês voltam ao eixo, depois aceleram em outra direção, como estivemos praticando... Bem, podem facilmente ultrapassar cem g, o suficiente para transformar seus intestinos em sopa pelo impulso repentino do momentum linear.

Nedd ergueu o braço.

— Então, por que aprendemos esses movimentos?

— Cápsulas de Gravidade — respondi.

Cobb apontou para mim e assentiu.

— Suas naves podem compensar a força g súbita e extrema. Os veículos da FDD têm coisas chamadas Capacitores Gravitacionais. Quando você muda de direção ou acelera rapidamente, as cápsulas de gravidade são ligadas e desviam a força. As Cápsulas de Gravidade podem funcionar por cerca de três segundos antes de precisarem de um breve instante para recarregar, por isso são muito úteis quando fazemos curvas fechadas.

Eu já sabia aquilo. E Nedd provavelmente saberia também, se tivesse sido obrigado a estudar para o teste. Então, deixei a mente vagar, pensando na minha nave quebrada. Até aquele momento, eu não tinha feito muito progresso nela, já que passava a maior parte do tempo caçando e curtindo carne de rato. E ainda precisava achar uma matriz de energia em algum lugar...

— Suas naves têm três tipos de armas — Cobb disse.

Espere, armas? Minha atenção voltou imediatamente para a aula, e notei que Bim também espichou o pescoço. Era uma graça como ele respondia a qualquer menção a armas com um jeito que parecia mais um cãozinho ansioso.

— Sim, Bim — Cobb falou. — Armas. Não se mije de animação. A primeira delas é o incinerador básico. Sua arma primária, mas também a menos eficaz. Ela dispara um jato concentrado de energia e, em geral, é disparada em rajadas de curta distância.

Cobb parou perto do assento de Kimmalyn.

— Ou, com menos frequência, ela pode ser carregada para um disparo muito preciso de longa distância. A maioria dos pilotos só usa essa função para acabar com naves desativadas ou para atingir um inimigo em uma emboscada. Atingir um alvo ativo a distância com um incinerador requer habilidade incrível.

Kimmalyn sorriu.

— Não fique convencida — Cobb falou, afastando-se. — Um incinerador é praticamente inútil contra um inimigo com escudo. Embora as pessoas tendam a atirar nele em qualquer oportunidade, pois é da natureza humana esperar por um golpe de sorte. Vou tentar tirar isso de vocês, mas, honestamente, até pilotos formados ficam grudados em seus incineradores como se estivessem lendo cartas da namoradinha de infância.

Bim deu uma risada.

— Isso não foi uma piada — Cobb repreendeu. — Liguem os hologramas.

Ligamos nossos dispositivos, e de repente estávamos na plataforma de lançamento. Assim que chegamos ao ar e fizemos as confirmações verbais, a voz de Cobb apareceu no alto-falante do meu capacete.

— Tudo bem. Que as estrelas nos ajudem, é hora de começarem a atirar. O gatilho do incinerador é o botão próximo ao dedo indicador na esfera de controle. Vão em frente.

Pressionei o botão hesitante. Uma rajada de três disparos brancos e quentes em sucessão rápida saiu da ponta da minha nave. Sorri e pressionei de novo, e mais uma vez, disparando rajadas uma após a outra. E, simplesmente assim, foi-me concedido poder sobre a vida e a morte! E isso ia além dos ratos!

— Não desperdice, Spin — Cobb me advertiu. — Vê o mostrador no seu acelerador? Esse que você consegue rodar com o polegar da mão esquerda? É o controle de índice de destruição. A posição superior é fogo constante. É amada por todos os pilotos idiotas, babões e estúpidos que não treinaram comigo.

— E quanto àqueles de nós que são idiotas, babões e estúpidos — Nedd perguntou —, mas que treinaram com você?

— Não se menospreze, Nedder — Cobb disse. — Nunca vi você babar. A segunda posição no mostrador é a rajada. A terceira é um tiro de longa distância. Aproveitem. Lambuzem-se até cansar.

Ele fez um grupo de naves Krell aparecer diante de nós. Elas não voavam nem se moviam; simplesmente estavam paradas ali. Prática de tiro? Eu sempre quis fazer prática de tiro, desde que era uma garotinha, jogando pedras em outras pedras de aspecto mais nefasto.

