A Manilha e o Libambo
23. A África Atlântica, ao norte do equador
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
1590, 6.377 subiram aos navios nos litorais dos Rios da Guiné38 e eram bagas, balantas, banhuns, beafadas, bulons, casangas, felupes, j olas, landum as, lim bas, m andingas, nalus, pepéis e sapes. Da região, segundo um m em bro do Conselho Ultram arino português, retiravam -se, antes de 1640, perto de três m il escravos anualm ente, quase todos destinados às possessões espanholas no continente
am ericano. 39 Se adicionarm os a essa cifra o que se exportava em navios ingleses, franceses e holandeses, é possível que se alcancem as cinco m il
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cabeças anuais estim adas por Walter Rodney.
Quando da Restauração, o tráfico de gente para as Índias de Castela estava parcialm ente em m ãos espanholas. Ao m enos, na vila de Cacheu, dom inada pelos m ercadores de escravos. Em 1640, 80 de seus principais habitantes eram
castelhanos, e só cinco ou seis, portugueses. 41 Essa inform ação, constante de um docum ento queixoso endereçado a D. João IV por dez m oradores de Cacheu, talvez fosse propositadam ente exagerada, para sublinhar a lealdade de alguns dos signatários, que, em bora m inoria, haviam conseguido que a vila aclam asse o Bragança. Já em Cartagena, eram m uito m ais visíveis do que os espanhóis os capitães de navios negreiros e m ercadores portugueses, vários deles cristãos-novos e alguns sob suspeita da Inquisição de continuarem em segredo fiéis ao
m osaísm o.42 Esses com erciantes lusitanos traziam escravos não só da Senegâm bia e dos Rios da Guiné, m as tam bém de Angola, cuj a participação no tráfico para Cartagena iria em aum ento nas prim eiras quatro décadas do século XVII, até beirar os 50%.
Ao ascender ao trono, um a das m edidas de D. João IV foi proibir aos portugueses a exportação de negros para a Am érica espanhola. De três m il, o
núm ero de cativos que saíam dos Rios da Guiné caiu para 600.43 Esperavam as autoridades portuguesas que a interdição do com ércio com as Índias de Castela fosse com pensada pelos em barques para o Brasil português, sobretudo após a tom ada de Luanda pelos holandeses. Alguns navios devem ter seguido para portos brasileiros, m as não faltaram os que desviaram de rota e foram ter à
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Am érica espanhola, onde os negreiros eram pagos em prata. Isto explica por que, a repetir um texto da época, os com erciantes de Cacheu m orriam pelos
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negócios com as Índias de Castela e não se interessavam em m andar escravos
para o Brasil. Pelo m esm o texto ficam os sabendo que, entre o início de 1645 e m aio de 1647, apenas três em barcações saíram para a Am érica portuguesa, e
todas quase descarregadas.46
Até que se revogasse, em 1o de j unho de 1647, a proibição do com ércio com os espanhóis, paralisou-se a econom ia de Cacheu. Quando de novo se aprum ou, Cartagena não era m ais o m ercado por excelência. Após cerca de 14 anos sem quase receber negros do continente africano, a bela cidade am uralhada voltou-se para outros fornecedores, sobretudo os holandeses e os ingleses, e para outras fontes — e não só na África, m as tam bém na Am érica, com um contrabando de alm as a partir de Curaçao, da Jam aica e de Buenos Aires. A m udança com pletou-se de m odo tão rápido e com pleto, que, no fim do século, quase que desaparecem as m enções a escravos da Senegâm bia e dos Rios da Guiné. Se ainda há algum as poucas referências aos cham ados cabo-verdes (e que eram , penso, não só os em barcados nas ilhas, m as tam bém os adquiridos na região defronte, no continente, j unto ao cabo que dera o nom e ao arquipélago e na ilhota da Goréa) abundam nos textos os angolas, os ararás ou ardras e os caravalis ou
calabares.47 Na Am érica, os Rios da Guiné passariam a ter por principais destinos de seus escravos as possessões inglesas, francesas e holandesas, além , j á no século seguinte, do Brasil, onde provavelm ente eram classificados com o cabo-verdes. O fato de, ao constituir-se, na época do m arquês de Pom bal, a Com panhia Geral do Grão-Pará e Maranhão, se terem escolhido os portos de Santiago, Cacheu e Bissau com o principais fornecedores de escravaria para as praças paraenses e m aranhenses (e, pouco depois, para a feitoria de Parnaíba, no
Piauí)48 poderia indicar, aliás, que o norte e m eio-norte do Brasil j á recebiam , desde algum tem po, ainda que em pequenos núm eros, balantas, banhuns, felupes, m andingas, sapes e outros grupos daquela área.
