Adolpho Lutz: febre amarela, malária e protozoologia
Hematozoários endoglobulares
Entre os pássaros da nossa região que foram examinados no Instituto Bacteriológico durante uma série de anos, encontra-se uma certa proporção de espécies pertencentes a várias famílias, que, com mais ou menos freqüência, apresentam no sangue parasitas dos glóbulos vermelhos.
Entre estes distinguem-se três tipos diferentes, a saber: o primeiro, o proteosoma de Labbé, aproxima-se nas suas várias formas do parasita da terçã benigna e da quartã, e parece-nos que deve entrar no mesmo gênero, visto ter gametas de forma redonda, que só aparecem depois que a infecção durou bastante tempo.
A segunda forma corresponde à Laverania de Labbé, “hemoproteus de Kruse,” e tem gametas de forma alongada, um pouco curvadas e inchadas nas duas extremidades.
O período de gametas neste caso dura muito tempo e a forma esquizogônica é pouco conhecida e parece de curta duração.
Não há, ao nosso modo de ver, necessidade de separar essa forma da febre tropical, que tem também gametas alongados com caracteres bastante semelhantes. A posição extra ou intracelular dos gametas, mesmo que pudesse ser considerada diferente nestas espécies, não constituiria uma diferença fundamental.
Quanto à influência que as duas categorias diversas de eritrocitozoários têm sobre o núcleo das hemácias, ela é de valor prático para diferenciar formas aliás parecidas, mas não pode constituir por si só um caráter de gênero, tratando-se apenas de relações mecânicas; também não se podem separar as espécies dos passarinhos daquelas do homem, porque as últimas, não tendo núcleos, não prestam a observar diferenças nesse sentido.
Como todavia a nomenclatura dos diferentes parasitas da malária humana ainda é pouco satisfatória, continuaremos a nos servir das expressões “proteosoma e halterídio” para designar as formas aqui expostas.
A terceira forma observada designaremos como leucocytozoon; são as formas, descritas em parte com esse nome, que não se encontram em eritrócitos bem caracterizados, e distinguem-se tanto pelo seu tamanho maior, como pela sua forma especial.
Entre nós só foram encontrados em corujas; na Europa também se observam nos pássaros da família dos corvos.
Entre vinte ordens de pássaros que, segundo a nomenclatura usada pelo Museu Paulista, foram encontrados entre nós, observamos hematozoários em nove, o que quer dizer mais ou menos a metade das ordens indígenas, e com hábitos não marítimos.
São os Passares, Striges, Accipitres, Herodiones, Anderes, Columbae, Gallinae, Paludicolae e Crypturi.
Só quatro delas são geralmente conhecidas como hospedeiros de hematozoários, a saber: Passares, Striges, Accipitres e Columbae.
A respeito das Gallinae há apenas poucas observações isoladas. Quanto às outras quatro, parece que até hoje não há observações sobre a ocorrência desses parasitas.
As que entre nós têm fornecido mais espécies infeccionadas são: a grande ordem dos Passares com três espécies e com duas formas de hematozoários; os Striges com, pelo menos, duas espécies de aves e duas de hematozoários; Columbae, Gallinae, Paludicolae e Crypturi, cada uma com duas espécies de pássaros, mas só uma de hematozoários.
Para o exame dos pássaros vivos tira-se o sangue da veia cubital e examina-se ou em preparação fresca, onde as formas pigmentadas são facilmente reconhecidas com o condensador bastante aberto, ou em preparações espalhadas e secas que colorimos com as soluções de Romanowsky ou de Giemsa.
Estes métodos são tão superiores aos outros modos de coloração que só na falta dessas soluções corantes lançaremos mão de cores como a tionina e o azul de metileno, que não colorem distintamente o núcleo.
No animal morto a infecção pelos hematozoários, tanto na forma de proteosoma como na de halterídio, produz alterações viscerais facilmente reconhecidas na autópsia, principalmente no baço, que toma uma cor enegrecida muito característica, acompanhada às vezes de tumefação bastante pronunciada, na qual a forma desse órgão pode tornar-se mais globular.
A situação do baço nos pássaros é bastante escondida, sendo muitas vezes coberta pelo estômago quando se abre o abdome por diante. Por isso aconselhamos, quando se tratar de encontrar sem demora o baço de pequenos pássaros, dividir a coluna vertebral um pouco abaixo das margens pulmonares visíveis de fora, e estender o corte para os dois lados; fazendo então o movimento de flexão ventral, apresenta-se geralmente o baço em posição completamente superficial.
A pigmentação preta é também apreciável ao microscópio, onde o pigmento apresenta-se sob a forma de pequenos bastonetes ou agulhas.
A infecção de um outro pássaro faz-se por injeção de sangue puro ou diluído com soro fisiológico, de preferência na musculatura do peito ou no pulmão. Só em pássaros maiores pode-se adotar a injeção nas veias das asas.
