Cantos Sagrados

Manuel de Arriaga · Capítulo 37 de 46

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Cantos Sagrados

Revellacão

Ao vêrmos a Nacionalidade Portugueza ha tres seculos desviada do seu destino historico sem conseguir reatar as tradições perdidas, apesar dos violentos abalos da natureza e dos homens para levantal'a do atoleiro em que se deixou cahir--a libertação de Hespanha, o terremoto de Lisboa, as reformas do marquez de Pombal, de Fernandes Thomaz, de Mousinho da Silveira, de Passos Manuel e de tantos outros; apesar dos movimentos revolucionarios de 1820, 1834 e 1846: chegámos a descrer do futuro d'este povo illustre cujos destinos se acham indissoluvelmente unidos aos nossos!...

Foi debaixo d'esta ordem de ideias sombrias que concebemos e compozémos esta poesia.

Ella era então, como ainda o é hoje, a expressão fiel do nosso pensar e do nosso sentir, e, como a anterior, mantemol'a tal qual nos sahiu espontaneamente da laboração do nosso espirito contemplativo, e sonhador.

 

REVELLACÃO

Paginas 25 a 32

Foi escripta esta poesia n'uma sexta-feira de Paixão, na quinta dos Frades Cruzios, de Coimbra, junto ao grande lago que hoje ainda alli se vê, cercado d'um espesso e alto muro de verdura entretecido com os ramos de cedros já hoje seculares.

A cinta feita por elles em volta do lago tranquillo é tão compacta que junto das suas margens sentimo-nos por completo sequestrados do mundo exterior, e levados á contemplação do infinito do Ceu no finito da Terra!...