A Manilha e o Libambo

Alberto da Costa e Silva · Capítulo 14 de 30 · parte 3/3

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A Manilha e o Libambo

12. A disputa pelo comércio transatlântico

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

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m il patacas, São Tom é voltou ao controle de Lisboa.

Os flam engos haviam -se dado por vencidos, sob o protesto dos líderes

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africanos que a eles se tinham coligado. Com a partida dos holandeses, alterava-se a relação de forças entre os diferentes poderes da região. O m aniluanda ficava praticam ente ao desam paro. E recebeu, com o seu povo, castigo pronto e severo: os m uxiluandas ficaram obrigados a servir os portugueses, com o tripulantes de seus barcos, ou a trabalhar nas obras

públicas. 117

Igualm ente em situação dificílim a viu-se D. Garcia II. Este j á havia perdido, em tantos anos de guerra contra os portugueses e contra o m ani-sônio, boa parte de seu exército e, diante do que não podia deixar de entender com o debilidade ou incom petência holandesa, chegara a propor a Felipe IV de Espanha que invadisse Luanda, prom etendo-lhe atacar, quando chegasse a esquadra, a cidade por terra. Antes que os espanhóis pudessem responder, os portugueses tinham , porém ,

retom ado a cidade.118 Era natural que deles esperasse represálias. Em vez de um exército, Salvador Correia enviou-lhe, porém , um a m inuta de capitulações, sob disfarce de perdão. Por elas, o m anicongo se obrigava: a fechar seu território e seus portos à rainha Jinga, aos flam engos e aos espanhóis; a prestar aj uda m ilitar aos portugueses, sem pre que estes a requeressem ; a enviar um de seus filhos ou dos grandes do seu reino para m orar, com o refém , em Luanda; a m anter um em baixador naquela cidade; a deixar de cobrar direitos de passagem aos m ercadores portugueses; a entregar um sítio apropriado na foz do Zaire, para que nele os portugueses construíssem um forte; a ceder à coroa de Portugal os m ontes onde ficavam as m inas de ouro e prata; a abandonar os direitos de suserania que detinha ao sul do rio Dande; a determ inar que cessassem as ligações diretas entre a m issão dos capuchinhos e Rom a, as quais teriam de passar obrigatoriam ente por Luanda e Lisboa; e a reparar os danos causados aos portugueses durante a guerra, m ediante a entrega de 1.500 cargas de panos de ráfia. Em troca, os portugueses com prom etiam -se a auxiliar m ilitarm ente o rei do Congo, em caso de levante de algum vassalo, desde que este não fosse o m ani do Sônio. Dispunha-se ainda que, caso o m anicongo ou os seus principais (m encionando-se especificam ente o m ani ou duque de Bam ba) descum prissem o aj ustado, os portugueses tinham o direito de expulsá-lo do reino, e ele ou seu sucessor só poderiam voltar ao m ando na condição de tributário do soberano de

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Portugal. D. Garcia II procurou ganhar tem po e respondeu de form a evasiva,

sem adm itir aceitar o que tentavam im por-lhe. Adiou enquanto pôde o envio de um em baixador. E não interrom peu inteiram ente os seus contatos com os holandeses.

Todas essas cláusulas constariam , contudo, do acordo que seus enviados

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foram obrigados a aceitar em 13 de abril de 1649, depois que Salvador Correia lhe m andou fazer a guerra no sul de seus dom ínios e se apoderou da ilha de Luanda. Ao m esm o tem po que privava o tesouro de D. Garcia II do suprim ento regular de zim bos, o governador português assum ia o controle da principal m oeda conguesa. A ilha não voltaria ao dom ínio do antitola, apesar de decisão nesse sentido do rei de Portugal. D. João IV, ao apreciar as capitulações, determ inou que m uitas das suas cláusulas, as m ais vexatórias à soberania do Congo, fossem delas retiradas. Para os de Luanda, no entanto, tudo se resolvia com o se o texto original continuasse em vigor. O m anicongo estava diante de um dilem a, bem definido por um historiador colonial português: ou passava “à categoria de soba obediente” ou procurava “libertar-se, pelas arm as, do am plexo

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estreito com que o acorrentaram ”.

Diferente ficou a situação da rainha Jinga. De sua aliança com os flam engos, apesar de alguns sérios reveses m ilitares, restara um saldo m ais que positivo: expandira o seu poder sobre novas populações e novos territórios e tornara-se, em troca sobretudo de arm as de fogo, a grande fornecedora de escravos para os

holandeses. Segundo um relatório de um funcionário batavo,122 houve anos em que ela chegou a entregar-lhes cerca de 13 m il cativos. Desses, os flam engos só exportariam um a parte, pois deles necessitavam para uso local, com o serviçais dom ésticos, braços para a lavoura e, em grande quantidade, com o soldados e carregadores.