Proteosoma:
Tico-Tico - (Passares) Oscines fringilliadae.
Saracura - (Paludicolae) ralidae.
Halterídios:
Tico-Tico - (Passares) Oscines fringilliadae.
Papa-capim – (Passares) Spermophylus Sp.
Gralha - (Passares) Deutirostres corvidae.
Coruja - (Striges) Bubonidae.
Gavião - (Accipitres).
Socó - (Herodiones) Ardeidae.
Jabiru – (Herodiones) Ciconiidae.
Pato do mato (Canard sauvage) – (Anseres) Anatinae.
Pombo - (Columbae) Columbidae.
Uru - (Gallinae) Phasianidae.
Jacu – (Gallinae) Gracidae.
Siriema - (Paludicolae) Cariamidae.
Macuco (Espèce de canard). (Crypturi) Tinamidae.
Inhambu – (Crypturi) Tinamidae.
Leucocitozoários:
Corujas – (Striges) Bubonidae.
Proteosoma Esta forma de hematozoários é pouco freqüente; entre nós só foram encontrados em dois pássaros, o tico-tico e a saracura.
O proteosoma do tico-tico encontra-se em São Paulo com certa regularidade com a condição de examinar-se um maior número de exemplares de várias procedências, e parece mais freqüente na segunda metade do verão.
O material conserva-se com alguma facilidade pela inoculação em outros pássaros da mesma espécie; basta para isso uma pequena quantidade de sangue que se inocula na musculatura torácica ou nos pulmões.
Decorrido certo tempo, nunca menos de uma semana, verificam-se nos exemplares injetados hematozoários, que se multiplicam rapidamente, podendo chegar a produzir uma infecção fatal muito parecida com as febres perniciosas do homem. Nestes casos encontram-se hemácias que contêm um número maior de hema-tozoários pequenos.
Uma observação continuada parece mostrar que das formas de divisão nem todos os merozoítos saem do glóbulo em que a divisão teve lugar, resultando assim uma infecção múltipla, apenas aparente, do glóbulo, quando se trata antes de uma multiplicação endoglobular.
As nossas figuras mostram as diversas fases observadas.
A diferenciação dos gametas, principalmente quando não estão ainda maduros, com as formas pertencentes ao ciclo esquizogônico é bastante difícil, mas estes últimos quase sempre prevalecem, mostrando que o período de multiplicação pode durar muito tempo.
Quanto à questão da espécie, não encontramos nada que distinga os nossos proteosomas dos observados na Índia e na Europa, sem todavia termos feito comparação minuciosa.
É de supor, porém, que a espécie não deve se transmitir com facilidade a pássaros de outras regiões, visto que as tentativas de transmissão a um canário doméstico importado e a vários canários nacionais não deu resultado algum, quando não falhou com exemplares não infeccionados de tico-tico. Também não foram encontrados em muitos outros conirostros examinados.
Esta e outras observações falam em favor da idéia pela qual cada um desses hematozoários representa pelo menos uma raça fisiologicamente diferente, como se observa tão freqüentemente em parasitas limitados a certas espécies, mesmo quando as diferenças morfológicas parecem poucas ou nulas.
O proteosoma do tico-tico não foi encontrado no Rio de Janeiro, embora procurado pela Escola de Manguinhos.
O proteosoma da saracura, do qual damos também algumas das formas observadas, foi encontrado várias vezes, e parece bastante comum, pelo menos em certas regiões.
Foi facilmente inoculado em exemplares isentos de hematozoários e provenientes de outras localidades onde a infecção parece rara ou completamente ausente.
Halterídios
Os halterídios dos pombos domésticos, como resulta das publicações da Escola de Manguinhos, são freqüentes no Rio de Janeiro, como também em muitos outros lugares de clima um pouco mais quente, faltando, porém, nos países setentrionais da Europa.
É provável que se trate em toda a parte da mesma espécie.
Em São Paulo são encontrados com certa regularidade em todos os pombos adultos que tiveram ocasião de voar livremente, embora se recolhessem ao seu pombal durante a noite.
É provável que nessas condições nenhum deles escape à infecção, quando se trata de criações em maior escala.
A transmissão não se obtém pela inoculação, como acontece também com outros halterídios.
Quanto aos pombos nacionais, do grande número examinado só um apresentou halterídios, e este já de muito tempo vivia num grande viveiro fechado por tecido de arame de malhas largas, e na vizinhança de muitos pombos infeccionados.
A consideração dessas circunstâncias levou-nos a procurar um transmissor que existisse sempre em alguma abundância.
