Cantos Sagrados
II Á Luz
Ó Luz! tu és do mundo a Força, a Alma, a Vida,
A essencia do meu Ser, a minha propria Ideia,
O proprio Deus, talvez!... Belleza, Amor, Verdade!
Atraz de Ti caminha a Terra, mãe querida!
Bemdito caminhar! Por Ti minha alma anceia!...
Bemvinda sejas, pois, oh doce claridade!
Lisboa, 1898.
II
Á LUZ
Oh Luz dourada e pura!
Oh Luz, irmã do Amor!
Espelho e formusura
Da Alma do Senhor!
Em ti eu vejo e abraço
O author da creação,
Soltando pelo espaço
Explendida canção
Meus olhos que te admiram,
Bem como a Terra e os Ceus,
Ao verem-te, sentiram
O proprio olhar de Deus!
O ceu, mal vens n'aurora,
Mais alva que a alva lã,
De purpura colora
As faces de manhã!
A Terra, envolta em galas,
Mais bella que as Huris,
Reveste-se de opálas,
De perolas e rubis!
As aves innocentes,
Sentindo o teu fulgor,
Gorgeiam, de contentes,
Seus canticos d'amor!
Os lyrios junto ás fontes,
Perdendo o teu clarão,
As suas lindas fontes
Inclinam-se para o chão!
Eu mesmo, se em verdade
Sonhei, com Jesus,
O bem da Humanidade,
A Ti o devo oh Luz!
Oh candida alegria!
Espirito de Deus,
Que animas noite e dia
A Terra, o mar, e os ceus,
Adoro-te portento!...
E a Ti levando as mãos,