Apenas um Dia

Gayle Forman · Capítulo 14 de 40

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Apenas um Dia

Capítulo 13

13

 

 

Depois de dez dias de calor, estou acostum ada a acordar suada, m as, hoj e, acordo com um a brisa fresca soprando atrás da j anela aberta. Estico o braço procurando um cobertor, m as, em vez de pegar algo quente e cheio de plum as, alcanço algo duro e crepitante. Um a lona. E, naquele espaço anuviado entre o despertar e o dorm ir, tudo volta à m inha m ente. Onde estou. Com quem estou. A felicidade m e aquece de dentro para fora.

Procuro Willem , m as ele não está lá. Abro os olhos, espiando através da luz acinzentada, fugindo do branco reluzente das paredes do estúdio.

Instintivam ente, olho m eu relógio, m as m eu pulso está nu. Espio pela j anela, enrolando a saia em volta de m eu peito nu. As ruas estão silenciosas, as loj as e os cafés, ainda fechados. Ainda é cedo.

Quero cham á-lo, m as há um silêncio sepulcral. Interrom pê-lo parece errado. Willem deve estar no andar de baixo, talvez no banheiro. Acho que poderia usá-lo tam bém . Visto m inhas roupas e desço as escadas na ponta dos pés. Mas Willem tam bém não está no banheiro. Faço xixi bem rápido, j ogo água no rosto e tento beber um pouco para tentar tirar o início da ressaca.

Ele deve estar explorando os estúdios à luz do dia. Ou talvez tenha voltado para a escada. Fique calm a, digo a m im m esm a. Ele provavelm ente j á está de volta lá em cim a.

— Willem ? — cham o.

Não há resposta.

Corro de volta para o andar de cim a do estúdio onde dorm im os. Está bagunçado. No chão está m inha bolsa, o conteúdo esparram ado para fora. Mas a m ochila, as coisas dele, não estão lá.

Meu coração com eça a bater forte. Corro até m inha bolsa e a abro, procurando m inha carteira e m eu passaporte, m eu pouco dinheiro. Im ediatam ente m e sinto um a idiota. Ele pagou para que eu viesse até aqui. Ele não iria m e roubar. Lem bro a m im m esm a da vergonha em que m e m eti ontem no trem .

Subo e desço as escadas, agora cham ando o nom e dele, que ecoa de volta com o se as paredes estivessem rindo de m im .

— Willem , Willem !

O pânico está chegando. Tento afastá-lo com a lógica. Ele saiu para buscar algum a coisa para com er. Para encontrar um lugar para dorm ir.

Fico em pé ao lado da j anela e espero.

Paris com eça a acordar. O gradil das loj as com eça a subir, as calçadas são varridas. As buzinas dos carros com eçam a roncar, as bicicletas, a buzinar, o som de passadas sobre o pavim ento m olhado de chuva se m ultiplica.

Se as loj as estão abertas, devem ser nove horas, certo? Dez? Logo os artistas chegarão, e o que farão quando m e encontrarem escondida no esconderij o deles, com o a Cachinhos Dourados?

Resolvo esperar do lado de fora. Calço m eus sapatos, penduro a bolsa sobre o om bro e vou em direção à j anela aberta. No entanto, à luz fria do dia, sem vinho para m e dar coragem ou Willem para m e aj udar, a distância entre o segundo andar e o chão parece ser grande dem ais para levar um tom bo.

Você subiu, consegue descer, puno a m im m esm a. Mas, quando coloco o pé sobre o parapeito e alcanço o andaim e, m inha m ão escorrega e m e sinto tonta. Im agino m eus pais recebendo a notícia de m inha m orte ao cair de um prédio em Paris. Caio de volta para dentro do estúdio, hiperventilando dentro da cavidade de m inhas m ãos.

Onde ele está? Onde, pelo amor de Deus, ele está? Minha m ente bate e volta nas razões do atraso dele. Ele foi buscar dinheiro. Foi buscar m inha m ala. E se ele caiu ao sair pela j anela? Fico em pé de um salto, cheia do otim ism o retorcido de que o encontrarei estatelado no chão debaixo da calha, ferido m as bem , e então posso cum prir m inha prom essa de cuidar dele. Mas não há nada em baixo da j anela, exceto um a poça de água suj a.

Mergulho de volta no chão do estúdio, sem fôlego de tanto m edo, que agora está num a escala Richter totalm ente diferente da que estava no trem .

Mais tem po passa. Abraço m eus j oelhos, trem endo na m anhã úm ida. Eu m e arrasto para o andar de baixo. Tento a porta da frente, m as está trancada por fora. Tenho a sensação de que ficarei trancada aqui para sem pre, que envelhecerei, secarei e m orrerei trancada neste lugar.

