A Manilha e o Libambo
12. A disputa pelo comércio transatlântico
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
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holandeses. O que m ais incom odava era o abrigo que, em Pinda, pelo m enos
desde 1615, o m ani de Sônio garantia aos batavos, a quem cham avam
m afulos. 64 Os navios destes ali repousavam e se abasteciam de água e de alim entos, enchendo os seus porões com as m ercadorias locais, adquiridas sem pressa e arm azenadas no entreposto que os holandeses, sob a vista grossa do senhor local, ali tinham erguido e que se com unicava por pinaças com vários outros pequenos estabelecim entos que o m ani-sônio lhes havia consentido na m argem direita do Zaire. Com o os holandeses traziam produtos de boa qualidade e pagavam tam bém em patacas brasileiras, não só atraíam o com ércio do interior, em detrim ento dos interesses do m anicongo, m as tam bém faziam defluir para o seu em barcadouro os produtos de Cacongo, Angoio e até, por
contrabando, de Luanda.65 Inclusive os escravos, que, ao com eçar a quarta década do século XVII, se tornaram m ercadoria do m aior interesse para os barcos flam engos que ali ancoravam .
O m ani-sônio não se restringia a favorecer o com ércio com os Países Baixos; tudo fez para dificultar o acesso português a Cacongo. Mais: invadiu o reino de
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Angoio, em 1631, e nele pôs com o senhor um Silva. Não foram só os portugueses os prej udicados. Tam bém o m anicongo via o com ércio de Sônio sair de seu controle e a antiga província cam inhar para a independência.
Se os m ani-sônios cultivavam os holandeses, os reis do Congo não deixaram de considerá-los com o aliados em potencial, apesar das dificuldades que tinham em lidar com hereges. Entre os portugueses, corria, e com razão, que as duas tentativas, em 1624, de tom ada holandesa de Luanda haviam sido provocadas por pedidos de socorro do m anicongo D. Pedro II, indignado com a guerra que o
governador João Correia de Sousa desatara contra Bam ba.67 Malogrado o segundo intento, os navios batavos se tinham , aliás, dirigido para Pinda, onde, à chegada, souberam da ascensão de Garcia I a rei do Congo. Apesar das insistentes reclam ações portuguesas, só em 1627, sendo m anicongo Nim i Nkanga Cany ancala ou D. Am brósio I, o duque de Sônio desaloj ou os holandeses de Pinda. Mas não por m uito tem po.
Os flam engos tinham a firm e intenção de instalar-se ao sul do cabo Lopez. Na foz do Zaire, em Luanda e em Benguela, se possível. De vez em quando, um barco deles atacava em barcações ou agredia os portos, tom ando os navios neles
surtos. Com o se deu, em novem bro de 1633, em Benguela.68 De sobressalto em sobressalto, era natural que as autoridades de Luanda, além de insistir com Lisboa por m ais navios de guerra, por m ais soldados e por m ais arm as e m unições, procurassem consolidar e am pliar as fortificações da cidade, que continuaram , porém , tão precárias, que o governador português, Pedro César de
Meneses, delas diria que se cham avam fortificações, “m as não o eram ”.69 Algum socorro vinha da Metrópole ou da Bahia, m as sem pre m uito aquém das necessidades.
Não é de espantar-se, por isso, que, em m enos de dois dias, de 24 a 26 de agosto de 1641, os holandeses tom assem a cidade: eles haviam saído de Pernam buco com 21 navios e cerca de três m il hom ens, dentre os quais três
com panhias de brasilienses 70 71 (200 am eríndios e provavelm ente alguns m am elucos), e, apesar das perdas durante a travessia, apresentavam um a am pla superioridade em relação aos portugueses. Estes, após um a resistência desesperada, fugiram para o interior. Prim eiro, foram instalar-se no baixo Bengo. Depois, pressionados pelos holandeses, afastaram -se para leste e se fortificaram , ao longo do Cuanza, em Muxim a, Massangano e Cam bam be. No m esm o ano, os holandeses tom aram São Tom é e Príncipe e, antes que ele se findasse, em 21 de dezem bro, a m odestíssim a praça de Benguela.
Nos anos seguintes, holandeses, na costa, e portugueses, no interior, sim ularam conviver com o bons vizinhos, a reproduzir na África a paz assentada na Europa entre a Holanda e Portugal. Na m aior parte do tem po, entre frequentes escaram uças e repetidas reaberturas de hostilidades, com erciavam entre si, Luanda e suas dependências adquirindo aos portugueses parte dos alim entos que consum iam e lhes vendendo azeite, m anteiga, queij os e outros produtos europeus. Nem os holandeses, no entanto, haviam desistido de continuar a conquista, nem os portugueses tinham renunciado a reaver o litoral. Uns e outros sem forças para seus proj etos e talvez sem am paro de suas m etrópoles, tiveram de resignar-se a um status quo em que dividiam o que, até havia pouco, fora um enclave lusitano de fronteiras im precisas. Os holandeses controlavam o litoral; os portugueses, o interior. Divisão sem elhante ocorreu em Benguela.
