Apenas um Dia
Capítulo 3
3
O Eurostar é um trem am arelo, suj o de lam a e de nariz arrebitado. Ao em barcarm os, estou suada e sem fôlego. Desde que nos despedim os de Melanie e, apressados, trocam os inform ações, planos e lugares de encontro para am anhã, Willem e eu estam os correndo. Para fora de Mary lebone. Pelas ruas m ovim entadas de Londres e para dentro do m etrô, onde eu entro num tipo de briga com os portões, que se recusam três vezes a se abrir para m im , até que finalm ente abrem , antes de se fecharem sobre m inha m ala, fazendo m inha etiqueta de bagagem da Teen Tours! voar para debaixo da m áquina de bilhetes autom áticos.
— Acho que agora vou arm ar um a confusão.
Na cavernosa estação St. Pancras, Willem aponta para os painéis de inform ação de destinos m e girando pelos braços antes de m e puxar, às cotoveladas, até a fila para as passagens do Eurostar, onde j oga seu charm e para a vendedora e consegue trocar sua passagem de volta para casa por um a passagem para Paris, e então usa m uitas de suas libras para com prar a m inha passagem . Em seguida, passam os apressadam ente pelo check-in, m ostrando nossos passaportes. Por um segundo, fico preocupada que Willem possa ver m eu passaporte, que não pertence a Lulu, m as a Ally son; não só a Ally son, m as à Ally son de 15 anos em m eio a alguns problem as com acne. Mas ele não olha, e nós descem os até o saguão de em barque futurístico, bem a tem po de nos acom odarm os no andar de cim a de nosso trem .
Só quando nos sentam os em nossas poltronas m arcadas é que recupero o fôlego e percebo o que acabo de fazer. Estou indo para Paris. Com um estranho. Com este estranho.
Finj o m exer em m inha m ala enquanto dou um as olhadas nele. Seu rosto m e faz lem brar um a daquelas roupas que só algum as garotas com estilo conseguem usar: peças descom binadas que não funcionariam sozinhas, m as que, de algum a form a, com binam quando colocadas j untas. Os ângulos são profundos, quase agudos, m as os lábios são m acios e verm elhos, e há m açãs suficientes em seu rosto para fazer um a torta. Ele parece velho e j ovem ao m esm o tem po; rude e delicado. Não é bonito do m esm o j eito que Brent Harper, que foi eleito o m ais belo na prem iação dos form andos, o que j á era previsível. Mas não consigo parar de olhar para ele.
Pelo visto, não sou a única. Algum as garotas de m ochila nas costas passam pelo corredor, os olhos negros e pesados parecendo dizer Comemos sexo no café da manhã. Um a delas sorri para Willem ao passar e diz algo em francês. Ele responde tam bém em francês, e a aj uda a colocar a m ala no com partim ento de cim a. As garotas sentam -se do outro lado do corredor, um a fileira atrás da nossa, a m ais baixa diz algum a coisa, e elas riem . Quero perguntar o que foi dito, m as, de repente, sinto-m e incrivelm ente infantil e deslocada, obrigada a m e sentar à m esa das crianças no Dia de Ação de Graças.
Ah, se eu tivesse estudado francês na escola secundária. Eu quis, no com eço do nono ano, m as m eus pais m e im ploraram para fazer m andarim . “Será o século da China; você estará m ais apta para o m ercado se souber falar a língua”, dissera m inha m ãe. Apta para quê?, m e perguntei. No entanto, estudei m andarim durante os últim os quatro anos e devo continuar no m ês que vem , quando com eçar a faculdade.
Estou esperando Willem se sentar, m as, em vez disso, ele olha para m im e em seguida para as garotas francesas, que, tendo guardado suas coisas, andam para lá e para cá pelo corredor.
— Os trens m e deixam com fom e. E você nem com eu seu sanduíche — diz ele. — Vou até o café buscar algum a coisa. O que você quer, Lulu?
