A Alma Nova
Capítulo XXVIII
O VELHO MUNDO
Eu vejo em toda a terra um vasto cemiterio, A necrópole immensa, a campa dos colossos, Aonde em paz descansa o velho megatherio, Por entre a fauna morta, os carcomidos ossos!
E os grandes leviathaãs dos primitivos mares; Os tremendos reptis, crueis, descommunaes, Celebram no silencio as nupcias singulares Dos seus residuos vis, com ricos mineraes!
E os esqueletos nús dos lividos gigantes
Abraçam-se melhor; conchegam-se na cova, Deixando um logar vago aos velhos elephantes Que vão fugindo á luz da natureza nova!
Tambem no mundo interno as almas vão seguindo. Na corrente da vida, em mil circulações;
E da consciencia humana o largo abysmo infindo Occulta, ha muito já, disformes creações!
Ellas dormem na sombra immensa do passado Aonde em breve hão de ir nos trances doloridos, A velha Realeza e o trémulo Papado
Sem forças descançar os corpos corrompidos.
Depois virão mais tarde as gerações futuras E os dois espectros vãos da sombra hão de evocar, Bem como a nossa voz, as grandes creaturas Do mundo primitivo, obriga a despertar.
E as crianças terão seus nomes de memoria, Como exemplo, na vida, a todos os momentos; E vel-os-eis de pé, nas paginas da historia, Grotescos, machinaes, pezados, somnolentos;
Fazendo-nos pensar; d'espanto enchendo tudo; Soffrendo o riso alvar do ingenuo e do plebeu, Eguaes ao masthodonte armado para estudo E exposto ás irrisões nas salas d'um museu!