Cantos Sagrados

Manuel de Arriaga · Capítulo 43 de 46

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Cantos Sagrados

Ao Sol

Paginas 108 a 111

Escrevemol'a debaixo das impressões dos cantos sagrados da India, no Rig Veda e sob a alta concepção que Renan fazia de Deus e do Sol quando affirmava que antes da Humanidade attingir aquella unidade e synthese suprema das almas, só o Sol tinha tido direito á adoração e culto dos Povos.

Sentimos a seu respeito, por intuição, o que mais tarde a sciencia nos revellou em obras memoraveis como o são alguns dos trabalhos de Flamarion sobre astronomia e designadamente o prodigioso e fascinante livro de Buchner La Lumière et Vie, que nos revellou com uma pujança de saber e de logica inexcedivel, e uma linguagem colorida e vigorosa incomparavel, as incalculaveis maravilhas da natureza que anteviamos com olhos apenas d'um poeta enamorado.

Se escrevessemos este C depois da leitura d'estes livros, a nossa linguagem teria sido de certo mais vibratil e as imagens de que nos serviriamos mais vivas e mais bellas.

A idéa fundamental da sua concepção teria ficado, porém, a mesma; a mesma, a nossa admiração, o nosso culto por esse glorioso vivificador dos mundos; por esse prodigioso distribuidor da luz, que, a ter de desapparecer do espectaculo das coisas visiveis, como lh'o prophetisam os seus admiradores e chronistas, o não faria sem deixar atraz de si, n'uma serie ininterrupta de seculos, a mais oppulenta das heranças, a mais genuina glorificação do heroe Bemfeitor por excellencia!

Aos olhos dos outros astros, seus competidores, sob a cupula infinita dos ceus, morreria destituido da sua antiga grandeza, para dar vida e continuação a novos mundos, como Jesus, no Calvario, pregado na cruz, deu a sua alma aos povos para redimil-os!...