Na região que tinha por cabeça Luanda, as duas possessões europeias estavam ladeadas e infiltradas por grandes, pequenos e dim inutos estados africanos. Em frente à cidade, a ilha voltara ao com ando do representante do rei do Congo, o m aniluanda, D. Cristóvão Corte-Real. Para o norte, entre os baixos Dande e Bengo, um daqueles chefes que haviam sido exilados para o Brasil em 1622 tinha, com o título de panj i a ndona, recriado a ensaca e o reino do Cassanze. Mais acim a no m apa, dom inavam os m anis de Bum be e Bam ba. Ao nordeste, estendiam -se os vários estados dem bos, tributários do m anicongo, quase todos com reis e fidalgos cristianizados, que ostentavam o título de “dom ” e tinham portugueses a viver entre eles, com o soldados, escrivães da corte e
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com erciantes. Para leste, acom panhando a m argem direita do Cuanza, ficava
o reino andongo do Angola Ari. Além dele, os dom ínios da rainha Jinga e do j aga do Caçanj e (ou kasanj e quingúri). Logo ao sul do Cuanza e até o Longa espraiavam -se os vários reinos quissam as e o Libolo. Excetuados, de um m odo geral, os territórios m ais ao norte sob controle congo, por toda parte havia tranqueiras de chefes im bangalas, de ciosa independência, em bora sem pre dispostos a alugar as suas arm as.
Tão pronto souberam que os portugueses haviam sido batidos em Luanda, vários desses reis, que deles tinham sofrido vexam es, correram para a desforra. Alguns j á com erciavam com os holandeses. Outros a eles se aliaram contra o inim igo com um . O m aniluanda foi dos prim eiros a se j untar aos batavos,
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provavelm ente por instrução do novo rei do Congo.
D. Garcia II ou Nkanga Lukeni sucedera a seu irm ão, o m anicongo Nim i Lukeni ou Álvaro VI, em fevereiro de 1641. Antes, fora ele m anibam ba e, neste posto, desagradara intensam ente os portugueses, não só pelo apoio que dera aos vassalos sulistas do rei do Congo, m as tam bém por conceder abrigo aos escravos fugidos de Luanda. Foi, aliás, com alívio que assistiu à invasão holandesa, pois esta im pediu que os portugueses levassem adiante os preparativos, j á bastante adiantados, de guerra contra ele. Desde logo, deve ter considerado a possibilidade de utilizar os flam engos para dissolver o poder português na região e robustecer o do Congo. O seu intento era libertar-se das peias lusitanas e, ao m esm o tem po, fortalecer-se internam ente, para refazer a unidade do reino. Com o esta era, no m om ento, am eaçada sobretudo pelo Sônio, havia que im pedir que os flam engos fizessem da província separatista o principal aliado na região. Garcia II tinha, contudo, no calvinism o dos holandeses o grande óbice para som ar-se a eles, um a vez que a dinastia dos Afonsos retirava a legitim idade da Igrej a Católica. Era por isso, aliás, que os m anicongos aturavam o absenteísm o, os desaforos e os desm andos dos bispos portugueses que, m andados para Banza Congo (ou São Salvador), iam viver em Luanda. Com o, após o falecim ento, em novem bro de 1642, de D. Francisco de Soveral, a quem o m anicongo tinha por desafeto, o bispado ficaria por m uito tem po vago, passando o controle do clero e das ações da Igrej a para o capítulo da catedral em São Salvador, ou sej a, para Garcia II, este tinha um a razão a m ais para não se deixar converter nem convencer pelos holandeses. Essa sensação de que finalm ente se libertava dos constrangim entos do Padroado português aum entaria no m anicongo, três anos m ais tarde, com a chegada de um a m issão de capuchinhos subordinada diretam ente ao papa.
Mal soube da invasão flam enga, o m anicongo ofereceu proteção aos portugueses que fugiram de Luanda. Os que foram para São Salvador ficaram em segurança, m as m uitos dos que buscaram outras terras conguesas foram m ortos ou sofreram m aus tratos. Garcia II teve, porém , de m udar de rum o, logo em seguida, a fim de não se divorciar dos seus, pois os dignitários congos sulistas e um grande chefe dem bo, o nam bu a kalom bo, j untaram -se aos batavos. O m ani de Bem ba, por exem plo, m andou suas tropas aj udar os flam engos a expulsar os portugueses que se haviam retirado para o baixo Bengo.
