Errante no campo da razão
6. A Cornucópia do meio ambiente pelo capitalismo
Os seres vivos parecem contradizer este segundo princípio, por gerarem uma organização molecular no sistema de decomposição
da mesma 31 realimentadora do processo. Na verdade, existe a possibilidade de criação de ordem em uma determinada região do universo, possibilitada por uma dispersão da energia para outra região. Neste sentido, o acréscimo de ordem seria de grandeza
inferior à desordem do cosmo como um todo 32.
Este mecanismo de dispersão de energia esclarece mais profundamente que nenhum recurso considerado renovável, o seja de fato devido à perda constante de energia. Um ecossistema consegue um equilíbrio homeostásico, isto é degrada o mínimo possível de energia, quando os fluxos de biomassa energética na cadeia alimentar estejam quase totalmente recuperados nos ciclos naturais, significando uma eficiência ótima ou ideal desse
ecossistema 33.
A Cornucópia do meio ambiente pelo capitalismo
O capitalismo acelerou consideravelmente esta atividade entrópica, pois ao manter e ampliar a sua produção ele necessita aumentar cada vez mais os investimentos em capital e energia, evidenciando uma contra produtividade energética no sistema. Por exemplo: pode-se gastar mais energia para se tirar petróleo de um poço
profundo, do que a energia que este irá fornecer34.
A instalação desta prática nas relações de produção é resultante de um longo processo histórico, através do qual o capitalismo estabelece a sua dominação na sociedade, realizada através de uma acumulação de capital gestada no plano internacional por uma espoliação colonial e imperialista. Ela é mais explicitamente visível nos continentes africano, americano e asiático. Ocorre também no interior das próprias nações colonialistas com uma expropriação e exploração dos trabalhadores.
O capitalismo que se instituiu atua em todas as dimensões: econômica, social, política, cultural, científica e tecnológica.
Quanto ao aspecto tecnológico, que juntamente com outros setores da sociedade propiciou o imenso desenvolvimento de alguns países, apresenta uma outra face de sua influência quando vislumbramos a intenção apropriativa de sua utilização. Ela é desnudada na intensidade de esgotamento dos recursos energéticos e naturais e na destruição da condição de vida pela poluição, pelas doenças degenerativas, pela contaminação de alimentos.
O sistema de produção capitalista instituído no mundo contemporâneo tem, além da propriedade privada dos meios de produção e da mão de obra assalariada, o mercado como um dos seus principais instrumentos. Seu objetivo é o de ampliar da forma mais veloz possível os lucros, para realimentar o seu sistema produtivo e auferir uma vida nababesca aos empresários.
O quantum de capital inicialmente investido na produção: compra de mão de obra, tecnologia, matéria-prima, publicidade e todo o aparato produtivo, deve retomar maximizado ao empresário para que ele possa se apropriar individualmente de uma fatia deste bolo e com o restante novamente produzir sua mercadoria competitivamente.
Como se trata de um mercado aberto e concorrencial, os
empresários adversários devem ser superados e destruídos 35 através da guerra da maximização dos lucros, que reduzam ao mínimo os custos de produção, que aumentem ao máximo o valor de venda dos produtos e transforme intensivamente todas as coisas em mercadorias.
A sociedade capitalista tem se utilizado da biomassa energética como um bem na maioria das vezes gratuito em seus cálculos de custo da produção. Apropriada e gerando lucros individualmente, ela acaba descapitalizando ecologicamente o meio ambiente e gerando despesas para a sociedade como um todo. E, por exemplo, a empresa madeireira que lucra no corte da floresta e é a sociedade que paga as despesas do reflorestamento.