Adolpho Lutz: febre amarela, malária e protozoologia

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 5 de 56

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Adolpho Lutz: febre amarela, malária e protozoologia

Mais um capítulo da vida do grande cientista e naturalista brasileiro, Adolpho Lutz

Mais um capítulo da vida do grande

cientista e naturalista brasileiro,

Adolpho Lutz

 

Sempre considerei Adolpho Lutz, pela diversidade, precisão e qualidade dos seus trabalhos, o maior cientista brasileiro na área biomédica. Ao lado de uma sólida formação clínica e anatomopatológica, tinha perfeito domínio da parasitologia, microbiologia e entomologia, o que lhe dava nítida vantagem técnica sobre seus mais ilustres colegas, até mesmo Vital Brazil e Oswaldo Cruz, para citar apenas os dois mais ilustres e conhecidos, que o admiravam profundamente.

Com um agudo espírito de observação, e com a base adquirida em universidades e serviços de saúde da Europa, Adolpho Lutz chegou ao Brasil no final do século XIX, quando estavam em efervescência diversos problemas de saúde pública, entre os quais a febre amarela e a malária. A temida peste bubônica emergiria de forma dramática no porto de Santos, um dos mais importantes do Brasil, ameaçando invadir o Rio de Janeiro, Capital Federal, o que de fato ocorreu em seguida, como previram os três grandes cientistas reunidos em São Paulo em 1899. Seu alerta deu origem ao Instituto Soroterápico Federal, criado em 1900 e transformado no Instituto Oswaldo Cruz em 1907.

A grande capacidade de Adolpho Lutz, demonstrada também na direção do Instituto Bacteriológico de São Paulo, possibilitou grande avanço para a saúde pública daquele estado, graças às suas análises e críticas sobre a febre amarela e a malária, graças ao emprego da reação de Widal, pela primeira vez no Brasil, para o diagnóstico da febre tifóide, e graças ainda a seus estudos sobre o cólera e a peste bubônica pelo exame baciloscópico direto. Porém, essas ações de Lutz resultaram em confronto com a classe médica e as sociedades locais, que se sentiram ameaçadas ao ver seus diagnósticos empíricos contestados pelas técnicas científicas por ele empregadas. Foi, provavelmente, esse confronto que levou o cientista a aceitar o convite de Oswaldo Cruz para vir para o nosso Instituto, no Rio de Janeiro, em 1908.

Após essa breve introdução sobre a formação de Adolpho Lutz e sua capacitação como cientista, passemos a uma análise superficial, à guisa de prefácio, de alguns textos que fazem parte deste primeiro livro do volume II da Obra Completa do cientista. Primeiramente, analisaremos alguns trechos de relatórios do Instituto Bacteriológico de 1893 a 1908; depois, o parecer de Adolpho Lutz sobre um soro proposto para o tratamento da febre amarela; o relatório sobre sua missão em Montevidéu para verificar a provável “descoberta” do Dr. Sanarelli relativa ao micróbio da febre amarela; os trabalhos sobre a febre amarela em São Paulo e sobre o mosquito como seu agente de propagação; a descoberta da malária silvestre; as instruções para profilaxia do impaludismo; e, finalmente, as suas “Reminiscências da febre amarela no Estado de São Paulo,” publicadas em 1930, quando Adolpho Lutz já era pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz havia mais de 20 anos.