No final de m arço de 1642, Garcia II assinou um tratado de am izade e cooperação com os holandeses, pelo qual foram estes autorizados a construir feitorias no reino. Não dem oraram em fazê-lo. Em Bam ba, Pem ba e Sônio. Por sua parte, o rei do Congo enviou m ensagem a seus governadores, tributários e aliados, instando-os a atacar os lusitanos. Vários chefes dem bos ergueram -se em arm as, na tentativa de expulsar os portugueses de suas tranqueiras e principalm ente da praça-forte de Massangano. E de tal m odo se sucederam os ataques de diferentes líderes africanos que, durante os anos que durou a ocupação holandesa de Luanda, os portugueses estiveram m ais ocupados com eles do que com os batavos, ainda que, em várias ocasiões, estes últim os reforçassem com seus soldados os exércitos da terra.
Tam bém a Jinga, em seus dom ínios na Matam ba, não escapou que os holandeses podiam ser bons aliados. Procurou-os e foi por eles procurada. E, ao que parece, dem orou m ais do que o m anicongo a desiludir-se com os novos senhores de Luanda, com os quais contratou um a aliança defensiva e ofensiva. Garcia II, ainda no prim eiro sem estre de 1642, j á sentiria quão vacilantes eram os com andantes flam engos. Instou com eles para que, j untos, atacassem im ediatam ente Massangano, antes que os portugueses recobrassem forças e
recebessem reforços.74 Os holandeses não responderam ao convite para a grande ofensiva, ou porque j á fossem grandes entre eles os estragos causados pela m alária e outras enferm idades, ou porque se sentissem indecisos sobre o alcance das tréguas negociadas na Europa entre as Províncias Unidas e Portugal. Continuaram , entretanto, a fustigar os portugueses, sobretudo com o auxiliares dos exércitos dos reis, régulos e chefes africanos. Do outro lado do Cuanza, por exem plo, os quissam as, que, desde a últim a década do século anterior, nunca
tinham deixado tranquilos os portugueses,75 não cessaram de hostilizar Massangano. E da outra m argem do Lucala, repetiam -se as correrias de congueses e dem bos.
O governador Pedro César de Meneses acudia aos ataques africanos com um a política de terror. Com o se quisesse superar Paulo Dias de Novais, m andava degolar em público, decapitar ou estraçalhar na boca dos canhões os sobas adversários que caíam em seu poder. Já contra os holandeses sucediam -se as em boscadas e as ações de guerrilha, visando sobretudo às roças de suprim ento, que sistem aticam ente destruía. E foi com o intuito de im pedir que os congueses cultivassem as terras do vale do baixo Bengo e abastecessem de alim entos os holandeses, que Pedro César de Meneses foi instalar-se num arraial, o Gango,
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j unto à foz daquele rio, em j aneiro de 1643, senão um pouco antes.
No últim o dia daquele m ês, os governadores dos dois estabelecim entos coloniais europeus assinaram um m odus vivendi, pelo qual, entre outras coisas, se perm itia que os portugueses ocupassem provisoriam ente as terras em que j á estavam no Bengo e no Golungo. Criava-se tam bém um a com issão para regularizar o com ércio entre batavos e portugueses. Teriam sido, aliás, as necessidades de abastecim ento — em torno de Luanda, a terra era sáfara e pouco produzia — o que m oveu os flam engos a negociar o docum ento.
Um a razão adicional j á foi aventada: 77 a falência holandesa, durante os prim eiros 18 m eses da ocupação de Luanda, em obter o núm ero de escravos esperado. No Recife, estim ava-se que as exportações angolanas alcançariam as 15 m il cabeças por ano, enquanto que as previsões de Luanda eram ainda m ais otim istas: entre 50 m il e 60 m il. Os portugueses e o Angola Ari bloquearam , porém , as vias de acesso à Matam ba, e de tal m odo que, em bora os prim eiros estivessem proibidos, pelo m odus vivendi de j aneiro de 1643, de exportar escravos, os batavos dependiam em boa parte deles para se abastecer de alm as. Tinham ocupado Luanda para garantir o acesso direto aos escravos, m as, contraditoriam ente, continuavam , para obtê-los, a estar suj eitos aos portugueses. Do Congo, os flam engos não obtinham senão pouquíssim os indivíduos. E igualm ente do Sônio, por causa do conflito arm ado que eclodira com os vilis da sociedade Lem ba. O prim eiro em barque de cativos feito pelos holandeses, em abril de 1642, não passou de 150 indivíduos. E o segundo, cinco m eses depois, de
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405. Com o m odus vivendi, os flam engos esperavam que os portugueses lhes abrissem o trânsito até o Cuango, para que Luanda pudesse abastecer-se de escravos. Tal não se deu. Durante o período de 1641 a 1646, os holandeses não m andaram , dos litorais que se estendem do cabo Lopez a Benguela para o nordeste do Brasil, m ais de 11.304 indivíduos, um pouco m enos do dobro do que enviaram dos estabelecim entos da Senegâm bia e da Costa da Mina (cerca de
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5.968). Não devia ser diferente o quadro por origem das exportações para
outras partes das Am éricas inclusive para Curaçao, onde, desde 1641, a Com panhia das Índias Ocidentais criara um entreposto para vender escravos aos
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colonos espanhóis, que dali os contrabandeavam para o continente. Já as vendas para São Tom é se constituiriam basicam ente de cativos retirados dos territórios que hoj e form am Angola e os dois Congos. De 1646 a 1648, os
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fornecim entos holandeses para a ilha atingiram a casa dos 2.300.