Lulu provavelm ente gostaria de algo exótico. Morangos cobertos de chocolate. Ostras. Ally son é um a garota m ais do tipo sanduíche de pasta de am endoim . Não sei do que tenho vontade.
— Qualquer coisa está bom .
Observo-o se afastar. Pego um a revista do bolso da poltrona da frente e leio vários fatos sobre o trem : o túnel do Canal tem 50 quilôm etros. Foi aberto em 1994 e levou seis anos para ser construído. A velocidade m áxim a do Eurostar é de 300 quilôm etros por hora, o m esm o que 186 m ilhas por hora. Se eu ainda estivesse no tour, este seria exatam ente o tipo de inform ação banal que a Sra. Foley leria para nós em um de seus im pressos. Coloco a revista de lado.
O trem com eça a se m over tão suavem ente que só quando vej o a plataform a se afastar de nós, com o se estivesse se m ovendo, e não o trem , é que percebo que partim os. Ouço o apito tocar. Do lado de fora da j anela, os grandes arcos de St. Pancras dão um adeus reluzente antes de m ergulharm os num túnel. Olho ao redor do vagão. Todos parecem felizes e entretidos: lendo revistas ou digitando em laptops, passando m ensagens de texto, falando ao telefone ou conversando com os passageiros ao lado. As garotas francesas continuam sum idas.
Pego a revista de novo e leio a avaliação de um restaurante, sobre a qual não consigo absorver nada. Mais alguns m inutos se passam . O trem agora vai m ais rápido, passando arrogantem ente pelos feios depósitos londrinos. O condutor anuncia a prim eira parada, e o fiscal vem para pegar m eu bilhete.
— Alguém aqui? — pergunta ele, apontando para a poltrona vazia de Willem .
— Sim . — O problem a é que as coisas dele não estão lá. Não há nenhum a evidência de que ele j á esteve naquele lugar.
Dou um a olhada no relógio. São dez e quarenta e cinco. Quase quinze m inutos desde que saím os de Londres. Alguns m inutos depois, param os em Ebbsfleet, um a estação m oderna e elegante. Várias pessoas em barcam . Um hom em m ais velho com um a pasta ao lado da poltrona de Willem , com o se fosse se sentar ali, então dá outra olhada em seu bilhete e continua a descer pelo corredor. As portas do trem bipam e se fecham , e partim os novam ente. A vista da cidade de Londres dá lugar ao verde. A distância, vej o um castelo. O trem engole a paisagem vorazm ente; eu o im agino deixando para trás um rastro de terra m exida pelo cam inho. Agarro o encosto de braço, m inhas unhas bem enfiadas com o se esta fosse a prim eira subida sem fim de um a das m ontanhas-russas de colocar o alm oço para fora para as quais Melanie adora m e carregar. Apesar do ar-condicionado congelante, um a linha de suor se form a na m inha testa.
Nosso trem passa com um zum assustador por outro trem . Pulo no m eu assento. Após dois segundos, o outro trem acelera e passa por nós. E eu tenho a terrível sensação de que Willem está nele. O que é im possível. Ele teria que ter ido na frente, até outra estação, para conseguir entrar nesse outro trem .
Mas isso não quer dizer que ele estej a neste trem .
Olho no m eu relógio. Já faz vinte m inutos que ele foi até o vagão da cafeteria. Nosso trem nem tinha saído da plataform a. Ele poderia ter saído do trem com aquelas garotas m esm o antes de term os partido. Ou nessa últim a estação. Talvez sej a isto que elas tenham dito: “Por que não se livra dessa garota americana chata e fica com a gente?”
Ele não está neste trem .
A certeza tom a conta de m im com o m esm o zum do trem que passou. Ele m udou de ideia. Sobre Paris. Sobre m im .