Até que horas os artistas dorm em ? Que horas são? No entanto, não preciso de um relógio para saber que j á faz m uito tem po que Willem saiu. A cada m inuto que passa as explicações que continuo tram ando se tornam m ais e m ais evasivas.

Finalm ente, escuto o barulho da corrente e das chaves se encaixando nos cadeados, m as, quando a porta se abre, é um a m ulher com duas longas tranças carregando um m onte de telas de pintura enroladas. Ela m e olha e com eça a falar com igo em francês, m as eu sim plesm ente passo por ela.

Lá fora, na rua, procuro Willem , m as ele não está aqui. Parece que ele nunca esteve aqui, neste pedaço horroroso com restaurantes chineses baratos e oficinas e bloco de apartam entos, tudo cinza na chuva cinzenta. Por que um dia achei que este lugar era bonito?

Corro para a rua. Os carros buzinam para m im ; as buzinas, um som estranho e estrangeiro, soam com o se falassem outra língua. Rodo em círculos, não fazendo a m enor ideia de onde estou, sem a m enor ideia de para onde ir, m as querendo desesperadam ente estar em casa. Em casa na m inha cam a. Segura.

As lágrim as dificultam a visão, m as, de algum m odo, tropeço pela rua, pela calçada, indo de quarteirão em quarteirão. Desta vez ninguém está m e perseguindo. Desta vez, porém , estou com m edo.

Corro por vários quarteirões, subo vários degraus até chegar a um tipo de pátio com um daqueles suportes para bicicletas cinza e brancas, um a im obiliária, um a farm ácia, um café, na frente do qual há um a cabine telefônica. Melanie! Posso ligar para Melanie! Respiro fundo várias vezes, engulo o choro e sigo as instruções para conseguir falar com a telefonista internacional. Mas a ligação vai direto para a caixa postal. Claro que vai. Melanie desligou o telefone para evitar as ligações de m am ãe.

Um a telefonista aparece na linha para m e dizer que não posso deixar recado porque a ligação é a cobrar. Com eço a chorar. A telefonista m e pergunta se deveria ligar para a polícia para m im . Eu soluço um “não” e então ela m e pergunta se poderia ligar para m ais alguém . E é então que eu m e lem bro do cartão da Sra. Foley.

Ela atende com um ríspido “Pat Foley ”. A telefonista tem que perguntar três vezes se ela aceita a ligação a cobrar porque eu com eço a chorar ainda m ais no m inuto que ela atende, e ela não consegue escutar a pergunta.

— Ally son. Ally son. Qual é o problem a? Está m achucada? — a Sra. Foley pergunta pelo telefone.

Estou assustada dem ais, anestesiada dem ais para sentir qualquer dor. Isso virá depois.

— Não — digo com a voz m ais baixa de todas. — Preciso de aj uda.

A Sra. Foley consegue tirar o básico de m im . Que fui para Paris com um garoto que conheci no trem . Que estou presa aqui, perdida, sem dinheiro, sem a m enor ideia de onde estou.

— Por favor — suplico. — Só quero ir para casa.

— Vam os tentar trazer você de volta para a Inglaterra, está bem ? — diz ela calm am ente. — Você tem passagem de trem ?

Willem com prou para m im um a passagem de ida e volta, eu acho. Fuço dentro da bolsa e tiro m eu passaporte. O bilhete ainda está dobrado cuidadosam ente dentro dele.

— Acho que sim — digo à Sra. Foley com a voz estrem ecida.

— Para quando está m arcada a volta?

Olho a passagem . Os núm eros e datas todos se m isturam .

— Não sei dizer.

— No canto esquerdo na parte de cim a. O horário aparece naquele form ato de vinte e quatro horas.

E então eu vej o.

— Treze e trinta.

— Treze e trinta — repete a Sra. Foley naquela voz agradavelm ente eficiente dela. — Excelente. Isso é um a e m eia. Passa um pouco do m eio dia, então você tem tem po para pegar o trem . Consegue chegar a um a estação de trem ? Ou ao m etrô?

Não tenho ideia. E não tenho dinheiro.

— Não.

— E um táxi? Consegue pegar um táxi até a Gare du Nord?

Chacoalho a cabeça. Não tenho nenhum euro para pagar o táxi. Digo isso à Sra. Foley. Consigo ouvir a desaprovação no silêncio dela. Com o se nada que j á tivesse dito a ela pudesse dim inuir a consideração dela por m im , m as vir a Paris sem dinheiro suficiente? Ela respira fundo.

— Posso conseguir um táxi daqui e fazer o pré-pagam ento para levá-la até a estação de trem .

— Dá para fazer isso?

— Apenas m e diga onde está.

— Não sei onde estou — grito bem alto. Não prestei absolutam ente nenhum a atenção para onde Willem estava m e trazendo ontem . Eu m e entreguei.