Para a rainha Jinga, era urgente conseguir um cam inho relativam ente seguro até o Atlântico, a fim de por ele escoar a sua produção de cativos e receber em troca arm as e bens de prestígio. Buscou o que lhe pareceu a linha de m enor resistência: em vez de tentar abrir a sua trilha pelos territórios andongos do Angola Aire, dirigiu-se, no fim de 1642 ou início de 1643, para as terras dos dem bos, tendo por obj etivo conseguir um corredor seguro da Matam ba até a foz do Dande. A alguns régulos convencia com palavras; a outros, pela presença ou ação de seus exércitos; e não faltaram aqueles que a ela desde o início se aliaram e que, j untam ente com alguns holandeses, engrossaram o exército de 80 m il arqueiros com que entrou na região.
A invasão do Dem bo por Jinga deu-se pela m esm a época em que batavos e portugueses firm aram o m odus vivendi. Por um breve tem po, parecia que ia reinar entre eles a boa paz. Inesperadam ente, porém , chegaram a Luanda as notícias de rebeliões em São Tom é e no Maranhão contra os holandeses. Apreensivos, resolveram atuar preventivam ente contra os portugueses do Bengo
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— se é que não foram im pelidos, com o acreditava Cadornega, pela cobiça das
alfaias de ouro e prata que estes ali guardavam — e, de surpresa, em 16 ou 17 de m aio de 1643, atacaram o arraial do Gango, m atando dezenas de portugueses e aprisionando cerca de 200, entre os quais o próprio Pedro César de Meneses, que foi levado para Luanda. Os que lograram escapar e os que viviam espalhados pelos arredores, a cultivar a terra, fugiram para Massangano. Tam bém em Benguela, os portugueses foram presos.
Seria sob um governador interino, escolhido pelos colonos, Antônio Abreu de
Miranda, que se aj ustaria com os batavos um novo m odus vivendi, em 1o de j ulho. Por esse aj uste, restauravam -se a paz e o com ércio, acertava-se a libertação de todas as pessoas capturadas no ataque a Gango, exceto Pedro César de Meneses, e os portugueses de Massangano e de outros fortes assum iam o com prom isso de não se j untarem a tropas que pudessem eventualm ente vir da
Bahia ou de Portugal guerrear os holandeses. 83 O acordo seria confirm ado por Meneses, depois que este, tendo logrado fugir de Luanda, ao que então se disse,
disfarçado de negro,84 85 reassum iu a governança em j aneiro de 1644.
O novo m odus vivendi deixou tanto o m anicongo quanto a rainha Jinga desiludidos com os holandeses. Sentiram -se abandonados. Garcia II, apesar de alarm ado com a presença de Jinga em terras dos dem bos, que tinha por seus vassalos, e de disputar com a rainha Jinga a suserania sobre o Dongo e a Matam ba, procurou entender-se com ela. Para acalm ar as desavenças, os dois, no início de 1644, concluíram um acordo pelo qual se dividiam as áreas de
coação e influência: ela ficava com os am bundos e Garcia II com os dem bos.86 Am bos se com prom etiam a dar com bate aos portugueses.