Levar-m e a Paris foi com o um a com pra im pulsiva, tipo aquelas coisas inúteis colocadas ao lado do caixa do superm ercado. Quando chegam os do lado de fora da porta, nos dam os conta da porcaria que acabam os de com prar.
Mas, então, outro pensam ento m e aflige: e se isso for algum tipo de grande plano? Encontre a am ericana m ais ingênua que puder e fisgue-a para dentro do trem , então se livre dela e m ande o… sei lá… os brutam ontes para roubá-la? Minha m ãe gravou um episódio sobre algo desse tipo em 20/20. E se foi por isso que ele estava m e olhando na noite passada, se foi por isso que m e procurou no trem de Stratford-upon-Avon? Ele poderia ter escolhido um a presa m ais fácil? Já vi o Anim al Planet m uitas vezes e sei que os leões sem pre vão atrás das gazelas m ais fracas.
Mesm o assim , por m ais irreal que sej a essa possibilidade, até certo ponto há algum alívio nisso tudo. O m undo faz sentido novam ente. Isso pelo m enos explicaria por que eu estou neste trem .
Algo cai sobre m inha cabeça, m acio e barulhento, m as, em m eio ao pânico, m e faz saltar.
E outra coisa cai. Pego o proj étil, um pacote de batatas fritas de vinagre e sal da Walker’s.
Ergo os olhos. Willem tem o sorriso culpado de um ladrão de banco, sem falar no roubo caindo de suas m ãos: um a barra de chocolate, três xícaras de bebidas quentes, um garrafa de suco de laranj a debaixo de um braço, um a lata de Coca-Cola debaixo do outro.
— Me desculpe pela dem ora. A cafeteria é na outra ponta do trem , só abriram quando saím os de St. Pancras, e j á havia um a fila. Daí eu não tinha certeza se você gostava de café ou de chá, então trouxe os dois. Mas então m e lem brei da sua Coca, e voltei para pegar. Aí, no cam inho, trom bei com um belga m uito m al-hum orado e derram ei café em cim a de m im , então tive que fazer um desvio até o banheiro, m as acho que só piorei as coisas.
Ele despenca dois dos copos de papelão e a lata de refrigerante sobre a m esinha à m inha frente. Aponta para sua calça j eans, que agora tem um enorm e borrão m olhado bem na frente.
Não sou o tipo de pessoa que ri de piadas sobre peidos ou hum or grosseiro. Quando Jonathan Spalick deixou escapar um na aula de fisiologia no ano passado e a Sra. Huberm an precisou liberar a classe, histérica, m ais cedo, ela m e agradeceu por ter sido a única a dem onstrar algum tipo de autocontrole.
Assim , não sou do tipo que perde o controle. Por causa de um a m ancha m olhada.
Mesm o assim , quando abro a boca para inform ar a Willem que, na verdade, não gosto de refrigerante, que a Coca de antes era para a ressaca de Melanie, o que sai é um grunhido. E, assim que ouço m inha própria risada, acendo os fogos de artifício. Estou rindo tanto que tenho de buscar ar. As lágrim as de pânico que am eaçavam escapar dos m eus olhos agora têm um a desculpa segura para rolar sobre o m eu rosto.
Willem vira os olhos e dá um a olhada do tipo “tudo bem , tudo bem ” para o j eans. Pega alguns dos guardanapos da bandej a.
— Não achei que estivesse tão ruim . — Ele passa o guardanapo sobre a perna. — Café m ancha?
Isso m e faz m ergulhar ainda m ais fundo no paroxism o do riso. Willem dá um sorriso torto e paciente. Ele é nobre o bastante para aceitar ser m otivo de piada.
— Sinto. Muito — resfolego. — Não. Estou. Rindo. Da. Sua. Calça.
Calça. Em sua aula de inglês britânico versus inglês am ericano, a Sra. Foley nos inform ou que os ingleses cham am as roupas de baixo de calça e a calça de roupas de baixo, e deveríam os ser cuidadosos ao anunciar qualquer coisa relacionada às calças para evitar constrangim entos. Ela ficou verm elha ao explicar a questão.