Juntos, lançamos uma tempestade de morte e destruição no ar.

Erramos.

Erramos pelo que pareciam ser milhas de distância. Mesmo que as nossas naves não estivessem tão distantes. Rangi os dentes e tentei de novo, mudando entre os diferentes modos do incinerador, acertando o ângulo da nave com a minha esfera de controle, disparando com tudo o que tinha. Mas caramba... por mais perto que tudo parecesse, com certeza havia muito espaço vazio no qual atirar.

O Babaca finalmente acertou um tiro, atingindo uma das naves com um jato de fogo. Grunhi, concentrando-me em uma única nave. Vamos LÁ.

— Vá em frente, Flácida — Cobb pediu.

— Ah, eu achei que devia dar uma chance para eles, senhor! — Kimmalyn respondeu. — Ganhar não é sempre ser a melhor, você sabe.

— Divirta-me — Cobb pediu.

— Bem, ok. — A nave dela carregou por alguns segundos e então lançou uma linha concentrada de luz, que explodiu uma nave Krell no céu. Ela repetiu o feito mais uma vez, e mais outra, e então uma quarta vez.

— É meio como tentar atingir o chão com uma pedra, senhor — ela comentou. — Elas não estão nem se mexendo.

— Como... — comecei a perguntar, assombrada. — Como você aprendeu a atirar assim, Flácida?

— O treinamento do pai dela — Arrojada respondeu. — Lembra? A história dos cogumelos que pareciam um esquilo?

FM riu, e até ouvi uma risadinha de Alvorecer. Mas não, eu não conhecia nenhuma história sobre cogumelos ou esquilos. Devia ser uma conversa que tiveram à noite, nos beliches. Enquanto eu voltava para a minha caverna.

Apertei o botão do incinerador com força e consegui – incrivelmente – acertar um dos alvos. O jeito como as faíscas se espalharam era muito satisfatório.

— Tudo bem — Cobb falou. — Já chega dessa estupidez. Vou desligar seus incineradores.

— Mas nós só começamos! — Bim reclamou. — Não podemos treinar um pouco de combate aéreo ou algo assim?

— Claro, tudo bem — Cobb respondeu. — Aí está.

Os caças Krell que restavam, mais ou menos uma dúzia que não tínhamos conseguido abater, de repente começaram a vir em nossa direção, com os incineradores disparando. Arrojada deu um grito de animação, mas eu me concentrei e saí do caminho.

Kimmalyn foi abatida primeiro, em um clarão imediato de luz e faíscas. Segui em um giro rodopiante, observando a linha vermelha do meu dossel que indicava no mundo real o quanto de força g eu estaria sentindo. Cobb estava certo: a Cápsula de Gravidade me protegeu quando fiz uma curva rápida, mas tive que tomar cuidado para não atropelar meus companheiros no meio do caminho, quando fui atingida por toda aquela força g.

Parei de supetão, com fogo e explosões me cercando, detritos das naves dos outros cadetes por todos os lados.

— Tentamos fazer engenharia reversa com a tecnologia Krell — Cobb falou com voz calma, um contraste gritante com a insanidade ao meu redor. Nedd gritou quando foi atingido. Alvorecer foi abatida em silêncio. — Mas fracassamos. Eles têm incineradores melhores e escudos melhores. Isso significa que, quando lutamos com eles, estamos em inferioridade de armas e de blindagem.

Fui consumida inteiramente pelo instinto de sobrevivência. Desviava, esquivava e girava. Três naves Krell – três – mergulharam no meu encalço, e uma me atingiu com um tiro de incinerador. Virei rápido para a direita, mas outro tiro me atingiu, e a luz de aviso começou a piscar no meu painel de controle. Estava sem escudos.

— Vocês precisam acertar um Krell meia dúzia de vezes para derrubar o escudo dele — Cobb disse. — Mas eles farão o mesmo com vocês com apenas dois ou três tiros.

Parei em uma curva. Explosões marcavam as mortes dos meus companheiros – labaredas no céu escuro. Só mais uma nave ainda voava, e eu sabia – sem precisar ver o número na fuselagem – que era Jorgen. Ele era um piloto muito melhor do que eu.