Mal os holandeses saíram de Luanda, Jinga retirou-se para a Matam ba. E com o sabia que os portugueses fariam o possível para evitar um a custosíssim a cam panha arm ada contra os seus redutos, j ogou com isso. Não dem orou em voltar a ser Dona Ana de Sousa e em endereçar, por em baixadores, palavras de paz a Salvador Correia de Sá e Benevides. Mas, do alto de sua prosápia, im punha, com o precondição ao bom entendim ento, que lhe devolvessem a irm ã, Dona Bárbara, que era m antida em Luanda com o refém . Não lhe tendo Salvador Correia dito sim , ela, sem abandonar sua política expansionista (invadiu, por exem plo, a província conga de Oando ou Wandu, em 1650), procurou não se contrapor aos interesses portugueses nem fustigar Angola Ari. Não era este quem então a preocupava, m as o j aga do Caçanj e, que, ao sul da Matam ba, na Baixa a que os portugueses ligaram o seu nom e, se tornara o seu com petidor, política, m ilitar e com ercialm ente. Jinga com o que se encasulou na Matam ba. Voltou a interessar-se pelo cristianism o e se reconverteu. Seria, por sinal, por interm édio de um m issionário capuchinho que ela tornaria a propor paz e aliança a Luanda.

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O acordo firm ou-se na Matam ba, em 12 de outubro de 1656. Cum priu-se a

sua precondição e o novo governador português, Luís Martins de Sousa Chichorro, que assum ira em outubro de 1654, devolveu-lhe Dona Bárbara, contra 130 peças de escravaria. Além disso, a rainha entregou aos portugueses os sobas que, tendo contra eles com batido, se tinham refugiado na Matam ba. Pelo m enos um deles, o “j aga” ou im bangala Kabuku ka Ndonga (Cabuco Candonga), foi

despachado para o Brasil.124

Com o acordo, Jinga não só abriu os seus territórios à catequese católica, que passou a favorecer com seus exem plos de devoção, m as tam bém aos m ercadores portugueses, que passaram a gozar de livre acesso a seus dom ínios e livre passagem por eles, em bora tivesse de certa form a preservado o controle, se não o m onopólio, sobre a exportação de cativos, um a vez que concentrou as operações num a feira em sua capital.

Ao firm ar-se o acordo, a rainha j á contava 74 anos de idade. Mais sete e faleceria. Foi enterrada com o Dona Ana e tam bém com o Jinga, isto é, de acordo com os ritos cristãos, m as sem o abandono de m uitas das norm as tradicionais. Velaram -na dem oradam ente, à africana, durante 14 dias, queim ando-se ao redor de seu corpo incenso e outras plantas arom áticas, e lhe puseram no túm ulo suas

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arm as, roupas, j oias, obj etos de uso e coroa. Antes de m orrer, procurara

endereçar a sucessão para sua irm ã, Mucam bo ou Dona Bárbara, que casara, por m otivos políticos, com o seu general ou nzinga a m ona, talvez para neutralizar a oposição desse im portante chefe m ilitar à sua nova política de cristianização da Matam ba e de entendim ento com os portugueses. Apesar das precauções de Jinga, a sucessão não se deu sem disputa. Jinga Am ona teve de am eaçar com o poder de suas arm as, para dem olir as pretensões daquele a quem os portugueses cham avam D. João Guterres Angola Canini, que talvez tivesse m aiores títulos e

contasse com o apoio das grandes linhagens.126

O m atrim ônio de Dona Bárbara com o general não aquietaria a luta entre os que favoreciam o entendim ento com os portugueses e o partido tradicionalista, cuj o líder era precisam ente quem dirigira no terreno a m aior parte das operações m ilitares contra os lusitanos. Se Bárbara era católica praticante e desej ava estreitar os vínculos com os portugueses, seu m arido continuaria, apesar de seu nom e cristão de Antônio Carrasco, ligado à religião tradicional am bunda.