— Ally son! — A voz dela é um tapa na cara, e teve exatam ente o efeito pretendido. Faz parar m eu chororô — Calm a. Agora coloque o telefone de lado por um m om ento e vá anotar o cruzam ento m ais próxim o.

Enfio a m ão na bolsa para procurar um a caneta, m as não tem nenhum a. Coloco o telefone de lado e m em orizo os nom es das ruas.

— Estou na Avenue Sim on Bolivar com a Rue de l’Equerre. — Estou assassinando a pronúncia. — Em frente a um a farm ácia.

A Sra. Foley repete a inform ação, então m e diz para não sair do lugar, que um carro estará aqui dentro de m eia hora e que é para eu ligar de volta para ela se ele não chegar. Que, se não receber notícias m inhas, presum irá que eu estarei no trem da um a e m eia para St. Pancras, e que vai m e encontrar em Londres bem na ponta da plataform a às duas e quarenta e cinco. Não posso ir em bora da estação sem ela.

Quinze m inutos depois, um a Mercedes preta para na esquina. O m otorista segura um a placa e, quando vej o m eu nom e, Ally son Healey, sinto-m e tanto aliviada quanto desolada. Lulu, sej a lá de onde veio, definitivam ente j á era.

Escorrego para o banco de trás e saím os para o que acabou sendo um a viagem de dez m inutos até a estação de trem . A Sra. Foley havia com binado com o m otorista que ele m e levaria até lá dentro, para m e m ostrar exatam ente onde em barcar. Estou em choque enquanto percorrem os nosso cam inho até a estação, e é só quando estou enfiada no assento e vej o as pessoas carregando as m alas pelos corredores que m e dou conta de que deixei a m inha na boate. Todas as m inhas roupas e todos os suvenires da viagem estão lá. E eu não m e im porto. Perdi algo m uito m ais valioso em Paris.

Mantenho o controle até o trem entrar no túnel. E talvez sej a a segurança da escuridão ou a lem brança da j ornada de ontem em baixo d’água que faz tudo desandar, m as, assim que saím os de Calais e as j anelas escurecem , com eço a soluçar de novo, m inhas lágrim as salgadas e infinitas com o o m ar que estou atravessando.

Em St. Pancras, a Sra. Foley m e acom panha até o café, m e coloca a um a m esa de canto e com pra um chá que esfria na xícara. Conto-lhe tudo agora: a peça de teatro de Shakespeare clandestina em Stratford-upon-Avon. Encontrar Willem no trem . A viagem a Paris. O dia perfeito. O m isterioso desaparecim ento dele nesta m anhã, que eu ainda não com preendo. Meu ataque de pânico.

Espero que ela sej a rígida, desaprovadora, por eu tê-la enganado, por ser um a garota nem tão boazinha assim , m as, em vez disso, ela é solidária.

— Ah, Ally son — diz ela.

— Sim plesm ente não sei o que pode ter acontecido com ele. Esperei e esperei pelo m enos por algum as horas, e fiquei tão assustada. Entrei em pânico. Sei lá, talvez devesse ter esperado m ais tem po.

— Poderia ter esperado até o próxim o Natal, e não posso im aginar com o isso teria sido de algum a valia — declara a Sra. Foley.

Olho para ela. Consigo sentir m eus olhos im plorando.

— Ele é ator, Ally son. Ator. São os piores de todos.

— A senhora acha que a coisa toda foi um a encenação? Um a m entira? — Balanço m inha cabeça. — Ontem não foi um a m entira. — Minha voz é enfática, apesar de não ter m ais certeza de a quem estou tentando convencer.

— Eu ousaria dizer que foi verdadeiro naquele m om ento — explica ela, m edindo as palavras. — Mas os hom ens são diferentes das m ulheres. As em oções deles são caprichosas. E os atores se ligam e se desligam rapidam ente.

— Não foi um a encenação — repito, m as m eu argum ento está perdendo a força.

— Você dorm iu com ele?

Por um segundo, ainda consigo senti-lo em m im . Afasto o pensam ento, olho para a Sra. Foley e assinto.

— Então ele conseguiu o que queria. — As palavras dela são obj etivas, m as não indelicadas. — Im agino que ele não tenha planej ado m ais do que um a paquera de um dia. Foi exatam ente isso que ele propôs, afinal.

E foi m esm o. Até não ser. A noite passada nós declaram os nossos sentim entos um ao outro. Estou prestes a contar isso à Sra. Foley. Mas, então, paro de súbito: declaram os m esm o algum a coisa? Ou eu sim plesm ente sonhei m uito alto?

Penso em Willem . Penso nele de verdade. O que realm ente sei sobre ele? Apenas alguns fatos: a idade, a altura, o peso, a nacionalidade, e, na verdade, não sei nem isso, pois ele disse que sua m ãe não era holandesa. Ele é um viaj ante. Um itinerante, para ser sincera. O acaso é a força m otriz da vida dele.

