Cantos Sagrados
Ave Creator
Tinhamos assistido durante tres dias consecutivos ás ceremonias commoventes da lithurgia catholica nas festas da Semana Santa, celebradas com pompa na Capella da Universidade.
Tinhamos ainda a alma combalida com os patheticos cantos do Miserere, de José Mauricio, e com as retumbantes orações dos levitas da Egreja, lançando do alto da sua cadeira sobre as multidões meio scepticas as suas palavras de desconforto e de desesperança sobre o destino humano, quando, fugindo a este meio deleterio e sombrio, appellámos para a Natureza, por ser esta aos nossos olhos a Biblia da Verdade e do Amor, escripta com palavras vivas e eternas, que não carecem das explicações dos concilios Ecumenicos, para serem os verdadeiros dogmas do nosso credo.
Alli, levantando o problema do destino humano na Terra, encontrámos palavras d'Amor e de Justiça que suppozemos dignas de consignarmos nos nossos versos, destinados a servir, nos nossos despertenciosos e apoucados recursos, a causa da Humanidade.
Este C pela sua structura e motivo fazia parte do Livro segundo, mas transpozemol o para aqui por conter a ideia inicial da philosophia que presidiu a quasi todos os outros.
AVE CREATOR
Paginas 37 a 40
Esta poesia foi escripta n'um bello dia de sol, no cimo d'uma montanha, em face d'um largo horisonte, na quinta da Beselga, que é proxima aos memoraveis campos d'Asseiceira, onde se feriu a ultima batalha a favor das armas liberaes. Pertence esta quinta a um dos nossos mais dilectos e dedicados amigos, o Conde de Nova Gôa.