Morta Jinga em 1663, Dona Bárbara reinou durante três anos, com a oposição do esposo. Reinou ou tentou reinar, pois estava velha, doente e pronto se pôs

cega.127 Para resguardar sua posição, separou-se do m arido. Mas é possível que, ao m orrer em m arço de 1666, o poder verdadeiro j á estivesse a m aior parte do tem po nas m ãos de Jinga Am ona e sua facção. De qualquer m odo, a luta entre os dois partidos não se acalm ava. Os católicos podiam prevalecer na capital, m as os antiportugueses dom inavam as províncias. Cada vez que, com a aj uda dos portugueses, o general era vencido na corte, ele se refugiava em outros pontos do

reino e de lá voltava fortalecido.128

Habilíssim a, a rainha Jinga não fora apenas um a grande m estra de sobrevivência política. Ela soubera usar todos, am bundos, im bangalas, congos, portugueses, holandeses e até o j aga do Caçanj e, um após outro ou de form a orquestrada, para a m anutenção e a am pliação de seu poder. O que não conseguiu foi cum prir aquilo que de início a m oveu e — quem sabe? — talvez tenha anim ado toda a sua vida: ser senhora do Dongo. Pois nele ficou sem pre firm e Angola Ari.

Aquele que fora batizado com o D. Filipe tirou todo o proveito que pôde de sua aliança com os portugueses. Usou-os para consolidar-se com o rei, para proteger-se de Jinga e para am pliar sua influência na m argem direita do Cuanza. Seu prestígio com os lusitanos era im enso, e os com andantes m ilitares o ouviam com cuidado, pois o consideravam um m estre nas estratégias e táticas da guerra no

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sertão. Participou pessoalm ente, acom panhado por seus filhos, em m uitas das

cam panhas portuguesas e nelas recolheu novas obediências, pois é provável que m uitos dos chefes africanos vencidos, ao se prostrarem aos pés do grande rei negro e do com andante branco, que estavam lado a lado, não soubessem a quem

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se rendiam , se àquele, se a este ou se a am bos.

Tão pronto se sentiram firm es em Luanda, os portugueses saíram atrás dos régulos e chefes que, durante o período holandês, se haviam revelado seus m ais encarniçados inim igos. Alguns deles tinham herdado os m esm os títulos de antigos adversários. Assim o régulo da ensaca do Cassanze, o panj i a ndona, que continuara um a política antiportuguesa que j á com pletara sessenta anos. Foi ele o prim eiro a sofrer a fúria de Salvador Correia de Sá e Benevides. Com a aj uda de im bangalas, um a coluna de 400 hom ens perseguiu-o de ilha em ilha, no lago do Icau, onde o régulo se havia refugiado, e, após penosa luta, acabou por batê-lo, degolá-lo com m ais dez de seus chefes e elim inar para sem pre o perigo que

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representava a ensaca do Cassanze. Assim tam bém quem continuava, na

Quissam a, o nom e de Cafuxe Cam bare, aquele rei que obrigara os portugueses a retirar-se de suas terras, em 1594. Sousa Chichorro, m al assum iu a governança, não dem orou quatro m eses para ordenar contra os reinos do Libolo e da Quissam a, refúgios da escravaria que não parava de fugir de Luanda e de Massangano, um a am pla operação m ilitar, m obilizando m ais de 450 infantes portugueses, 17 cavaleiros e dez m il arqueiros, além de quatro lanchas, destinadas a patrulhar o Cuanza. Apesar de ter tido m ais vitórias do que derrotas, num a desgastante cam panha de ano e m eio, não só contra o kafushe kam bare, m as tam bém contra o soba Lanj i, cuj os dom ínios ficavam na outra m argem do Cuanza, defronte à fortaleza de Cam bam be, e os reinos quissam as do kataka kasala (o Cataca Casala dos portugueses), do kim bam bala (ou Quim bam bala) e do m alum ba a kam bolo (ou Mulum ba Acam bolo), esse exército se retiraria para Massangano, no início de 1656, com enorm es baixas, sem ter obtido m ais do que

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um bom núm ero de cativos. A Quissam a continuou inconquistada e hostil.

Com suas tropas, Angola Ari acom panhara os portugueses na cam panha. Com o tantas vezes fizera antes. Não se via com o um títere deles, m as com o um aliado. Daí que tenham sido enorm es a surpresa e o desapontam ento com a notícia do acordo entre Jinga e Luanda. Sentiu-se traído e com certeza se pôs em guarda. Não havia por que gastar-se para m anter um a associação na qual o outro parceiro dava as m ãos a quem ele considerava a inim iga. Foi-se, ao que parece, descom prom etendo lentam ente, com o podia. Assim , quando Sousa Chichorro resolveu, em 1657, fazer a guerra ao rei do Congo, Angola Ari não o acom panhou, nem tam pouco o seu filho, pretextando am bos m otivos de

saúde. 133

No governo de João Fernandes Vieira (o m esm o João Fernandes Vieira das guerras contra os holandeses no Brasil e que chegara a Angola em abril de 1658), aum entaram o desagrado e as decepções de D. Filipe, porque, tendo o rei andongo entrado em conflito e derrotado Ngolom en-a-Cacom be, um chefe adicto aos portugueses, estes constrangeram Angola Ari a devolver o butim que

recolhera na cam panha.134 A desconfiança devia estar, assim , entranhada no espírito do filho que lhe sucedeu, João Angola Ari, que, desde m enino, não conhecera paz, num território no qual a introm issão e a em páfia portuguesas, bem com o a crescente dem anda por escravos provocavam um a guerra após a outra.