É provável que, durante o período em que foi vedado o com ércio entre portugueses e espanhóis, um ou outro navio espanhol aparecesse nas redondezas de Cacheu, a m ercadej ar às escondidas, e fosse bem recebido pelos pepéis,
lançados e luso-africanos. 49 Contra isso, os representantes do rei de Portugal pouco ou nada podiam fazer. Os lançados eram poderosos, queixava-se um deles. Não lhe tinham tem or algum , “fiando-se nos m uitos negros frecheiros seus
escravos” e na proteção das suas tranqueiras com peças de artilharia.50
Com exceção dos m oradores de Bissau, que deixaram notícias de ter
organizado expedições de preia, 51 os lançados e luso-africanos obtinham os escravos por com pra. Em m uitos casos, os cativos resultavam de conflitos políticos, de ações arm adas entre nações e grupos rivais. Com o tem po, porém , alguns povos da região passaram a fazer a guerra para obter escravos. Até m esm o para atender a encom endas, com o se passava com Farm a, que reinou sobre os m anes no fim do século XVI e prim eiros anos do XVII: m al recebia um
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pedido de 300 ou 400 escravos, enviava os seus soldados atrás deles. Houve,
aliás, j agras ou nobres que fizeram da captura de gente a sua principal atividade. Com o aquele Salim , que o franciscano André de Faro batizou em 1663, no rio do
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Nuno, e que tinha um a tropa de 60 caçadores de hom ens.
Bandos com o esse dedicavam -se a atacar aldeotas, pequenos com boios de cativos a cam inho dos m ercados, viaj antes, m ulheres que se banhavam ou lavavam roupa nos regatos, e garotos que brincavam , descuidados, fora das tabancas. Ainda que fossem facínoras experim entados, o seu ofício não era isento de riscos. Podiam encontrar num pequeno vilarej o um a resistência m aior do que a prevista ou ser perseguidos pelos fam iliares das m ulheres e dos m eninos
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sequestrados. Dedicar-se à escravização era um a tarefa perigosa, na qual se
podia passar de caçador a presa. Só a exercia com relativa segurança quem contava com o apoio de guerreiros em núm ero suficiente para esm agar a reação dos agredidos. Era, por isso, um a atividade reservada aos poderosos.
A dem anda transatlântica de escravos foi responsável, na região, pelas m udanças experim entadas por vários reinos, nos quais o com ércio de escravos tornou-se indispensável ao funcionam ento do estado. Neles, o estoque de escravos tinha de ser refeito constantem ente, não só com o m ercadoria, que se trocava por arm as e bens de prestígio, m as tam bém com o fator de produção, isto é, para a obtenção dos soldados com os quais se conseguiam novos cativos. E de braços para trabalhar as roças que os alim entavam .
Ao longo da costa, os bij agós eram os m ais tem idos predadores. Os m aiores de todos, porém , a operarem desde o fundo dos sertões até o litoral, eram os m andingas, sobretudo o farim do Gabu e os seus súditos. Na sua expansão para o ocidente, os gabunquês fizeram pelas arm as um não acabar de escravos. Muitos ficavam com eles, a reforçar os exércitos, as casas e as lavouras, e os seus descendentes se tornavam , na quarta geração, hom ens livres. Os dem ais eram vendidos diretam ente aos europeus — o m ansa Biram Mansaté, por exem plo, no
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final do século XVII, lhes fornecia cerca de 600 escravos por ano — ou, na
m aior parte dos casos, aos luso-africanos e aos m ercadores islam itas, que serviam de interm ediários. Os bixirins traziam cativos de m uito longe. De onde quer que tivesse havido guerras. Da região entre o alto Gâm bia e o alto Níger. Do Futa Jalom . Do Gadiaga ou Galam . Do país bam bara. De todas as fronteiras do Gabu. Pois no Gabu estabeleceu-se um a aliança íntim a entre os aristocratas belicosos, na sua m aioria fiéis à religião tradicional, e os com erciantes m uçulm anos, tão devotos e dedicados ao islam e quanto os ulem ás (geralm ente diacanquês) que cada m ansa ou farim , ainda quando incréu, m antinha com o conselheiro em sua corte, lado a lado do sacerdote anim ista.