Não sei a data do aniversário dele. Ou sua cor favorita, ou o livro favorito, ou o tipo preferido de m úsica. Ou se teve um anim al de estim ação quando era pequeno. Não sei se algum dia j á quebrou algum osso. Ou com o conseguiu a cicatriz no pé, ou por que está fora de casa há tanto tem po. Não sei nem m esm o o sobrenom e dele! E isso é ainda m ais do que ele sabe sobre m im . Ele nem m esm o sabe o m eu prim eiro nom e!

Dentro desse pequeno café horrível, sem o brilho rom ântico de Paris transform ando tudo num a beleza cor-de-rosa, com eço a ver as coisas com o elas realm ente são: Willem m e convidou para ir a Paris por um dia. Nunca m e prom eteu nada m ais. A noite passada tinha até tentado m e m andar para casa. Ele sabia que Lulu não era o m eu nom e verdadeiro, e não fez nenhum tipo de tentativa para saber quem eu era de fato. Quando sugeri passar m ensagens de texto ou um e-m ail com a foto de nós dois, ele sabiam ente se recusou a m e dar seus detalhes de contato.

Não que ele tivesse m entido. Willem disse que tinha se apaixonado m uitas vezes, m as nunca ficara apaixonado. Ele se entregava ao sacrifício. Penso nas garotas do trem , em Céline, nas m odelos, na garota do café. E isso foi som ente em um dia j untos. Quantas de nós estavam por aí? Em vez de aceitar m inha parte e curtir m eu dia e seguir em frente, finquei os saltos. Disse a ele que estava apaixonada. Que queria cuidar dele. Im plorei por m ais um dia, assum i que ele tam bém queria. Mas ele não m e respondeu. Ele, de fato, nunca disse sim .

Ah, m eu Deus! Tudo faz sentido agora. Com o eu pude ter sido tão ingênua? Me apaixonar? Em um dia? Foi tudo um a m entira. Tudo um a ilusão. À m edida que a realidade se cristaliza, a vergonha e a hum ilhação m e deixam tão enj oada que m e sinto tonta. Coloco a cabeça entre as m ãos.

A Sra. Foley estica o braço para dar um tapinha em m inha cabeça.

— Isso, isso, querida. Coloque para fora. Previsível, sim , ainda que sej a brutal. Ele podia pelo m enos ter levado você até a estação de trem , dito adeus e nunca m ais ligar. Um pouco m ais civilizado. — Ela aperta m inha m ão. — Isso tam bém vai passar. — Ela faz um a pausa, inclina-se para m ais perto. — O que aconteceu com o seu pescoço, querida?

Minha m ão voa até m eu pescoço. O curativo sai e o corte noj ento está com eçando a coçar.

— Nada — digo. — Foi um … — Estou prestes a dizer acaso, m as paro. — Um a árvore.

— E onde está o seu lindo relógio? — pergunta ela.

Abaixo os olhos até o m eu pulso. Vej o m inha m arca de nascença, feia, nua, cham ativa. Puxo a m anga do suéter para cobri-la.

— Está com ele.

Ela m orde a língua.

— Eles fazem isso às vezes. Levam coisas com o um tipo de troféu. Com o assassinos em série. — Ela engole o últim o gole do chá. — Que tal levarm os você até Melanie?

Passo para a Sra. Foley o pedaço de papel com o endereço de Veronica, e ela pega um guia London A-Z para encontrar o cam inho. Pego no sono no m etrô, m inhas lágrim as contidas com força, a brancura da exaustão é o único conforto que tenho agora. A Sra. Foley m e chacoalha para m e acordar na estação de destino e m e leva à casa vitoriana de tij olinhos verm elhos onde fica o flat dela.

Melanie vem correndo até a porta, j á vestida para o passeio desta noite ao teatro. O rosto dela está brilhando de expectativa, esperando para ouvir um a história m aravilhosa. Mas, então, ela vê a Sra. Foley, e sua expressão m uda repentinam ente. Sem saber de nada, ela sabe tudo: Melanie disse adeus a Lulu na estação ontem , e é Ally son quem lhe é devolvida, com o um a m ercadoria com defeito. Balança a cabeça um pouquinho, com o se nada disso fosse surpresa para ela. Então tira os saltos altos e abre os braços para m im ; quando entro dentro deles, a hum ilhação e o coração partido m e fazem cair de j oelhos. Melanie afunda no chão ao m eu lado, os braços dela m e abraçando com força. Atrás de m im , ouço os passos da Sra. Foley se retirando. Deixo-a ir em bora sem dizer um a palavra. Não a agradeço. E j á sei que j am ais a agradecerei, e que isso é errado, considerando a grande gentileza que fez por m im . Mas, se eu quiser sobreviver, nunca, j am ais poderei m e lem brar deste dia de novo.