Os m anicongos j á estavam cansados disso tudo. E de saber que os brancos os olhavam de cim a para baixo, com o avassalados ou protegidos; só m uito raram ente com o iguais; e nunca com o protetores. Em suas decisões, os europeus consideravam apenas os seus interesses; j am ais, os dos aliados africanos. E, de década para década, neles aum entava a prepotência. Os próprios frades capuchinhos, que eram italianos e espanhóis e haviam com eçado tão bem , dem onstravam um a crescente incom preensão pelo m odo com o os congueses sentiam e praticavam o catolicism o, deles exigiam com portam entos esdrúxulos, desentendiam -se com os sacerdotes m ulatos, desprezavam os catequistas m uissicongos e se im iscuíam cada vez m ais na com plicada política da terra. O rei, que contara com eles para fortalecer-se frente à nobreza e ao clero português e para libertar-se do Padroado lusitano, passou a vê-los com o dúbios, desleais e até com o cúm plices de seus adversários.

As suspeitas de duplicidade tornaram -se m ais agudas no am biente que se seguiu à expulsão dos holandeses. Garcia II não podia deixar de sentir-se inseguro, com o m alogro de sua política externa. Internam ente, as pressões centrífugas não tardaram em tornar-se m ais fortes, cada senhor provincial a querer im itar o exem plo de Sônio. Tudo contribuía para dificultar o proj eto do m anicongo de fazer de seu filho m ais velho, D. Afonso, o seu sucessor, contra as pretensões dos que j ulgavam que o lugar devia caber a um outro ram o da dinastia. Garcia II procurou neutralizar, afastando-os de posições de poder, ou elim inar fisicam ente os candidatos possíveis. E correu riscos, com o quando da conspiração para assassiná-lo dos três irm ãos de Garcia I, em 1657. Logrou prender dois deles, que depois m andou executar, m as não pôde im pedir que o terceiro, D. Álvaro, o m ani de Pem ba, desertasse para Sônio, com cem

arcabuzeiros e cinco m il arqueiros, e de lá am eaçasse depô-lo. 135

No auge da crise, Sousa Chichorro ordenou a invasão do Bum be. Havia algum tem po, cogitava em castigar o m anicongo, a quem os m oradores de Luanda acusavam , j untam ente com os senhores de Bum be e Bam ba, de abrigar os escravos fugidos. Ao cativar congos, dem bos e am bundos, gente de perto, fam iliarizada com o m eio e capaz de entender-se com todos os que viviam na região, os portugueses de Luanda, Massangano e dem ais presídios, desobedeciam a um a lei básica do escravism o: levar para longe, para outra geografia e para outra cultura, quem era feito escravo. Era natural que se m ultiplicassem as fugas. E natural tam bém que os fugitivos encontrassem fácil e pronto abrigo, pois engrossavam o núm ero dos dependentes de quem os recebia e, quim bares, reforçavam as suas tropas.

Em bora j á decidido a invadir o Bum be, Sousa Chichorro foi estim ulado pelo pedido de auxílio que lhe fez o m ani de Pem ba, D. Álvaro. Preparou um exército, sob o com ando de Diogo Gom es de Morales, m as sem contar com as tropas de Angola Ari, e ordenou-lhe que cruzasse o Dande. Os portugueses bateram o m ani de Bum be, que foi refugiar-se nas terras de seu suserano, o m anibam ba. Quando se pensava que iam continuar a cam panha do outro lado do Loj e, as tropas de Luanda, cansadas e com grandes baixas, resolveram não atravessar o rio — a que cham avam “rio do esquecim ento”, dele dizendo que quem o atravessava não m ais voltava — e evitar o confronto com o m ani de Bam ba. Este, sabedor de que Álvaro saíra de Sônio para j untar-se aos invasores, aproveitou-se da indecisão lusitana para fazer frente ao príncipe rebelde. Em boscou-o no rio M’Bridge, venceu-o e o executou. Enquanto isso se passava, Garcia II escrevia a Sousa Chichorro, a oferecer a paz e a com prom eter-se a

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devolver os escravos fugidos.