Se houve trégua entre Luanda e Massangano, os conflitos continuaram entre os africanos, com a participação dos europeus. Assim , pela m esm a época, os portugueses atravessaram o Cuanza e foram lutar no Libolo, em apoio a alguns régulos atacados por im bangalas, e tam bém na m argem oriental do Lucala, onde sobas aliados estavam sendo agredidos por um chefe poderoso, Angolom em -a-Caita. Para castigar este últim o, os portugueses m andaram um a coluna de 150 hom ens, com andada pelo sargento-m or Fran-cisco da Fonseca Saraiva, o “Beiçorra”. A tropa dirigiu-se para a fortaleza de Am baca, onde a engrossaram num erosos contingentes negros. No com bate contra Angolom em -a-Caita, este, vendo-se na im inência de ser vencido, refugiou-se num a área acidentada, cheia de covas e furnas, e dali pediu socorro a Jinga. A rainha, prim eiro, lhe enviou o seu general Jinga Am ona (ou o nzinga a am ona), que foi derrotado, m as depois foi pessoalm ente ao teatro de guerra, à frente de seu exército, e conseguiu um a
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vitória arrasadora sobre os portugueses. Em decorrência desse êxito m ilitar,
um grande núm ero de chefes am bundos afluiu para as suas forças.
Ao avistar o inim igo, o “Beiçorra” preparara suas tropas para o com bate,
m andando que se dispusessem em m eia-lua.88 Não as organizou, portanto, à europeia, m as à africana. Pois era assim que os am bundos, os congos, os quissam as e os im bangalas se colocavam no terreno: dividiam -se em três regim entos ou m ozengos, um no centro e dois a abrirem -se em curva para os lados, com o se form assem a testa de um búfalo ou um a torquês. Os guerreiros não ficavam colados uns aos outros, m as guardavam entre si boa distância, a fim de evitar que um a flecha ou um tiro de arcabuz apontado para um deles acertasse, por desvio de pontaria, o vizinho. Além disso, os soldados m oviam -se continuam ente, a saltar de um lado para o outro, a fim de se tornarem alvos difíceis. Cada batalhão, quilam ba ou em balo, com seus estandartes ou bandeiras e seu sistem a de sinais — o tocar de tam bores, trom betas e olifantes a transm itir os com andos de avanço, pausa ou recuo — procurava chegar j unto ao adversário, para atacá-lo com as m achadinhas de guerra, as lanças de cabo curto, os porretes e os punhais. Enquanto o grupo do centro suportava o peso do ataque, a m eia-lua ou os chifres do búfalo procuravam fechar-se em círculo e
cercar o adversário.89
A derrota dos portugueses para Jinga na região do presídio de Am baca tornara a situação deles ainda m ais precária. A cada dia, não só os com bates, m as tam bém as sezões e outras doenças lhes dim inuíam os núm eros. Urgiam reforços, se queriam m anter suas posições. E os pediram ao novo rei de Portugal, D. João IV, que os atendeu, m andando do Brasil três navios, com 215 brancos, na sua m aioria portugueses expulsos de Angola pelos flam engos, e 31 negros livres,
que tam bém tinham sido desterrados de Luanda.90 O rei português havia escrito
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a Henrique Dias, designando-o capitão-m or dos negros, m as esse não
em barcou para Angola, em bora o tenha feito um a com panhia de m osqueteiros
pertencentes a seu terço pernam bucano. 92 A tropa, após descer, em 12 de abril de 1645, na baía onde deságua o rio Quicom bo e seguir para o interior, foi de tal form a castigada pelas febres, que dela apenas 107 hom ens puderam continuar viagem para Massangano, j untam ente com aliados africanos. No cam inho, entre os rios Cuvo e Longa, foram atacados por num erosíssim os im bangalas, os m esm os contra os quais os portugueses haviam lutado no Libolo e que agora
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tom avam sua vingança, pois os m assacraram . Dos 107, só quatro sobreviveram . Os que haviam ficado para trás, doentes, retornaram a Quicom bo, onde, m acilentos e andraj osos, foram dar com um segundo socorro chegado do Brasil.
Esse segundo socorro trazia, para substituir Pedro César de Meneses, o novo governador português, Francisco de Soutom aior, que, havia quase um ano,
exercia as funções de capitão-m or do Rio de Janeiro. 94 Fora dessa cidade que saíram , em 8 de m aio de 1645, três naus, um a fragata e um barco, com 260 soldados, entre cuj os com andantes figuravam veteranos das lutas contra os
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flam engos em Pernam buco. Tendo subido a costa desde o que depois se cham aria baía de Moçâm edes (e hoj e é Nam ibe), os recém -vindos instalaram -se prim eiram ente em Quicom bo, onde ergueram um a aldeia fortificada, com arm azém e hospital. Do m esm o m odo que os flam engos, tam bém Soutom aior trouxe com ele índios do Brasil, que, entre outras coisas, ergueram tranqueiras, “fizeram casas para cavalos” e “aj udaram em tudo m uito bem os soldados” e “a
gente do m ar”.96 Muitos desses am eríndios, com o daqueles que vieram antes com os batavos e viriam depois com Salvador Correia de Sá e Benevides e com outros socorros do Brasil, não dem oraram em m orrer, em com bate ou de doenças, m as alguns seguram ente sobreviveram e não regressaram ao Brasil, devendo ter deixado descendentes em Angola.