Já em 1900 notamos a presença de uma mosca parasitária nos pombais infeccionados, e experiências feitas com esses chupadores de sangue mostraram que os halterídios se desenvolvem facilmente no intestino deles até o período de oocinetos, grandes e bem formados, cujo tamanho indicava um certo crescimento nesta forma.
Procuramos debalde encontrar fases de desenvolvimento posterior e deixamos de fazer tentativas de transmissão pela falta de animais de experiência em que se pudesse excluir uma infecção espontânea.
A mosca em questão (fig.) foi determinada por Speiser como Lynchia lividicolor e por Coquillet como Lynchia brunnea (Olivier). Parece-se muito com a Lynchia maura da Europa, e não é impossível que representem uma só espécie.
Em todos os casos seria fácil substituírem-se na transmissão se esta fosse realizada por uma Lynchia.
Ultimamente os irmãos Sergent, na Argélia, e a Escola de Manguinhos afirmam ter realizado a transmissão de halterídios por meio das Lynchias, mas tampouco encontraram os estados posteriores na mosca.
É preciso todavia dizer que a forma dos oocinetos pode ser obtida também em mosquitos e até em tabanídeos do gênero Crysops.
Observamos que os halterídios não se encontram nos pombos nos ninhos, embora sejam estes principalmente perseguidos pelas Lynchias. Isto poderia se explicar pelo fato que os halterídios que representam o ciclo sexual (gametas masculinos e femininos) só se desenvolvem depois de um período bastante longo, como afirmam os irmãos Sergent.
Quanto ao ciclo esquizogônico, segundo as observações feitas em Manguinhos, poderia ser observado no pulmão dos pombos. No sangue da circulação encontra-se às vezes grande número de formas bastante novas, não se podendo determinar a qual dos ciclos pertencem; porém, nunca se observam formas de divisão múltipla.
A história da evolução dos halterídios é muito deficiente ainda, e, conquanto muitos pensem que o problema tenha sido resolvido pelos estudos de Schaudinn sobre a evolução dos halterídios (haemoproteus) das corujas, não chegamos ainda à convicção de que os fenômenos se passem do modo como foram descritos.
Nunca observamos, nem de dia nem de noite, formas flageladas que se pudessem ligar aos halterídios; e, visto o parentesco aparente dos vários hematozoários encontrados nos glóbulos vermelhos do homem e dos pássaros, custa-nos acreditar que a sua evolução pudesse ser tão diferente.
O halterídio é o hematozoário predominante entre nós em relação ao número das espécies infeccionadas, das quais damos em seguida uma lista.
1a ORDEM. – Passares.
Tico-tico – Zonotrichia pileata (Bodd).
Muitas observações. O halterídio é bastante pequeno, estando o pigmento de preferência num dos pólos só. Encontram-se também às vezes tripanossomos, cujo tamanho, muito maior, não permite ligá-los aos halterídios.
Papa-capim. – Spermophilus Sp.
Um exemplar entre muitos examinados.
Gralha. – Cyanocorax chrysops (?) (Vieill).
Não parece raro.
2a ORDEM. – Striges.
Coruja. – Scops brasilianus (G. M.).
Parece freqüente. Não foram encontrados em grande número de exemplares da coruja do campo Speotyto cunicularia (Moll); entre vários de coruja grande Strix flammea (L.), foi encontrado uma vez.
Os halterídios das corujas são um pouco diferentes da forma de costume por terem freqüentemente o pigmento de um lado só, em grânulo solitário e grosso; o tamanho total também é um pouco inferior ao dos pombos.
3a ORDEM. – Accipitres.
Gavião.
Foram examinados três urubus e vários exemplares de gavião de diferentes espécies, encontrando-se apenas num exemplar destes últimos, de espécie não determinada.
4a ORDEM. – Herodiones.
Jabiru. – Mycteria americana (L.)
Socó. – Mycticorax Sp..
De três jabirus que examinamos, dois estavam infeccionados de um modo muito intenso. Entre várias garças e socós só encontramos uma vez poucos halterídios numa espécie de Nycticorax. O exemplar era novo, e, tendo sido conservado vivo, sarou completamente da infecção.
5a ORDEM. – Anseres.
Pato do mato. – Canard sauvage (L.).
Num exemplar de pato do mato achavam-se muitos halterídios. Em algumas marrecas domésticas esse parasita não foi encontrado.
6a ORDEM. – Columbae.
Pombo. – Columba lívia (doméstica L.).
Os halterídios são comuns no pombo doméstico, mas, com uma exceção já citada, não foram encontrados nas espécies nacionais das quais se examinaram três, sendo o número total de exemplares de cerca de vinte.
7a ORDEM. Gallinae.
Uru. – Odontophorus capucira (Spix).
Jacuguaçu. – Penélope obscura (III).
Encontram-se halterídios com caracteres semelhantes em exemplares de uru e jacuguaçu. Sendo muito limitado o número de exemplares examinados, parece provável que a freqüência relativa não seja pequena.