Com o regresso das tropas portuguesas a Luanda e a m orte de D. Álvaro, Garcia II respirou, aliviado. Mas a tranquilidade durou pouco, pois o novo governador de Luanda, João Fernandes Vieira, cobrou-lhe a volta da escravaria que escapara para o Congo. O rei restituiu a Luanda duzentos fugitivos, m as som ente velhos e crianças.

Os portugueses recusavam -se a cum prir o acordo com os congueses, na form a que tom ara após as correções de D. João IV, m as exigiam que esses o cum prissem na sua prim eira redação, com o se seu texto não tivesse sido m odificado. Não acabavam de indignar-se por não conseguir dobrar o m anicongo. Já era hora de fazê-lo, pensou Fernandes Vieira. E, após declarar guerra ao Congo, em 1659, m andou o exército para o norte, com a m issão de, no cam inho, reduzir à obediência os dem bos de Ndam bi Ngonga e Quitexi Candam bi. A expedição foi um m alogro. Protegidos por um denso arvoredo, os dem bos fustigaram as tropas portuguesas, que m al avançavam no terreno. Passados m uitos m eses, quase um ano, estavam elas vencidas pela fadiga e desm oralizadas. A gente de Massangano que as integrava chegou a rebelar-se, recusando-se a continuar, com a alegação de que os seus m oradores estavam

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proibidos de participar de guerras ofensivas.

Novam ente interrom peu-se a cam panha, para desafogo do m anicongo, que, j á então, havia elim inado os principais adversários a que transm itisse o poder a seu filho Afonso. Este seria, entretanto, vítim a de um a intriga tão bem urdida, que D. Garcia II se convenceu de que aquele a quem destinava o trono conspirava com os capuchinhos para antecipar o m om ento em que nele se sentaria. Mudou de parecer sobre o herdeiro e fez um outro filho, Antônio, o m ani de Pangu (ou Mpangu). Desta posição de poder, Antônio, Vita Nkanga ou Mani Mulaza alçou-se ao trono, após a m orte do pai, em 1661. E m andou m atar D. Afonso, seu irm ão.

No m esm o ano, chegava a Luanda um novo governador português, André Vidal de Negreiros. Com o seu antecessor, trazia consigo a fam a de vencedor dos holandeses em Pernam buco. Desde a invasão batava, tinham -se apertado ainda m ais os vínculos entre Angola e o Brasil. Era do Brasil que provinham os socorros, tanto para os holandeses quanto para os portugueses, socorros a que não faltavam contingentes de brasilienses, isto é, de índios e m am elucos. Sousa Chichorro vivera no Brasil. E fora no nordeste brasileiro que seus dois sucessores se tinham tornado grandes cabos de guerra. João Fernandes Vieira, em bora m adeirense, viera para o Brasil aos 11 anos de idade; André Vidal de Negreiros nascera na Paraíba. Am bos eram , pois, hom ens dos trópicos, acostum ados aos inim igos de arco e flechas, às tocaias e às guerrilhas. E tanto um quanto o outro trouxeram para a África soldados e táticas de guerra do Brasil.

Desde sua chegada, Vidal de Negreiros m ostrou-se pouco disposto a contem porizar. Queria os escravos fugidos de volta. Queria a liberdade de trânsito dos com erciantes portugueses pelas terras conguesas. Queria que o m anicongo não consentisse a entrada na foz do Zaire de navios flam engos. Queria as m inas, fossem elas de ouro, com o, havia m uito, se propalava, de prata ou de cobre. E sentia que era urgente subm eter o rei do Congo, até porque constava com insistência que D. Garcia II propusera um a aliança ao m onarca espanhol para a tom ada de Angola. Por sua vez, o m anicongo não parava de reclam ar a devolução da ilha de Luanda e da suserania sobre os dem bos. A correspondência entre os dois lados aprofundou as diferenças, agudizou a crise e a encam inhou para a solução arm ada.