As tradições de um clã diula, o Darbo, sustentam que seus ancestrais, vindos do alto Níger, se instalaram no m édio Casam ansa e depois em Uli (ou Wuli), no m édio Gâm bia, de onde com eçaram a com erciar com escravos, criando entrepostos ao longo do rio. A crônica fam iliar guarda com orgulho, ao lado dos nom es de seus m arabutos, o daquele que prim eiro m ercadej ou com cativos, Fom ang Darbo. Após casar-se com um a filha do m ansa de Nium i, ele instalou-se em Julufre (ou Jufure), defronte à feitoria inglesa da ilha de Jam es e próxim o ao estabelecim ento francês de Albreda. Os m em bros do clã Darbo adquiriam com sal e panos trazidos da costa os prisioneiros resultantes de guerras na região entre Tanda e o Níger, e os levavam por terra até Uli, onde o chefe da caravana, ou silatigi, analisava as condições de m ercado e decidia para onde levar os cativos: se para a foz do Gâm bia, para vendê-los aos ingleses ou franceses; se para o Casam ansa e o Geba, onde os esperavam os luso-africanos e os portugueses; ou se para o rio Senegal. Podia tam bém considerar de m elhor alvitre fazê-los cam inhar até Fatatenda, o m ercado ribeirinho de Uli, e esperar que viessem buscá-los os europeus ou outros africanos. Se os preços estivessem baixos ou rareassem os fregueses, os Darbos guardavam os escravos por algum tem po e os punham a trabalhar no cam po, a produzir m ilhete e algodão, e a fiar e a tecer
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panos, pois de tudo isso eram tam bém vendedores. Ao assim proceder, os Darbos não eram exceção: seguiam a regra, pois os diulas não só com erciavam
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escravos, m as eram deles grandes proprietários e lhes exploravam o trabalho. De um a outra fam ília diula, a de Mam adi Konté, dona de enorm e escravaria, sabe-se que fez fortuna com o com ércio do algodão, dos tecidos e das roupas
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feitas.
Ao escrever que os Darbos levavam os cativos até Uli, eu devia ter sublinhado as palavras “por terra”. Pois, quando resolviam continuar a viagem até Julufre, era tam bém por terra que a faziam . O rio estava ali, m as, com o tantos outros m ercadores m andingas, os Darbos não tinham intim idade com as canoas. Alugá-las representava um a despesa adicional e reduzia o ganho por escravo. A viagem por barco era m ais rápida, porém nela a rota estava previam ente desenhada e não havia com o escapar da cobrança das taxas de passagem im postas pelos reis, régulos, chefes ou chefetes que controlavam as m argens do rio. Por terra, sem pre era possível, caso as taxas cobradas num determ inado território fossem consideradas abusivas, desviar-se dele. E por terra aum entava a flexibilidade da caravana. Os escravos iam ligados uns aos outros, m as levavam à cabeça a carga dos m ercadores: os dentes de elefante, os fardos de pano, os am arrados de cera de abelha, para os quais tinham com pradores no litoral, e tam bém o que adquiriam em cada aldeia para vender pelo cam inho, com o os cestos de inham es ou as cabaças de azeite de dendê. O com boio parava onde o seu chefe queria, sobretudo onde tinha casa outro Darbo, e ali podia ficar por alguns dias ou sem anas, os escravos a trabalharem para o hospedeiro, enquanto se refaziam da canseira da longa viagem e das doenças nela contraídas. Já no regresso para o interior, os Darbos não desprezavam as canoas. Tinham vendido os carregadores e com eles só retornavam os poucos escravos de confiança, com três gerações na casa, que portavam arm as e vigiavam os outros. Por isso, ou alugavam barcos para levar os cestos de sal, de noz-de-cola e de peixe e m ariscos secos, ou se
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valiam de j um entos.