Aquilo ainda me irritava. Grunhi, girando em uma curva ampla, tentando colocar um dos inimigos em vista. Quase... lá...

Meus controles pararam. A nave deixou de responder. Durante aquela curva, eu ultrapassara o limite da força g e as cápsulas de gravidade tinham acabado. Embora meu corpo ainda estivesse ali, se eu estivesse em uma nave de verdade, teria morrido.

Uma nave Krell se livrou de mim com um tiro quase instantâneo, e meu holograma se desfez. Então, meu dossel desapareceu, e eu estava na sala novamente. Jorgen conseguiu sobreviver mais dezessete segundos. Eu contei.

Fiquei sentada em meu cockpit, com o pulso acelerado. Tinha sido como testemunhar o fim do mundo.

— Vamos imaginar que vocês tivessem uma habilidade parecida com a dos inimigos — Cobb falou. — Uma fantasia incrível, eu sei, mas sou um otimista. Se conseguirem voar melhor que a média das naves Krell, mesmo assim estarão em séria desvantagem usando apenas os incineradores.

— Então estamos ferrados? — FM perguntou, levantando-se de seu cockpit.

— Não. Só temos que lutar de um jeito diferente... E temos que, de algum modo, tentar equilibrar as chances. Volte para seu assento, cadete.

Ela obedeceu, e os hologramas recomeçaram conosco no céu, alinhados. As naves Krell reapareceram em uma formação silenciosa diante de nós. Olhei para elas com mais desconfiança desta vez, sentindo meu indicador coçar para acabar com elas com o fogo do incinerador.

— Garoto-dragão — Cobb falou para Arturo. — Pressione os botões próximos ao terceiro e quarto dedos. Aperte os dois de uma só vez.

Minha nave balançou, e um pequeno clarão de luz explodiu de Arturo, como um jorro resplandecente de água.

— Ei! — Arrojada gritou. — Meu escudo caiu.

— O meu também — Kimmalyn disse.

— E o meu — Arturo acrescentou.

— O meu está armado — o Babaca disse, assim como vários outros.

O escudo de Arturo caiu, pensei, assim como os das naves perto dele no alinhamento. Eu me inclinei para frente, olhando para fora do dossel do cockpit, bastante interessada. Na minha época de estudo, aprendi sobre especificações de propulsores, padrões de voo, anéis de aclive... Basicamente tudo sobre os caças, exceto especificações das armas.

— O PIM — Cobb explicou. — Pulso Invertido de Magalhães. Ele vai anular completamente qualquer escudo protetor emitido por uma nave. Incluindo, infelizmente, o seu próprio. Tem alcance extremamente curto, por isso você basicamente terá que rastejar até os Krell antes de ativá-lo. A chave para derrotar os Krell não é acertá-los com disparos de incinerador, é superá-los, agir em equipe, sobrepujá-los. Os Krell voam individualmente. Eles mal suportam uns aos outros. Vocês, ao contrário, vão combater aos pares, com seus companheiros de voo. Vão conseguir ligar o PIM de modo a dar ao seu companheiro de voo um tiro limpo, sem proteção. Mas vocês também precisam estar cientes de uma coisa: ligar o PIM deixa sua nave exposta e vulnerável até reiniciar seu escudo.

Um clarão súbito de luz ali perto fez FM xingar baixinho.

— Desculpe! — Alvorada falou com seu sotaque carregado. — Desculpe, desculpe! — Aquilo era o máximo que eu ouvira dela todo o dia.

— Qual é a terceira arma? — o Babaca perguntou.

— Lanças de luz — chutei. Já tinha lido sobre o termo, mas, mais uma vez, as especificações sobre o que faziam não eram descritas nos livros.

— Ah, então você sabe sobre elas, Spin — Cobb comentou. — Achei que soubesse. Dê-nos uma pequena demonstração.

— Ah, ok. Mas por que eu?

— Elas trabalham de um jeito muito parecido com suas primas menores: as linhas de luz. Tenho um palpite de que você tem alguma experiência na área.