Havendo Vidal de Negreiros obtido de Lisboa o consentim ento para que se ocupassem as m inas, não tardou ele em decretar a m obilização m ilitar para cum prir esse obj etivo. O cabido de São Salvador protestou, a argum entar que Portugal havia a elas renunciado, desde a época do m anicongo Afonso II, e que o rei D. João IV desvinculara, ao m odificar o tratado de 1649, a cessão das m inas da devolução da ilha de Luanda e das terras dos dem bos. Mas o governador não estava para ouvir as razões de um grupo de padres e frades, que para ele, por serem m ulatos e pretos, m al sabiam rezar o terço. Muito m enos depois que dois fatos novos pareceriam alterar em seu favor a relação de forças: a regente do reino dem bo de Am buíla, Dona Isabel Afonso, procurara a aliança portuguesa contra D. Antônio; e o m ani ou duque conguês de Oando, em cuj as terras se im aginava que ficassem as m inas de ouro, desligara-se da suj eição ao rei do Congo e tam bém solicitara aj uda de Luanda. Não era a prim eira vez que Oando ensaiava escapar da suserania de Banza Congo. Tentara fazê-lo em 1663, m as o m anicongo solicitara à rainha Jinga que reduzisse a província à obediência. Jinga não se fez de rogada: invadiu Oando, derrotou o duque e levou com o prisioneiros sua m ulher, um de seus filhos e os principais nobres da terra. No ano seguinte, um novo m ani de Oando repetiu o desafio. Derrotado, fugiu para Am buíla e foi de lá que endereçou o pedido de socorro a Vidal de Negreiros, prom etendo em troca revelar onde ficavam as m inas de ouro.

À m obilização de Vidal de Negreiros correspondeu a cham ada às arm as de D. Antônio I. Convocou ele aos seus exércitos “toda pessoa de qualquer qualidade que sej a, fidalgo ou m ecânico, pobre ou rico, capaz de poder m enear arm as ofensivas em todas as vilas, cidades e lugares de todos os” seus “reinos, províncias e senhorios”, a fim de defender suas “terras, fazendas, filhos e m ulheres” e suas “próprias vidas e liberdades de que a nação portuguesa se quer

em possar e senhorear”. 138 Reunidas as tropas, que som avam m ais de cem m il hom ens, entre os quais 190 m ulatos e 29 portugueses residentes em Banza

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Congo, elas se dirigiram , sob o com ando do rei, para Am buíla. Nelas

form avam os m anis de Bam ba, Bata, Sunde, Bum be e Pem ba. Até o duque de Sônio, que se tinha por independente, atendera à convocação.

As tropas lusitanas, fortes de seis m il a sete m il soldados sob a chefia de Luís Lopes de Sequeira, saíram de Luanda em j ulho de 1665, e m archaram para Am buíla, depois de passar por Massangano. Acam param em Oulanga, no alto Loj e, onde as foram encontrar, na m anhã de 29 de outubro, os exércitos do m anicongo. Desta feita, os portugueses se dispuseram em quadrado, à europeia, no cam po de batalha. Inferiores em núm ero, concentraram -se em escolher com o alvo as chefias congas. Já D. Antônio contava com a chuva — as nuvens escureciam a paisagem — para tornar ineficazes as arm as de fogo portuguesas. De ataque em ataque, quando parecia que o quadrado português ia ser cercado pelos congueses, um a espadeirada ou um a bala m iúda derrubou o m anicongo. Rapidam ente, um soldado negro das tropas portuguesas cortou-lhe a cabeça e a exibiu o m ais alto que pôde, na ponta de um a lança. Ao ver o rei m orto, os seus com andados desabalaram . Seguiu-se a degola, a captura de gente, o saque dos

tesouros do m anicongo, que este trouxera consigo.140

A cabeça de D. Antônio foi salgada, posta num cofre forrado de veludo e m andada, j untam ente com sua coroa, para Luanda. Enterraram -na, após ofícios solenes, na erm ida de Nossa Senhora de Nazaré, aos pés de cuj a im agem

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colocaram a coroa de prata dourada do rei do Congo. Em j aneiro de 1666, o

novo m ani ou duque de Oando prestou j uram ento de vassalagem ao soberano português. As am ostras tiradas da tão am bicionada m ina pareciam ouro, m as eram apenas carbonato de cobre.

Na batalha de Am buíla, o Congo perdeu o m elhor de sua aristocracia: os m anis de Bam ba, Sunde, Bata e Pem ba, 95 altos dignitários e 400 outros m uissicongos, além do clérigo m ulato, que dava assistência espiritual e conselho político ao rei, o barbadinho frei Francisco de São Salvador, que, antes de tom ar ordens, se cham ara padre Manuel Roboredo. Muitos fidalgos caíram prisioneiros, e a alguns deles André Vidal de Negreiros m andou, nas palavras de Antônio de Oliveira Cadornega, “degredados, por serem libertos, para o Brasil, ou para os

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seus engenhos de açúcar”. Foram insignificantes as baixas lusitanas: 25

soldados m ortos, sendo um deles branco, e 161 feridos, dos quais 11 europeus. 143 Nesse côm puto não devem estar incluídas as perdas dos aliados africanos dos portugueses, sobre os quais recaía geralm ente a parte m ais sacrificada da luta.