A área de atuação dos Darbos fazia provavelm ente parte, no século XVII, do
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espaço de hegem onia do Gabu, de seu sistem a de reis-clientes. Isto a que se
poderia cham ar im pério j á teve o seu contorno assim traçado: ao norte e ao nordeste, a banda esquerda do rio Gâm bia ou um a linha a acom panhar a algum a distância a sua m argem setentrional; a oeste, um traço que, saindo da confluência do Vintang com o Gâm bia, cruzasse o Casam ansa, onde neste deságua o Sangrougrou, e continuasse num a reta pelo interior até o fundo do estuário do Geba ou Grande, ou que, partindo da foz do Gâm bia, acom panhasse o litoral, até a em bocadura do Geba; ao sul, a fronteira subiria o Corubal, afastando-se de seu leito para leste até alcançar novam ente esse rio, no seu alto curso, de onde seguiria para nordeste, até novam ente ir dar no Gâm bia, ou, então, os lindes
seriam , a sudeste, o rio Kianga e, a oriente, o Futa Jalom .61 Com preenderia, portanto, no seu apogeu, não só aquelas áreas que aparecem com o reinos ou províncias nos textos seiscentistas — Cantorá (ou Cantor), Kansala, Jim ara, Mana, Pakana e Sam a, por exem plo —, m as tam bém os dom ínios do farim de Braço (Brasu ou Birassu), que ainda não se teria independentizado, e, por m eio dele, os que lhe eram vassalos, com o o m ansa de Casa e m uitos dos régulos
banhuns, balantas e beafadas.62 Da área de hegem onia do caabu-m ansa-ba ou
soberano do Gabu 63 faziam parte, ao norte do Gâm bia, os reinos de Nium i, Badibu e Uli, governados por nobres niantios. O farim de Cocoli tam bém era seu
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tributário, ao ter por suserano o farim de Braço. O caabu-m ansa-ba controlava, assim , as redes m ercantis dos m andingas, ao longo do Gâm bia, e,
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j unto à costa, as dos banhuns e dos beafadas, não se excluindo que, para isso,
os tenha, de form a direta ou por interm édio do farim de Braço, subm etido m ilitarm ente. Os banhuns, por sinal, veneram a m em ória de Gara Sira Bana, que têm por seu últim o rei independente e que teria sido derrotado pelos m andingas
em data que não conseguem precisar.66
A arm a de prestígio dos niantios e dos coringos era o cavalo — o cavalo que só a m uito custo sobrevivia na m aior parte de seus dom ínios, por causa da tsé-tsé. Os equinos figuravam , por isso, entre as suas m ais desej adas im portações, tanto dos reinos j alofos quanto do arquipélago de Cabo Verde. Do com ércio atlântico e, em últim a análise, do tráfico de escravos, dependiam tam bém para se abastecerem de arcabuzes e m osquetes, cada vez m ais im portantes em seus exércitos, tanto com o arm as ofensivas quanto defensivas. Era, porém , levando um escudo de pele de elefante, antílope ou búfalo, espada, lança, dardos, arco e flechas em bebidas em veneno, que o grosso dos guerreiros m andingas saía, a pé ou em longas canoas, de suas tatas, ou enorm es paliçadas, que envolviam aldeias inteiras.
As m ais im portantes dessas tatas ficavam nas fronteiras do im pério. Com punham um am plo sistem a defensivo, cada qual um a espécie de urbe agrícola, sob um kanta-m ansa, chefe ou régulo fronteiriço, com suas tropas próprias. Além de envolvida por estacas, a tata era protegida por um fosso exterior, no qual se dispunham soldados. No interior da paliçada, havia m ontes de terra artificiais, onde se instalavam os espingardeiros, que da vantagem da altura
atiravam sobre os atacantes. 67
É possível que, desde as últim as décadas do século XVI, boa parte dos escravos em barcados nos portos dos Rios da Guiné j á viesse de grandes distâncias do litoral e fosse arrancada de grupos sem governo centralizado, fáceis de serem preados, porque desprotegidos em suas aldeias, com o, por exem plo, os
tendas, 68 que ocupavam o norte da atual Guiné-Conacri. Esses tendas teriam sido dizim ados pelas razias escravizadoras e pelas enferm idades que desconheciam em seu isolam ento e contraíram na costa, o que explicaria o terem sum ido da história e nem sequer figurarem nos róis de escravos vendidos ao continente
am ericano. 69 Ou com o os bam baras, que deles com eçaram a constar no final do século XVII.
Muitos desses últim os, adquiridos sobretudo nos m ercados de Gadiaga ou Galam , podiam ser, em vez de bam baras, vítim as deles: ao com prá-los, os europeus os receberam com o nom e dos captores. Nesse caso, entre os escravos ditos bam baras haveria m uitos que não o seriam , m as outra gente do alto Senegal e do alto Níger, aprisionada durante as guerras e as razias que assolaram aquela
região, no fim do século XVII e início do XVIII.70 E podiam ser cham ados bam baras, ainda que seus captores fossem m andingas e fulas, um a vez que “bam bara” era um a designação que os m uçulm anos aplicavam à generalidade
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dos anim istas, e os pastores do m édio Níger, aos povos agrícolas. Havia
tam bém quem cham asse “bam bara” aos m alinquês e até m esm o a todos os que
viviam naquela am pla área do sertão.72
Com Songai sob os arm as e o Mali entanguido, os bam baras, um povo de
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idiom a m andê que se cham a a si próprio bam ana, entregaram -se a um
violento processo de construção de estados, na região que com preendia, ao sul do delta interior do Níger, entre esse rio e o Bani, as antigas províncias m alienses de Kala e Bindugu (ou Binduku). Até havia pouco, as com unidades bam baras possuíam som ente um a organização linhageira, ainda que m uitas delas estivessem subm etidas, dentro da estrutura im perial do Mali, à hegem onia de
soninquês, os cham ados m arcas, 74 que se dedicavam sobretudo ao com ércio, inclusive o de escravos.