Estou dobrada sobre as pernas agora. Quando consigo m e sentar, vej o um a das garotas francesas voltando pelo corredor. Quando chega atrás de Willem , coloca a m ão sobre o braço dele, e a deixa lá por um segundo. Então ela diz algo em francês antes de escorregar para sua poltrona.
Willem nem olha para ela. Em vez disso, vira-se para m im . Nos olhos negros dele se penduram pontos de interrogação.
— Achei que tivesse saído do trem . — A adm issão escapa pelas borbulhas de cham panhe do m eu alívio.
Ah, meu Deus. Será que eu disse isso de verdade? Solto um sorriso am arelo. Tenho m edo de olhar para ele. Se ele não queria m e deixar no trem antes, acabo de lhe dar um a razão agora. Sinto a poltrona afundar quando Willem se senta e, ao j untar coragem para espiá-lo, fico surpresa ao ver que não parece chocado nem chateado. Sim plesm ente tem aquele sorriso único e divertido no rosto.
Ele com eça a desem brulhar as porcarias e puxa um a baguete dobrada de dentro de sua m ochila. Depois de colocar tudo sobre as m esinhas, olha bem nos m eus olhos.
— E por que eu desceria do trem ? — ele pergunta finalm ente, a voz suave e brincalhona.
Eu poderia inventar um a m entira. Porque ele esqueceu algum a coisa. Ou porque se deu conta de que precisava voltar à Holanda e não havia tem po de m e dizer. Algo ridículo, m as m enos incrim inador. Mas não invento.
— Porque m udou de ideia. — Espero pela repulsa, pelo choque, pela pena, m as ele continua encantado, agora talvez um pouco intrigado. E eu sinto essa onda inesperada, com o se tivesse acabado de tom ar um a droga, m eu próprio elixir da verdade. Então conto o restante a ele. — Por um breve m om ento, achei que isto fosse parte de um golpe no qual você m e venderia com o escrava sexual ou coisa do tipo.
Olho para ele, m e perguntando se tinha ido longe dem ais. Mas Willem sorri enquanto coça o queixo.
— Com o eu faria isso? — pergunta.
— Sei lá. Teria que m e fazer desm aiar ou algo parecido. O que é aquela coisa que eles usam ? Clorofórm io? Colocam em um lenço e põem sobre o nariz, e você dorm e.
— Acho que isso é só nos film es. Para m im , provavelm ente é m ais fácil colocar droga na sua bebida, com o sua am iga suspeitou.
— Mas você m e trouxe três bebidas, um a delas sem abrir. — Eu seguro a lata de Coca. — Por falar nisso, não tom o Coca.
— Meu plano foi por água abaixo, então. — Ele dá um suspiro exagerado. — Que pena. Poderia conseguir um bom dinheiro por você no m ercado negro.
— Quanto você acha que eu valho? — pergunto, surpresa ao ver a rapidez com que o m edo se transform ou em m otivo de piada.
Ele m e olha de cim a a baixo, avaliando-m e.
— Bem , isso dependeria de vários fatores.
— Com o o quê?
— Idade. Quantos anos você tem ?
— Dezoito.
Ele balança a cabeça.
— Medidas?
— Cinco vírgula quatro pés; Cento e quinze libras. Não sei em m etros.
— Algum a parte do corpo incom um , cicatrizes ou m em bros falsos?
— Isso faz diferença?
— Fetichistas. Eles pagam a m ais.
— Não, não tenho próteses ou nenhum a coisa do gênero. — Então m e lem bro de m inha m arca de nascença, que é feia, quase com o um a cicatriz, que geralm ente m antenho escondida sob o relógio. Mas há algo estranham ente tentador com relação a expô-la. Coloco m eu relógio para baixo. — Eu tenho isto.