Essa batalha m arcou o fim do poderio de Banza Congo. Deixavam os antitolas de ser um a am eaça para os portugueses. Isto não significava, no entanto, que a pax lusitana se im pusera ao norte do rio Dande. Nem sequer ao longo do Cuanza. Pois os portugueses com eçaram a ter problem as com os que ali tinham sido até então os seus m elhores aliados. Com o os andongos de Angola Ari, que se haviam ausentado om inosam ente da batalha de Am buíla. D. Filipe m orrera fazia m ais de um ano. Sucedera-lhe em 1664, após quase quatro décadas de reinado, o filho, João, que acum ulara, durante o aprendizado ao lado do pai, m otivos para desconfiar da lealdade portuguesa. Tanto assim que, desde o início, deixou claro que não estava disposto a ser tutelado: ao português que pretendia confirm á-lo no

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poder, disse que lhe bastava ser obedecido pelos seus. E não dem orou em

revelar que aspirava ao controle do com ércio entre Luanda, de um lado, e os reinos Matam ba e Caçanj e, de outro. Ocupou m ilitarm ente as principais rotas m ercantis, subm eteu os chefes com pretensões de autonom ia e construiu um

forte em Pungo Andongo, de onde passou a cobrar taxas às caravanas. 145

De um a cam panha m ilitar, os portugueses saíam para outra. Pois os reis, régulos e chefes africanos que tinham algum a vez sido aliados dos luandenses não podiam deixar de reagir às expropriações que esses lhes im punham , ou procuravam im por, de tributos, terras e recursos hum anos. Se os am bundos eram visceralm ente agricultores, só tom ando as arm as quando a isso constrangidos, havia grupos — e este era o caso dos im bangalas — que se regiam por um a ética m arcial. Outros foram levados a um a vida conflituosa pela necessidade de produzir cativos ou para proteger-se dos preadores de gente. Os próprios m oradores portugueses não largavam as arm as, pois se obtinham pelo com ércio parte dos cativos com que procuravam atender a um a dem anda transatlântica crescente, a outra lhes vinha do tributo, das operações m ilitares e das razias. A gente de Luanda continuava a caçar gente. Além disso, considerava-se dona da terra — de toda a terra onde pudesse chegar. Por isso m ultiplicavam -se os conflitos com os chefes locais, por cuj os dom ínios cada m ercador português se j ulgava com direito de passar, sem o pagam ento das taxas de entrada, saída ou trânsito. E sem desem bolsar o im posto pelas m ercadorias com erciadas. A profanação de lugares sagrados, o desrespeito aos costum es locais, a arrogância com que m uitos retribuíam a hospitalidade, tudo gerava novos conflitos.

Os portugueses viam -se obrigados a m anter as arm as voltadas para o sertão e tam bém para o oceano: a am eaça holandesa não se extinguira. Se tinham sido expulsos de Luanda e Benguela, os seus navios continuavam presentes não só no Loango e no Sônio, m as frequentavam toda a costa atlântica, do norte ao extrem o sul, a exercer o com ércio e o corso. E cada vez encontravam outras velas, francesas, inglesas, espanholas, ham burguesas e dinam arquesas, que desciam e subiam o litoral, não só para conseguir escravos, m as a m ercadej ar um a gam a crescente de m ercadorias.

Vej a-se o caso de Arguim , cuj o controle passara, em 1638, dos portugueses para os holandeses. Se lá ainda se conseguia algum ouro, o principal produto com que se trabalhava era a gom a-arábica, com procura certa na Europa. A gom a senegalesa, produzida pelas acácias que cresciam naturalm ente em bosquetes no Sael, a acom panhar à distância o rio Senegal, estava substituindo cada vez m ais a que os europeus, havia séculos, recebiam da Arábia e do Sudão nilótico. E o seu consum o só tendia a aum entar, à m edida que se am pliava o uso da resina na farm ácia, na m anufatura de confeitos e na indústria têxtil, sobretudo na estam paria. A gom a era retirada das árvores pelos escravos dos m ouros, e eram

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estes que a traziam para o litoral ou para os m ercados ribeirinhos. Com a conquista de Arguim , os holandeses procuraram tornar-se os parceiros privilegiados, se não exclusivos, desses m ouros. Mas esbarraram com a com petição dos franceses e de outros europeus, que percorriam o litoral m auritano.

