A Alma Nova

Guilherme Avelino Chave de Azevedo · Capítulo 4 de 53

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A Alma Nova

Capítulo II

 

Eu vi passar, além, vogando sobre os mares O cadaver d'Ophelia: a espuma da voragem E as algas naturaes, serviam de roupagem Á triste apparição das noites seculares!

Seguia tristemente ás regiões polares

Nos limos das marés; e a rija cartilagem

Sustinha-lhe tremendo aos halitos da aragem, No peito carcomido, uns grandes nenuphares!

Oh! lembro-me que tu, minha alma, em certos dias Sorriste já, tambem, nas vagas harmonias Das cousas ideaes! mas hoje á luz mortiça

Dos astros, caminhando; apenas as ruinas Das tuas creações fantasticas, divinas,

De pasto vão servindo aos lyrios da justiça!