Ele olha, balançando a cabeça. E então pergunta casualm ente:
— Você é virgem ?
— Isso m e faria m ais ou m enos valiosa?
— Tudo depende do m ercado.
— Você parece saber m uito sobre isso.
— Fui criado em Am sterdã — com enta ele, com o se aquilo explicasse tudo.
— Então, quanto eu valho?
— Você não respondeu a todas as perguntas.
Tenho a sensação m ais estranha do m undo, com o se estivesse segurando o cinto de um roupão de banho e pudesse am arrá-lo m ais forte ou deixá-lo cair.
— Não, não sou. Virgem .
Ele balança a cabeça, m e olha de um j eito que m e deixa sem graça.
— Tenho certeza de que Boris ficará decepcionado — acrescento.
— Quem é Boris?
— O brutam onte ucraniano que fará o trabalho suj o. Você era só a isca.
Agora ele ri, j ogando o pescoço com prido para trás. Quando volta para buscar ar, ele diz:
— Costum o trabalhar com búlgaros.
— Pode fazer piada quanto quiser, m as houve um a coisa sobre isso na TV. Lem brando que eu não conheço você.
Ele faz um a pausa, olha bem nos m eus olhos e diz:
— Vinte. Um m etro e noventa. Setenta e sete quilos da últim a vez que chequei. Isto. — Ele aponta para um a cicatriz em zigue-zague no pé. Então m e olha bem no olho. — E não.
Levo um m inuto para perceber que ele está respondendo às m esm as quatro perguntas que m e fez. Quando percebo, sinto um calor com eçando a subir pelo pescoço.
— Além do m ais, tom am os café da m anhã j untos. Geralm ente conheço m uito bem as pessoas com quem tom o café da m anhã.
Agora as ondas gigantes de calor se transform am num rubor com pleto. Tento pensar em algo inteligente para dizer. Mas é difícil ser esperta quando alguém a olha desse j eito.
— Achou que eu deixaria você no trem ? — pergunta ele.
A pergunta é estranham ente dissonante depois de toda a brincadeira sobre o m ercado de escravos sexuais. Penso. Será que realmente achei que ele faria aquilo?
— Não sei — respondo. — Talvez estivesse tendo um pequeno ataque de pânico, porque fazer algo im pulsivo com o isso não tem nada a ver com igo.
— Tem certeza? — pergunta ele. — Afinal, você está aqui.
— Estou aqui — repito. E eu estou... aqui. A cam inho de Paris. Com ele. Olho para ele. Tem aquele sorrisinho, com o se houvesse algo infinitam ente encantador sobre m im . E talvez sej a isso, ou o balanço do trem , ou o fato de que nunca m ais o verei de novo depois ou, talvez, quando se abrir a porta da honestidade, não haj a cam inho de volta. Ou talvez sej a só porque eu quero. Mas deixo o robe cair no chão. — Achei que tivesse saído do trem porque eu estava tendo dificuldade de acreditar que estava no trem , para com eçar. Com igo. Sem um m otivo especial.
E essa é a verdade. Posso ter apenas 18 anos, m as j á m e parece bem óbvio que o m undo está dividido em dois grupos: o dos que fazem e o dos que observam . As pessoas com as quais as coisas acontecem e o restante de nós, que m eio que se arrasta sobre as coisas. As Lulus e as Ally sons.
Nunca m e ocorreu que fingindo ser Lulu eu pudesse fazer parte do outro grupo, m esm o que só por um dia.
Viro-m e para Willem , para ver o que ele vai dizer, m as, antes que ele possa responder, o trem m ergulha na escuridão do túnel do Canal. De acordo com o que li, em m enos de vinte m inutos estarem os em Calais e, um a hora depois, em Paris. Neste m om ento, tenho a im pressão de que o trem não está m e levando a Paris, m as a algum lugar com pletam ente novo.