Apenas um Dia

Gayle Forman · Capítulo 24 de 40

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Apenas um Dia

Capítulo 23

23

 

NOME: Willem

NACIONALIDADE: Holandês

IDADE: 20 anos em agosto passado

CRESCEU EM AMSTERDÃ

PAIS: Yael e Bram . Mãe não é holandesa. Mãe é m édica naturopata.

Um m etro e noventa, o que são aproxim adam ente seis pés e três polegadas; 75 quilos, o que são aproxim adam ente 165 libras.

Integrou a trupe de teatro Will Guerrilheiro no verão passado.

Essa é a lista com pleta de fatos biográficos concretos que tenho de Willem . Tom a m ais ou m enos um terço de um a página de um dos m eus cadernos de laboratório abandonados. Quando term ino, a lista é com o um tapa na cara sarcástica da realidade. Você acha que se apaixonou por alguém e isso é tudo o que sabe sobre ele? Oito coisas? E com o eu o encontraria com essas oito coisas? Esqueça aquela história de procurar um a agulha no palheiro. Isso é fácil. Pelo m enos a agulha sobressairia. Eu estou procurando um a agulha específica num a fábrica de agulhas.

Oito coisas. É hum ilhante. Olho para a folha e estou prestes a rasgá-la e am assá-la.

No entanto, em vez disso, viro a página e com eço a escrever um a lista diferente. Coisas aleatórias. Com o o olhar surpreso no rosto dele quando eu adm iti ter achado que ele fosse um sequestrador. E o j eito com o m e olhou no café quando descobriu que eu era filha única e m e perguntou se eu era sozinha. A felicidade boba enquanto aj udava no barco com o Capitão Jack. O quanto m e senti bem ao pensar que era a responsável por ele estar daquele j eito. O j eito de Paris sob o canal. A visão dele por detrás da bicicleta. A fúria em seus olhos quando saiu correndo para aj udar aquelas garotas no parque. A segurança da m ão dele agarrando a m inha enquanto corríam os pelas ruas de Paris. A expressão sensível em seu rosto quando perguntei por que tinha m e levado para lá. E, m ais tarde, no ateliê, com o ele olhou para m im e m e fez sentir tão grande e forte e capaz e coraj osa.

Deixei as m em órias m e inundarem à m edida que preenchia a página. Então outra. E então não estou m ais escrevendo sobre ele. Estou escrevendo sobre m im . Sobre todas as coisas que senti naquele dia, incluindo o pânico e o ciúm e, m as, acim a de tudo, sobre sentir que o m undo não era nada além de possibilidades.

Preencho três páginas. Nada do que estou escrevendo vai m e aj udar a encontrá-lo. Mas, ao escrever, m e sinto bem ; não, não apenas bem , plena. De algum m odo, centrada. É um sentim ento que não tenho há m uito, m uito tem po, e é isso, m ais do que qualquer outra coisa, que m e convence a procurá-lo.

 

A coisa m ais concreta na lista é Will Guerrilheiro, então eu com eço dali. Eles têm um site bem básico, que m e deixa anim ada até eu ver o quanto está desatualizado. As notícias são de dois verões atrás. Mesm o assim , há um ícone de contato com um endereço de e-m ail. Passo horas com pondo dez e-m ails diferentes e, então, finalm ente apago todos em favor de um m ais sim ples:

Olá,

Estou tentando encontrar um cara holandês chamado Willem, 20 anos, que

participou de Noite de Reis na temporada do verão passado. Eu assisti à peça e

o conheci em Stratford-upon-Avon; fui a Paris com ele em agosto. Se alguém

sabe onde ele está, por favor, avise que Lulu, também conhecida como Allyson

Healey, gostaria que ele entrasse em contato. Isto é muito importante.

 

Listo todas as m inhas inform ações de contato e então paro ali por um m om ento, im aginando os uns e zeros ou sej a lá o que for de que os e-m ails são feitos, viaj ando pelos oceanos e m ontanhas, aterrissando em algum lugar, na caixa de m ensagens de alguém . Quem sabe? Talvez até dele m esm o.

Em seguida aperto “Enviar”.

Trinta segundos depois, m inha caixa de m ensagens apita. Será? Será que seria tão rápido? Tão fácil? Alguém sabe onde ele está. Ou talvez ele tenha procurado por m im durante todo esse tem po.

Minha m ão trem e ao abrir a caixa de m ensagens. Mas tudo o que há ali é a m ensagem que acabei de m andar, sendo devolvida. Verifico o endereço. Mando-a novam ente. Ela volta.

— Prim eiro golpe — conto para Dee antes da aula no dia seguinte. Explico sobre o e-m ail que voltou.

— Não entendo de m etáforas esportivas, m as tenho certeza de que os j ogos de beisebol são bem longos.

— O que quer dizer…

— Vá fundo até conseguir.

