Amor & gelato

Jenna Evans Welch · Capítulo 27 de 32

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Amor & gelato

Capítulo 26

Ele virou a capa lentamente, parando ao ver a primeira frase.

— Ah.

— É. Vou deixar você sozinho.

 

Capítulo 26

DUAS HORAS DEPOIS, Howard apareceu na porta do quarto segurando o diário.

— Terminei.

— Foi rápido.

— Quer se sentar na varanda de novo?

— Claro.

Desci a escada com ele e nos sentamos no balanço da varanda. Os olhos do Howard estavam vermelhos.

— Foi difícil ler tudo aquilo. Quer dizer, ela me contou algumas partes, mas eu não sabia a história inteira. Foram tantos mal-entendidos. Relações perdidas.

— Ele olhou para o cemitério. — Sua mãe entendeu algumas coisas de um jeito errado. Para começar, eu não saía com Adrienne.

— Não?

— Não. Matteo é que saía.

Lancei um olhar vazio para ele.

— Sua mãe não era a única aluna com quem Matteo se envolveu.

— Aaaahh. — Outra peça do quebra-cabeça se encaixou. — Então foi por isso que você contou a história do touro e do padeiro pra ela? Estava tentando fazer com que ela prestasse mais atenção, porque estava levando um belo chifre do Matteo?

Ele fez uma careta.

— Foi, mas claro que não deu muito certo. Ela não fazia a menor ideia do que eu estava tentando dizer.

— É, foi muito misterioso. Você inventou aquela história?

— Não, a história existe mesmo. Acho muito improvável que seja verdade, mas é uma das lendas contadas na cidade. Adoro esse tipo de coisa. — Ele balançou a cabeça. — Enfim, eu sabia que sua mãe estava envolvida com Matteo. Ela guardava segredo porque temia que lhe causasse problemas na escola, mas ele guardava segredo porque era um cretino. Eu sabia que ele tivera casos com algumas alunas e que, pelo que pude notar, não valia nada. Eu tinha minhas suspeitas, e um dia o peguei com Adrienne na boate. Naquela noite, quando sua mãe me viu com ela do lado de fora, eu estava tirando a história a limpo. Queria que Adrienne contasse tudo a sua mãe.

— Por que você não contou?

Ele balançou a cabeça.

— Só Hadley não percebia que eu estava apaixonado por ela, e ia parecer que era intriga minha. Além de tudo era quase certo que Matteo ia negar e que eu perderia a confiança da sua mãe. Depois que eles terminaram, não vi mais motivos para contar. Além disso, fui meio covarde. Foi culpa minha eles terem terminado.

— Por quê?

— Sua mãe estava se isolando e começou a fazer críticas muito duras a si mesma e ao próprio trabalho. Então, numa semana, quando Matteo viajou para uma conferência, liguei para ele e disse que se não ficasse longe dela, eu contaria à direção da escola sobre o envolvimento deles.

— E foi então que ele terminou com ela?

— Sim, mas contei à escola mesmo assim, e ele acabou sendo demitido.

Hadley ficou tão arrasada que foi como se tivesse perdido toda a cor. Passei semanas me perguntando se tinha feito a coisa certa. — Ele empurrou o balanço.

— Mas aí ela pareceu melhorar. Eu a convenci a passar o verão aqui comigo, e ficamos juntos por um tempo. E então a perdi de novo.

— Por minha causa.

Ele balançou a cabeça, apontando para o cemitério.

— Ela deveria ter me contado. Eu teria desistido disto aqui num piscar de olhos.

— Foi exatamente por isso que ela não contou.

— Eu sei. — Ele suspirou. — Eu só queria que ela tivesse me deixado tomar essa decisão. Um dia com Hadley valia mais que uma vida inteira na Itália.

— Eu sei.

Eu o analisei por um instante. Ele a amava. Amava de verdade. E sentia a falta dela havia mais tempo que eu. Isso me fazia querer abraçá-lo.

Desviei o olhar, piscando para conter as lágrimas. Eu esperava que minhas lágrimas secassem um dia. Eu poderia ser a garota propaganda da Kleenex ou coisa parecida.

— Você tentou pedir pra ela voltar?

— Não. Na minha cabeça, ela tinha escolhido Matteo. Se eu soubesse por que, teria sido outra história. Só anos depois descobri que eles não estavam juntos e há pouco tempo descobri sobre você. Eu me preocupava muito com ela, mas toda vez que pensava em entrar em contato, era como se algo me impedisse.

Talvez orgulho.

— Ou talvez você só não quisesse se magoar de novo. Ela partiu seu coração.

Ele soltou uma risadinha.

— Partiu mesmo. E, claro, depois de um tempo eu consegui seguir em frente.

Mas ter você aqui... Bem, tem sido como reviver aquela época.

Ficamos quietos por um instante. O sol já estava alto, luminoso e quente, e meu cabelo estava praticamente fritando.

Ele balançou a cabeça.

— Nunca imaginei que essa conversa seria assim, mas estou feliz pelo rumo que as coisas tomaram. E agora não precisamos nos preocupar com Matteo. Sua mãe teve o cuidado de mantê-la afastada dele, sobretudo depois que ficou famosa. Ela sempre quis trazer você para a Itália, mas tinha medo. Acho que agora que está com quase dezoito anos ela deve ter ficado mais tranquila em relação ao Matteo.

— Provavelmente ela não imaginou que eu o procuraria.

— Nunca. Acho que ela subestimou você. — Ele riu. — E eu também. Não acredito que você foi a Roma.

— Foi uma idiotice.

— Bem, isso está na cara, mas também foi muito corajoso.

— Ren foi comigo. Ele me ajudou muito. — Senti minha expressão entristecer. Ren.

— O que foi?

— Ren não está mais... falando comigo. Ficou chateado comigo.

Howard franziu a testa.

— Vocês brigaram?

— Mais ou menos.

— Não importa o que seja, tenho certeza de que vocês vão resolver. Ele gosta muito de você. Dá para notar.

— Talvez.

Ficamos ali sentados por um tempo, balançando para a frente e para trás, quando de repente um pensamento me ocorreu.

— Howard, você estava tentando me dizer alguma coisa quando contou aquela história esquisita sobre a mulher que deu à luz um javali?

Ele riu.

— O porcellino. É melhor eu parar de fazer isso. Parece que não funciona muito bem.

— Não.