Por essa época, os franceses j á dispunham de um entreposto na ilha de Bakosse, na boca do Senegal. No baixo curso do rio, m ercadej avam com a gom a. Subindo as águas, iam atrás do ouro, do m arfim , das plum as de avestruz, das peles e dos couros. Em 1659, eles procuraram consolidar sua posição de predom ínio com ercial, construindo na foz do rio a fortaleza de Saint Louis. Esta teria, no fim do século, um apoio, no interior, no forte de Saint Joseph, a m ontante da j unção do rio Falem é com o Senegal, próxim o, portanto, aos cam pos auríferos de Bam buk, e em pleno território de Gadiaga. Nesse reino, dom inado pela dinastia Baacili, incrustavam -se, quase que de todo independentes, várias cidades e aldeias de uângaras soninquês, cuj as atividades m ercantis alcançavam , para o norte, Diara, em plena borda do deserto, para leste, o delta interior do Níger e,

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para oeste, o baixo Senegal.

Em 1664, os franceses proclam aram sua soberania sobre as costas africanas desde o cabo Branco até a Serra Leoa, m as seus com petidores não lhes deram ouvidos. No ano seguinte, os ingleses arrancaram a ilha de Arguim aos holandeses, que a conseguiram reaver em 1667, para perdê-la para os franceses m eses depois. Estes fecharam a feitoria e proibiram o com ércio de gom a-arábica na costa m auritana, a fim de concentrá-lo em Saint Louis. Mas, em 1685, o forte de Arguim retornou às m ãos holandesas e a gom a de novo por ele fluiu.

Se os franceses se m antinham firm es na foz do Senegal e os portugueses em Cacheu e Bissau, os ingleses assentaram -se na em bocadura do Gâm bia, dali expulsando pouco a pouco os navios de Portugal. Em 1651, o duque Jam es de Courland “com prou” do régulo local (isto é, pagou-lhe as taxas e im postos que lhe perm itiam ocupar e usar tem porariam ente a terra) um a pequena ilha rochosa na entrada do rio e ali ergueu um forte, que prim eiro se cham ou Saint Andrew e, depois, Saint Jam es, nom e que tam bém tom ou a ilhota. A guarnição, form ada por ingleses e outros europeus, entre os quais avultavam os dinam arqueses, vinculou-se aos lançados portugueses e aos luso-africanos que se espalhavam em aldeias ao longo das águas, e procurou captar o com ércio desde o m ais fundo do sertão. Para isso, os curlandeses — nom e que tom aram esses aventureiros — possuíam

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oito feitorias próprias e um a bateria onde hoj e fica Banj ul. Dez anos depois,

após a ilha lhes ter escapado das m ãos e a elas regressado m ais de um a vez, os sete curlandeses europeus que nela restavam renderam -se aos canhões dos navios de um a com panhia, os Roy al Adventurers Trading to Africa, à qual o rei Carlos II da Inglaterra havia concedido o privilégio do com ércio no Gâm bia.

Os franceses, que em várias ocasiões tom ariam o forte, sem ocupá-lo,

ergueram em 1681 um entreposto, subordinado à Goréa,149 na m argem norte do Gâm bia, defronte à ilha. Se Jean Barbot recebeu as inform ações corretas,

tratava-se de um a sim ples casa de palha, sem m aiores m eios de defesa,150 ao contrário do forte inglês, que, em bora pequeno, era de pedra e cal, com casas e arm azéns protegidos por seus m uros e por m ais de vinte peças de artilharia,

conform e o descreveu o capitão Francisco de Lem os Coelho.151 Por reconhecerem não ter o seu entreposto condições de com petição, os franceses, sem abandoná-lo e nele efetuando as trocas que podiam , procuraram desviar do Gâm bia para o Senegal o com ércio do ouro, do m arfim , da cera, dos couros e dos escravos. Os portugueses atuaram de m odo sem elhante, buscando puxar as rotas m ercantis dos m andingas e dos luso-africanos do alto Gâm bia para os rios Casam ansa, Cacheu e Geba. Ainda que os ingleses lhes vedassem a passagem dos barcos pela foz do Gâm bia, os portugueses não desistiam daqueles m ercados: com sal, noz-de-cola e panaria de Cabo Verde, iam ter até eles pelo interior,

cam inhando por terra e rem ando ou velej ando pelos rios.152

Quando Lem os Coelho e Barbot escreveram os seus relatos, os holandeses j á haviam perdido a posição predom inante que, por algum as décadas, m antiveram nos litorais atlânticos da África. Mas seus navios continuavam a percorrer a Costa.