O professor Glenny entra silenciosam ente e com eça a falar sobre Cimbelino, a peça que estam os prestes a com eçar, e anuncia a últim a cham ada para os ingressos de Como Gostais antes de dar um breve aviso para com eçarm os a pensar nas apresentações orais para o fim do ano.

— Podem trabalhar sozinhos ou com seus parceiros, fazer um a apresentação básica ou algo m ais teatral.

— Farem os um a teatral — sussurra Dee.

— É o j eito de Glenny.

E então olham os um para o outro com o se am bos tivéssem os tido a m esm a ideia. Depois da aula, vam os até o púlpito, onde o grupo de puxa-sacos está sorrindo com afetação.

— Olá, Rosalinda. Veio para com prar seu ingresso para Como Gostais?

Ruborizo.

— Já com prei o m eu. Na verdade, estou tentando encontrar alguém com quem perdi contato e de quem não tenho m uitas pistas, m as a única que tenho é através de um a trupe shakespeariana a que assisti em Stratford-upon-Avon no ano passado; eles têm um site, m as o e-m ail voltou. Sei que encenaram um a peça há m enos de um ano…

— Em Stratford-upon-Avon?

— É. Mas não num teatro. Era um a coisa m eio underground, um grupo. Era cham ado Will Guerrilheiro. Eles se apresentaram na baía do canal. Eram m uito bons. Na verdade, eu deixei de ver o Hamlet da RSC para assistir a Noite de Reis com eles.

O professor Glenny gosta disso.

— Entendo. E você perdeu um Sebastian, não foi? — Eu engasgo e fico verm elha, m as então percebo que ele estava se referindo à peça. — Tenho um velho am igo no escritório de turism o de lá. Will Guerrilheiro, você disse?

Balanço a cabeça.

— Verei o que consigo encontrar.

Na sem ana seguinte, um pouco antes da sem ana do saco cheio, o professor Glenny m e passa um endereço.

— Isto é o que m eu am igo encontrou. É dos arquivos da polícia. Aparentem ente os seus am igos da Will Guerrilheiro têm o hábito de se apresentar sem licença, e isto aqui se refere a um a detenção antiga. Não tenho certeza se está atualizado.

Olho para o endereço. É de um a cidade na Inglaterra cham ada Leeds.

— Obrigada — digo.

— De nada. Depois m e conte com o term ina.

À noite, im prim o a cópia do e-m ail que enviei à Will Guerrilheiro, m as então m udo de ideia e escrevo um a carta à m ão para Willem .

Querido Willem,

Há nove meses tenho tentado me esquecer de você e do dia que passamos

em Paris, mas, como você pode ver, não estou me saindo bem. Acho que, mais

do que qualquer coisa, quero saber: você simplesmente foi embora? Se for isso,

tudo bem. Quer dizer, não, mas, se eu souber a verdade, vou conseguir superar.

E, se você não foi embora, não sei o que dizer a não ser que sinto muito por eu

ter ido.

Não sei qual será sua reação ao receber esta carta, vinda de um fantasma do

passado. Mas, independentemente do que tenha acontecido, espero que você

esteja bem.

 

Assino Lulu e Ally son e deixo todos os detalhes dos m eus vários contatos. Coloco-a num envelope e escrevo: A Willem, aos cuidados de Will Guerrilheiro. Na noite antes da sem ana do saco cheio, coloco-a no correio.

 

Passo um feriado entediante em casa. As férias de Melanie não coincidem com as m inhas, e eu sinto saudade e ao m esm o tem po alívio por não ter que vê-la. Eu m e enfio no quarto, posiciono os livros de ciências ao m eu redor e passo o tem po fazendo buscas no Facebook e no Twitter e todo tipo de pesquisa im aginável nas redes sociais, m as, ao fim e ao cabo, ter só o prim eiro nom e é um pouco problem ático. Principalm ente porque Willem é um nom e bem com um na Holanda. Mesm o assim , entro em centenas de páginas, olhando para fotos de todos os tipos diferentes de Willem s, m as nenhum é ele.

Crio um perfil no Facebook com o Lulu com fotos de Louise Brooks e m inhas. Mudo o status todo dia, para algo que apenas ele entenda. Você acredita em acasos do universo? Nutella é chocolate? Apaixonar-se é a mesma coisa que estar apaixonado? Recebo solicitações de am izade de m alucos new age. Recebo solicitações de pervertidos. Recebo solicitações de um fã-clube de Nutella em Minnesota (quem poderia im aginar?). Mas nada dele.

Tento procurar os pais dele. Faço buscas com binadas: Willem , Bram , Yael e então só Bram , Yael. Mas, sem um últim o nom e, não consigo nada. Pesquiso cada site holandês de naturopatia que consigo encontrar, buscando um a Yael, m as nada aparece. Faço um a pesquisa no Google com o nom e de Yael, e é um nom e hebreu. A m ãe dele é j udia? Israelense? Por que não pensei em fazer essas perguntas a ele quando tive a chance? Eu sei por quê. Porque, quando estava com ele, sentia com o se j á o conhecesse.