Cantos Sagrados

Manuel de Arriaga · Capítulo 25 de 46

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Cantos Sagrados

II Á Luz

Ó Luz! tu és do mundo a Força, a Alma, a Vida,

A essencia do meu Ser, a minha propria Ideia,

O proprio Deus, talvez!... Belleza, Amor, Verdade!

 

Atraz de Ti caminha a Terra, mãe querida!

Bemdito caminhar! Por Ti minha alma anceia!...

Bemvinda sejas, pois, oh doce claridade!

 

Lisboa, 1898.

 

II

 

Á LUZ

 

Oh Luz dourada e pura!

Oh Luz, irmã do Amor!

Espelho e formusura

Da Alma do Senhor!

 

Em ti eu vejo e abraço

O author da creação,

Soltando pelo espaço

Explendida canção

 

Meus olhos que te admiram,

Bem como a Terra e os Ceus,

Ao verem-te, sentiram

O proprio olhar de Deus!

 

O ceu, mal vens n'aurora,

Mais alva que a alva lã,

De purpura colora

As faces de manhã!

A Terra, envolta em galas,

Mais bella que as Huris,

Reveste-se de opálas,

De perolas e rubis!

 

As aves innocentes,

Sentindo o teu fulgor,

Gorgeiam, de contentes,

Seus canticos d'amor!

 

Os lyrios junto ás fontes,

Perdendo o teu clarão,

As suas lindas fontes

Inclinam-se para o chão!

 

Eu mesmo, se em verdade

Sonhei, com Jesus,

O bem da Humanidade,

A Ti o devo oh Luz!

 

Oh candida alegria!

Espirito de Deus,

Que animas noite e dia

A Terra, o mar, e os ceus,

 

Adoro-te portento!...

E a Ti levando as mãos,