Ao se esm aecer o poderio do Mali, as aldeias bam baras viram -se presas fáceis das gázuas dos arm as e dos fulas. Para se defenderem , passaram a contar cada vez m ais com os tons, grupos de rapazes que haviam sido circuncidados ao m esm o tem po e que se vinculavam uns aos outros por com prom issos assum idos ritualm ente, durante o período de iniciação. Sob o com ando de um líder, o ton-tigi, esses grupos de idade tornaram -se profissionais das arm as, suj eitos à m ais rígida das disciplinas.
A história de um desses líderes, Sam ake (ou Sha’a Maka), é elucidativa. Nascido em Kala, entrou ao serviço dos conquistadores m arroquinos, no fim do século XVI ou início do XVII. Suponho que, ao engaj ar-se nas tropas do sultão, estivesse acom panhado por seus sequazes, que, j untam ente com ele, aprenderam as técnicas m ilitares m arroquinas e, provavelm ente, o uso das arm as de fogo. Term inado o aprendizado, Sam ake desertou e volveu à sua terra, dedicando-se, a
partir de então, a assolar os arredores de Jené. 75 Nisto, im itava outros ton-tigis, que j á vinham atacando sistem aticam ente a área, a pilhar e incendiar aldeias e a delas recolher um grande núm ero de cativas. Cada um deles ensaiava, em suas carreiras pessoais, a futura história de escravizadores bem -sucedidos dos bam baras, um a história caracterizada por um a inim izade im placável aos islam itas.
Os bam baras não foram , porém , adversários apenas dos m arroquinos. Na passagem do século XVI para o XVII, o m ansa do Mali, Mam adu (ou Mahm ud), teve tam bém , várias vezes, de haver-se m ilitarm ente com eles, aliados ou não aos fulas. Já se escreveu, aliás, que as incursões arm adas de bam baras e fulas apresentaram um perigo m uito m ais sério para a integridade do que restava do im pério do que a constante am eaça dos m arroquinos, um a vez que atingiam o
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próprio coração do Mali. Cerca de 50 anos depois, seria a vez dos m alienses,
sob o m ansa Magan, invadirem o território onde viviam os bam baras. Estes, em aliança com os fulas, repeliram a agressão e, em seguida, ou pouco m ais adiante,
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entraram Mali adentro e destruíram Niani.
Pela m esm a época, ou, m ais precisam ente, em 1645, os bam baras insurgiram -se contra os m arcas e os chefes de Sana, em Kala, e de Fadoku, em Bindugu. Não só os expulsaram , m as destruíram suas aldeias. Com isso,
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afastaram -se de vez da organização política herdada do Mali. E, para
com pletar a revolução, voltaram -se, duas ou três vidas m ais tarde, contra as suas próprias instituições sociais, se é que não com eçaram a fazê-lo bem antes, quando da revolta contra os m arcas.
De um certo caçador e guerreiro cham ado Kaladian Kulubali, diz-se que criou, na m etade do século XVII, um estado bam bara, na região de Segu. Esse
estado durou pouco, talvez por assentar-se sobre a força nua das arm as. 79 Seria um seu bisneto, Biton Kulubali (ou Mam ari, com o lhe cham avam os islam itas, dando-lhe a form a sudanesa do nom e do Profeta), quem , na segunda década do Setecentos, voltaria a com andar um estado centralizado e, desta feita, m uito m ais sólido. A Biton atribuem -se reform as radicais, que talvez j á tivessem principiado antes. Após rom per com os soninquês que viviam ao lado dos bam baras e derrotá-los m ilitarm ente, m andou m atar todos os velhos e cabeças de linhagens, para destruir as antigas obediências e im por um a única autoridade, a dele. Todos os rapazes foram obrigados a raspar a cabeça, transform ando-se assim em “escravos do ton”. Além disso, dada a necessidade de aum entar os contingentes arm ados, os grupos de idade passaram a incluir guerreiros retirados dentre os
cativos de guerra. 80 É possível que, ao desm anchar as estruturas de poder tradicionais, Biton tenha encontrado apoio nos ulem ás e m ercadores m uçulm anos que haviam regressado à região de Segu. O que se sabe é que seu filho, Bakary,
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se fez islam ita, apesar da hostilidade bam bara à religião de Maom é.