No relatório do Instituto Bacteriológico de 1893, Adolpho Lutz relata os resultados (a maioria negativos) de cinco necropsias de casos de febre amarela, dos quais três de Cambuci e dois de Santos. Discute o exame microscópico do fígado e do baço por diferentes métodos de coloração, que não revelou nenhum organismo que pudesse ser a causa da moléstia. Lutz fala dos minucio-sos exames da mucosa do estômago e do intestino, informando ter encontrado um bacilo semelhante ao anteriormente isolado por Le Dantec, no mesmo laboratório, exclusivamente em casos de febre amarela, mas ainda não o relaciona à doença. Da mesma forma, no relatório do 1° semestre de 1894 não encontra germe que possa considerar o causador da doença, e sim o Bacterium coli communis (sinônimo do Bacilo coli, hoje Escherichia coli), germe atribuído à invasão post mortem. Refere que quando a febre amarela surgiu em 1889 em Campinas, Limeira, Rio Claro e Belém do Descalvado, a moléstia fora negada com a mesma obstinação presenciada nas últimas epidemias de cólera e febre tifóide, em São Paulo. Finaliza o relatório de 1894 de forma contundente: “Não apenas julgamos que o problema da febre amarela ainda espera solução como consideramos que esta solução é bastante difícil… ou o germe é tão pouco característico que se confunde com germes banais ou só pode ser encontrado em abundância em período muito limitado [o que hoje conhecemos como a viremia] ou, finalmente falta-nos ainda o método para conhecê-lo e cultivá-lo” – o que realmente faltava na época.

Na introdução ao trabalho do Dr. J. Bonilha de Toledo, médico adjunto do Instituto Bacteriológico, formado pela Faculdade de Bruxelas, intitulado “Contribuição ao Estudo da Febre Amarela. A Urina do Doente de Febre Amarela,” Adolpho Lutz faz, em 1896, importante analogia entre a raiva e a vacina anti-rábica com a febre amarela e as perspectivas de uma vacina, quando diz:

Nos relatórios do Instituto Bacteriológico procurei indicar as

razões que parecem explicar o insucesso dos estudos,

confirmados há muito tempo, tanto por outros como pelo nosso

Instituto. Um dos obstáculos maiores é o fato de não se

conhecer um animal sujeito a contrair esta moléstia [a febre

amarela], o que permitiria seguir os exemplos fornecidos pela

vacina e pela hidrofobia, nos quais o vírus desconhecido

manipulado e empregado para a profilaxia e a cura, graças à

faculdade com que se verifica sua presença pelas inoculações.

Como se sabe não faltam animais que contraíram a hidrofobia,

e a vacina, que quase não apresenta efeitos colaterais, pode

ser inoculada no próprio homem.

Termina sua introdução aprovando o trabalho do Dr. Toledo, “principalmente por conter investigações originais, fato raríssimo entre nós, onde para muitos a ciência só consiste na discussão e reprodução de trabalhos de outrem”.

Em maio de 1897, foi solicitado ao Instituto Bacteriológico um parecer sobre o “serum” apresentado pelo Dr. Phelippe Caldas, do Rio Grande do Sul. Tratava-se de um soro obtido a partir de fragmentos de estômago de pacientes com febre amarela do Hospital São Sebastião, do Rio de Janeiro. Aqueles fragmentos foram triturados e inoculados em um meio de cultivo esterilizado por filtração, desenvolvendo-se, segundo o Dr. Caldas, um germe “com movimentos rotatórios bem acentuados”. Inoculado em cavalos, levara à produção de um soro curativo da febre amarela. Depois de uma longa apresentação dos dados sobre a produção do soro e sua forma de aplicação, Adolpho Lutz e seus ajudantes, os drs. Arthur Vieira de Mendonça e Bonilha de Toledo, fazem minuciosa análise do “serum,” concluindo, de forma contundente, como era do feitio do diretor do Instituto Bacteriológico:

1°) O Sr. Dr. Caldas não provou que isolou o germe da febre

amarela. 2°) Não provou que suas culturas, posto que impuras,

contivessem o germe produtor dessa moléstia. 3°) Não provou

que os animais inoculados apresentassem uma infecção ou

intoxicação análoga à da febre amarela. 4°) Não provou que

dispunha de um método de verificação da propriedade ou valor

imunizante do “Serum” nestes animais. 5°) Não provou que os

dados indicados nas suas instruções tenham qualquer base

racional. 6°) Não provou que as experiências clínicas (quatro

casos) demonstrassem uma ação terapêutica do “Serum”.

