A Alma Nova
Capítulo XLIV
OS NOVOS LEVIATHÃS
Dos antigos Titães, o mar,—fera indomavel, Agora verga o dorso ao peso colossal
Dos novos leviathãs que em bando formidavel, Nas grandes explosões da colera insondavel, Já levam de vencida o abysmo e o vendaval!
Elles seguem no mar, altivos no seu rumo, Em halitos de fogo, á nossa voz fieis,
E como o combatente erguendo a lança a prumo, Era turbilhões rompendo, as flamulas de fumo Ostentam sem cessar correndo entre os parceis!
Que sopro creador, que força omnipotente Os fez surgir do nada, os monstros colossaes? Ó novos leviathãs provindes tão somente Do fecundo hymeneu, d'este connubio ardente Do Genio e do Trabalho, amantes immortaes!
Correis de mar em mar, altivos, triumphantes, Levando a toda a parte a vida, a nova luz, E as sereias gentis não fazem como d'antes, Ao som da sua voz, perder os navegantes; O dorso dos delfins, no mar, já não reluz!
Ó alma antiga dorme inerte no regaço
Dos velhos Deuses vãos, que o homem creador Agora ri de ti, prostrada de cansaço,
Emquanto vae soprando em mil gigantes d'aço Outra alma inda mais larga,—o novo Deus-Vapor!