De Quicom bo, onde recolheu os que haviam restado da expedição anterior, Soutom aior foi com seus navios até a baía do Suto e de lá ganhou por terra o Cuanza, onde, na ilha da Ensandeira, em 25 de outubro, recebeu o governo de Pedro César de Meneses, que, pouco depois, em barcaria para o Brasil. Ao chegar a Massangano, Soutom aior, sem cuidar das instruções ostensivas que trazia de procurar m anter a trégua com os flam engos, declarou-se pessoalm ente
em guerra com o governador holandês.97 Mal concluíra a bravata, j á dirigia sua atenção para a rainha Jinga, não só para im pedir que esta com binasse com os batavos operações coincidentes ou conj untas, m as tam bém provavelm ente por sentir a necessidade, tam bém experim entada por Angola Ari, de reverter a vitória que esta conseguira em Am baca e graças à qual atraía novos aliados entre os am bundos, os dem bos e os im bangalas.
Saiu em pós de Jinga um grande exército: 330 soldados portugueses, além de 16 cavaleiros; tropas andongas, com andadas pelo próprio Angola Ari, e im bangalas do Jaga Cabucu, som ando vinte m il arcos; e 30 cangoandas, ou negros crioulos e aportuguesados de Luanda e de São Tom é, acom panhados por num erosos em pacaceiros, nom e que se dava aos caçadores de pacaças e que passou a aplicar-se aos soldados negros arm ados de arcabuzes e m osquetes. Após atravessarem os rios Lifum e, Zenza e Dande — o capitão-m or da guerra, sentado num a cadeira, levada por escravos, que tam bém sustentavam as redes onde iam deitados os colonos, e a infantaria branca nas costas dos nativos —, as tropas avistaram “o grande poder de guerra” do rei dem bo de Am buíla, que se aprestava a aj udar a rainha, e, na m anhã seguinte, num outeiro, os contingentes sob o general m atam bo Jinga Am ona. Logo depois, na planura, coberta por um grande guarda-sol e cercada por suas tropas de elite e seis holandeses, surgiu a rainha, em traj es guerreiros. Eram m ilhares os arqueiros de que dispunha, e 600 as suas arm as de fogo. A batalha durou cinco horas e term inou com o triunfo português. Os derrotados abalaram , em aparente desordem . E a rainha não deixou rastro. Os vencedores correram para o acam pam ento de Jinga e o saquearam . Entre os que lá fizeram prisioneiros estava Mucam bo, Kam bo ou Dona Bárbara, um a irm ã da rainha. Da outra, Quifunj e, Funj i ou Dona Grácia ou Engrácia, que os portugueses m antinham em Massangano, e de outros africanos que com eles viviam , encontraram cartas com evidências de que espionavam
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para Jinga. Quifunj e seria, por isso, alguns m eses depois, afogada no Cuanza
pelos portugueses.99
Não ignorava Soutom aior que, m al derrotada, Jinga j á de novo reunia os seus exércitos, para voltar com toda a força. Buscou, por isso, a aliança de quem se ia tornando o adversário natural da rainha: o cham ado j aga do Caçanj e. Tentou, adem ais, com por-se com Garcia II. Pediu-lhe que autorizasse a passagem por seus territórios dos com erciantes de escravos portugueses. Com o o m anicongo respondesse com um não, Soutom aior m andou invadir a região do Dem bo, de onde suas tropas retornaram com 600 cativos. Era sem pre assim : após cada com bate, seguia-se a degola dos m ais valentes e a captura, para posterior venda, de rapazes, m ulheres e crianças. Os im bangalas guardavam os m eninos, para iniciá-los com o m em bros do quilom bo. E tanto para os africanos quanto para os portugueses, os cativos eram com frequência a m elhor parte do butim . Todos tinham uso para eles. Para os africanos ligados aos portugueses, o m ais com um era o de com eles pagar tributos aos europeus ou de ofertá-los, nos m om entos difíceis, com o m im os propiciatórios ou expiatórios. Não havia m elhor presente para um governador, funcionário ou m ilitar português do que algum as peças de gente.
Indignado com a incursão portuguesa no Dem bo, D. Garcia II proibiu a exportação de escravos e voltou a insistir com os holandeses e com Jinga pela
urgência de um ataque conj unto a Massangano.100 Em balde.