Ainda em 1897, Adolpho Lutz é designado para, em comissão, assistir à conferência do Prof. Sanarelli em Montevidéu, relativa à “descoberta” do micróbio da febre amarela. Em companhia do seu ajudante, Dr. Arthur Vieira de Mendonça, assiste no Teatro Solis daquela cidade à apresentação do Prof. Sanarelli sobre a anunciada descoberta. Depois, visitam o Instituto de Higiene, onde os experimentos foram feitos. Em relatório datado de 27 de julho daquele ano, Lutz diz no preâmbulo que “talvez fosse preferível adiar esta discussão até a publicação do trabalho anunciado nos Annales de LInstitut Pasteur,” informando que aquele relatório sumário baseava-se apenas na conferência do Dr. Sanarelli para um público misto de profissionais e leigos. No “relatório provisório,” analisa os fatos apresentados por Sanarelli e diz que os germes que este

conseguiu isolar do sangue de órgãos dos doentes, nos deram

um resultado negativo. Há aqui uma divergência que,

entretanto, é explicada pelas observações seguintes: 1° Este

germe é tão difícil de encontrar que só foi possível isolá-lo na

metade dos casos. 2° A forma do bacilo Sanarelli é banal …

não se diferencia do bacilo do tipo abdominal e do coli comum.

3° Esse bacilo em condições ordinárias não produz colônias …

4° As culturas em Agar … confundem-se com variedades do

Bacillus coli communis. 5° A presença de outras bactérias

impede … o desenvolvimento do bacilo de Sanarelli…

De fato, hoje se sabe que o germe isolado pelo Prof. Sanarelli, chamado de Bacillus icteroides, é a Salmonella typhimurium, um tipo de Salmonella enteritidis, causadora de gastroenterite humana, infecção focal com bacteriemia e produção de importante enterotoxina, o que deve ter levado Sanarelli à confusão diagnóstica e experimental com a febre amarela.

Em dezembro de 1898, em Relatório anual do Instituto Bacteriológico de São Paulo, Adolpho Lutz mostra a redução do número de casos de febre amarela em comparação com anos anteriores, e reitera sua constante preocupação com a descoberta do agente etiológico da doença, seus mecanismos de transmissão e possível profilaxia. Volta a falar da “descoberta” do Prof. Sanarelli, diretor do laboratório de Higiene de Montevidéu, e analisa uma tentativa do Dr. Havelburg, no Rio de Janeiro, de isolar o agente da febre amarela por injeções em coelhos do conteúdo do estômago de portadores da doença. Mostra, entretanto, que os bacilos isolados são do tipo coli communis, contaminante secundário em casos da doença, verificado freqüentemente por ele (Lutz) em casos semelhantes. Quanto ao bacilo de Sanarelli, apesar das dificuldades de seu isolamento, reconhece a qualidade do trabalho do pesquisador e aventa a possibilidade de ele vir a obter um soro (que tem um extraordinário poder aglutinativo dos bacilos) que pudesse ter ação comprovada no homem.

Em nota “sobre a questão da eficácia da vacinação contra a febre amarela,” publicada em jornal para alemães no Brasil, Adolpho Lutz já fizera, dez anos antes, uma síntese sobre a vacinação em geral, mostrando que: 1) inúmeras doenças atacam o mesmo organismo apenas uma vez, em decorrência da imunidade; 2) a mesma doença pode aparecer em diversos graus de intensidade, de acordo com a sua natureza e não aquela do indivíduo atacado; 3) enfermidades mais fracas podem conceder imunidade para doença semelhante, porém mais intensa. Esclarecia, entretanto, que, em casos de doenças mais fracas, a imunidade podia não ser duradoura, mas se a infecção se repetisse, podia-se obter uma imunidade duradoura. Dava como exemplos a varíola, a difteria, a tuberculose, o cólera e o carbúnculo, mostrando a ação vacinante relativa de acordo com a doença e a intensidade da infecção.