Mais consistente e duradoura foi, ao que parece, a oposição ao islam ism o dos povos que viviam a oriente dos bam baras. Povos, com o os dogons, cuj a organização política não ultrapassava a aldeia ou um pequeno conj unto de aldeias. Ou com o, com sua constelação de estados, os m ossis, ao sul do arco do
Níger e sobre os rios Voltas. 82 A resistência desses últim os às arm as islam itas e, m ais ainda, à catequese dos m ercadores m oslins que se instalaram entre eles a partir do século XVI, causou espanto em Leo Frobenius, que não deixou de
atribuí-la à força espiritual da religião nativa.83
É possível que a oj eriza aos m uçulm anos tenha sido o resultado, nos m ossis dos reinos nortistas de Uagadugu (Ouadagoudou ou Wogodogo), Tencodogo (ou Tenkodogo) e Iatenga (Yatenga ou Wahiguy a), da pressão m ilitar songai — o ásquia Muham m ed prom oveu um j ihad contra eles, em 1498 ou 99, e o ásquia
Daúde lhes invadiu as terras em 1549, 1561 ou 62 e por volta de 157484 —, pois a aversão ao islam e foi m ais branda, quer ao sul, em Mam prúsi, Nanum ba e Dagom ba, quer a leste, em Fada N’Gurm a.
Em todos esses estados dom inavam reis, nas ou nabas, que se consideravam da m esm a fam ília, a nata de um a aristocracia a cavalo. O reino de Fada N’Gurm a, Gurm a ou Gulm a guardava, no entanto, grandes e inexplicáveis
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diferenças em relação aos dem ais. Hoj e, há quem pense que os laços de fam ília com os dem ais estados m ossi-dagom bas são um a construção ideológica recente, do período colonial francês, destinada a dar base histórica ao am álgam a
de Gurm a e Uadagudu, sob o m oro-naba.86 Gurm a seria, na realidade, a criação de um outro grupo, os buricim bas ou bem bas, que se teriam im posto sobre os
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autóctones dogons, curum bas, tindam bas e uobas.
O enredo não deve ter sido m uito distinto do que sabem os dos reinos m ossi-
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dagom bas. Neles, os invasores a cavalo, os naconses, foram suj eitando um
núm ero cada vez m aior de povos agrícolas, com o os awunas,90 91 os bassaris, os
dogons, os grunces ou gurúnsis, 92 93 94 95 os concom bas, os sissalas e os talensis.
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Boa parte desses povos incorporou-se com o plebe da terra, os tegbisis, ao
m undo m ossi — e aos seus exércitos, com o infantes e arqueiros —, m as outra continuou independente e a ser periodicam ente agredida para a recolha de cativos. A fim de se protegerem da cavalaria m ossi, esses últim os passaram a m urar as suas povoações, de tal form a que até as aldeotas dos awunas e dos
sissalas pareciam pequenas fortalezas. 97
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Os m am prúsis, os dagom bas e os m ossis stricto sensu (os de Tencodogo,
Uagadugu, Iatenga e reinos deles derivados) atacavam -nas não apenas para prear gente, m as tam bém para im por-se com o senhores sobre as com unidades nativas, de parte de cuj a produção agrícola e pastoril se apropriavam , ou para, assim , criar novos estados. Naconses sem chance de ascender a chefias im portantes, porque ocupadas por tios m ais j ovens ou por irm ãos m ais velhos, saíam a cavalo, com seus apaniguados, para estabelecer o m ando sobre outros tegbisis, em terras distantes. Dessa form a teriam surgido, ao norte, não só o próprio Iatenga, na m etade do século XVI, m as tam bém os pequenos reinos de Bulsa, Kay a, Kupela, Mane, Riziam , Tem a e Yako, com m aior ou m enor independência em relação aos estados de onde haviam saído seus fundadores, e
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na área do m édio Volta Negro, os reinos de Wa, Buna, Dorim on e Wechiau.