O m anicongo continuava a som ar decepções com os flam engos. Estes, em vez de fortalecê-lo, tinham , voluntária ou involuntariam ente, favorecido a independência de Sônio. Ao estabelecerem um a aliança direta com o m ani-sônio D. Miguel da Silva, graças à qual foram autorizados a estabelecer feitorias no seu território e um pequeno forte em Pinda, os holandeses contribuíram para alargar o fosso entre o Sônio e Banza Congo. Quando do falecim ento de D. Miguel, na passagem de 1641 para 1642, seu irm ão e sucessor Daniel da Silva recusou-se a ser investido pelo m anicongo. Tanto um quanto o outro buscaram apoio entre os holandeses de Luanda, de Pernam buco e da Europa. E o Conselho do Brasil acabou, em 1644, por assegurar Daniel de que os flam engos não apoiariam contra ele qualquer ação de Garcia II, ainda que instruísse o diretor de Luanda a interm ediar na disputa e a resolvê-la. A essa altura, o m anicongo, que j á dividia com Jinga a responsabilidade de m anter o fogo aberto sobre os portugueses, resolveu atuar m ilitarm ente contra o Sônio. As várias cam panhas, em abril de 1645, em j ulho de 1646 e em 1647, term inaram em desastre para D. Garcia II. Na prim eira, seu filho Afonso foi feito prisioneiro e ficou em poder do m ani-sônio por m ais de um ano, devendo talvez sua libertação à insistência batava.
Na realidade, a independência do Sônio j á se consum ara desde o início da década, ainda que só em 1647 Daniel viesse a assum ir o título de Grande
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Príncipe do Sônio.
Entrem entes, enferm ara e falecera, em abril ou m aio de 1646, Fran-cisco Soutom aior. O m ando, do lado português, ficou nas m ãos de um triunvirato, que logo se revelou incom petente. Resolveu ele sair de Massan-gano e estabelecer seu quartel-general a oeste do rio Lucala, num lugar cham ado Cavala. Seria lá que os holandeses, anim ados com a notícia da m orte de Soutom aior, lhes infligiriam , com aj uda dos congueses do m aniluanda D. Cristóvão Corte-Real e de outras tropas pretas, um a devastadora derrota. Os sobreviventes e os colonos que agricultavam os arrim os do Lacala foram buscar abrigo num a Massangano que o próprio triunvirato havia enfraquecido. Tem eu-se que o presídio não pudesse resistir a um ataque dos flam engos e seus aliados. Mas esse não se deu, porque os holandeses, satisfeitos com a vitória em Cavala, retiraram -se para
Luanda.102
Tam bém eles haviam , no final de 1646, recebido reforços. E não dem orariam em retom ar a ofensiva. Com os quissam as, subm eteram a cerco o presídio de Muxim a, onde foram batidos pelos portugueses e seus aliados. De sua parte, Jinga açoitava de tal m odo o Angola Aire, que este se viu obrigado a acolher-se em
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Massangano. E ali estava, quando congueses, com andados pelo m aniluanda,
dem bos, andongos, quissam as, im bangalas, soldados de Jinga e 500 flam engos avançaram pelo Ilam ba, venceram a coluna portuguesa e a guerra preta contra
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eles enviada e, depois de atravessar o Lucala, se dispunham a tom ar
Massangano. Os exércitos atacantes pareciam não ter fim . E neles, e tam bém entre os que defendiam o presídio, era grande a diversidade de roupagens e arm as.
Portugueses e holandeses usavam capacetes e couraças de ferro ou aqueles
gibões acolchoados, 105 sem elhantes aos lifidis das savanas sudanesas e im portados do Brasil, onde eram tidos com o m uito eficazes para am ortecer as flechas, e estavam m unidos de cravinas, arcabuzes, m osquetes, lanças longas e espadas, tendo ainda à sua disposição bom bardas, roqueiras e falcões. Uns poucos m ontavam a cavalo. Mulatos, crioulos de São Tom é e africanos aportuguesados — os cangoandas — vestiam -se e arm avam -se à europeia. Os soldados da Matam ba, os am bundos, os im bangalas e os dem bos saíam para a
luta de torso nu, saiote de pano ou de pele de felino, penas presas aos cabelos 106 e arm ados de arco e flecha — arcos de cinco a seis palm os, e flechas com ponta de ferro, em m uitos casos envenenada —, de m achadinhas, lanças de cabo longo e de cabo curto, azagaias, porretes, punhais e facas, um a delas, a m bili, com
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60cm de com prim ento e untada de veneno. Não era distinto o arsenal dos quissam as, m as estes possuíam um arco m uito m aior do que o dos seus vizinhos. Para atirar com ele, tinham de fixar um a de suas extrem idades ao solo e prendê-la com o pé, para m aior firm eza. As suas flechas, não só pela força do disparo, m as tam bém por terem as pontas com m uitas farpas, nisto sem elhantes às dos im bangalas, abriam no corpo de quem fosse por elas atingido “tam anha boca que
era espanto”. 108 Quanto aos congos, levavam para a batalha, além da soldadesca com um , um corpo de adargueiros, um a espécie de infantaria pesada, constituída por aristocratas, alguns de gorro enfeitado de plum as e de cam isa de m anga com prida e bragas cobertas por um a espécie de saia longa ou um pano
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enrolado que se estendia até quase os pés, enquanto que outros, a cintura
cheia de guizos, m antinham o torso nu.110 Todos os m em bros desse contingente de elite levavam num dos braços um escudo redondo de couro, arm a defensiva que nem am bundos nem im bangalas utilizavam e que não pensaram em
adotar, 111 e alguns um a espada de lâm ina larga. Já eram num erosos, então, sobretudo entre os soldados de Jinga, os espingardeiros. O em prego das arm as de fogo im itava o dos arcos: entre os africanos, servia apenas para abrir o com bate, que depois se travava corpo a corpo.
