A Alma Nova
Capítulo XXIX
Eis a velha cidade! a cortesã devassa,
A velha imperatriz da inercia e da cubiça, Que da torpeza acorda e á pressa corre á missa! Baixando o olhar incerto em frente de quem passa!
Ella estreita no seio a velha populaça,
Nas vis dissoluções da lama e da preguiça, E nunca o santo impulso, o grito da Justiça, Lhe fez estremecer a fibra inerte e lassa!
E póde receber o beijo e a bofetada
Sem que sinta o rubor da colera sagrada Acender-lhe na face as duas rosas bellas!
Sómente d'um sorriso alvar e deshonesto, Ás vezes, acompanha o provocante gesto Quando sôa a guitarra, á noite, nas viellas!