Junto às cortes, fossem de régulos ou de grandes reis com o o naj iri de Mam prúsi ou o m ogho-nara ou m oro-naba de Uagadugu, form aram -se urbes m ercantis, nas quais se foram instalando com erciantes vindos de longe, soninquês e m andingas. Os descendentes dos m ais antigos, vindos do alto e m édio Níger,
ficaram conhecidos, ao norte, com o iarces100 101 e, ao sul, com o ierisis.
Chegaram m uçulm anos, e m uçulm ana continuou a m aior parte de seus filhos, netos e bisnetos, em bora não tenham faltado os que, com o passar do tem po, se renderam de tal m odo à cultura m ossi, que apostataram . Entre os recém -vindos, havia alguns ulem ás, letrados de Dia, Jené e Tom buctu, que criaram as prim eiras m esquitas e escolas corânicas da região. É possível, porém , que tenham sido extrem am ente discretos em seu proselitism o, pois a m aior parte desses letrados m uçulm anos pertenceria a um a escola, a suwariana, pacifista, quietista, acom odadora, que se abstinha de ações catequéticas, por acreditar que a conversão era dom de Deus. Tolerados, ganharam alguns adeptos entre a
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nobreza, m as pouco ou nenhum êxito obtiveram entre a m assa rural.
Pelos reinos m ossis não passavam , de início, as rotas do ouro e da noz-de-cola. Elas corriam por fora de suas fronteiras e, quando m uito, as tangenciavam : a oeste, as caravanas dos diulas; a leste, as dos hauçás. Por isso, durante os séculos XVI e XVII, os m ercados m ossis foram , ao que parece, pouco tocados pelo com ércio a distância. Das praias do Atlântico e do deserto vinham certam ente sal e alguns artigos de luxo, que se pagavam com tecidos, utensílios de ferro e, sobretudo, bois, cabras, carneiros, belos cavalos e j um entos de reconhecida qualidade. O gado devia ter certa im portância nos m ercados da região, principalm ente nos de Dagom ba, que certam ente se beneficiava da proxim idade da floresta. Isso explicaria os am plos pátios que separavam as casas de dois andares do que talvez fossem os bairros de com erciantes de Yendi-Dabari, que foi a capital daquele reino até o fim do Seiscentos. A cidade, próxim a ao Volta Branco, estendia-se por um a área de cerca de 2,5km 2, e talvez fosse m urada, com o viria a ser Nalerigu, a capital de Mam prúsi.
Os m ossis j á então preavam e com erciavam escravos. Os tegbisis possivelm ente os tinham para aj udá-los nas labutas da terra — um a atividade ingrata na região nortenha, de chuvas irregulares e com frequência insuficientes, m as que enverdeciam de um dia para outro um solo verm elho, na m aior parte do tem po tão ressequido, que um observador poderia, à prim eira vista, perguntar-se
se nele chegaria a brotar algum a planta. 103 Já os naconses precisavam de cativos para as tarefas pesadas de casa, para cuidar dos cavalos, a cuj o acesso estavam vedados os tegbisis, e tam bém , em pequenos núm eros e em geral castrados, para funções na corte. Diz a tradição que, prim eiro, eles im portavam esses eunucos, m as que, depois, se tornaram exím ios capadores e com eçaram a
exportá-los. 104 É provável que tam bém vendessem m ão de obra aos acãs.
De início, os m ossis procuraram ligar-se às rotas m ercantis que passavam ao largo de seus lindes. Depois, tentaram envolver e controlar algum as delas. Para isso, Iatenga expandiu-se na direção do Níger e Dagom ba lançou sua cavalaria não só para leste, ocupando Konkom ba, por onde passavam as caravanas hauçás, m as tam bém para o ocidente, para lá do Volta Negro, a fim de dom inar as m argens das m atas de cola e os cam pos auríferos de Lobi. E m al form aram ,
entre os culangos,105 o novo reino de Buna, os líderes dagom bas com eçaram a
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organizar em seu favor a exploração do ouro.