Quando os portugueses j á consideravam desesperada a situação de Massangano, os atacantes, que tinham chegado a um quarto de légua das
tranqueiras, abandonaram o terreno.112 Talvez porque os seus batedores tivessem verificado que a praça-forte era capaz de dem orar-se em resistência e não contassem com recursos de boca para um longo sítio. Em bora as tropas africanas fossem , em geral, acom panhadas por um núm ero de não com batentes superior ao dos guerreiros, de escravos a tanger bois, cabritos e carneiros, e de m ulheres que, além de cozinheiras, carregavam cabaças com vinho-de-palm a e azeite de dendê, fardos de m ilhete e de farinha de m andioca, am arrados de raízes, cestas de frutas e balaios de galinhas, tudo isso se esgotava após um certo núm ero de dias, ainda que pudessem tam bém abastecer-se por algum pouco tem po no terreno, com a apropriação dos celeiros e das roças da área invadida. Para evitar isso, ao saber da aproxim ação de um exército, era com um que a m aior parte da gente fugisse de suas aldeias com todos os alim entos que pudesse carregar e destruísse ou pusesse fogo em suas lavouras, a fim de obrigar os soldados a m ais depressa de lá se retirarem .
Com o parecia afastado o perigo, os portugueses e seus aliados resolveram , por arrogância ou im prudência, castigar os régulos e chefes dos arredores que se
haviam som ado aos invasores. E nisto estavam , quando foram atacados, em 1o de agosto de 1647, por tropas congas, tendo por com andante D. Cristóvão Corte-Real, da rainha Jinga, sob as ordens de Jinga Am ona, de vários sobados da vizinhança e por 250 holandeses. As perdas foram grandes, de am bos os lados. Deixaram o corpo no com bate 108 portugueses, um filho de Angola Ari, D.
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Francisco, e um núm ero não calculado de soldados negros.
Esse desastre apressou a dissolução do triunvirato, que foi substituído por um governador interino, Bartolom eu de Vasconcelos da Cunha. Teve ele, durante um ano, a difícil tarefa de resistir às pressões dos holandeses, da rainha Jinga, do rei do Congo e de todos os outros chefes africanos a eles coligados. Muxim a, Cam bam be, Am baca e Massangano estiveram sem pre sob am eaça de inim igos e a lhes dar com bate. Em fins de j ulho de 1648, Massangano via-se assediada por 300 holandeses, três m il guerreiros congos e um a enorm e cópia de gente
recrutada entre os sobados da cercania, 114 quando chegou à costa africana a esquadra do novo governador português, Salvador Correia de Sá e Benevides.
Os 15 navios tinham saído do Rio de Janeiro na segunda quinzena de m aio, com 1.400 hom ens ou m ais. Desses, alguns m orreram durante a viagem e um núm ero considerável, cerca de 360, no naufrágio noturno da nau alm iranta, frente a Quilom bo, onde ancorara a frota. Ao saber das aflições por que passava Massangano, Salvador Correia de Sá apressou-se em velej ar para Luanda, cuj as defesas estavam desfalcadas pelas tropas em cam panha no interior.
Entre 14 e 18 de agosto, as suas tropas ocuparam a m aior parte da cidade e obrigaram os holandeses, que talvez tivessem superestim ado o tam anho e o poder de fogo das forças portuguesas, a içar a bandeira branca. As capitulações das fortalezas de Luanda, Cuanza, Bengo e Ensandeira foram firm adas a 21. Quatro dias m ais tarde, ao regressar às carreiras do interior, o resto da tropa, diante do fato consum ado, aceitou a rendição. Mais de m il holandeses, alem ães e franceses em barcaram , em seguida, para a Europa. Em outubro, os portugueses recuperaram Benguela, m as som ente em j aneiro de 1649, e m ediante pagam ento aos flam engos, pelos m oradores da ilha, de um a indenização de 37