A Alma Nova

Guilherme Avelino Chave de Azevedo · Capítulo 30 de 53

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A Alma Nova

Capítulo XXVIII

 

O VELHO MUNDO

 

Eu vejo em toda a terra um vasto cemiterio, A necrópole immensa, a campa dos colossos, Aonde em paz descansa o velho megatherio, Por entre a fauna morta, os carcomidos ossos!

E os grandes leviathaãs dos primitivos mares; Os tremendos reptis, crueis, descommunaes, Celebram no silencio as nupcias singulares Dos seus residuos vis, com ricos mineraes!

E os esqueletos nús dos lividos gigantes

Abraçam-se melhor; conchegam-se na cova, Deixando um logar vago aos velhos elephantes Que vão fugindo á luz da natureza nova!

Tambem no mundo interno as almas vão seguindo. Na corrente da vida, em mil circulações;

E da consciencia humana o largo abysmo infindo Occulta, ha muito já, disformes creações!

Ellas dormem na sombra immensa do passado Aonde em breve hão de ir nos trances doloridos, A velha Realeza e o trémulo Papado

Sem forças descançar os corpos corrompidos.

Depois virão mais tarde as gerações futuras E os dois espectros vãos da sombra hão de evocar, Bem como a nossa voz, as grandes creaturas Do mundo primitivo, obriga a despertar.

E as crianças terão seus nomes de memoria, Como exemplo, na vida, a todos os momentos; E vel-os-eis de pé, nas paginas da historia, Grotescos, machinaes, pezados, somnolentos;

Fazendo-nos pensar; d'espanto enchendo tudo; Soffrendo o riso alvar do ingenuo e do plebeu, Eguaes ao masthodonte armado para estudo E exposto ás irrisões nas salas d'um museu!