Como ele sabia? Eu levava minha linha de luz para a aula, já que precisava entrar e sair da caverna, mas achei que ficava bem escondida embaixo da manga comprida do meu macacão.

— Polegar e mindinho — Cobb explicou. — Botões nos dois lados da esfera de controle.

Bem, claro. Por que não? Empurrei o acelerador para frente e saí da formação, aproximando-me das naves Krell. Escolhi uma com os cabos flutuando na traseira. Como todas as naves, ela tinha um anel de aclive brilhando com uma leve luz azul por baixo, com o tamanho padrão de cerca de dois metros de diâmetro.

A nave Krell parecia ainda mais sinistra de perto. Tinha um aspecto estranho, inacabada, como se realmente estivesse incompleta. Aqueles cabos soltos atrás eram provavelmente intencionais, e o projeto era simplesmente estranho. Não era inacabado, na verdade, mas feito por criaturas que não pensavam do mesmo jeito que os humanos.

Segurei a respiração e apertei os botões que Cobb indicara. Uma linha de luz vermelha derretida foi lançada da frente da minha nave e se prendeu à nave Krell. Como Cobb dissera, ela funcionava exatamente como uma linha de luz, mas maior, e lançada da minha nave como um arpão.

Uau, pensei.

— Lanças de luz — Cobb explicou. — Vocês provavelmente viram as primas menores no pulso dos pilotos; elas eram usadas pelo departamento de engenharia da antiga frota para ancorar os engenheiros enquanto eles trabalhavam nas máquinas em gravidade zero. De algum modo, Spin tem uma... O que eu decidi não mencionar ao contramestre.

— Obrigada...

— Você pode me agradecer calando a boca enquanto eu falo — Cobb interrompeu. — Lanças de luz trabalham como uma espécie de laço de energia, conectando você a algo que atingiu. Você pode usá-la para prender uma nave inimiga ou para segurar-se em objetos firmes.

— Objetos firmes? — Arturo perguntou. — Quer dizer que vamos nos prender ao chão?

— Dificilmente — Cobb respondeu.

O céu explodiu sobre mim, e olhei para cima, prendendo a respiração, enquanto uma névoa onipresente de detritos começou a cair, como bolas de fogo: metal superaquecido e outros lixos, transformados em estrelas cadentes pelo calor da reentrada.

Rapidamente virei a nave, depois empurrei o acelerador e voltei para a formação. Passados alguns minutos, os detritos começaram a cair ao nosso redor. Alguns pedaços brilhavam mais do que outros, e se moviam em velocidades variadas. Percebi que alguns dos detritos em queda tinham pedras de aclive, reluzindo em um tom de azul, dando um certo impulso ao estilhaço.

O lixo acertou vários dos caças Krell, pulverizando-os.

— Em geral, os Krell atacam durante a queda de detritos — Cobb explicou. — Os Krell não têm lanças de luz e, embora tendam a ser bons em manobras, uma nave da FDD com um bom piloto pode ultrapassá-los e sobrepujá-los. Com frequência vocês vão enfrentá-los no meio de detritos caindo. Nesse caso, a lança de luz será a sua melhor ferramenta... E é por isso que passaremos o próximo mês treinando com ela. Qualquer idiota com um dedo pode disparar um incinerador. Mas é preciso um bom piloto para voar entre os detritos e usar a lança de luz como uma vantagem. Já vi pilotos usarem lanças de luz para arremessar as naves Krell umas contra as outras, para prendê-las em lixo espacial ou até para arrancar o companheiro de voo de uma situação de perigo. Você pode girar de maneira inesperada, prendendo-se a um grande pedaço de detrito e rodando ao redor dele. Pode jogar detritos em seu inimigo, imediatamente derrubando seu escudo e esmagando-o. Quanto mais perigosa a batalha, mais vantagem o melhor piloto terá. E, quando eu terminar, os melhores pilotos serão vocês.

Assistimos à queda de detritos, a luz ardente refletindo em meu dossel.

— Então... — falei. — Está dizendo que, no fim do nosso treinamento, você espera que sejamos capazes de usar ganchos feitos de energia para esmagar nossos inimigos com pedaços flamejantes de detritos espaciais?

— Sim.

— Isso... — sussurrei — é a coisa mais linda que já ouvi.

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