Em fevereiro de 1901, Adolpho Lutz apresenta na Revista Médica de São Paulo uma resposta a um artigo do Dr. Mendonça sobre “Febre amarela”:

Conquanto não seja minha praxe entrar em discussões que,

sob o pretexto de ciência, somente visam a uma polêmica

estéril, faço hoje uma exceção, respondendo ao Dr. Mendonça

… Não me incomoda o fato de ter ele opiniões diversas das

minhas, mas não compreendo como esta diferença pode

justificar a acusação de falta de lógica feita a todos que pensam

de outro modo, quando o acusador nem sequer procura

demonstrar a verdade das teses em que se baseia.

Reclama da transcrição (não autorizada) de uma carta sua publicada em jornal estrangeiro, sobre a qual o Dr. Mendonça conclui que Lutz considera o bacilo de Sanarelli como o causador indubitável da febre amarela, e diz: “Na realidade, eu dei a entender que o papel etiológico do bacilo mencionado é duvidoso”. Depois de um longo esclarecimento, em que defende a transmissão da febre amarela por mosquitos (Culex taeniatus), volta a rebater o Dr. Mendonça que, no mesmo artigo, duvidara que o soro de Yersin tivesse poder bactericida e antitóxico, comparando-o com o soro de Sanarelli. Lutz mostra não haver relação entre eles, dizendo: “Não concordo com o redator da revista [Dr. Mendonça] em considerar o caso idêntico para os dois soros referidos: não só não houve, nem pode haver, alguma dúvida sobre o papel etiológico do bacilo de Yersin [da peste bubônica], como a ação preventiva do soro tem sido, muitas vezes, constatada experimentalmente,” e arremata: “Não fui a priori o que o Dr. Mendonça chama de grande apologista do soro de Yersin, mas observei cuidadosamente o seu efeito nos doentes”. Ao final aborda a crítica do Dr. Mendonça ao Dr. Calmette e ao Instituto Pasteur, acrescentando: “Mesmo entre nós, onde cada um se julga com o direito de criticar os seus mestres, não podia passar desapercebido que a posição relativa que o crítico e os criticados ocupam na ciência não justifica esse tom autoritário”.

É digna de nota, ainda em 1901, a longa apresentação de Emílio Ribas, diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo sobre “O mosquito como agente de propagação da febre amarela”. Como suplemento ao artigo, figuram as observações de Adolpho Lutz a respeito do Culex taeniatus e sua relação com a disseminação da febre amarela no Estado.

No artigo sobre “Mosquitos da floresta e malária silvestre,” contestado por Knab e Dyar, Adolpho Lutz mostra todo o seu poder de observação, invocando até mesmo observações independentes de Carlos Chagas em favor de seu trabalho. No artigo de setembro de 1902, Lutz relata casos de malária benigna durante a construção da estrada de ferro São Paulo-Santos. Creio que pela primeira vez se fala na literatura médica sobre a transmissão da malária por anofelinos que tinham como criadouros as bromélias. O fato foi comprovado depois em matas na periferia de cidades do litoral catarinense, foco de resistência ao controle da doença desde a década de 1940 até 1986, depois de a endemia ter sido controlada no Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil. O chamado “complexo malária-bromélia” era caracterizado pela existência, nas florestas, de bromélias como criadouros de mosquitos do subgênero Kerteszia, únicos vetores da malária na região. Aliás, Adolpho Lutz fala em seu trabalho: “Tenho exemplares desta espécie [no caso, A. lutzii, descrita em 1901 por Teobald] provenientes de vários pontos situados na zona compreendida entre Santos e Conceição e também, graças à gentileza do Sr. Schmalz, de Joinvile”. Tudo indica que os plasmódios vistos por Lutz eram P. vivax, que descreve como “plasmódios grandes e relativamente escassos, produzindo freqüentes recaídas”. Devemos lembrar também que, durante longos anos, o Prof. Leonidas Deane acreditou na transmissão de plasmódios de macacos (P. brasilianum) ao homem, fazendo várias pesquisas no litoral de Santa Catarina, na área do complexo malária-bromélia, e em áreas de florestas e parques na periferia de São Paulo, onde comprovou a infecção de um técnico seu com plasmódio de macaco, com uma forma leve e passageira da malária. A polêmica com Knab e Dyar a propósito do trabalho de Lutz se devia ao fato de não acreditarem que mosquitos que nunca houvessem entrado em contato com o homem pudessem transmitir a ele a malária; na opinião dos entomologistas norte-americanos, provavelmente o caso descrito por Lutz seria uma forma assintomática, adquirida em área urbana e exacerbada posteriormente quando o paciente trabalhava na abertura da ferrovia na floresta. Lutz e Chagas deram o testemunho de outras epidemias de malária entre trabalhadores que haviam entrado em contato pela primeira vez com mosquitos da floresta.