O oeste e o sul do Volta Negro faziam parte da área com ercial de Buna, Bigu e Bono Mansu e se vinculavam às grandes redes diulas. Estes, quer os que se haviam suj eitado a Songai, quer os que continuavam fiéis ao m ansa do Mali, lá iam buscar o ouro e a cola com que abasteciam os m ercados do m édio Níger. Muitos ficavam nas aldeias do m eio ou do fim dos cam inhos e, em algum as delas, chegaram ao com ando político. Im agino que o m ansa desse às suas caravanas para o Volta e às fím brias das florestas acãs o m esm o apoio m ilitar
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que André Álvares d’Alm ada registrou no Gâm bia, e que alguns de seus
cabos de guerra preferissem assum ir o senhorio nas terras de passagem . Ainda que não se verificasse esse tipo de apoio, o fato é que o deslocam ento dos diulas até as bordas das florestas foi acom panhado pelo de guerreiros e agricultores m andês, que, a partir do m édio e do alto Níger, foram criando conj untos de aldeias sem elhantes aos kafus m andingas anteriores à ação unificadora do
Sundiata, 108 centros m ercantis com o Kankan, Bey la, Touba, Tengrella, Odienne, Seguela e Makono, e pequenos estados com o Kong, entre os senufos.
Duas crônicas, um a do início e outra da m etade do Setecentos, am bas escritas
em árabe por um ou m ais letrados gonj as, 109 contam -nos que, no início da segunda m etade do século XVI, o rei do Mali, Jighi Jarra (ou talvez Musa
Jata110) m andou um a expedição punitiva contra Bigu, que havia cessado de enviar-lhe o ouro de costum e, porque encontrara nos portugueses do litoral novos
e bons fregueses 111 e, talvez, porque, além disso, se j ungira às rotas controladas por Gaô. É possível que esse m ansa, acossado pelos ásquias Ishaq ou Daúde, estivesse tentando reafirm ar sua autoridade sobre a diáspora diula, a fim de
dispor dos recursos para financiar a guerra contra Songai. 112 Com o quer que tenha sido, as suas tropas venceram toda a resistência. E, após a derrota e a ocupação de Bigu, um dos dois com andantes da cavalaria m aliense, Nabaga, atacou Buna, atravessou o Volta Negro e foi instalar-se em Yagbum , de onde tanto ele quanto seus sucessores continuaram a subm eter os povos autóctones, sobretudo aqueles de estruturas políticas aldeãs e linhageiras. E a escravizar os renitentes, para vendê-los aos acãs.
Desde havia m uito, os diulas faziam este com ércio. Com a conquista gonj a da região ao sul da curva do Volta Negro e ao norte da floresta, passaram a contar com um a área de suprim ento m uito m ais próxim a. A cavalaria gonj a parece ter sido im piedosa. E com tal intensidade preou gente, para trocá-la por ouro, que um a região na qual a arqueologia encontrou sinais de ter sido densam ente povoada se transform ou — e assim j á era ao com eçar o século XIX — num
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vazio dem ográfico.
Ivor Wilks114 im agina que o m ansa tenha logrado, por algum tem po, desviar para a sua corte e os seus m ercados o ouro de Bigu. E que, depois, boa, se não a m aior, parte do ouro de Lobi tenha acom panhado a noz-de-cola para Jené e Tom buctu, em detrim ento do litoral. Com efeito, a partir de 1552, dim inuem as entradas do m etal am arelo no forte da Mina e aum entam as queixas dos europeus sobre o declínio do com ércio. Em 1629, um cartógrafo holandês anotava que de Bigu não chegava até a costa nem ouro nem qualquer outro artigo de interesse para os europeus, m as que lá os acãs adquiriam bons tecidos e outros produtos de valor. E, uns 20 e poucos anos m ais tarde, Al-Sadi atribuiria, no Tarikh
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al-Sudan, m uito da prosperidade de Jené ao ouro de Bigu. Bigu continuaria a
ser o m ais im portante em pório e centro m anufatureiro da região até 1700, 116 o que indicaria, apesar do crescim ento das trocas com os europeus, a força do m ercadej o na direção do Saara e o controle pelos diulas ou uângaras de boa parte do com ércio com o litoral.
O grande herói gonj a, tido com o o fundador do reino, seria possivelm ente
neto de Nabaga, Sum aila Ndewuea Jakpa.117 No segundo quartel do século XVII, ele conquistou um a am plíssim a área, ao sul da curva do Volta Negro e até o rio Oti, dantes sob controle do na dagom ba ou em sua esfera de influência. Jakpa reinou até 1666 ou 67, sem pre em guerra com aquele reino.
Os vencidos por Nabaga e Jakpa form aram a plebe do novo reino, os
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niam asis. Os conquistadores a cavalo, a nobreza anbania, da qual saíam os príncipes que dirigiam as várias províncias do que veio a cham ar-se Gonj a. Entre
os dois grupos, havia um outro, o dos cram os120 ou islam itas, form ado, de início, por aqueles diulas que haviam favorecido as tropas m alienses. E abaixo de todos