Errante no campo da razão

Jozimar Paes de Almeida · Capítulo 3 de 36

Páginas do PDF

Errante no campo da razão

Errante no campo da razão

 

 

Venho de uma época, que inexistia o tempo, de uma esfera de lisura perfeita, insondável e imponderável; exemplar do Um e do Múltiplo, pulsando energias nucleares indescritíveis, congregando toda a matéria cósmica em um turbilhonamento universal. E de onde venho. Vou caminhar por onde não há caminhos, atravessar clandestinamente fronteiras, descansar do sol escaldante na sombra de meu discurso, secar o suor do meu rosto no vento da incerteza, refrescar meu corpo extenuado nas torrentes das cachoeiras, aquecer-me extasiadamente nas línguas do fogo, somente pelo caminho: E por isso que vou.

Levo no alforje um prisma singular transparente, de geometria irregular, mutante, meu instrumento de orientação.

Nunca ele me indica a certeza, e a cada momento que o utilizo mostra-me uma transformação constante do mundo no qual estou, é uma permanência da inconstância. A cada instante vivido e de fugazes encontros com outros andarilhos, o prisma se transforma apresentando-me através dele outras dimensões do mundo.