Interessantíssima a resposta dada por Lutz ao redator da Gazeta de Notícias, em 26 de outubro de 1903, que a ele se dirigiu, solicitando uma definição sobre a profilaxia da febre amarela nos seguintes termos:

Os que contestam ao pernilongo rajado a função de transmissor

da febre amarela, citam o relatório em que V. Exa. considera

válidas as experiências de Sanarelli que atribuem ao bacilo

icteróide papel patogênico do terrível mal; outros, em

contestação, invocam os trabalhos de V. Exa. impugnando a

teoria de Sanarelli e até a autenticidade do bacilo icteróide e

considerando de maior valor os trabalhos da comissão Ao concluir esta nota à guisa de prefácio de uma pequena parte desta monumental edição da obra do grande naturalista brasileiro Adolpho Lutz, sinto-me engrandecido por ter tido a oportunidade de mais uma vez admirá-lo.

havanesa … dirigimos-lhe este apelo para que V.Exa. exponha,

de modo categórico, embora resumidamente, as idéias que tem

sobre a profilaxia da febre amarela no momento atual.

Resposta de Lutz:

Ilm° Sr. Redator. Não posso deixar de corresponder a seu

pedido reiterado de expor o meu modo de pensar em relação à

transmissão da febre amarela pelos mosquitos e estimaria

muito contribuir para a adoção de medidas necessárias para

livrar daquele flagelo a cidade onde nasci. Creio que isto se

realizará somente com medidas dirigidas contra a transmissão

da moléstia pelas Stegomyas (Aëdes), que considero hoje

perfeitamente estabelecidas.

Quanto ao bacilo de Sanarelli, Lutz afirma que, quando esse bacilo surgiu, em 1897, por algum tempo pareceu que o problema da febre amarela, quanto à etiologia, estivesse resolvido, mas ele mesmo (Lutz) advertira, na época, sobre a possibilidade da transmissão por “insetos sugadores de sangue”. Menciona a teoria de Finlay que, desde 1881, proclamava a possibilidade da transmissão da doença por mosquitos, a qual finalmente foi confirmada em Havana (por Walter Read, Carrol, Lazear e Agramonte, que compunham a Comissão da Febre Amarela do Exército Americano em Cuba).

Finalmente, em 1930, Adolpho Lutz publica nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (tomo XXIV, fasc. 3) suas “Reminiscências da Febre Amarela no Estado de São Paulo,” uma conferência que foi lida na 4 a Conferência Sul-Americana de Higiene, Patologia e Microbiologia, realizada em julho de 1929, na qual revê toda a sua experiência sobre o assunto, inclusive sobre o início da doença no Rio de Janeiro em 1849, dizendo que seu pai ainda conheceu essa cidade livre da moléstia. Sua mãe viveu no Rio por mais de 30 anos sem nunca ter sido acometida, mas seu pai e um irmão tiveram, cada um, “dois ataques,” e um outro adoeceu durante a epidemia de Santos, em 1879. Lutz concluía que a imunidade familiar podia ser excluída.

Prof. José Rodrigues Coura

Chefe do Departamento de Medicina Tropical e do Laboratório de

Doenças Parasitárias. Instituto Oswaldo Cruz — Fundação Oswaldo

Cruz