8a ORDEM. Paludicolae.
Seriema. – Cariama cristata (L.).
Encontrou-se uma bonita espécie de halterídios no sangue de duas seriemas, e parece que não devem ser raros nessa espécie. A sua forma parece ser um pouco diferente.
9a ORDEM. Crypturi.
Inhambuguaçu. – Crypturus obsoletus (Zemm).
Macuco. – Espèce de canard (Vieill).
Em um exemplar de inhambuguaçu e num outro de macuco foram encontrados halterídios bastante numerosos.
Em geral o caráter dos halterídios observados é bastante uniforme, de modo que é difícil determinar o número de espécies legítimas, tanto mais que aqui a inoculação costuma dar resultados negativos, mesmo quando feita em pássaros da mesma espécie.
Notam-se algumas diferenças de tamanho e na disposição dos grânulos de pigmento.
Aqui só descrevemos e figuramos espécies que tivemos ocasião de estudar mais detalhadamente ou das quais temos preparações bonitas e ricas em parasitas.
Os halterídios do jabiru, da seriema, do canardsauvage, dos galináceos e crypturi são todos formas grandes e bem caracterizadas; como, porém, as preparações muitas vezes foram feitas com sangue de pássaros já mortos há algumas horas, às vezes a forma primitiva já se achava alterada pela transformação cística ou arredondamento do halterídio. Neste caso, pode-se encontrar o núcleo deslocado antes do desaparecimento do contorno da hemácia infeccionada.
Leucocitozoários Os leucocitozoários encontrados com bastante freqüência no Scops brasiliensis não se distinguem aparentemente das formas observadas em corujas do velho mundo, como se pode ver nas figuras.
Em nosso modo de ver, essas formas grandes são gametas, e, como os dos halterídios, tomam uma forma arredondada nas preparações feitas com sangue fresco.
Observamos a formação de flagelos ou espermatozóides, que aparecem em número muito maior do que nos outros hematozoários.
Verificamos uma vez a presença de tripanossomos, sem todavia ligá-los ao leucocytozoon ou aos halterídios.
Hematozoários humanos
Se nos hematozoários dos pássaros encontramos várias formas ainda não descritas, o mesmo não se dá com os do homem, que têm sido bastante estudados.
Damos todavia uma reprodução de um certo número de preparações de doentes da forma benigna e da forma tropical. Quanto à quartã, não a encontramos até hoje, ficando em dúvida sua existência entre nós.
Não entraremos no assunto do impaludismo, sobre o qual já escrevemos em várias ocasiões, e ultimamente no resumo dos trabalhos do Instituto Bacteriológico de São Paulo.
* Trabalho de Adolpho Lutz e Carlos Meyer realizado no Instituto Bacteriológico de São Paulo, tendo por subtítulo: “Memoria apresentada no sexto Congresso Brasileiro de Medicina” (o qual teve lugar na capital paulista de 5 a 15 de setembro de 1907). Escrito em francês e português, foi publicado em Paris, por E. Delouche, com 15p. e 8 pranchas coloridas, tendo também como título Hematozoaires endoglobulaires. Mémoire présenté au sixième Congrès Brésilien de Médecine et de Chirurgie. A publicação, sem data, figura como de 1907 em Comissão do Centenário de Adolpho Lutz/Conselho Nacional de Pesquisas. Adolpho Lutz (1855-1955): vida e obra do grande cientista brasileiro (Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, Rodrigues & Cia., 1956); e de 1909 em Arthur Neiva, Necrológio do professor Adolpho Lutz (1855-1940) (Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1941); 1909 também é a data de publicação atribuída em Carlos Chagas, “Adolfo Lutz” e “Bibliografia do dr. Adolpho Lutz,” Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, t. XVIII, fasc. 1, p.i-vii, viii-xxii. I, 1925. Optamos por situar o trabalho de Lutz e Meyer, na presente edição, em 1908, ano em que o autor principal se transferiu do Instituto Bacteriológico de São Paulo para o Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. O autor da resenha publicada em O Brazil-Medico, Revista Semanal de Medicina e Cirurgia (n.21, v.27, 1913, p.257-8) criticava o uso de expressões obsoletas: “os autores dizem, por exemplo ‘a tertiana’ e ‘a quartana’, quando é velho e clássico a terçã e a quartã; empregam a palavra tincção, evitando, não se vê por que, a palavra coloração que, no caso, é a consagrada na terminologia dos laboratórios … e em meio da frase portuguesa metem o francês “do canard sauvage,” que ali é um intruso, pois não preenche a falta do natural do país, que existe…”. Na preparação dos originais para a presente edição, optamos pela correção desses arcaísmos, mas mantivemos a expressão francesa que os autores usaram para qualificar o “Pato do mato”. [N.E.]